quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Povo Ingrato ou Políticos Estúpidos?

Partidos, Estado e Sociedade

Com o Plano Real o Brasil deixou de ser um país ingovernável para ser um país passível de ser modernizado.

Em economia isto também pode ser chamado de “Teoria da Utilidade”. Isto é, enquanto a inflação infernizava a vida de todo mundo, era impossível pensar em investir a longo prazo. A sobrevivência financeira estava acima de tudo. Era igual a comer ao menos duas refeições por dia, sem saber se haverá comida para o dia seguinte.

A iniciativa do Plano Real foi tão boa que o povo, reconhecendo o mérito dos autores, deu dois mandatos para um candidato sem história política e para sua equipe de neoliberais privatizarem quase tudo.

O problema foi que estes políticos acreditaram que podiam tudo e que o povo sempre iria reconhecer seus méritos intelectuais. Afinal, além de competentes doutores tinham o amplo apoio internacional. FHC tirava fotos com Clinton sorrindo e abraçando-o. “Era o brasileiro cordial", de Sérgio Buarque de Holanda.

Mas um dia, estes intelectuais cometeram o erro de fazerem como Sarney fez no Plano Cruzado. Mentiram para o povo, dizendo que a economia estava sob controle e, mal passou a eleição do segundo mandato de FHC, houve uma maxidesvalorização do Real e o povo ficou 50% mais pobre.

O povo não esquece “traição”. Sarney nunca mais voltou a ser o herói do Plano Cruzado nem FHC e seus intelectuais tiveram carta branca para governar. FHC passou por um longo ostracismo, inclusive sendo “escondido” por seus colegas de partido, como fez Serra.

Isto também vale para os governos Lula e Dilma

Nas passeatas e manifestações de junho de 2013, alguns políticos do PT também cometeram o equívoco de acharem os jovens ingratos por estarem criticando o governo. Ingratos?

Será que os jovens, os anistiados da vida, os padres, os profissionais liberais, os trabalhadores, enfim, será que os milhões de brasileiros que apoiaram Lula em 1989, contra Collor, fizeram isto para depois ver fotos de Lula com Maluf e tantos outros? Com certeza não.

Mas, será que isto é um mal necessário? Pode até ser, afinal, FHC percorreu o Nordeste com Antonio Carlos Magalhães, o famoso Toninho Malvadeza e deu-lhe até ministério. Renan participa de todos os governos... Collor, FHC, Lula e Dilma. É o protótipo do político brasileiro atual.

A Democracia precisa de Partidos, mas os Partidos precisam fazer Política de Estado, isto é, o Real virou lei e moeda nacionais, faz parte positiva da nossa história. Portanto, quando o Congresso Nacional comemora os 20 anos do fim da inflação galopante, todos os partidos e os brasileiros devem participar das comemorações.

O mesmo deve acontecer com os méritos dos governos Lula e Dilma. Bolsa Família, ampliação do acesso às escolas e universidades, pleno emprego, aumento geral dos salários, reserva cambial, relações internacionais, enfim, Lula, com todo seu jeito informal, mudou para melhor a vida de todos os brasileiros. Portanto, FHC, Lula, Dilma e tantos outros, fazem parte da boa história do Brasil nos últimos 40 anos.

Mas ainda há muito a ser feito. Muito, muito,muito.

A infraestrutura nacional ainda é um atraso, o conteúdo educacional também é um atraso, as políticas públicas não dão conta das demandas da população e os partidos políticos não representam mais o Brasil de hoje.

A Sociedade brasileira tem um Estado que não tem agilidade e este Estado é governado por políticos que não conseguem fazer as reformas estruturantes para que o Estado reflita à Sociedade atual e seus 200 milhões de brasileiros.

É uma pena que nossa imprensa também não represente este Brasil tão dinâmico e tão carente...

Haja ingratidão... ou estupidez.

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