quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

ALL-Cosan – Precisamos de mais transparência

O segredo é a alma do negócio?

Quando se trata de empresas de capital aberto, o segredo tem limite.
Os acionistas minoritários precisam ser respeitados, ouvidos e valorizados. Caso contrário os pequenos investidores NÃO aplicarão na Bolsa de Valores.

Nossa história, desde os anos 70, não nos estimula a confiar muito no mercado de ações. Bancos compram bancos, empresas compram empresas e sempre os acionistas minoritários ficam sabendo das coisas pela imprensa...

Aos poucos, as contradições deste mega negócio vão aparecendo. Os Fundos de Pensão pertencem aos trabalhadores, mesmo sendo geridos por governos. Portanto, precisamos de mais transparência...

Vejam mais esta boa matéria do Estadão de hoje:

Fundos negociam com bancos para ter representação no acordo Cosan-ALL

Insatisfeitos com a oferta da Cosan pela ALL, Previ, Funcef e BRZ buscam no mercado consultor independente para defender seus interesses na negociação; fundos não se sentem representados pela Estáter e consideram que ferrovia foi subavaliada

26 de fevereiro de 2014 | 2h 05
Monica Ciarelli e Mônica Scaramuzzo - O Estado de S.Paulo

Os fundos de pensão Previ (Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), Funcef (da Caixa Econômica Federal) e a gestora de recursos BRZ (que tem como cotistas Funcef, Petros, Postalis, Forluz e Valia) já receberam propostas de bancos independentes para representá-los nas negociações que envolvem a incorporação da ALL pela Rumo, controlada pelo grupo Cosan.

Esses fundos buscam um consultor independente para estudar formas de maximizar o valor da ALL. Eles consideram que a proposta feita pela Rumo, de R$ 10,18 por ação, não é condizente com o tamanho do ativo.

Desde a semana passada, esses fundos, que fazem parte do atual bloco de controle da ferrovia, estão em conversas com bancos, conforme antecipou o Estado. Os termos da fusão entre a ALL e a Rumo anunciados na segunda-feira não agradaram ao grupo.

O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou que os fundos de pensão Previ e Funcef e a BRZ consideram a operação como uma oferta hostil da Rumo. Eles também não se sentem representados pela Estáter, assessoria financeira contratada pela ALL. Segundo os fundos, a Estáter estaria mais alinhada com o BNDES e os acionistas privados da ALL. Eles se sentiram excluídos das negociações.

Na semana passada, os fundos começaram a conversar com bancos e pediram orçamentos. Credit Suisse, Itaú BBA e BR Partners foram consultados, segundo fontes ouvidas pelo Estado. BR Partners não comentou a informação. A assessoria do Itaú BBA nega e a do Credit Suisse não retornou.

O Broadcast apurou que orçamentos recebidos pelo grupo insatisfeito com a contratação da Estáter variam entre R$ 6 milhões e R$ 30 milhões, cifras bem abaixo do que a Estáter estaria cobrando.

Reunião. Ontem, em reunião com executivos da ALL, os fundos manifestaram-se contra a contratação da Estáter, que teria cobrado R$ 70 milhões para representar a ferrovia. A Estáter nega que seja esse o valor.

Segundo as mesmas fontes, as fundações queriam que esse valor ficasse entre US$ 5 milhões e US$ 15 milhões. No entanto, a Estáter foi confirmada como assessora da ALL.

As fundações já esperavam ser voto vencido por conta de o tema ser apreciado por votação simples. De acordo com as mesmas fontes, os controladores tentaram excluir a contratação da Estáter da votação, sugerindo que as fundações fizessem diretamente uma contraproposta para a Estáter. Os fundos foram contrários e fizeram questão de votar o tema e registrar o posicionamento contrário. Postura necessária para que o caso possa ser futuramente questionando na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

"Os fundos não querem barrar a negociação, mas buscam melhorar a proposta", disse uma fonte. A expectativa dos fundos é que o preço das ações da ALL possa ficar até 40% acima da proposta da Cosan. No comunicado ao mercado, a ALL informou que foi fixado um valor de referência às ações da companhia em R$ 6,958 bilhões (o que equivale a R$ 10,184 por ação) e as da Rumo em R$ 4 bilhões ( R$ 3,90 por ação).

Fontes afirmaram ao Estado que dirigentes da BRZ, que tem investimentos na Agrovia, estão questionando os contratos da ALL no transporte de açúcar.

Rumo e ALL estão em litígio desde outubro passado, mas o processo deve ser arquivado, caso o acordo entre as duas companhias saia. "A BRZ tem todo o interesse que as negociações entre Cosan e ALL travem", disse uma fonte ligada aos fundos. Procurada, a BRZ não respondeu aos pedidos de entrevista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário