terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

ALL-Rumo mais detalhes

Não pode ter monopólio público, mas pode ter privado?

Ainda mais sendo subsidiado pelo governo?
Este é o capitalismo que o PSDB e os neoliberais gostam. É a apropriação do Estado. Quem não se submeter ao transporte privado monopolizado, ficará fora. E chamam isto de capitalismo democrático. Se for assim, prefiro o capitalismo social onde se combina a infraestrutura pública com a diversidade do mercado. Sem monopólios ou oligopólios privados.

A sociedade precisa por limite na ganância natural dos capitalistas e estimular melhor produtividade dos trabalhadores. País que não produz e não é competitivo está fora do mercado internacional e não tem futuro.

Vejam alguns detalhes no resumo da boa matéria do jornal Valor de hoje:

Rumo oferta R$ 6,95 bi para incorporar ALL


Por Fábio Pupo, Fabiana Batista e Ivo Ribeiro | De São Paulo
Valor – 25/02/2014

O grupo de energia e logística Cosan formalizou ontem sua proposta de fusão entre a Rumo, sua subsidiária de transportes, e o grupo de ferrovias América Latina Logística (ALL) - conforme antecipou o Valor. Caso seja aprovado pelos acionistas controladores de ALL, o plano cria a maior empresa de operação logística de cargas do país - considerando um valor de mercado resultante de R$ 11 bilhões e um Ebitda anual superior a R$ 2 bilhões.

No futuro, a "Nova ALL" ou Rumo-ALL, como passou a ser chamada a companhia resultante, com uma estrutura de capital bem mais fortalecida e novos acionistas, poderá atrair mais sócios ao seu capital. Isso deverá permitir a empresa fazer investimentos além do dobro do que foi realizado nos últimos anos.

A operação considera um valor de mercado de R$ 4 bilhões para a Rumo e de R$ 6,95 bilhões para a ALL, equivalente a um preço implícito de R$ 10,184 por ação da ferrovia. O valor representa um prêmio de 57% sobre o preço de fechamento anterior ao comunicado (sexta-feira). Também é 32% acima da média da ALL nos últimos seis meses.

O presidente do conselho de administração da Cosan, o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, disse ao Valor que um grande plano de investimentos em logística está sendo detalhado. "Certamente, o projeto da nova empresa vai significar muito mais que o dobro do que vinha sendo investido pela ALL", afirmou. A empresa vinha aplicando em torno de R$ 750 milhões anuais em sua ferrovia - diretos e em manutenção da malha.

O empresário também se mostra otimista, desta vez, sobre a aceitação de todos acionistas da ALL sobre a proposta. No ano passado, uma outra oferta da Cosan, de compra de participações de três acionistas, foi negada pelos fundos de pensão e BNDES que estão no controle da ALL. "[Agora] Trata-se de um 'deal' (acordo) bom para os dois lados. Estamos confiantes de que os acionistas e o conselho da ALL vão aprovar a proposta", afirmou Ometto, que dá mais um passo para consolidação da Cosan como um grande player de logística e de energia.

O documento apresentado ontem pela Cosan propõe que a ALL seja completamente incorporada pela Rumo.
Para isso, a Rumo terá que abrir capital e ser listada em bolsa, no Novo Mercado, conforme exigem as regras do mercado de capitais nesses casos. A abertura está prevista para ocorrer ainda neste ano, informou o presidente da Cosan, Marcos Lutz, em teleconferência com jornalistas ontem.

Detalhados, os números mostram que a Rumo-ALL terá como maior acionista a Cosan, com 27,4% do total. Os fundos Gávea e TPG teriam 4,6% cada um e ficariam impedidos de vender ações por um determinado período (o chamado "lock-up"), ainda não divulgado. Dos 17 membros do conselho de administração, 9 serão eleitos pela Cosan. TPG, Gávea, BNDES, BRZ, Funcef, Previ, o casal Arduini e Wilson Delara terão um membro no conselho cada um.

A proposta foi enviada ontem a todos os acionistas controladores e será submetida à aprovação no conselho de administração em até 40 dias. São necessários 75% das ações - Arduini e Delara, acionistas de referência da ALL, que negociaram a fusão, têm 53%, E contam com sinalização favorável do BNDES, com 16,6%. Com a adesão de Previ (6%) ou de Funcef (5,7%), garantiriam aprovação. Mas o objetivo é ter a unanimidade, incluindo o fundo BRZ ALL (18,6%), disse ao Valor fonte próxima da operação.

O próximo passo, aceita a proposta da Rumo, será convocada assembleia geral - para 30 dias depois (por volta de 5 de maio), para votar a incorporação. Em seguida, o negócio passará pelos crivos da ANTT (agência reguladora) e do Cade, órgão antitruste. Esse processo pode levar três meses.

Para analistas, o prêmio oferecido na transação é positivo. Para eles, o mercado tende a reagir bem nos próximos dias. Outro ponto destacado é que a ALL fica mais próxima de ter um "dono" - no caso, a Cosan. "Hoje, a empresa tem donos, mas não são muito ativos no negócio. Com a Cosan, a companhia passa a ter mais poder no mercado e perante o governo", disse um analista do setor que prefere não ser identificado.

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