terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Imprensa brasileira e violência

Luis Nassif também vê responsabilidade

De forma mais light e usando o criminalista Antonio Carlos Mariz como entrevistado, Luis Nassif também mostra que a Imprensa tem papel relevante no aumento da violência no Brasil.

O problema da violência não é de patologia individual,
mas de patologia coletiva:

Há uma disputa política, econômica e social contra os governos Dilma/Lula
e contra os beneficios que estes governos trazem para os pobres.
Isto é Luta de Classe.

Podem ler o livro “Psicologia de Massa no Fascismo”.
Por enquanto, leiam o texto de Nassif.

A influência da TV aberta na violência difusa

Coluna Econômica Luis Nassif - 11/02/2014

Criminalista dos mais conhecidos, Antonio Carlos Mariz de Oliveira espantou-se com o nível atual de violência. "Eu entendo a violência do assaltante: ele rouba. Mas e a violência de quem não está sequer praticando crime, mas se torna criminoso de momento, desrespeitando valores? É a banalização do mal. Esse é um problema penal? De repressão? É muito mais grave do que o sistema penal apresenta: é um problema patológico".

A violência difusa tornou-se habitual, nos jogos de futebol, nas manifestações de rua, trazendo mais combustível na fogueira da violência institucionalizada do crime organizado e da polícia.

O país está enfermo. E há muitas causas para essa enfermidade. "Está se assistindo a essa violência incompreensível e nós apenas bradando por cadeias. Que se prenda, mas que se discutam as razões disso".

Mariz salienta a responsabilidade da TV aberta na criação desse clima, especialmente os telejornais sensacionalistas. Mas não exime também a imprensa escrita dessa responsabilidade.

"A televisão, como mais eficiente sistema de aculturamento, chegando onde a escola não chega, está prestando um desserviço à sociedade brasileira, tornou-se um eficiente meio de desagregação moral. Não porque mostra beijos de dois homossexuais, mas porque mostra que os problemas da vida são resolvidos à bala e o valor argentário é o mais relevante".

Continua ele: "A TV não veio só para o Ibope, mas para servir à sociedade como instrumento de formação. Mas a TV teatraliza, instiga e assinala para a sociedade que a única resposta possível ao crime é a prisão. Então o binômio crime-prisão é visto como sagrado. Ai do Judiciário se não prender naquele caso em que, sem processo, sem julgamento, ela julga culpado. E a TV faz questão de ir além da lei e ela mesmo aplica penas crueis, perpétuas, porque o mero suspeito é exposto à execração pública, antes mesmo de estar sendo investigado".

"A mídia pratica isso e nós, em nome da liberdade de imprensa, que é confundida com irresponsabilidade social. A imprensa tem que ter uma responsabilidade social", constata ele.

Há toda uma indústria cultural de exploração da violência, nos enlatados, nos games. Na ponta política, intelectuais radicais irresponsáveis, comodamente instalados em suas cátedras jogando a rapaziada no fogo, brincando de realidade ideológica virtual, sem pensar nas consequências para a vida de dezenas de rapazes inexperientes. E tudo isso em uma sociedade que, historicamente, destacou-se como das mais violentas do planeta.

Denuncia Mariz que o sistema prisional faliu. Há 200 mil pessoas nos presídios ou inocentes ou aguardando julgamento, tornando-se prato feito para o aliciamento pelo crime organizado. Na outra ponta, enormes dificuldades em enfrentar os verdadeiramente criminosos.

É tarefa quase impossível reverter essa maldição nacional.
Até hoje, os melhores programas de combate à criminalidade juntaram a educação, o lazer, o apoio aos jovens infratores com a repressão necessária ao crime. Mas são exemplos isolados.

Séculos de escravidão, de política resolvida a bala,
de vendetas, de jagunços,
legaram uma herança quase impossível de ser extirpada.

Blog: www.luisnassif.com.br

2 comentários:

  1. Caro Gilmar,cuidado com a generalização "a culpa é da imprensa".Como integrante da imprensa sempre fico chocado quando ouço tal frase.A imprensa não atira rojão ou dá tiro proposital em fotógrafo(caso Sergio Silva)A imprensa registra com riscos os fatos.Até no futebol ouve-se que a culpa é da imprensa,mas a imprensa não entra em campo,só registra um mau desempenho, a imprensa não governa mal ou gasta bilhões pela vaidade esportiva ou atrasa obras para encarece-la.Ela mostra e critica e a liberdade de aceitar é do público,sem imaginar teorias mirabolantes de conspiração
    Quanto a programas sensacionalistas existem no mundo inteiro até em países superdesenvolvidos que conheço bem
    mas não encontram o terreno fértil que a sequencia de desgovernos de todos matizes ,criou nessa área.
    Fico preocupado com a insistência do atual governo em ter o Controle Social da imprensa,Controle começa com a mesma letra de Censura.
    Abs de seu colega e vizinho Niels Andreas

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  2. Niels,
    Fiquei muito feliz com sua mensagem.
    A matéria de Nassif NÂO diz que a culpa é da imprensa, diz sim que a imprensa também tem responsabilidade.
    O problema do Brasil não é de Censura, mas de compromisso social.
    Abraços e Bom Verão.

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