segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Bancos brasileiros internacionalizam-se

Começando pela América Latina

Se a década de 60 foi a fase das ditaduras militares na América Latina, o início do século XXI está sendo a fase em que os bancos e empresas latinoamericanas buscam novos mercados, internacionalizando-se, a começar pelos países vizinhos.

Até o Brasil, que pelo seu tamanho sempre foi provinciano, começa a dar seus primeiros passos na formação de multinacionais brasileiras.

No caso dos bancos, o Itaú é o mais avançado. Com mérito. Tudo indica que agilize a compra do banco chileno ainda neste mês de janeiro, consolidando sua liderança no Chile, na Argentina e outros países. Os outros bancos estão indo atrás. Isto é bom para o Brasil.

Vejam o resumo da materia do Estadão de hoje.

Brasileiros avançam na América Latina


Itaú, Bradesco e BTG traçam estratégia agressiva com meta de ampliar transações

13 de janeiro de 2014 | 2h 03
Mônica Scaramuzzo - O Estado de S.Paulo

O BTG Pactual participou diretamente de 52 operações entre 2012 e 2013, que incluem aberturas de capital e emissões de ações, envolvendo US$ 25 bilhões na América Latina. A estratégia do banco é se fortalecer ainda mais na região. Mas a instituição, comandada por André Esteves, não está sozinha.
O Itaú também traçou planos agressivos de expansão para a América Latina para seu negócio de banco de investimento. Com operações no Chile, Argentina, Peru e Colômbia, a instituição está em curso para abrir uma corretora no México. "Será ainda este ano", diz Jean-Marc Etlin, presidente da divisão de banco de investimento do Itaú BBA.
As mudanças regulatórias implementadas no México na área de óleo e gás, com a Pemex, petroleira local, a exemplo do que a Petrobrás fez Brasil, estão atraindo investidores para o país, afirma Etlin.
Segundo o executivo do Itaú BBA, o investidor olha a região como um todo. "No início do ano passado, a percepção era de que haveria maiores operações (de emissões) no México, mas essa tendência se reverteu, voltando-se para o Brasil."
"Até há pouco tempo, vários investidores internacionais eram cobrados para ter posições no Brasil. Hoje essa cobrança é mais voltada para empresas de setores específicos do País, do que para o Brasil", afirma Renato Ejnisman, diretor-gerente do Bradesco BBI, braço de banco de investimentos da instituição financeira.
A divisão de banco de investimentos do Bradesco dobrou sua equipe no País nos últimos três anos para se fortalecer com esse movimento de regionalização do banco. "Depois da crise financeira global, houve um movimento de retorno das instituições financeiras aos seus países de origem", diz Ejnisman. "Isso abriu espaço para os três maiores bancos brasileiros avançarem na América Latina."
No ano passado, o Bradesco BBI coordenou uma emissão global da montadora Ford, nos Estados Unidos, que captou cerca de US$ 1 bilhão. "Hoje, entre 35% e 45% das transações do Bradesco são cross-border (fora da fronteira)", diz Ejnisman.
Embora conte com sua estrutura global, o Santander, de origem espanhola, também presta assessoria em transações de emissões a partir do Brasil. Ignacio Dominguez-Adame Bozzano, vice-presidente executivo de Global Banking e Markets do Santander no Brasil, vê o fluxo de negócios cada vez maior na América Latina. "A palavra de ordem para investimentos de maneira geral será seletividade", diz o executivo.
O ano de eleições no Brasil, segundo ele, não afugenta investidores. "O investidor olha os dados macro, como PIB, cenário de dólar, inflação", afirma.

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