sábado, 25 de janeiro de 2014

Imprensa e transparência no Brasil

Estadão, Valor e Folha: Três exemplos

Nossa imprensa adora falar em transparência, mas não é transparente.
Mesmo sendo uma grande e importante imprensa. Como resolver esta esquizofrenia?

Um dos motivos que leva nossa imprensa a se autotitular "neutra", é para justificar-se perante os anunciantes privados e públicos. Balela, mesmo estes jornais assumindo-se neoliberais, conservadores, engajados nas campanhas da oposição neoliberal, não vai deixar de receber anúncios. O quê mais pesa para os anunciantes é a tiragem e o numero de assinantes.

Outro motivo é a petulância de querer colocar-se acima do bem e do mal, do certo e do errado. Balela, todos acertam e todos erram. Não existe saber superior, seja da imprensa, dos acadêmicos ou do judiciário.

Vou citar três exemplos que me deixaram impressionado neste aniversário da cidade de São Paulo:

1 - O Estadão fez um belo caderno especial sobre os 80 anos da USP, Universidade de São Paulo, a flor da elite paulista. O editor do caderno, talvez preocupado em enaltecer o elitismo dos ideólogos da universidade, esqueceu-se de incluir no caderno de 14 páginas, um reportagem sequer sobre PROFESSORAS e NEGROS. Ficou a impressão que a universidade é tucana e branca...

Para completar, talvez depois de ser avisado dos lapsos, o jornal, em vez de fazer autocrítica, faz um Editorial no dia de hoje, dizendo que a universidade faz bem em não aceitar cotas ou modismos... Pode?

2 - Já o jornal Valor, que atualmente é o melhor jornal do Brasil, durante esta semana cometeu a gafe de publicar uma página dizendo que os banqueiros apoiam a oposição à Dilma. Não identificou os banqueiros e deu corda às provocações contra o governo Dilma.

Depois de criticado,  publicou no dia seguinte uma matéria com o presidente do Bradesco, este sim, com nome fotografia e mais uma longa entrevista onde fica clara a simpatia pelo governo Dilma. Sem contar que dos cinco maiores bancos brasileiros, que correspondem a 80% de todo o sistema financeiro, quatro apoiam Dilma e apenas um é contra Dilma, apesar de ser o que mais ganha dinheiro com os governos Lula e Dilma. Ironia...

Mas o jornal continua sendo muito bom.
Na sexta-feira, ontem, publicou uma série de ótimas matérias e entrevistas no seu caderno Valor EU & Fim de Semana. Pena que os brasileiros de todos os estados não tenham acesso a tão bom material.

3 - Finalmente, a Folha. 
É um jornal muito importante, apesar de toda sua chatice e mania de querer transformar versões em fatos, como se suas posições fossem verdades absolutas. Mas é o jornal que edita as melhores reportagens especiais. O caderno publicado hoje sobre o aniversário de São Paulo é muito bom. Outra coisa boa da Folha é que seu site, a UOL, é muito ágil e conseguimos acessar o jornal com muita facilidade. Já na política, continua neoliberal, tucano e cínico.

São três casos que, se os jornais se assumissem publicamente quais são suas posições políticas, deixaria os leitores e a sociedade mais tranquila. Eu consigo ler diariamente os três jornais. Ao contrário da Veja. Que não leio nunca! E acho que não merece um centavo de publicidade de nenhuma empresa séria, seja privada ou pública.

Já os três jornais, Estadão, Valor e Folha, mesmo se se assumirem conservadores e neoliberais, continuarão sendo úteis para a nossa frágil democracia.

Quanto aos que reclamam destes jornais, façam um novo jornal, exijam nova regulamentação do critério de uso da mídia e de anúncios, e vamos disputar o mercado. Afinal, com duzentos milhões de habitantes, já temos mercado potencial para muitos jornais com muita tiragem como no Japão e outros países.

Como dizia a música:

Eu não vou deixar de ler jornais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário