sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Joan Baez e a Solidariedade

Com música e lembranças

Depois de um dia muito quente e cheio de atividades interessantes, uma boa lembrança: Joan Baez e suas músicas cheias de esperanças...

Joan Baez fala da carreira e dos shows que fará no Brasil

Musa da canção de protesto nos anos 1960, artista quer encontrar o senador Suplicy

30 de janeiro de 2014 | 18h 55
Jotabê Medeiros - O Estado de S. Paulo

Aos 73 anos, desembarca enfim no País para uma turnê regular uma das mais famosas vozes da música de protesto dos anos 1960 e 1970, a cantora norte-americana Joan Baez, responsável, entre outras coisas, por revelar em 1963 o cantor Bob Dylan. Ela cantou no primeiro Newport Festival e também foi uma das figuras-chave de Woodstock.

Nascida Joan Chandos Báez em Staten Island, Nova York, em 9 de janeiro de 1941, ela sofreu preconceito na infância por causa da pele mais escura, decorrência da sua herança mexicana. Por outro lado, a formação religiosa quaker da família a impulsionou a uma militância humanista radical.

Joan traz a turnê Gracias a La Vida a São Paulo no dia 23 de março, às 18 h, no Teatro Bradesco (ela toca também no dia 19 de março em Porto Alegre, no Auditório Araújo Vianna, às 21 h; e no Rio de Janeiro no dia 21, no Teatro Bradesco Rio, às 21 h). Antes, Joan Baez faz um retorno triunfal à América Latina que, no auge de suas ditaduras, a expulsou daqui: canta na Argentina, no Uruguai e no Chile.

A cantora falou ao Estado por telefone, no final da tarde de ontem. Está relançando o álbum Gracias a La Vida, no qual canta em espanhol e que gravou em 1974 em homenagem às vítimas da ditadura de Pinochet, no Chile, e em tributo a Violeta Parra. Bem-humorada e simpática, só demonstrou mesmo um certo desagrado quando foi questionada sobre a relação com Bob Dylan.

Há 33 anos, você deveria ter tocado em São Paulo, no Tuca.
O que aconteceu?

Foi exatamente isso o que eu perguntei a todos os que foram na coletiva de imprensa que eu dei aí em São Paulo: o que aconteceu? Tudo o que eu queria era que me deixassem cantar, que me deixassem levar minha mensagem.

É verdade que três agentes da Polícia Federal foram até o seu hotel para ameaçá-la?
Sim. Eles me disseram que eu não poderia cantar e que, se insistisse, seria presa. Era algo que já tinha acontecido com outros músicos e não havia a quem recorrer. No final, o que nós fizemos foi legal. Alguém aí de São Paulo, me desculpe se não lembro o nome, inventou de fazer um ato no qual eu me misturava com a plateia. Acabei cantando duas canções no meio, estava sem o violão mas cantei assim mesmo.

É verdade que aqui você se tornou muito amiga de um militante brasileiro chamado Eduardo Suplicy?
Sim, é verdade. Ele está por aí? Como faço para conseguir o contato dele? Tem como você dizer para ele se colocar em contato com meus agentes quando eu estiver aí? Quero muito vê-lo.

Você teve também um confronto muito forte com a ditadura chilena naquela época, não?
Eu estava fazendo o que todos os americanos com consciência política estavam fazendo, me solidarizando com os povos sob ditaduras aqui, na Argentina, no Brasil e no Chile. Também fui proibida de atuar no Chile e fiz uma apresentação clandestina numa igreja (no município de Ñuñoa), acompanhada por outros músicos.

Li uma entrevista sua à imprensa chilena em que você diz que Obama deveria pedir desculpas pelo que os Estados Unidos fizeram na América Latina nos anos 1970, apoiando ditaduras e derrubando governos legítimos.
Não, eu não disse isso. Além do mais, ele não está envolvido com o que aconteceu naquela época. Eu acho que os que estiveram envolvidos deveriam pedir desculpas.

Mas você afirmou que o Prêmio Nobel para Obama foi ridículo, não afirmou?
Eu diria que foi usurpado. Obama mudou de fato o mundo inteiro, momentaneamente. Havia 40 anos que o povo americano lutava pela eleição de um homem negro, e ele representou isso. O que quer que tenha causado aquela mágica extraordinária não pode ter sido ruim. Ele nos conectou, foi importante sua eleição. E eu o apoiei, como apoiei o dr. Martin Luther King. Mas acho que ele deveria continuar fazendo mudanças, e ele estancou.

Há hoje uma discussão sobre a desaparição dos conceitos de esquerda e direita. Você se considera ainda uma esquerdista?
Eu nunca me defini assim. Sempre fui militante. Quando eu optei pelo caminho da não violência e da igualdade, muitas das causas nas quais eu me engajava eram identificadas com a esquerda. Quando você se põe contra o totalitarismo, pode ser rotulado. Eu apoiei Lech Walesa na Polônia, mas toda a minha militância tem a ver com a noção de igualdade.

Qual você acha que é o papel de Edward Snowden na política contemporânea?
Acho que ele proporcionou um dos momentos mais importantes da atual luta da humanidade por transparência, pela liberdade. Está em risco, mas acho que nunca nada aconteceu no mundo sem que alguém corresse um risco.

Um dos artistas que mais correram riscos na música americana foi Pete Seeger, que morreu esta semana. Em que medida ele foi influente para você?
Ele foi minha primeira e mais importante influência. Quando eu tinha 16 anos, uma tia minha me levou para assistir a um show dele, e aquilo mudou minha vida para sempre. Ele vivia a vida incondicionalmente. Era um grande poeta, e não distinguia sua vida e sua arte. Não é possível descrever todas as coisas que ele fez em prol de um mundo melhor. Quando ele surgiu, a música branca que se fazia então era tola e descartável.

Será possível que você cante aqui em São Paulo a canção Where Have All the Flowers Gone?, composição de Seeger que você costumava cantar?
Não sei. Você sabe se essa música é conhecida por aí? Pode ser que sim.

Seu disco mais recente, The Day After Tomorrow, é de 2008. Já tem seis anos. Está planejando gravar algo novo?
Estamos relançando um disco no qual eu canto em espanhol, e também queria cantar em português. Mas não quero condicionar uma turnê a uma gravação. Não funciona assim.

Você ainda mantém contato com Bob Dylan?
Não. Desculpe, tenho outras entrevistas para fazer, pode ser essa a sua última questão?

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Itaú cresce e aparece na América


Tudo “Cambia”

Quando o Itaú comprou o Unibanco, “o filho superou o pai”, isto é, Roberto Setúbal fez do banco que herdou do pai, o maior banco privado do Brasil. 

Agora, o Banco Itaú expande-se para toda a América Latina, transformando-se num importante banco internacional, como é necessário para um país ser competitivo e ter solidez no mercado global. 

Aparentemente, desta vez, quem capitaneou a negociação foi Ricardo Marino, que é da família Vilela, principal acionista individual do banco. Mas, com certeza, teve muito a contribuição de Roberto Setúbal. Ponto para o Itaú e seus acionistas.

Como diz a música, muito bem cantada por Mercedes Sosa:
Todo Cambia...




Vejam a boa matéria do Estadão sobre este grande gesto do Itaú:
Não vi nada na Folha, mas quem furou a notícia foi o Valor.

Itaú anuncia acordo com CorpBanca 
e cria o quarto maior banco do Chile

Fusão, que une o banco chileno à operação do Itaú naquele país, cria uma instituição que soma US$ 45 bilhões em ativos e uma carteira de crédito de US$ 34 bilhões 

29 de janeiro de 2014 | 21h 48
Estadão - Josette Goulart e Aline Bronzati

SÃO PAULO - O Itaú Unibanco anunciou nesta quarta-feira, 29, a maior fusão bancária da história do Chile. O banco brasileiro se juntou ao grupo chileno Corp Group para criar o Itaú CorpBanca, uma instituição financeira com US$ 45 bilhões em ativos e uma carteira de crédito de US$ 34 bilhões, além de um valor patrimonial de US$ 5 bilhões. Para se ter uma ideia do tamanho do negócio, seriam ativos suficientes para, com a cotação do dólar de ontem, estar entre os dez maiores bancos do Brasil.

No Chile, o Itaú que antes era o sétimo maior em crédito, passa a ser o quarto. Mas o negócio terá ainda reflexos na Colômbia, onde os dois bancos já atuavam. Com o acordo, o Itaú que tinha uma pequena participação no país passa a ser o quinto maior banco.

Além de colocar na transação suas operações no Chile e na Colômbia, o Itaú também vai fazer um aumento de capital de US$ 652 milhões em seu próprio banco para então fazer a fusão. O banco brasileiro terá, a partir da união, 33,58% da nova instituição e passará a ser o acionista controlador. A operação, entretanto, se assemelha com o que foi feito no Brasil com o Unibanco em que as duas famílias controladoras atuam em conjunto no banco. A diferença é que, no Chile, pelo acordo assinado, o conselho do banco será presidido por representantes do CorpBanca. 

O vice-presidente do Itaú Unibanco para a América Latina, Ricardo Marino, explica que a fusão envolve apenas trocas de ações e que não houve nenhum pagamento efetivo. Em relatório, os analistas do J.P. Morgan ressaltaram que o banco brasileiro trocou toda sua participação no mercado chileno e colombiano, por uma fatia menor em uma operação mais relevante. O banco entregou 100% do Itaú Chile e Itaú Colômbia e recebeu em troca 33% do Itaú CorpBanca. 

Os analistas do Credit Suisse foram os mais otimistas com a operação e logo no título de seu relatório afirmaram: "Nós gostamos!". Eles dizem que a fusão foi feita em termos econômicos favoráveis ao Itaú, sem diluição dos acionistas do banco e com ganhos de sinergia - que devem superar US$ 100 milhões ao ano.

Apesar da boa recepção por parte dos analistas, na Bolsa de Valores os investidores não ficaram tão animados. As ações preferenciais do Itaú fecharam com queda de quase 2% nesta quarta.
A operação ainda precisa ser analisada e aprovada pelos órgãos reguladores dos dois países. Se for confirmada, a operação internacional do Itaú passaria a representar 8% do resultado do banco, ante os 5% atuais segundo o Goldman Sachs. 

Expansão. O Itaú Unibanco desembarcou no Chile em 2007 após a aquisição do BankBoston um ano antes. "Desde então temos crescido de maneira exponencial. Com esta associação, ingressamos no negócio de banco de varejo na Colômbia, onde até agora o Itaú operava somente como banco de atacado (que atende basicamente empresas)", disse Marino. 

Além disso, a operação representa um passo importante na internacionalização do banco. O diretor do Bank of America, Marcos Kantt, que auxiliou o Itaú na operação, diz que outros negócios estão em andamento na América Latina e acredita que os grandes bancos brasileiros vão buscar mais oportunidades. "Chegou-se ao limite para crescer no Brasil e os bancos estão indo além", disse Kantt.

O Itaú tem planos também de atuar mais fortemente como banco de atacado no México a exemplo de seus concorrentes como o Bradesco que também está se instalando no país. 

Operação. O primeiro passo da fusão é o aumento de capital do Itaú Unibanco no Itaú Chile no valor de US$ 652 milhões. Em seguida, será feita a fusão do Itaú Chile com o CorpBanca. Com isso, serão canceladas as ações do Itaú Chile e emitidos novos papéis pelo CorpBanca. Depois, o banco resultante adquire 100% do Itaú BBA Colômbia e do CorpBanca Colômbia, na qual o Itaú Chile desembolsará US$ 894 milhões. 

Após aprovação dos órgãos reguladores será feita uma oferta para adquirir as ações de acionistas minoritários do CorpBanca Colômbia. Ainda associada à fusão, o Itaú BBA concederá uma linha de financiamento de US$ 950 milhões a valor de mercado para pagamento de outras linhas de crédito.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Itaú compra Banco no Chile - O Corpbanca

Agora é oficial

Demorou mas saiu a notícia da finalização da compra do banco chileno pelo Itaú.
O banco da Copa, também é o banco que mais cresce na América Latina.
Aos poucos o Brasil vai descobrindo que não existe o tal  do "Capitalismo num só país". Ou se globaliza ou não sobrevive sozinho. Isto é tão antigo quanto as pirâmides do Egito. Mas o Brasil demorou a descobrir.

Vejam o furo do jornal Valor. De dinheiro, o Valor entende...

Itaú finaliza a compra do Corpbanca

Valor – 29/01/2014
Por Carolina Mandl | De São Paulo

O Itaú Unibanco acertava ontem à noite detalhes finais da negociação para assumir o controle do banco chileno Corpbanca. A expectativa é que a operação seja concluída nos próximos dias. O Valor apurou que a aquisição se dará pela criação de uma holding que unirá as operações do Itaú Chile e do Corpbanca.

O negócio dará ao Itaú a posição de quarta maior instituição financeira no Chile, com um total de R$ 82 bilhões em operações de crédito. Sozinho, o Itaú Chile tem uma presença bem mais modesta no país, com R$ 22,6 bilhões em empréstimos, 67,4% do total que o banco tem na América Latina, excluído o Brasil.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Caetano de Dona Canô

Abraçaço no Recôncavo reconvexo

Neste final de semana, ao dar uma zapeada na TV, deparei-me com Caetano cantando. Era apresentação do vídeo Abraçaço, mas a música era Reconvexo, que fez sucesso com Maria Bethânia.

O curioso era que, toda vez que Caetano cantava “Quem não rezou na novena de Dona Canô?”, o grande público ovacionava Dona Canô. Eu ficava impressionado! Apesar de ser um vídeo sobre o disco novo de Caetano, o público cantava junto as músicas antigas e homenageava Dona Canô.

Assisti até o final do vídeo e fiquei olhando aquele Caetano sério, sóbrio e sem a alegria dos velhos tempos. O conjunto era muito bom, jovens com grande capacidade musical e contentes em acompanhar aquele ícone brasileiro.

Continuo gostando muito de Caetano, apesar da sua fase polêmica atual e de seus últimos discos não fazerem meu gênero.

O primeiro disco que comprei na vida foi um compacto com duas músicas cantadas por Caetano, de um lado era “Charles Anjo 45” e o outro lado eu não me lembro qual era a música. Isto foi em 1970. O segundo disco foi aquele LP que Caetano canta Irene, Os Argonautas, Carolina e o Trio Elétrico, também em 1970. De lá para cá, compramos quase todos.

Nossa filha, quando estudava na Escola da Vila, teve como tarefa de final de ano, cantar, todos juntos, o hino de São Paulo, composto por Caetano. Imaginem a cena, um pai coruja, baiano, imigrante dos anos 70, ver e ouvir sua filha cantar com os colegas, a belíssima música sentimental de Caetano - SAMPA? 

Caetano, como Gil, Elis, Milton e Chico, fazem parte da nossa geração e da nossa vida. 

Hoje, ao pegar os jornais antes do café da manhã, vi na capa do Estadão, que no Caderno 2 havia uma matéria sobre o novo disco de Caetano. Mas a matéria fala mais sobre a polêmica das Biografias. A pauta da imprensa – as biografias dos artistas – queimou a pauta do artista – o novo disco.

Ao ver e ouvir o grande público de Caetano homenagear Dona Canô, lembrei-me que, num show de Caetano nos 200 anos do Banco do Brasil, ele contou que Dona Canô era correntista do BB e adorava ir na agência, em Santo Amaro do Purificação, na Bahia. Quando Dona Canô chegava na agência, todo mundo corria para atendê-la, oferecer cadeira, cafezinho e atendimento vip. Além de ela ser uma autoridade na comunidade, era também a mãe de Caetano e Bethânia.

Apesar da idade avançada de Caetano, apesar da modernidade de seus últimos discos, no fundo, no fundo, tanto Caetano, como seu público fiel, continuam como parte da vida de Dona Canô e da velha Bahia.

E o Abraçaço de Caetano, em homenagem a Dona Canô, também é um abraço ao velho Recôncavo Baiano, de tantas histórias e lembranças. É a Refazenda do Recôncavo que Reconvexô.....

E Gil, junto com Caetano, ainda cantam para o Brasil:


“Aquele Abraço!”

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A Copa e o Fusca incendiado

O Brasil de Itamar, o evangélico

O Brasil de Itamar, o dono do fusca e evangélico, é bem diferente do Brasil dos que querem impedir que a Copa aconteça no Brasil ou que querem denegrir a imagem do Brasil como forma de queimar o governo e tentar diminuir a votação de Dilma e do PT.

Itamar, o evangélico, faz parte da Nova Classe Média, que passou a ter mais trabalho e emprego, mais salário, melhores condições de vida e, inclusive, passou a ter um carro e andar de avião, depois que Lula virou presidente, em 2002. 

Esta Nova Classe Média é majoritariamente evangélica porque a Igreja acabou com a Teologia da Libertação e abandonou os pobres aos Evangélicos. Estes agradeceram e trabalharam muito para ajudar os pobres a terem dignidade, alfabetizando-os, criando grupos solidários para conseguirem empregos e trabalho e para construção de milhares e milhares de novas igrejas.

Em qualquer parte do Brasil, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, as igrejas evangélicas organizam seus fiéis.

Enquanto isto, nas grandes cidades, as “forças ocultas” organizam as manifestações contra a copa, com a cumplicidade da imprensa, da polícia, do judiciário e a omissão dos agredidos.

Estes dois Brasis estão testando a paciência do povo. A maioria silenciosa, acuada, aguarda para ver os desdobramentos. 

Podemos continuar a construir uma democracia participativa ou podemos abrir caminho para novo golpe civil militar. Afinal, 50 anos já se passaram do outro golpe e a maioria da população já nem se lembra como foi o 1o. de Abril de 1964.

Já tivemos um Itamar ridicularizado pela imprensa. Este foi o presidente que ficou à sombra do seu ministro da fazenda...

Agora estamos vendo um outro Itamar, o trabalhador simples e evangélico. 
Este, não pode ter sua vida destruída pelos que são contra a Copa. 
O Estado brasileiro precisa proteger seus cidadãos. 
Ou o povo irá criar milícias próprias para defender-se.

Vejam que bela matéria o Estadão publicou. 
Parabéns para o autor do texto, Paulo Saldanha.


'Foi muito assustador', diz dono do Fusca incendiado no protesto em São Paulo

Itamar Santos, de 55 anos, voltava da igreja quando foi surpreendido pela manifestação


26 de janeiro de 2014 | 17h 49
Paulo Saldaña - O Estado de S. Paulo

Itamar Santos usava Fusca no trabalho como serralheiro

SÃO PAULO - A imagem de um Fusca em chamas nas ruas do centro de São Paulo devido à confusão entre manifestantes contra a realização da Copa do Mundo e a Polícia Militar impressionou a população.
O automóvel era do serralheiro Itamar Santos, de 55 anos, que voltava da igreja quando o incidente aconteceu.
Assustado com um colchão em chamas na via, ele avançou e acabou tendo o seu carro incendiado. Itamar dava carona para duas senhoras, um rapaz e uma criança de 5 anos, conhecidos da igreja.
"Fiquei em choque, saí do carro para tirar o colchão e ir embora, mas depois vi que já não tinha mais jeito", disse.
O proprietário e os outros passageiros abandonaram o carro no local e foram embora para casa.

O Fusca, ano 1979, também era usado em seu trabalho como serralheiro para o transporte de materiais. "O carro era uma das minhas ferramentas de trabalho, hoje mesmo já perdi um serviço que tinha que fazer", afirmou.

O trabalhador conta que decidiu não tirar o carro uma vez que os policiais não foram capazes de evitar o acidente. "Não sei como alguém não se machucou. Foi muito assustador."

Os policiais não sabiam quem era o dono do Fusca incendiado até o fim da noite de sábado. Itamar só foi acionado no meio da madrugada deste domingo depois que a PM entrou em contato com seu irmão, que tem o carro registrado em seu nome.

Além da perda total do veículo, Itamar ainda teve de gastar R$ 150 com o guincho para levar o Fusca destruído para casa.

"Eu nem sabia que tinha manifestação, ouvi dizer depois que era por causa da Copa, mas acho um absurdo esse tipo de vandalismo", criticou.

Itamar voltava da Igreja na noite de sábado quando passou pelo protesto, na frente da Praça Roosevelt. Morador da Avenida Senador Teotônio Vilela, região de Interlags, zona sul, ele dava carona a outras pessoas que moran na vizinhança. Nem sequer sabiam que haveria manifestações na cidade.

O serralheiro comprou o carro do irmão há cinco anos. Era “o filho único”, como ele diz. Itamar usava o carro para transporter os materiais do trabalho.


domingo, 26 de janeiro de 2014

Japão, China e Coreia – novas lideranças

Renasceram das cinzas...

O mundo Ocidental precisa estudar mais para entender este fenômeno que mudou a história da economia mundial no pós guerra.

Três países que viveram guerras atrozes, de destruição de cidades e multidões, foram ocupados e depois de 1945 resolveram se reconstruirem das cinzas.

1 - O Japão, além de investir muito em educação, tecnologia e disputa no mercado global, consolida-se como um das economias de vanguarda em tecnologia e competitividade.

Na sexta-feira, dia 24 de janeiro, o Estadão publicou com destaque que a “Toyota se consolida como líder global das montadoras”. Grupo japonês vendeu 9,98 milhões de veículos em 2013; sua maior concorrente, a GM americana, totalizou 9,71 milhões de unidades.

Vocês têm ideia o que significa isto? Um país que é um pequeno arquipélago, sobre placas vulcânicas e no fim do mundo, concorre e ganha das montadoras americanas. Isto depois de duas bombas atômicas sobre sua população e da ocupação militar do país pelas tropas americanas no final da segunda guerra. E depois de um tsunami que foi a pior catástrofe já vista na Terra. É mole?

O Japão aprendeu até a jogar futebol! E se não abrirmos os olhos, em pouco tempo, poderão estar jogando mais do que o Brasil. Lá eles levam as coisas à sério.


2 – A China, que foi ocupada pelos ingleses e depois pelos japoneses, além de viver uma longa guerra civil, resolveu implantar um modelo chamado de capitalismo de partido único, com o objetivo de fazer dumping à economia mundial, maximizando o potencial de mão de obra da sua imensa população e vem conquistando em todas as áreas a liderança econômica.

Ainda ontem, no jornal Valor, na parte superior da página B4 – Empresas/Industria, o título era: “China liderou, outra vez, a produção mundial em 2013”.

Mais uma vez, a China garantiu o protagonismo no mercado mundial de aço. Em 2013, o gigante asiático respondeu por 48,5% do total produzido pelos 65 países considerados no levantamento da World Steel Association.

A Ásia ganhou ainda mais peso na produção global de 2013, com participação de 67,3% no volume total.
A China já é um dos maiores investidores internos no Brasil.

3 – Já a Coréia, que foi ocupada pelo Japão ainda na primeira guerra mundial e depois teve a guerra que dividiu o país em dois, sendo uma carnificina. O país investiu em educação e formação de grandes grupos econômicos, possibilitando que atualmente supere em alguns setores econômicos grandes concorrentes globais.

A indústria automobilística coreana é a que mais cresce no mundo e na área de TV, telefones e eletroeletrônicos, vem ganhando todas as disputas.


E o Brasil?

Não tem nenhuma indústria automobilística própria. Eles têm dezenas...
Não teve nenhuma guerra civil ou internacional, não teve terremoto, não tem superpopulação, nem tem catástrofes.

Aqui, a única catástrofe é a nossa elite secular e conservadora. Aqui, em 500 anos, nunca houve uma grande reorganização produtiva e educativa a nível nacional.

Talvez, agora estejamos vivendo uma grande inclusão social, mas sem um grande pacto transformador da educação e dos costumes.

Mas, a gente vai levando...

Sabe quem mais fornece matéria prima – commodities – para a China? O Brasil.

Tem a maior colônia japonesa fora do Japão, mas em vez de aproveitar os japoneses no Brasil, deixou que centenas de milhares deles voltassem para trabalhar no Japão em serviços pesados, como dekassegues.
Virou grande parceiro econômico tanto da China, como do Japão e da Coreia. Isto é, o Brasil fica como provedor de matérias primas e consumidor de produtos industrializados.

E os nossos empresários?
Reclamam do governo, reclamam dos impostos e vendem suas empresas para os estrangeiros.
E os governos? Ficam reféns da imprensa e dos empresários, e não fazem uma grande reforma tributária, além de uma nova Constituição.

Vamos tomar vergonha e fazer um Projeto Nacional de Competição Global?

Mas é necessária a participação de todos os segmentos da sociedade: empresários, trabalhadores, homens, mulheres, negros, nordestinos, ruralistas, agricultores familiares, professores, pesquisadores, católicos, protestantes, etc.

Chega de moleza! Acorda, Brasil!