sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Consumo e Qualidade de Vida

A gente não quer só comida

O olhar corporativo é sempre perigoso. É como se o mundo fosse somente aquilo que nos atinge. Isto é muito antigo. Platão já abordava este problema quando falava das pessoas que moravam numa caverna e via sombras…

Os economistas, principalmente os que abastecem a imprensa contra o governo Dilma, repetem o tempo todo analyses sobre a redução do consumo e a desaceleração da economia, tentando mostrar o que é causa e o que é efeito. Sempre com planilhas.

Muitos esquecem princípios básicos de economia como a de que uma pessoa gosta muito de comer carne no almoço e na janta, mas ninguém conseguer comer dez quilos de carnes por dia, logo, ao chegar em determinado nível de consume, a curva tende a estabilizar-se ou declinar. Não cresce ao infinito.

Outro aspect importante, não tanto para economistas, mas para os estrategistas de marketing e de vendas das empresas é a política de lançamentos de novos produtos que devem ser aceitos pelos consumidores, depois crescerem o seu consumo e finalmente se consolidarem como produtos relevantes para a população.

As evidências mostram que está havendo uma estabilização nos patamares de consume e que a população quer readequar ou melhorar seu padrão de consumo. Esta realidade tanto pode ser bem assimilada pelos agentes comerciais, como pode ser mal aproveitada e levar a prejuízos e crises.

Qualquer que seja a realidade interna nacional, o que é evidente é que o Brasil precisa ampliar e melhorar sua pauta de exportações. Precisa ser mais competitive internacionalmente. A solução para isto é bem mais complexa do que o simples consumo interno.

Estamos precisando de Novo Modelo de Desenvolvimento que incorpore as conquistas da Era Lula e avance no sentido de fazer com que o capitalismo de Mercado, produtivo e competitivo também chegue ao Nordeste brasileiro. O Centro Oeste já avançou, o Norte está melhorando, mas o Nordeste precisa de uma grande transformação. Tanto na vida de seu povo como na infraestrutura produtiva.

A era do consumo NÃO murchou.
Este tipo de consumo básico que os pobres não tinham acesso e passaram a ter com os Governos Lula-Dilma, já está superado e precisa de novos patamares. O povo quer continuar consumindo, aumentar o consumo e melhorar a qualidade de vida.

Afinal, a gente não quer só comida!

Como subsídio, mostro abaixo uma boa análise de Vinicius Torres, na Folha de hoje.

A era do consumo murcha


Apesar do ritmo ainda bom, comércio cresce no ritmo mais lento em quase uma década
Folha – 13/12/2013
Vinicius Torres Freire

AS VENDAS DO comércio não cresciam tão pouco desde junho de 2004, quando o país se recuperava da recessão de 2003, primeiro ano de Lula 1. É o que se depreende da pesquisa mensal de comércio do IBGE, relativa a outubro e divulgada ontem.

A receita do varejo cresce cada vez mais devagar porque basicamente acompanha a variação da massa salarial (total dos salários pagos), que também desacelera (levando em conta as variações em 12 meses).
Neste século, houve momentos em que a variação do consumo se descolou da variação do total dos salários, como entre o início de 2007 e o início de 2009, por aí.
Nesse período, as vendas do comércio subiam ainda mais rápido, e a massa dos salários desacelerava.

Como isso era possível? Crédito.

O total dos empréstimos para pessoas físicas chegou a crescer a mais de 25% ao ano em meados de 2008, em termos reais (descontada a inflação). Agora, em outubro de 2013, crescia a 10%. Não é um ritmo de jogar fora, embora ritmo ditado pelo governo, que turbinou o crédito por meio dos bancos estatais.

A expansão do consumo é baixa?
Não. Apesar de desacelerar, as vendas do varejo estão crescendo a 4,5% (nos últimos 12 meses). Em dezembro, cresciam a 8,4% ao ano. Entre 2004 e 2012, em torno de 7%.

O salário médio sobe menos?
Sim. Cresce no ritmo mais fraco desde meados de 2006, desconsiderado o período de recuperação da recessão de 2009. Mas ainda cresce, acima da inflação.
Acontece mais ou menos a mesma coisa com a população empregada, que ainda aumenta, mas mais devagarzinho.
Neste ano, em particular, o crescimento da população ocupada desacelerou continuamente. Além do mais, há menos gente empregável e/ou interessada em trabalhar.

Por que o crédito cresce menos?
Porque as famílias ficaram mais endividadas. De resto, como a renda anda crescendo mais devagar, o espaço no orçamento para novas dívidas fica menos folgado. Por fim, em parte decorrência dos dois motivos anteriores, os bancos estão menos dispostos a emprestar. Em suma, os bancos, em especial os privados, jogaram mais na retranca por causa do aumento da inadimplência e devido às perspectivas de crescimento econômico mais fracas.
O que vai nos parágrafos acima é uma descrição breve dos motivos mais imediatos da ascensão e queda do "modelo" de crescimento brasileiro neste século.

O crédito vai crescer mais rapidamente no ano que vem?
Segundo os economistas dos próprios bancos, não (o dado saiu ontem numa pesquisa da Febraban).

O desemprego vai aumentar no ano que vem?
Segundo a média das previsões, não, ou muito pouco. Mas a população ocupada vai continuar a crescer mais devagar, assim como os salários, que ficaram relativamente altos, dado o nível de produtividade.

O consumo vai crescer mais rápido no ano que vem?
Há alguma controvérsia nas previsões. Mas não deve crescer muito mais do que neste ano.

O Brasil pode voltar a crescer no mesmo padrão da década passada?
Difícil o crédito e consumo crescerem tão rápido de novo; é impossível que o nível de emprego cresça tão rapidamente. O país precisará investir mais e ser mais produtivo para crescer a 4%. Vai levar algum tempo para isso acontecer de novo.

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