quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Fui eu, foi você, fomos nós

Quem matou o cinegrafista, o trabalhador e a liberdade

Hoje a imprensa mostra fotos de dois adolescentes “assassinos”:

Um jovem de apenas 22 anos acendeu um foguete (rojão) e matou um cinegrafista no Rio de Janeiro.
Um outro jovem de apenas 19, que obrigou um zelador que acabara de sacar três mil reais numa agência bancaria, a se ajoelhar e deu dois tiros na cabeça, matando-o. Isto em São Paulo.

Ambos os casos em regiões nobres das cidades. Não foi na periferia.
Ambos os jovens têm idade de nossos filhos.

Por que nossos filhos estão consumindo drogas, tornando-se agressivos e até matando pessoas inocentes?

Para que estão servindo os mecanismos educadores como família, religião, escolas, trabalho, imprensa e poderes públicos?

Onde estamos errando?

Será que condenar estes adolescentes a vinte ou trinta anos de cadeia suja, corrupta e submetida aos Comandos Vermelhos e PCC’s da vida vai compensar a morte de trabalhadores e crianças? Será que vai reeducar estes adolescentes? Ou transformá-los em bandidos ferozes, sequestradores e matadores profissionais?

Outro dia, um grande amigo e vizinho, fotógrafo e jornalista de experiência internacional, ponderou que a crítica à imprensa poderia levar à censura. Eu respondi que a imprensa tem sim parte importante de responsabilidade pelo aumento da violência no Brasil. A imprensa precisa ter também responsabilidade social.

Todos nós temos obrigação de cuidar pela educação e segurança da nossa família e da nossa sociedade.

Quando a imprensa estimula o comportamento ensandecido de um ministro do STF, a imprensa está estimulando a violência; quando a imprensa divulga matérias tendenciosas, protegendo determinado partido ou político e denegrindo outros, também está estimulando a violência; quando a imprensa estimula que os adolescentes vá para as ruas e quebrem bancos e prédios públicos, e ainda manda seus profissionais sem coletes de identificação e sem proteção, a imprensa também está estimulando a violência. Quando parte da imprensa fez campanha pela liberação da venda de armas no Plebiscito, como foi o caso da Veja, está estimulando a violência.

E nós, simples mortais, quando vemos tudo isto e não protestamos,
quando não exigimos respeito às regras democráticas
e de convivência coletiva, ao nos omitir ante tudo isto,
também estamos estimulando a violência.

Quando a maioria silenciosa aceita a violência das minorias, seja esta violência praticada por jovens sem perspectiva de vida, ou seja praticada por profissionais da política suja, esta maioria também está estimulando a violência.

E para combater tanta violência, o Brasil não precisa de mais leis. O Brasil tem leis demais. O que falta no Brasil é o respeito às leis. Falta gente com credibilidade para mediar os conflitos e botar limite nos abusos.

Querem um exemplo de lei existente?
Existe há dezenas de anos no Brasil uma lei chamada “Interdito Proibitorium” que serve para impedir invasões de propriedade e manifestações que atrapalhem as vias públicas.

Os banqueiros, inclusive o Banco do Brasil, usam todos os anos esta lei para dificultar as greves dos bancários, mas, por motivos ocultos, não usam esta lei para proteger suas agências bancarias dos black blocs da vida. E a imprensa deleita-se filmando e fotografando os "vândalos mascados". Quando a polícia os prende, sempre aparece um advogado ou promotor para solta-los.

Será que os banqueiros e promotores também estão interessados na violência?

Como não sou governo, nem parlamentar, nem jornalista, nem banqueiro,
como sou apenas um trabalhador, aos 60 anos de vida,
mas que participou de tudo que aconteceu neste país dos anos 60 para cá,
na luta contra a Ditadura Militar e
na luta pela redemocratização do Brasil,
deixo aqui meu apelo:

- Vamos salvar nossos adolescentes!
- Vamos salvar a vida dos trabalhadores e das crianças!
- Vamos salvar a nossa frágil Democracia!
- Vamos salvar a LIBERDADE!

4 comentários:

  1. Bom texto, como sempre. E feliz lembrança, essa do interdito proibitório.

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  2. É isso Gilmar texto de muita sabedoria. bjs.

    Adozinda

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  3. Grande Companheiro Gilmar, compartilho de suas palavras, basta de violência!

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  4. Excelente, Gilmar. Merece ser compartilhado milhares de vezes!

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