terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Brasil e Alemanha - Parlamentarismo Já!

Se serve para a Alemanha, também serve para o Brasil

Sou parlamentarista convicto.
Votei no parlamentarismo quando houve o plebiscito no Brasil e odeio ver esta zona desqualificada que é a política brasileira atual.

Com a redemocratização do Brasil, os poderes ficaram misturados, confusos, sobrepostos e o resultado é que quase todos perdem. Só quem ganha são os pescadores de águas turvas, os corruptos, os corruptores e a bandidagem.

Como eu também acho que o século XXI tende a ser para países como Alemanha, China e Brasil, sem desmerecer os demais, creio que, para o Brasil acabar com esta confusão de 33 partidos que não governam e não se entendem; para acabar com a promiscuidade jurídica; para regulamentar a imprensa predatória e para obrigar os governantes a governarem conforme seus programas eleitorais, devemos copiar o modelo alemão.

Vamos fazer uma nova Constituinte e depois uma boa reforma tributária e política, implantando o Parlamentarismo a partir de 2018.

Vejam mais esta boa matéria enviada pelo nosso correspondente em Paris, Gilles Lapouge, repórter do Estadão.
Este jornal está cada vez mais reacionário, mas ainda mantém certa liberdade na área internacional e cultural. As trevas já chegaram no caderno de economia.

Berlim forma governo, para espanto de Paris

17 de dezembro de 2013 | 2h 01
GILLES LAPOUGE - O Estado de S.Paulo

Já faz alguns anos que Angela Merkel ocupa a posição de mulher mais poderosa do mundo.
Hoje, ela confirmará esse status "galáctico", pois será nomeada formalmente chanceler (premiê) da Alemanha pela terceira vez. Belo triunfo para a antiga garotinha estudiosa, tímida e discreta que cresceu na Alemanha Oriental, onde seu pai era pastor da Igreja Luterana.

Para obter essa terceira consagração,
Merkel mobilizou mais uma vez seus talentos de "manobrista". De fato, embora seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU) - com sua prima bávara, União Social-Cristã (CSU) -, tenha vencido, há três meses, as eleições legislativas, ele não obteve a maioria absoluta.

Para desatar a chancelaria, Merkel precisou então "misturar água no seu vinho". Precisou negociar com outro partido para formar uma maioria. O realismo de Merkel fez maravilhas. A Alemanha será dirigida por uma "grande coalizão" que compreenderá, sob o comando obstinado e sutil de Merkel, os dois partidos de governo rivais encarniçados e inimigos - a CDU (de direita) e o Partido Social-Democrata (SPD), de esquerda.

Os franceses acompanham essa operação com olhos arregalados.

Eles não conseguem entender. Então, dois partidos contrários em tudo exceto na sua qualidade de alemães, podem, não só cooperar, mas ainda se atrelar à mesma charrete e correr como o vento.

Impensável para uma mentalidade francesa! Se você é de direita, deve atirar uma bomba contra o cerco dos socialistas, dizer que todas as pessoas de esquerda são cretinas e, com a ajuda do jornal Figaro, atear fogo ao governo de François Hollande. Os socialistas, por sua vez, na época em que a direita (Nicolas Sarkozy) conduzia o trem, não poupavam esforços para tirar o comboio dos trilhos.

Eis uma diferença categórica entre dois países que, no entanto, se amam, a Alemanha e a França. Grande coalizão numa margem do Reno, e poder solitário na outra, a francesa. Para um socialista, aliar-se à direita para salvar o país da desgraça seria uma covardia, uma obscenidade. E a direita não o aceitaria, tampouco.

Essências.
Como explicar? Os analistas recorrem a uma noção cômoda, porque ela é perfeitamente vaga, subjetiva e ilusória: o "gênio" de cada povo. O gênio da França é a querela, o desafio, a fanfarronada, o duelo e o brio.
A França passou toda sua história a brigar consigo mesma, por exemplo, em 1789 com a Revolução Francesa e suas centenas de cabeças cortadas. Mas a Idade Média e a Renascença já haviam parecido vastas "brigas de trapeiros". E, no século 19, após a morte de Napoleão, a França continuou a fabricar, a cada 20 anos, uma cópia deslavada e muito mortal, contudo, da Revolução de 1789.

Essa explicação é séria. Mas não é suficiente.

Quando se abandona o campo das ideias vagas e da psicologia dos povos e se volta humildemente à mecânica política, outras pistas podem ser propostas. A Constituição francesa da Quinta República, polida pelo general Charles de Gaulle em 1958, não facilita os acordos de governo entre partidos opostos. As coalizões, sejam elas "grandes" como na Alemanha ou "pequenas", são pouco compatíveis com ela.

O sistema francês não é parlamentarista.

É, com nuances, presidencialista. Toda autoridade é detida pelo chefe de Estado, eleito por sufrágio universal por cinco anos. E para se manter no poder esse chefe de Estado não precisa dispor da maioria no país. Por exemplo, neste momento, François Hollande é aprovado por 25%, quando muito 30% da população francesa. Ele não dá a mínima. O presidente não pode ser derrubado.

De fato, em caso de impopularidade notória ou risco de o "governo" ficar em minoria (o governo, não o presidente) na Câmara, o chefe de Estado pode agradecer a seu primeiro-ministro e nomear outro (nessa circunstância, mas muito raramente, ele pode nomear um primeiro-ministro saído da oposição, como no passado Jacques Chirac nomeou Lionel Jospin). Mas o presidente flutuará sempre acima das tempestades.

De mais a mais, por que se cansar em construir uma "grande coalizão" com um pouco de esquerda, um pouco de direita, um pouco de centro, um pouco de "verdes"?
Basta ser eleito presidente da república e depois, durante cinco anos, é só deitar e rolar.
Tradução de Celso Paciornik

Um comentário:

  1. Caro Sr. Gilmar Carneiro,

    Fico feliz em conhecer mais um parlamentarista em São Paulo, pois também sou defensor intransigente deste Sistema de Governo e simpatizante de sua variável suíça (o Sistema Diretorial). Estou em contato regular com o Presidente do Movimento Parlamentarista Brasileiro, Sr. Engº Nelson Fonte Pilla (http://parlamentarismo.com.br/), para constituir um grupo aqui em São Paulo - Já que o MPB é do Rio Grande do Sul.
    Por conta disso, gostaria de saber se o senhor tem interesse em participar da organização desse grupo, que visa única e exclusivamente, discutir propostas que visem a implementação do Parlamentarismo no Brasil.
    Caso tenha interessa, meu e-mail de contato é ageu.rodrigues@yahoo.com.br e o do Srº Nelson Pilla é npilla@gmail.com - além disso, caso se interesse em conhecer minhas propostas, eis o endereço do meu blog: http://revolucaoinstitucional.blogspot.com/

    Saudações Parlamentaristas, aguardo ansiosamente seu contato para discutirmos mais profundamente essas ideias em comum.

    Sem mais, Ageu Rodrigues.

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