terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Ano Novo Vida Nova



Aprendendo a usar IPad

Além da expectativa do Ano Novo, preciso aprender a usar o IPad que ganhei da filha e da esposa.
É um sofrimento, mas faz parte da vida. Só quer aprender depois dos sessenta é um pouco mais difícil.

Agora vamos nós preparar para a ceia de Ano Novo.

Amanhã, dia primeiro, eu escrevo do computador.

Abraços a todos!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

2013 com Flores

Flores de Dezembro

Por uma série de motivos, o mês de dezembro teve poucas flores no blog.
Como hoje é praticamente o último dia útil do ano,
já que no dia 31 o clima é só de festa,
vou mostrar as flores que mais tirei fotos neste mês de dezembro.

1 – As flores que mais chamaram atenção foi do “lágrimas de Cristo”.


Uma coluna de flores

2 – Estas flores vistas de perto, mostram que existem diversas formas e cores


3 – Já estas flores amarelas, estão no jardim da casa que cultiva as famosas Rosas da Vila Madalena.


Além de serem muito bonitas, estão presentes aqui no bairro e também nas praias da Bahia.

4 – E nosso jardim da frente está cheio de flores amarelas


Em todos os meses do ano temos flores na Vila Madalena e na cidade de São Paulo.

Feliz Ano Novo para todos da Vila Madalena,
da cidade de São Paulo, do Brasil
e de todos os mais de cem países que nos acompanham.

Se depender de nós,
Em 2014 também vamos ter muitas flores e muitas alegrias.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Economia - Boas respostas para más perguntas

Depois de Abilio Diniz, chegou a vez de Belluzzo

O Estadão já tinha levado um banho de Abílio Diniz, quando tentou forçar o empresário a falar mal do governo Dilma. Agora foi a vez de a Folha de S.Paulo levar outro baile. Só falta o jornal Valor correr o mesmo risco e levar mais um baile.

Que os jornais estejam cheios de jornalistas econômicos conservadores e neoliberais não é novidade, mas os jornais quererem obrigar pessoas que são simpáticas ao governo a dar entrevistas falando mal do governo, é demais. Passam vergonha...

Leiam esta entrevista de Belluzzo.
Ele dá uma aula de competência e educação.


Governo perdeu a batalha contra o mercado financeiro

Para professor de Dilma, câmbio está muito fora do lugar e é preciso acelerar as concessões e refortalecer a indústria

Folha - 29/12/2013
ELEONORA DE LUCENADE SÃO PAULO

O Brasil precisa mexer na política cambial. A valorização do real por vários anos fez com que empresários virassem importadores e a indústria encolhesse. Por isso, o crescimento patina. Se o enrosco não for resolvido, poderá haver recuo.

O diagnóstico é do economista Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo, 71, para quem o país se meteu numa camisa de 11 varas (dificuldade extrema, da qual é difícil ou impossível sair, diz o "Aurélio").

Professor da Unicamp, foi mestre de Dilma Rousseff. Nesta entrevista, ele avalia a ex-aluna: "Está seguindo os cânones dominantes. Deu uma recuada diante da correlação de forças. Com o câmbio muito fora do lugar e essa situação internacional, haverá dificuldades de reativar a economia".

Folha - Como vai o governo Dilma?


Luiz Gonzaga de Mello Belluzzo - Dilma se deu conta de que os efeitos da crise sobre o Brasil foram maiores do que se podia pensar e duraram mais tempo. Nos metemos numa camisa de 11 varas, num enrosco. O investimento industrial foi afetado pela manutenção da taxa de câmbio valorizada. O que a maioria dos industriais fez? Eles se tornaram importadores. A indústria brasileira ficou nanica. O Brasil vai ter que corrigir a política cambial.

É por isso que o governo está fracassando na economia?
Não acho que esteja fracassando. O crescimento é ruim, comparável ao de FHC, que foi péssimo. Há esse enrosco de câmbio, crescimento e juros. O núcleo do enrosco é o desalinhamento do câmbio.

O Brasil não poderia ter outra posição no câmbio?
Tem custos. Temos uma defasagem grande, que calculo em 30%. Há o custo do impacto na inflação.

Onde está o desenvolvimentismo de Dilma?
A situação é apresentada como fracasso do desenvolvimentismo. Não sei direito de que desenvolvimentismo falam. Desenvolvimentismo agora é o país ficar em condições de competir, fazer acordos. O centro da turbulência está na inadequação das exportações e importações na sustentação do crescimento. Basicamente o crescimento é baixo porque não há dinamismo na indústria.

O crescimento é baixo porque as medidas de Dilma não são desenvolvimentistas?
A Dilma é desenvolvimentista, só que não está conseguindo se livrar de constrangimentos que vêm dos anos 1970. Desenvolvimentismo é uma palavra ambígua. Alguns falam nele pensando nos anos 1950, 1960. Esquece. A configuração da economia mundial é outra. É preciso procurar outros caminhos. Um deles é o próprio agronegócio, que pode ser estimulado a mover-se para outros setores, como a indústria de equipamentos agrícolas.

Dilma criticou o sistema financeiro. Depois houve recuo?
Há um problema de relação de força. Não é saber quem tem razão. É saber quem tem mais poder de fogo, quem tem mais força.

Quem tem mais força: o mercado financeiro ou Presidência da República?
O mercado financeiro. No mundo inteiro. Ou se acha que os europeus fazem isso porque acham engraçado? É porque eles entregaram a rapadura! Não se pode mexer naquilo que é essencial.

O que é essencial?
O emprego, a renda, o bem-estar das pessoas.

Hoje o governo está de mãos atadas em relação ao mercado financeiro?
O governo está perdendo a batalha ideológica e política para o mercado financeiro.
O mercado financeiro hoje, no mundo, é um setor cujo funcionamento está voltado para o enriquecimento de suas próprias funções ou dos seus participantes. Deixou de fazer a intermediação banco/empresa/investimento. Por que eles resistem à intervenção no câmbio? A volatividade cambial é péssima para a decisão de investimento. Mas para eles é ótima, porque ficam arbitrando.

Dilma está à direita de Lula?
O mercado acha que ela está à esquerda de Lula. Dizem que o Lula era legal porque conversava. Dizem que ela é a rabugenta, intervencionista e o diabo. A presidente, coitada, herdou esse negócio, e é muito difícil se desvencilhar disso. Ela está seguindo mais ou menos os cânones que são dominantes na economia.

Deu uma recuada diante da correlação de forças. Ela está lá meio desconfortável, fazendo o que pragmaticamente deve fazer, não o que ela gostaria. Nem acho que a questão se coloque como mais ou menos intervenção. Com o câmbio muito fora do lugar e a situação internacional, haverá dificuldades de reativar a economia. São duas as oportunidades que ela tem: acelerar as concessões e melhorar o investimento em infraestrutura, com efeito sobre a indústria, e o pré-sal.

Dilma é uma decepção ou está dentro do esperado?
Ela está fazendo o que pode. Sou suspeito porque me considero amigo dela; fui professor dela. O tabelamento da taxa de retorno pegou mal no mercado. Quase disseram que ela era uma réplica da política dos bolivarianos. Tem cabimento essa comparação? Estão botando ela contra a parede. Ela está tentando resistir.

Nesse quadro de atrito, empresários devem apoiar outros candidatos?
Ninguém joga dinheiro fora. É menos atrito e mais reclamação. Eles já se deram conta de que uma coisa é a relação de forças da economia; outra, é a da política. Eles se deram conta de que ela vai ganhar. Vão compor com ela, e ela vai compor com eles, discutir.

Por que os indicadores sociais pararam de melhorar?
Estão melhorando menos, porque a melhora foi muito intensa antes. Dilma está com dificuldade de levar adiante o projeto. Mas eu não creio que ela tenha abandonado esse núcleo central. Ela avançou no Bolsa Família e em outros benefícios. A economia não cresce, não resolvemos o problema da indústria. E, se não o resolvermos, as coisas voltarão para trás.

O governo desacelerou investimentos. Foi um erro?
Eu acho. O investimento público é formador das expectativas do mercado.
É preciso voltar com a ideia de planejamento indicativo do governo.
O investimento público, na história do Brasil, definiu o horizonte do investimento privado.

O modelo do tripé deve ser abandonado?
Não. É uma maneira de enquadrar ou organizar as expectativas. Isso não quer dizer usar de uma maneira mecânica.
A forma como alguns tratam o tripé é religiosa. Funciona muito mais como uma fé do que como uma convicção racional.

Os juros devem subir muito?
Não conheço nenhuma experiência em que subir juro funcionou para segurar dinheiro. É ineficaz.

A questão do rebaixamento é importante?
Depois do que essas agências de risco fizeram no pré-crise, é impressionante que as pessoas falem delas com respeito. Deveriam estar na cadeia.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Arrastão – 1965, a música migra para São Paulo

I Festival da TV Excelsior marcou a mudança

“Arrastão determina o nascimento do gênero música de festival, que tinha por modelo a temática com uma mensagem, como na letra de Vinícius; a melodia contagiante, como na música de Edu Lobo; o arranjo peculiar, que levantava a plateia, e a interpretação épica de Elis Regina.

Arrastão deu um novo rumo para a música popular brasileira (mais tarde alcunhada MPB) e foi o ponto de partida da música na televisão, um espaço que não existia antes. A despeito de a audiência não ter sido espetacular, a partir do Festival da TV Excelsior, a música brasileira pela TV não seria mais a mesma.

Nascia, embora timidamente, um novo gênero de programa de televisão, no qual a plateia se manifestava e torcia. Como no futebol, havia competição. Em vez de jogadores e times, cantores e compositores. Em vez de estádios, os auditórios.

Nascia uma nova torcida no Brasil, a torcida pelas canções.”

Gostaram do texto acima?

Faz parte do ótimo livro de Zuza Homem de Mello – A Era dos Festivais.

“Neste final de 1965, a situação da TV Excelsior era bem diferente da de 1963...

Era uma verdadeira máquina de divertimento de primeira linha,
levando a Excelsior a dividir a liderança com a Record nos últimos meses de 1963.

Mas, desde meados de 1964, a cena vinha mudando.“

Em 31 de março de 1964, com o golpe militar,
“a classe artística foi atingida desde logo,
com a prisão de Carlos Lyra, Dias Gomes e Mario Lago em abril de 1964.”

O II Festival da TV Excelsior, em 1966 já foi outra história...

Rio de Janeiro deixou de ser Governo Federal em 1960
e deixou de ser a capital da música em 1965.
Depois perderia os bancos, as empresas e até o futebol.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O novo de Elis Regina e Edu Lobo

Nunca, jamais se viu tanto peixe assim

Nunca, jamais na história deste país os pobres tiveram tanto apoio e tanta oportunidade...

Lendo mais um livro de Zuza Homem de Mello – “A era dos Festivais”, a gente vai aprendendo sobre nossa história e descobrindo frases que criam impactos.

Nunca, jamais se viu tanto peixe assim... Lembra o Evangelho,
quando Jesus manda os pescadores jogarem a rede no lago e,
de repente, os peixes apareceram às centenas para alimentar o povo...

É a poesia de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, a garra de Elis Regina e o messianismo de Lula.
São os marcos da história, são os novos tempos.

Zuza fala de Elis com extrema simpatia em todos os seus livros. Realmente a baixinha apaixona até hoje.
Estamos acabando 2013 e começando 2014, quando renovam-se as esperanças.

Ouça a música, mate a saudade da letra
e do “nunca, jamais na história deste país...”

Arrastao - Elis Regina



Arrastão

Elis Regina - letra de Edu Lobo e Vinicius de Moraes

Eh! tem jangada no mar
Eh! eh! eh! Hoje tem arrastão
Eh! Todo mundo pescar
Chega de sombra e João Jô viu

Olha o arrastão entrando no mar sem fim
É meu irmão me traz Iemanjá prá mim
Olha o arrastão entrando no mar sem fim
É meu irmão me traz Iemanjá prá mim

Minha Santa Bárbara me abençoai
Quero me casar com Janaína
Eh! Puxa bem devagar
Eh! eh! eh! Já vem vindo o arrastão
Eh! É a rainha do mar
Vem, vem na rede João prá mim

Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim
Nunca, jamais se viu tanto peixe assim
Valha-me meu Nosso Senhor do Bonfim
Nunca, jamais se viu tanto peixe assim

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Egito, Oriente Médio e a Decadência Americana

Invasões, golpes, Contragolpes e Terrorismo

O Ocidente, capitaneado pelos Estados Unidos, está desestabilizando o Oriente Médio.

O que começou com a simpatia do mundo e foi chamada de PRIMAVERA ÁRABE, com o passar do tempo, foi se transformando em governos sem governabilidade, onde grupo étnicos se degladiam para ver quem fica com o espólio dos governos autoritários herdeiros do pós segunda guerra mundial.

Egito, Iraque, Síria, Palestina, Israel, Irã... Onde está a paz, o progresso e a convivência democrática? Qual o papel da ONU nesta confusão toda?

Na América do Sul, os conservadores observam o Oriente Médio e tentam fazer o mesmo que está acontecendo no Egito. Arranjar um pretexto qualquer, derrubar o governo, botar um juíz testa-de-ferro, ou laranja, articular amplo apoio da imprensa e negociar a cumplicidade da ONU e dos Estados Unidos... Pronto, esta é a receita dos golpes brancos. Os militares “cumprem” as ordens dos falsos governantes.

Nossa imprensa, como apoiou a invasão do Iraque, também apoia um golpe branco no Brasil. O problema é que com 33 partidos, nem eles se entendem. Ainda bem...

E não me venham dizer que o que acontece no Oriente Médio é porque eles são muçulmanos...

Vejam a matéria do Estadão de hoje.

Governo egípcio declara
Irmandade Muçulmana 'terrorista' e bane grupo


Pós-Mubarak. Gabinete interino instalado pelos militares culpa maior organização islamista do país por atentado de segunda-feira contra delegacia e abre caminho para escalada na repressão: facção nega qualquer envolvimento e condena ataque a bomba

26 de dezembro de 2013 | 2h 07
CAIRO - O Estado de S.Paulo

O governo interino do Egito culpou ontem a Irmandade Muçulmana pelo atentado que deixou 16 mortos na segunda-feira, declarando que a maior organização política do país é um "grupo terrorista" e todas as suas atividades estão oficialmente banidas. O anúncio representa uma inesperada escalada por parte dos militares que em julho derrubaram o presidente Mohamed Morsi, eleito pelo partido da Irmandade.

A organização islamista negou qualquer envolvimento e condenou o ataque a bomba contra um posto policial em Mansoura, no Delta do Nilo, no início da semana. Além dos 16 mortos, mais de 100 egípcios ficaram feridos na explosão. O Ansar Bayt al-Maqdis, grupo jihadista que atua na Península do Sinai e é ligado à Al-Qaeda, reivindicou a autoria do atentado, mas o governo interino egípcio afirma que é a Irmandade quem está por trás da explosão.

Ao final de uma longa reunião de emergência do gabinete instalado pelos militares, o ministro da Educação, Hossam Eissa, leu em rede nacional um comunicado: "Declaramos a Irmandade Muçulmana e todas as suas organizações como grupos terroristas". A decisão, disse Eissa, é uma "resposta" ao atentado de segunda-feira.

"O Egito ficou horrorizado, de norte a sul, pelo crime hediondo cometido pela Irmandade Muçulmana. Isso ocorreu no contexto de uma perigosa escalada da violência contra o Egito e os egípcios. A Irmandade Muçulmana mostrou que não sabe agir a não ser por meio da violência", continuou o ministro. Eissa, entretanto, não mostrou provas que ligassem o grupo ao ataque em Mansoura.

Desde que derrubaram Morsi, no dia 3 de julho, os militares egípcios lançaram um duro cerco contra a Irmandade. Semanas após o golpe, centenas - ou, segundo algumas fontes, milhares - de integrantes da organização islamista foram mortos em um protesto no centro do Cairo, depois que policiais e soldados do Exército abriram fogo contra a multidão. Estima-se que a Irmandade, um híbrido de partido e instituição de caridade, tenha mais de um milhão de filiados no Egito.

Ontem, líderes do grupo garantiram que não cessarão as atividades, apesar do banimento oficial. "Essa decisão não tem valor para nós. Ela não vale nem sequer o papel em que foi escrita", disse Ibrahim Elsayed, do comando político do grupo. /REUTERS e AP

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Lembranças e depoimentos no Natal

Maria Bethânia em busca do novo

O Natal serve para lembrar da vida, da família, dos amigos e de fatos relevantes. Passei este Natal lendo o livro de Zuza Homem de Mello com depoimentos maravilhosos sobre Bossa Nova e a música brasileira.

Vejam este depoimento de Maria Bethânia:

“Quando fui convidada para fazer o show Opinião
não conhecia ninguém.


Não conhecia nem João do Vale, nem Zé Kéti, nem, as músicas dele, achava Nara Leão a deusa da minha vida e quando me disseram que eu ia substituí-la quase morro de felicidade. Ela tinha estado na Bahia, foi no ensaio da gente, conversou muito, mostrou músicas do disco novo que estava fazendo, achei muito bacana o trecho que ela cantou pra mim de Opinião.

Quando Nara perdeu a voz, eles me ligaram do Rio, eu estava em Santo Amaro da Purificação.
Falei com meu pai, ele deixou só com Caetano acompanhando e nós viemos juntos, aliás, eu trouxe todos eles, Caetano, Gil, todo mundo.

Quando cheguei, a Suzana de Moraes ia estrear e fazer uma semana para eu poder ensaiar. Assisti, achei lindíssimo, de acordo com tudo que eu estava pensando na época e disse que queria fazer.
...

Senti que Opinião era uma nova fase na música popular brasileira, ainda mais sendo uma peça de teatro. Achei importantíssimo. Vou continuar amando João Gilberto, mas gosto também disso.”

Gostaram do depoimento e das lembranças de Maria Bethânia?

Pois comprem e leiam o delicioso livro “Eis aqui os Bossa-Nova”, de Zuza Homem de Mello. Depoimentos das principais pessoas que contribuíram para o sucesso da Bossa Nova e algumas experiências posteriores.

Além de passar a entender mais e gostar mais ainda da Bossa Nova,
vocês lembrarão também do Brasil do final dos anos 50 e início dos 60.

O sonho ainda não acabou...

Daqui a pouco pode chegar o “Expresso 2222”,
com Gil, Caetano, Gal, Milton Nascimento,
Chico Buarque e uma pitada de Elis Regina...

Tenho que falar também de “Sampa”.
O novo pode começar aqui ou em outro lugar do Brasil.
Para entender melhor, leiam os livros de Zuza.
São ótimos!

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Salário Mínimo de 306,78 dólares

Na era tucana era de 80 dólares

Esta é uma das principais diferenças entre os governos petistas e os governos tucanos.

Com Fernando Henrique o Salário Mínimo era de 80 dólares e os trabalhadores e aposentados reivindicavam que chegasse a 100 dólares.

Dilma, dando continuidade ao governo Lula, assinou o decreto determinando que o novo Salário Mínimo, a partir deste primeiro de janeiro de 2014, passe a ser de R$724,00 que equivale a 306,78 dólares, ao preço de hoje, conforme tabela da uol.

Se ainda estivéssemos no governo FHC o salário mínimo estaria em R$188,80 reais.

Atualmente, com o reajuste vinculado ao crescimento do PIB, proposta desenvolvida pelos sindicalistas da CUT, as demais centrais sindicais e o DIEESE, o salário mínimo chega a 306,78 dólares ou 724,00 reais.

São mais de vinte milhões de aposentados beneficiados;

São todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais
que se beneficiaram da aposentadoria rural;

É a maioria dos assalariados urbanos que ganha um salário mínimo.

Este é um dos fatores que fazem com que nas pesquisas e nas eleições, o povo continue votando no PT.

Propaganda bonita, apoio da imprensa e do judiciário ajudam,
mas não determinam os resultados eleitorais.
O povo sabe o que quer. O povo não é bobo!

Valorizar este tipo de informação é como comemorar as grandes vitórias e conquistas da humanidade. Não tem preço!

Por isto que Lula continua sendo o principal candidato e principal cabo eleitoral.
Salário Mínimo, Bolsa Família, Mais Saúde, Mais Educação,
Mais formação profissional e, principalmente, Mais Empregos para todos!

Tudo isto significa um Natal mais farto, mais familiar
e mais esperançoso.


No Ano Novo as esperanças continuarão e em 2014 o povo continuará confiando no Brasil.

Sem medo de ser feliz!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Mais uma do Judiciário – autonomear-se

Juízes querem impor prazos à presidência

O jornal Valor “descobriu” uma ação de autoria das três principais associações de magistrados no STF, com a finalidade de “fixar prazos para a escolha de novos juízes” Se o prazo não for obedecido, caberá ao próprio tribunal escolher seus membros. Isto é, autonomear-se.

É o reforço ao golpe branco, uma tentativa de subordinar o Executivo e o Legislativo. Aí todos obedecerão apenas à Imprensa e ao Judiciário. Vejam o exemplo do golpe do Egito. Eles estão querendo repetir aqui no Brasil.

Realmente precisamos de uma nova Constituinte e de um Novo Congresso Nacional.

Vejam parte da matéria do jornal Valor desta sexta-feira.
Eles querem acabar com nosso Natal...

STF pode fixar prazo para a escolha de juiz

Por Juliano Basile | De Brasília
Valor – 23/12/2013

Incomodados com a demora da presidente Dilma Rousseff em indicar novos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), os ministros da Corte poderão fixar prazo de 20 dias para o chefe do Poder Executivo cumprir a tarefa. Se o prazo não for obedecido, caberá ao próprio tribunal escolher seus membros.

As três principais associações de magistrados do país entraram com ação no STF com essa finalidade. Se for aceita pela maioria dos ministros, vai revolucionar o processo de escolha de juízes pela Presidência da República, pois afetará não só o STF como também o Superior Tribunal de Justiça (STJ), os tribunais do trabalho e os cinco Tribunais Regionais Federais.

Dilma tem levado até seis meses para escolher ministros para os tribunais superiores.

Em 2014, Dilma terá que fazer a indicação de pelo menos cinco vagas para o STJ. São: da ministra Eliana Calmon, que se aposentou da Corte nessa semana para se candidatar ao Senado pelo PSB da Bahia, e dos ministros Ari Pargendler, Arnaldo Estava, Gilson Dipp e Sidnei Beneti, que vão completar 70 anos e terão que deixar o tribunal.

No STF, há a expectativa de que Dilma tenha que fazer uma escolha para substituir o ministro Celso de Mello. Ele só vai completar 70 anos em 2015, mas anunciou a intenção de antecipar a sua aposentadoria porque convive com problemas de saúde.

Caso a ação das entidades de magistrados seja aceita,
a presidente terá que fazer todas essas escolhas em 20 dias,
ou o preenchimento das vagas será feito pelos próprios tribunais superiores.

Abilio Diniz – Boas respostas para más perguntas

O mau humor brasileiro tem nome e endereço

Começa pela imprensa, incluindo jornais, rádio e TV, que pertencem a poucas famílias, depois passa por parte do judiciário, que quer mandar no país sem ter sido eleitos pelo povo; e finalmente chega nos tucanos e seus aliados, que não se conformam em ter perdido a presidência da república e verem o povo votar no PT de Lula e Dilma.

Esta entrevista feita por Sonia Racy com Abilio Diniz, uma das mais importantes lideranças empresariais do Brasil, é uma aula de como a entrevistadora tenta jogar o entrevistado contra o governo Dilma e o entrevistado dá uma aula de como responder com gentileza porém com consistência e respeito ao governo.

Esta, sem dúvida, é a melhor entrevista que já vi Abilio Diniz dar.
E olhem que com meus 60 anos e mais de 40 no mercado financeiro, já li muitas e muitas entrevistas de Abilio.
Adorável o elogio que ele faz à gestão anterior da BRF, que inclui o pessoal da Perdigão e também da Sadia.

Prezado Abílio Diniz, neste Natal, estou muito orgulhoso de você.
É pena que não possa dizer o mesmo do Pão de Açúcar. Compro todas as semanas na loja da Praça Panamericana e constato que a qualidade do atendimento vem caindo e a árvore que foi mal podada está bichada e pode cair a qualquer momento. Mas quem gosta do novo Pão de Açúcar e seu novo proprietário é a Folha....

Leiam a ótima entrevista de Abílio Diniz. “Orgulho de ser brasileiro”.

“Não é pessimismo. Os empresários brasileiros estão é de mau humor”

23.dezembro.2013 | 1:00
Estadão – Sonia Racy

O presidente do conselho da BRF fala sobre os desafios do governo em 2014, o real legado da Copa do Mundo, controle da inflação e o gargalo de investimento no País.

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida à coluna na semana passada.

O que aconteceu para que os empresários ficassem de mau humor?
Um conjunto de coisas. Tivemos alguns problemas reais na economia, mais reflexo da economia global do que da nossa. E houve percalços na questão das concessões. Além, claro, da má comunicação entre governo e empresários. Eu diria que, hoje, as coisas estão muito mais serenas. Não sou nem de longe, nem quero ser, porta-voz do governo, mas, me parece que ele está consciente de que precisa se aproximar do empresariado.

Espalhou-se que a Dilma não gosta de gente rica.
Não sei… quer dizer, acho que tenho dinheiro e que ela gosta de mim. Será que sou a única exceção? Acho que não. Não vejo por aí.

Como está vendo a “armadilha do crescimento baixo”?
Não vejo. Economistas gostam de ser irônicos, gostam de frases de efeito, de gracinhas, e essa é mais uma.
O que eu acho é que, se você comparar o governo da Dilma com o do Lula, ele teve condições externas muito melhores do que ela.

Segundo ponto: a maior parte dos brasileiros que foram tirados de debaixo da linha da pobreza o foi no governo Lula.
Depois de determinado ponto, você não consegue mais fazer essa evolução social com a mesma velocidade. Então, o consumo interno ainda está sustentando o crescimento, mas não como sustentou até 2010. Hoje, você precisa de algo mais. E o que foi colocado como segundo motor do crescimento? Os investimentos em infraestrutura. Os projetos foram feitos, o programa foi feito, a direção foi apontada, só que esses investimentos não aconteceram. De quem foi a culpa? Não interessa. Não vou analisar a culpa. O que temos é uma necessidade imensa de investimentos. No momento em que a taxa de investimentos se elevar, com o consumo interno que nós temos, o País vai voltar a crescer.

Existe insegurança jurídica?
Não, não é insegurança jurídica.
É insegurança das propostas que foram feitas nas concessões, nos marcos regulatórios. É essa a insegurança que o investidor tem e isso precisa terminar. No momento em que derem condições mais claras para se investir, principalmente em infraestrutura, o dinheiro vem e vem forte. Já internamente, o que é que nós temos?

Não só problema de marco regulatório, mas também problemas ambientais, com o MP, com TCU, que atua antes de as coisas acontecerem. Todos esses problemas precisam ser ultrapassados. Essas coisas são demoradas, difíceis. São muitos entraves para os grandes projetos. Isso é uma das coisas que estão trazendo dificuldades. Tem de haver mais confiança e melhor diálogo entre governo e setor privado.

Você tem alguma preocupação com a inflação?
Se eu disser que não tenho preocupação com a inflação estaria sendo um tanto quanto irresponsável. Quem viveu a inflação sempre fica preocupado. Porém, olhando o mundo real e as coisas como elas estão, os controles que o Banco Central tem, tudo o que está acontecendo em termos de inflação, não vejo motivo para preocupação. O BC não usou, nem de longe, medidas duras de combate à inflação. Todas as medidas tomadas até agora foram necessárias. A inflação está sob controle.

Inflação controlada, retomada da confiança do empresariado… Se isso acontecer, 2014 pode ser um ano surpreendente?
Não acho que será surpreendente se crescermos mais do que vamos crescer em 2013. Eu espero isso. Porque, de novo, o consumo das famílias vai continuar crescendo. Há alguma preocupação com inadimplência, mas há espaço para mais endividamento. O salário continua crescendo, o emprego continua firme. Por outro lado, a expectativa de que a retomada dos investimentos aconteça fará o País crescer.

Outro ponto importante: é ano de Copa e também eleitoral. Dois fatores que contribuem para o aumento de consumo.

Que legado esperar da Copa? O que acha que vamos fazer com todos esses estádios?
Isso é uma coisa que sempre preocupa. Acompanhei, como membro da câmara de gestão, a intenção inicial do governo federal, que era deixar um real legado da Copa. Não estou falando dos estádios – que ficarão com capacidade ociosa –, mas das obras de infraestrutura do entorno das arenas. Nem tudo o que foi previsto está acontecendo. Mas alguma coisa fica, e acho importante. Agora, também é importante o que acontece no País nessa época, a visibilidade. O Brasil é lançado mundialmente…

Então, acha importante para o Brasil ter a Copa?
Sem dúvida nenhuma.

Você é contra as manifestações todas aí que…
Isso é besteira. Quer dizer, o saldo, em termos de economia, é evidentemente positivo para o Brasil. Agora, também é verdade quando dizem que se devia fazer mais hospitais. O ideal seria fazer os dois.

Como as eleições vão afetar a economia brasileira?
O processo eleitoral, por tudo que traz em si, faz com que a economia cresça um pouco mais. Há mais gastos. Agora, acho que não afetará nem um pouco o rumo, que está dado. Não vamos ter nenhuma mudança de direção na economia.

Tem gente que acha que a Dilma, ganhando as eleições em 2014 por si mesma, virá com uma política mais ideológica na área econômica. Concorda?
Não acho que a presidente tenha qualquer motivo ideológico para enfraquecer o setor privado, dificultar o setor financeiro, beneficiando o Estado. Ela tem o maior respeito pelas empresas e pelos empresários. Acho que isso não vai acontecer em hipótese alguma. O que tenho expectativa é que, em um segundo mandato, logo no início, ela faça algumas coisas importantes para o País. Falo de melhorias da gestão pública no que diz respeito às questões de gastos, custeio, melhoria da máquina.

O que você pensa sobre financiamento de campanha?
Não quero aqui colocar nenhuma fórmula, mas parece evidente que o financiamento de campanha tem de ser feito de forma que os eleitos não fiquem reféns dos compromissos que fizeram durante a campanha. Isso precisa acabar.

Sente-se em casa na BRF?
Há muito tempo. É uma companhia extraordinária. É admirável todo o trabalho que foi feito, a integração, desde as granjas, até chegar no produto final, a entrega para o consumidor aqui ou no exterior. O trabalho que foi feito depois da fusão entre Sadia e Perdigão também foi excelente. Agora, a BRF chegou num momento em que tem de dar um salto. E é isso que os acionistas esperam que eu faça.

Mas você falou recentemente sobre uma administração torta da BRF?
É preciso que fique muito clara a minha admiração por todos aqueles que trabalharam nessa companhia, inclusive os que me antecederam imediatamente, o Nildemar Secches e o José Antônio Fay. Eles fizeram um trabalho admirável.

O que eu quis dizer é que, na minha visão de quem esteve a vida inteira do outro lado do balcão, quem manda num produto é o consumidor. Então, as lojas precisam viver procurando atender o consumidor. Idem para a indústria, os produtores. O que eu sentia é que, na BRF, quem mandava era o setor de vendas – algo que eu não acho ideal. O ideal é que a produção seja puxada pelo consumidor. É ele que determina aquilo que nós vamos produzir. Uma questão de ajuste e de conceito.

Nós estamos investindo mais no conhecimento do consumidor, em pesquisa de mercado, procurando entender não só o consumidor, mas o cliente, que são os nossos revendedores. Porque nós não levamos a mercadoria direto para o consumidor final. Nós entregamos aos nossos revendedores, aos supermercados, enfim, a todo o varejo.

Uma última pergunta: você continua a fazer compras no Pão de Açúcar?
Por que não? São boas lojas. É claro que a gente tem de comprar.(risos)

domingo, 22 de dezembro de 2013

De Tom Jobim para João Gilberto

Uma carta de apresentação

"Em 1959 João Gilberto teve autorização para gravar seu primeiro disco. Então fizemos o LP "Chega de Saudade". Fiz os arranjos, grande parte das músicas e escrevi a contracapa. Há uma grande celeuma em torno das origens da palavra Bossa Nova. Aí começou aquele negócio de chamar aquilo de Bossa Nova, que era um nome mais ou menos curto."

Tom também escreveu a contracapa do disco de João Gilberto:

"João Gilberto é um baiano "Bossa Nova" de vinte e sete anos.

Em pouquíssimo tempo influenciou toda uma geração de arranjadores, guitarristas, músicos e cantores.

Nossa maior preocupação neste long-playing foi que Joãozinho não fosse atrapalhado por arranjos que tirassem sua liberdade, sua natural agilidade, sua maneira pessoal e intransferível de ser, em suma, sua espontaneidade.

Nos arranjos contidos neste long-playing Joãozinho participou ativamente; seus palpites, suas idéias, estão todas aí. Quando João Gilberto se acompanha, o violão é ele. Quando a orquestra o acompanha, a orquestra também é ele.

João Gilberto não subestima a sensibilidade do povo. Ele acredita que há sempre lugar para uma coisa nova, diferente e pura que - embora à primeira vista não pareça - pode se tornar, como dizem na linguagem especializada: altamente comercial.

Porque o povo compreende o Amor, as notas, a simplicidade e a sinceridade.

Eu acredito em João Gilberto, porque ele é simples, sincero e extraordinariamente musical.

PS. - Caymmi também acha.

Antonio Carlos Jobim"

Simplesmente divina, esta carta de apresentação de Tom Jobim para João Gilberto.

Quem quiser saber mais sobre o assunto,
pode comprar o livro de Zuza Homem de Mello
- "Eis aqui os Bossa-Nova", da Editora Martins Fontes.

Além de ser sobre a Bossa Nova, o livro mostra o Brasil da época de 50 e 60, que foi abortado pela Ditadura Militar, voltou à Democracia, mas não voltou à riqueza musical como naquela época.

O Brasil mudou muito, melhorou muito,
mas no que diz respeito à Cultura,
ainda não descobrimos o novo.

sábado, 21 de dezembro de 2013

O rei do brega e o sábio do bordel

Reginaldo Rossi e um outro Brasil

Já tinha decidido que não mostraria nada no blog neste sábado de véspera de Natal, mas, já tarde da noite, fui ler o Caderno 2 do Estadão e achei duas matérias que são duas pérolas: Esta de Julio Maria, crítico do Estadão, e o texto de Laura Greenhalgh sobre As duas vitórias de Michelle (Bachelet), que ficará para outro dia.

Como o Estadão não é um “jornal lido em todo Brasil”, resolvi publicar o belíssimo texto de Julio Maria. Mesmo lendo os livros de Zuza Homem de Mello e Vinicius de Moraes sobre música, este texto também precisa ser apreciado.

Leiam o artigo e divirtam-se!
Depois escutem as músicas do Rei do Brega que fez sucesso sem o aval de São Paulo e do Rio de Janeiro.

O sábio do bordel

Mais do que levar o Rei do Brega,
a morte tira de cena um especialista em atingir o coração

21 de dezembro de 2013 | 2h 08
Julio Maria - O Estado de S. Paulo

Foi inesperado como dor de corno, rápido como amantes de bordel. Quando a morte chegou, na manhã de ontem, Reginaldo Rossi respirava por aparelhos em um hospital do Recife dias depois de sorrir com os médicos que tratavam de seu tumor no pulmão. "Ele sabia da gravidade do caso, mas não perdeu a alegria, o sorriso", disse o médico responsável, João Pinho Alves.

Aos 69 anos, 70 seriam em fevereiro, Reginaldo Rodrigues Santos Rossi não teve tempo para entrar em decadência física nem profissional. O que o Sul e o Sudeste viam como decadência, aliás, Reginaldo via como sustento. Cafona, brega, cantor dos despossuídos e psicólogo de bordel foram selos colados com tapinhas em suas costas sobretudo por críticos de música dos anos 80. Um resíduo cultural que Reginaldo reciclava para fazer virar fortuna artística.

Quando tudo começou, na segunda parte dos anos 60, Reginaldo Elvis Presley Rossi ergueu as golas de sua jaqueta branca e saiu cantando iê-iê-iê. Homem de raciocínio lógico treinado nas faculdades de Engenharia Civil, Física e Matemática, fez as contas e concluiu que valeria se lançar como rockabilly. Seu disco de estreia rendeu um hit, O Pão, nos mesmos moldes estéticos de Roberto e Erasmo Carlos - órgãos Hammond, guitarras duras, poesias moles. Seria mais um entre a turma não fosse o sotaque pernambucano estranho a um movimento nascido no excludente eixo Rio-São Paulo, a Jovem Guarda da TV Record.

Rossi tentou mais e fez, ainda sob a áurea jovem guardista, outros dois discos abençoados pelo poder canonizante da morte e elevados, a partir de hoje, à condição de cult: Festa dos Pães, de 1967, e O Quente, de 1968. Álbuns que trazem artifícios que a chamada "nova MPB" de Marcelo Jeneci e Fernando Catatau não se cansa de usar.

Ao perceber que o Titanic do Programa Jovem Guarda afundava no final dos anos 60 - Roberto Carlos conseguiu se salvar nadando até o Festival de San Remo para virar cantor romântico enquanto Erasmo chegou de bote à ilha da fantástica black music brasileira - Reginaldo deu um pulo do gato para trás. Em vez de pegar a onda e seguir suas referências, aumentou o som dos teclados e passou a chorar mais alto. Como Odair José e Fernando Mendes, dava o cotovelo à palmatória para cantar dores de amor, propositalmente, sem nenhum refinamento. Quanto mais os sulistas o chamassem de brega, mais seus seguidores aumentariam no País.

"Minhas músicas tocam no iPod do desembargador e no radinho de pilha do porteiro porque, independentemente da classe social, todo mundo sofre por amor e gosta de ouvir canções românticas. Quando um homem leva um chifre, o diploma cai da parede."

Um frasista espirituoso, entrevistado impiedoso, Reginaldo vivia com esperteza o personagem ao qual a vida o escalou. "A melhor coisa do mundo é transar com mulher feia. Elas acham que ninguém as quer, que vai ser a última da vida delas e dão tudo", dizia aos que queriam os conhecimentos do pornologista. "A bossa nova não foi unanimidade e morreu logo após seu nascimento porque o movimento foi criado por playboys que faziam letras que ninguém entendia. Uma chatice tremenda", respondia aos polemicistas.

"Não me incomoda ser chamado de brega, mas minhas canções são tão românticas quanto as de Roberto Carlos. Esse título foi dado por alguns jornalistas idiotas", falava a quem quisesse ouvir. Mais do que "Rei do Brega", título com o qual é enterrado hoje, Reginaldo queria ser reconhecido como um especialista na arte de chegar ao coração do homem comum. Pelas palavras do garçom Euclides Fausto, que estava ontem em seu velório, a missão foi cumprida: "Ele sentia a alma dos amantes, ele era um poeta do amor."

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Derrota de Haddad no IPTU

Ditadura Jurídica e Desobediência Política

As regras da democracia republicana determinam respeito aos poderes constituídos, distinguindo-se o Legislativo, do Executivo e do Judiciário. A Revolução Francesa e a Independência Americana foram feitas para combater os privilégios.

Com a derrota da ditadura militar, foi eleito um Congresso Constituinte que elaborou uma nova Constituição para o país mas deixou uma infinidade de leis para serem regulamentadas. Isto é, a democracia ficou incompleta, indefinida e nas mãos de quem tem muito dinheiro e muito poder de influência.

Com o tempo, o poder legislativo foi se desmoralizando e os poderes executivos foram ficando reféns de parlamentares mercenários e inescrupulosos. A legislação eleitoral facilita isto.

Depois da derrota eleitoral do projeto neoliberal dos tucanos e o sucesso dos governos Lula e Dilma, a direita brasileira, articulada na imprensa, buscou preservar suas benesses através do judiciário.

O circo está formado, o país está à deriva, a violência está nas ruas, a imprensa estimula a desobediência civil e política o tempo todo e diariamente vemos casos de desmoralização dos poderes constituídos.

Esta derrota jurídica de Haddad, que se transforma em uma derrota política, pode servir de mecanismo para inviabilizar seu mandato. Mesmo sendo jurista de grande capacidade, Haddad não se deu conta do tamanho do conservadorismo e do golpe branco que está em curso.

Da mesma forma que o pessoal não se deu conta do tamanho do golpe do mensalão, talvez agora ambos se deem conta de que o que está em jogo é a Democracia representativa, com voto direto. Este pessoal reacionário não gosta do voto do povo e está dando um golpe branco, apesar de usarem togas pretas...

Ou abrimos logo os olhos e retomamos a iniciativa ou veremos o judiciário impugnando candidatos e eleitos; indeferindo orçamentos e obrigando os executivos, democraticamente eleitos, a cumprirem determinações de quem não foi eleito.

Abra o olho, Haddad!

Após decisão do STF, Prefeitura de SP reajusta IPTU em 5,6%

Por Valor
20/12/2013

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo informou em nota nesta sexta-feira que o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de 2014 terá reajuste de 5,6%, acompanhando a inflação. Boletos com os novos valores serão enviados aos paulistanos.

Esta foi a reação da prefeitura ao lamentar na mesma nota a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede o reajuste do IPTU na capital como a administração queria: 20% para residências e 35% para os demais imóveis.

Nesta sexta-feira, o STF não acatou os argumentos apresentados pelo prefeito Fernando Haddad (PT) e manteve a liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que suspende os efeitos da lei aprovada pelo Legislativo e sancionada pelo Executivo que reajustou o IPTU.

Caso a lei não tivesse sido suspensa pela liminar, o reajuste do IPTU seria diferenciado por tipo de imóvel, o que beneficiaria a população mais pobre da cidade, alega a prefeitura.

Itaú compra banco no Chile

Capitalismo brasileiro que dá certo

Como previsto anteriormente, o mercado financeiro já dá como praticamente certa a compra do CorpBanca, quinta maior instituição financeira chilena. As ações já foram até suspensas na Bolsa do Chile.

Vejam que matéria interessante saiu no Estadão de hoje.
O Itaú pode passar o Santander no Chile e na Colômbia.
Quem sabe o Itaú compre o Santander no Brasil...

CorpBanca tem ações suspensas após rumor de acordo com Itaú

Ontem, fonte afirmou que conversas para compra do 5º banco do Chile correm bem, mas ainda não foram fechadas

20 de dezembro de 2013 | 2h 06
Aline Bronzati e Danielle Chaves - O Estado de S.Paulo

A negociação das ações do banco chileno CorpBanca foi suspensa ontem depois de os preços terem disparado com a informação dada pelo jornal chileno Diario Financiero de que um acordo prévio para a venda da instituição teria sido assinado com o banco brasileiro Itaú Unibanco. A CorpBanca é a quinta maior instituição financeira do Chile, mas em comunicado oficial aos órgãos reguladores informou ontem que a compra não está ainda fechada com nenhum dos grupos interessados.

No início do pregão chileno, os papéis do banco tiveram alta de 16,74% e a Bolsa de Valores de Santiago decidiu suspender as negociações das ações até manifestação oficial do banco, que aconteceu na metade do dia.

Fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, dizem que embora o acordo não esteja inteiramente fechado, o Itaú Unibanco espera fechar a operação ainda este ano. Mas o banco tem concorrência.

Além do Itaú, o espanhol Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) é outro interessado no CorpBanca e também está em conversas com a instituição para adquirir 50,1% do banco chileno. Ontem, o BBVA soltou um comunicado reafirmando seu interesse pelo banco chileno. O canadense Scotiabank também estaria no páreo.

O CorpBanca tem valor de mercado que ultrapassa US$ 4 bilhões. O interesse da instituição brasileira no ativo está em linha com a sua estratégia de expansão na América Latina. A aproximação com o banco brasileiro teria se estreitado graças à intenção do Itaú de pagar em dinheiro, em vez de usar uma troca de ações para concretizar o negócio.

Durante reunião com analistas e investidores, Roberto Setubal, presidente executivo do Itaú Unibanco, afirmou que o Chile é considerado um mercado prioritário para o banco. "Um mercado que gostamos muito é o Chile. Como mercado financeiro, é maior que México e Argentina. É um país pequeno, mas muito organizado, com crescimento sustentável, de mais de 4% ao ano, e com um mercado financeiro muito regulado", disse ele.

Expansão. Desde que adquiriu, em 2006, o Bank of America do Chile, o Itaú mais que dobrou sua participação de mercado e está entre os oito maiores bancos do país. Tanto o Itaú quanto o BBVA e o Scotiabank poderiam usar o CorpBanca para subir ao primeiro lugar do ranking dos bancos chilenos, que hoje é liderado pelo Banco Santander Chile, segundo a Superintendência de Bancos e Instituições Financeiras.

Um acordo também daria ao comprador uma presença no mercado colombiano, que está em expansão rápida e onde o CorpBanca adquiriu os ativos bancários do Santander em 2012.

Procurado, o Itaú Unibanco reiterou o posicionamento divulgado na semana passada de que vem "mantendo discussões com o CorpBanca, banco com sede e operações no Chile e subsidiária na Colômbia, para associação das operações da Companhia e do CorpBanca nos referidos países".

O banco brasileiro admitiu, no comunicado, que apresentou proposta ao banco chileno contendo os termos e condições para concretização da associação, na qual passaria a deter o controle. (Com informações da Dow Jones Newswires)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Zuza Homem de Mello – Mais uma vez

Música com Z, no Estadão

O melhor caderno do jornal Estadão continua sendo o Caderno 2. Ontem o jornal deu mais uma aula de jornalismo ao destacar na capa principal e depois na capa do Caderno 2, uma reportagem de página inteira sobre o novo livro de Zuza Homem de Mello, o título é “Música com Z”.

Como eu já tinha comprado os livros Música nas Veias e A Era dos Festivais, aproveitei que fui ao médico na avenida Paulista e passei na Livraria Fnac e comprei outro ótimo livro: Eis aqui os Bossa-Nova.

Mas achar os livros de Zuza nas livrarias não é tarefa fácil. Não sei por que há poucos livros e os vendedores têm dificuldade de encontrá-los nas prateleiras. Mas a Editora 34 precisa garantir uma distribuição melhor.

Se voces querem dar um bom presente de Natal, podem escolher um livro de Zuza Homem de Mello. Depois que a pessoa ler o livro, jamais irá ver a música como antes.

Vejam um resumo da grande reportagem...

Aos 80 anos, Zuza Homem de Mello
reúne artigos de luxo em ‘Música com Z’

Obra traz entrevista inédita com o baixista Charles Mingus

18 de dezembro de 2013 | 3h 00
Julio Maria - O Estado de S. Paulo

A vida de Zuza Homem de Mello voltou em um jazz. Era início de noite, antes do jantar, quando decidiu buscar um disco na estante e selecionar a faixa A Nightingale Sang in Berkeley Square.

O homem de 80 anos havia chegado de uma delicada internação no Hospital Sírio Libanês, agora livre de um tumor instalado em seu intestino na calada da noite e pronto para testar o novo coração, recondicionado com dois stents. Quando a voz de Eric Comstock e a guitarra de Randy Napoleon se espalharam pela sala, Zuza sentiu um nó fechando a garganta. Havia ficado tempo demais longe da música e perto da morte, mas agora podia dizer, enfim, que estava irremediavelmente vivo.

Nem um mês depois de retornar para seu apartamento, Zuza finaliza, ao lado da mulher Ercília, um novo projeto editorial que será lançado entre abril e maio de 2014. Um dos homens que mais ouviu e escreveu sobre música no País reuniu boa parte do seu legado no livro Música com Z, que será lançado pela Editora 34 e patrocinado pela empresa CPFL.

São sete capítulos que separam histórias de canções, reportagens, entrevistas, críticas, textos oficiais feitos para capas de discos e releases de artistas, testemunhos de shows e pequenos perfis de nomes do jazz e da música brasileira que Zuza considera de outro planeta. Experiências vividas entre 1956 e 2013, escritas para várias publicações.

Há entrevistados de um peso descomunal em sua lista, sobretudo para a época, quando poucos correspondentes brasileiros tinham acesso aos tubarões do jazz. Chet Baker, Joe Pass, Alberta Hunter e Sony Rollins sentaram-se para responder às suas perguntas. Uma entrevista inédita com o baixista Charles Mingus, morto em 1979, aparece 55 anos depois de ter sido gravada para seu Programa do Zuza, que ele apresentava de segunda à sexta, na Rádio Jovem Pan.

Era maio de 1958 quando Zuza bateu na porta de Mingus, em Nova York. Os prognósticos de que aquilo teria um final feliz eram os mais tenebrosos. Mingus, diziam as ruas, tinha o humor de um javali. Intratável com os desconhecidos, mandaria, se pudesse, todos os brancos para algum lugar bem longe dos Estados Unidos. “Olá, sou o jornalista brasileiro”, chegou o jovem Zuza. “Olá, vamos entrar, fique à vontade”, respondeu o baixista. Em dois segundos de uma doçura inesperada, Mingus derrubou as teses sobre si, ao menos naquele dia.

“Eu sabia que ele era mesmo tudo o que diziam, mas comigo não foi. Falamos de Duke Ellington, Charlie Parker, gente de quem ele gostava e de quem não gostava.”

O verão de 1957 no Central Park foi uma estadia nas nuvens. Em apenas duas semanas, Zuza beliscava-se para certificar-se de que não flutuava em um sonho. “Primeiro vi o quarteto do saxofonista Lester Young, o quarteto de Gerry Mulligan, o trio de Erroll Garner, a cantora Billie Holiday e o sexteto de George Shearing. Nessa tarde, vi a cantora Billie Holiday pela primeira vez, uma das mais importantes de toda a história do jazz, sendo equiparada a Ma Raney e a Bessie Smith”, escreveu para o jornal Folha da Noite.

Se um pé de Zuza caminhava pelas calçadas uniformes de Nova York, o outro atolava no barro da fazenda de seu pai em Itatinga, no interior de São Paulo. O fato de passar quatro meses por ano no campo evitou que a arrogância do afortunado engolisse a percepção do sertanejo. Zuza falava de Duke Ellington e Tonico e Tinoco com a mesma vibração, dando-lhes a mesma profundidade. Afinal, quando menos esperasse, qualquer um deles poderia, quem sabe, salvar sua vida.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

São Paulo e a Violência

Está passando dos limites

Há dias que venho acompanhando as reclamações do blogueiro Eduardo Guimarães sobre a violência em São Paulo. Suas filhas foram assaltadas várias vezes...

Vejam o depoimento abaixo:

“Sinceramente, pessoal, estou muito assustado.
Um assalto à uma filha é uma coisa.
Dois assaltos violentos em 4 meses é muita coisa.

E a menina com o maior barrigão, grávida de 9 meses.
Os assaltantes bateram nela, grávida...

E, lógico, o instinto de qualquer pessoa normal passa a ser pregar repressão e violência policial. Não é essa a solução. Isso é loucura. Não adianta.

Alguém acha que bandidos cheios de crack na cabeça têm medo de violência policial?

A questão da desigualdade e da pobreza chegou a um limite no país.
Precisamos lutar contra a criminalidade no nascedouro.

Minha filha assaltada relata que era um casal na moto que a interceptou.
A moça era jovem, absolutamente drogada, caindo de tão drogada.
E jovem, bem jovem.
O rapaz que dirigia a moto era jovem, também.

Deixam crianças jogadas pelas ruas e depois que crescem
e se tornam monstros que atacam mulheres grávidas vamos reclamar.
A solução é tirar essas crianças da rua,
cuidar das crianças para não ter que prender os adultos.

Polícia nenhuma vai dar conta de tanto bandido surgindo.”

Triste São Paulo!

Além dos sequestros, roubos, furtos, assassinatos, corrupções, corruptores, manifestações na avenida Paulista, acampamentos no viaduto do Chá, taxistas irritados, trânsito parado e delatores virando heróis, o que mais falta em São Paulo?

O curioso é que o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad são parecidos. Fala mansa, calmos, sempre dizendo que vão resolver, que a polícia não está em greve, que a segurança vai melhorar, que o trânsito agora depende do ministério público, que o orçamento foi prejudicado por causa desta maldita mania de o ministério público se meter em tudo e coisa e tal.
O problema que já estamos de saco cheio desta baderna!

Como podemos desejar Feliz Natal?

Como iremos viajar e deixar nossos apartamentos e casas sem segurança?
Como iremos passar o Ano Novo na praia?
E a imprensa, só fala em eleições?

Talvez tenhamos que organizar milícias próprias, para autodefesa.

Nossa solidariedade a todos que foram assaltados, sequestrados ou violentados por este caos de São Paulo.

Nosso afeto carinhoso a Eduardo Guimarães e suas filhas!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Brasil e Alemanha - Parlamentarismo Já!

Se serve para a Alemanha, também serve para o Brasil

Sou parlamentarista convicto.
Votei no parlamentarismo quando houve o plebiscito no Brasil e odeio ver esta zona desqualificada que é a política brasileira atual.

Com a redemocratização do Brasil, os poderes ficaram misturados, confusos, sobrepostos e o resultado é que quase todos perdem. Só quem ganha são os pescadores de águas turvas, os corruptos, os corruptores e a bandidagem.

Como eu também acho que o século XXI tende a ser para países como Alemanha, China e Brasil, sem desmerecer os demais, creio que, para o Brasil acabar com esta confusão de 33 partidos que não governam e não se entendem; para acabar com a promiscuidade jurídica; para regulamentar a imprensa predatória e para obrigar os governantes a governarem conforme seus programas eleitorais, devemos copiar o modelo alemão.

Vamos fazer uma nova Constituinte e depois uma boa reforma tributária e política, implantando o Parlamentarismo a partir de 2018.

Vejam mais esta boa matéria enviada pelo nosso correspondente em Paris, Gilles Lapouge, repórter do Estadão.
Este jornal está cada vez mais reacionário, mas ainda mantém certa liberdade na área internacional e cultural. As trevas já chegaram no caderno de economia.

Berlim forma governo, para espanto de Paris

17 de dezembro de 2013 | 2h 01
GILLES LAPOUGE - O Estado de S.Paulo

Já faz alguns anos que Angela Merkel ocupa a posição de mulher mais poderosa do mundo.
Hoje, ela confirmará esse status "galáctico", pois será nomeada formalmente chanceler (premiê) da Alemanha pela terceira vez. Belo triunfo para a antiga garotinha estudiosa, tímida e discreta que cresceu na Alemanha Oriental, onde seu pai era pastor da Igreja Luterana.

Para obter essa terceira consagração,
Merkel mobilizou mais uma vez seus talentos de "manobrista". De fato, embora seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU) - com sua prima bávara, União Social-Cristã (CSU) -, tenha vencido, há três meses, as eleições legislativas, ele não obteve a maioria absoluta.

Para desatar a chancelaria, Merkel precisou então "misturar água no seu vinho". Precisou negociar com outro partido para formar uma maioria. O realismo de Merkel fez maravilhas. A Alemanha será dirigida por uma "grande coalizão" que compreenderá, sob o comando obstinado e sutil de Merkel, os dois partidos de governo rivais encarniçados e inimigos - a CDU (de direita) e o Partido Social-Democrata (SPD), de esquerda.

Os franceses acompanham essa operação com olhos arregalados.

Eles não conseguem entender. Então, dois partidos contrários em tudo exceto na sua qualidade de alemães, podem, não só cooperar, mas ainda se atrelar à mesma charrete e correr como o vento.

Impensável para uma mentalidade francesa! Se você é de direita, deve atirar uma bomba contra o cerco dos socialistas, dizer que todas as pessoas de esquerda são cretinas e, com a ajuda do jornal Figaro, atear fogo ao governo de François Hollande. Os socialistas, por sua vez, na época em que a direita (Nicolas Sarkozy) conduzia o trem, não poupavam esforços para tirar o comboio dos trilhos.

Eis uma diferença categórica entre dois países que, no entanto, se amam, a Alemanha e a França. Grande coalizão numa margem do Reno, e poder solitário na outra, a francesa. Para um socialista, aliar-se à direita para salvar o país da desgraça seria uma covardia, uma obscenidade. E a direita não o aceitaria, tampouco.

Essências.
Como explicar? Os analistas recorrem a uma noção cômoda, porque ela é perfeitamente vaga, subjetiva e ilusória: o "gênio" de cada povo. O gênio da França é a querela, o desafio, a fanfarronada, o duelo e o brio.
A França passou toda sua história a brigar consigo mesma, por exemplo, em 1789 com a Revolução Francesa e suas centenas de cabeças cortadas. Mas a Idade Média e a Renascença já haviam parecido vastas "brigas de trapeiros". E, no século 19, após a morte de Napoleão, a França continuou a fabricar, a cada 20 anos, uma cópia deslavada e muito mortal, contudo, da Revolução de 1789.

Essa explicação é séria. Mas não é suficiente.

Quando se abandona o campo das ideias vagas e da psicologia dos povos e se volta humildemente à mecânica política, outras pistas podem ser propostas. A Constituição francesa da Quinta República, polida pelo general Charles de Gaulle em 1958, não facilita os acordos de governo entre partidos opostos. As coalizões, sejam elas "grandes" como na Alemanha ou "pequenas", são pouco compatíveis com ela.

O sistema francês não é parlamentarista.

É, com nuances, presidencialista. Toda autoridade é detida pelo chefe de Estado, eleito por sufrágio universal por cinco anos. E para se manter no poder esse chefe de Estado não precisa dispor da maioria no país. Por exemplo, neste momento, François Hollande é aprovado por 25%, quando muito 30% da população francesa. Ele não dá a mínima. O presidente não pode ser derrubado.

De fato, em caso de impopularidade notória ou risco de o "governo" ficar em minoria (o governo, não o presidente) na Câmara, o chefe de Estado pode agradecer a seu primeiro-ministro e nomear outro (nessa circunstância, mas muito raramente, ele pode nomear um primeiro-ministro saído da oposição, como no passado Jacques Chirac nomeou Lionel Jospin). Mas o presidente flutuará sempre acima das tempestades.

De mais a mais, por que se cansar em construir uma "grande coalizão" com um pouco de esquerda, um pouco de direita, um pouco de centro, um pouco de "verdes"?
Basta ser eleito presidente da república e depois, durante cinco anos, é só deitar e rolar.
Tradução de Celso Paciornik

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Imagens da música e da vida

A música faz parte da nossa existência

O quê veio primeiro, o som ou a fala? O som.
O ser humano aprendeu a falar depois, muito tempo depois...
Mas, depois que aprendeu a falar, aprendeu também a combinar os sons, as músicas com as falas e aprendeu também a compor músicas e depois aprendeu a transcrever os sons para as partituras musicais.

No enterro de Mandela o povo africano cantava...
Na festa de Bachelet, no Chile, o povo cantava...
No congresso do PT, em Brasilia, os militantes cantavam...

Nas lojas e shoppings, o som das músicas é constante e até cansativo...
Quando andamos nos carros, ouvimos música...
Quando estamos nos consultórios médicos,
enquanto esperamos, ouvimos música...

Nas Igrejas, oramos e cantamos...
No cinema, além do filme, há músicas...
Quando queremos botar alguém para dormir,
cantamos música de ninar...

Quando estamos alegres, cantamos....
Quando estamos tristes, também cantamos...
Quando queremos lembrar de alguém,
lembramos de uma música...

As línguas dos povos são diferentes, mas com a música,
aprendemos a nos entender mais facilmente.
Aprender línguas com música é bem mais fácil.
Nas guerras, os guerreiros cantam,
Na Paz os povos cantam.

Quantas boas lembranças as músicas nos trazem?
Quantos sonhos e desejos realizados e não realizados?


Minha irmã achou nos seus arquivos fotográficos, esta imagem do nosso apartamento na Rua Sílvia, Bela Vista, em São Paulo. Eu e meu irmão tocando, nos anos setenta do século passado.

Meu irmão, além de doutor em física é entendido em música, tanto em composição como tocar qualquer instrumento.
Eu nunca consegui ser bom na música. Não tenho ouvido para identificar as notas. Tenho senso melódico, mas se não for na partitura, não identifico nada. Nadinha de nada. Mas continuo adorando música.

Já não toco há muito tempo e esta foto eu não tinha, mas tenho ainda meu clarineta francês, que faz parte do meu passado.
Outro dia ouvi na Rádio Cultura que Mozart adorava o som aveludado do clarineta e compôs várias peças para este instrumento. O som do clarinete realmente é muito bonito.

Agora, como não sei mais tocar, ouço, escrevo e leio sobre música.
Ando lendo sobre JAZZ, a música dos negros americanos
e um dos principais tipos de música do mundo.
Depois de Zuza Homem de Mello, agora estou lendo Vinicius de Morais falando de JAZZ.
Enfim, a música faz parte da nossa existência…

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ucrânia Livre!

Política e Economicamente

Direto da França para São Paulo e daqui para o mundo.
Dos 105 países que visitam este blog regularmente,
um dos mais frequentes é justamente a Ucrânia.
Até hoje, já foram 4.635 acessos.
Como agora é a Ucrânia que está no olho do furacão, por solidariedade,
estou reproduzindo a maior parte do artigo de Gilles Lapouge para o Estadão de hoje.

A Ucrânia é uma das Esquinas do Mundo.

E o mundo não pode ficar indiferente ao que está acontecendo lá...

A Ucrânia e a Europa

GILLES LAPOUGE - O Estado de S.Paulo
15/12/2013

A queda de braço continua em Kiev entre aqueles que, ao lado do presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, querem unir a antiga república soviética à Rússia de Vladimir Putin, e aqueles que desafiam a polícia para exigir que a Ucrânia se aproxime da Europa.

O que mostra a gravidade do que está em jogo no momento, sob os olhos petrificados do mundo, na Praça da Independência, em Kiev: o movimento pendular e secular entre Leste e Oeste, Oriente e Ocidente, que acompanha a história europeia e onde a Ucrânia, por sua posição geográfica, sempre foi um dos grandes protagonistas.

Certamente, a Europa está preocupada com esses movimentos. Um país tão importante como a Ucrânia, de 45 milhões de habitantes, potencialmente rico e inserido entre dois universos gritando seu desejo de pertencer à Europa é algo que não ocorre todos os dias. Seria prudente que Bruxelas se mova um pouco.

No entanto, até o momento, ela mostra lentidão diante da agilidade do tigre e do cinismo - também de tigre - da outra parte, ou seja, do patrono de Yanukovich, Vladimir Putin.

Bruxelas se mexeu pouco. Enviou a Kiev a chefe de sua diplomacia, essa estranha britânica, a baronesa Catherine Ashton, que conversou longamente com o presidente ucraniano. No entanto, a única resposta da Ucrânia foi oferecida pelo primeiro-ministro Mykola Azarov, que afirmou que o país precisa de 20 bilhões de ajuda para assinar um acordo de adesão à UE.

Cinismo, chantagem e cobiça.

Bruxelas ficou indignada. Devemos reconhecer que a UE não tem muitos meios para agir. O caminho é estreito. Qualquer medida pode parecer que ela está interferindo nos assuntos de um Estado soberano. Além disso, se a força da Europa está no fato de ser numerosa (28 países-membros), esta é também sua fragilidade, porque os 28 não compartilham da mesma visão sobre a Ucrânia, mesmo desejando que ela seja retirada da órbita russa.

Podemos distinguir duas tendências: alguns países gostariam que um acordo de plena adesão da Ucrânia à UE se conclua no longo prazo. Este raciocínio é privilegiado pelos países europeus que pertenceram à União Soviética, como Polônia e os três países bálticos. A lembrança que guardam do stalinismo explica sua posição rígida: para eles, tudo o que vem de Moscou carrega a peste, sobretudo quando o mentor é o oficial da KGB Vladimir Putin.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Antonio Cândido, Florestan Fernandes e as Cartas

Mudaram as formas, mas a importância continua

Leio quase tudo que aparece sobre Antonio Candido e Fernanda Montenegro. Por coincidência os dois já estão com idade avançada. Mas eles lembram um Brasil digno, um Brasil onde o respeito sempre foi muito importante.

Ontem, sexta-feira, vi no caderno de Fim de Semana, do jornal Valor, que o tema principal era a importância das Cartas e do Correio. Achei o tema muito interessante e dei uma folheada, encontrei cartas e notícias da amizade entre Florestan Fernandes e Antonio Cândido. Trouxe o jornal para ler no final de semana e achei também a matéria on line.

Leiam uma carta de Florestan para Antonio Cândido, escrita em 1942, e depois leiam a entrevista do professor Antonio Cândido. Coisas maravilhosas do nosso Brasil e que um bom jornal possibilita a seus leitores.

“São Paulo, 4 de fevereiro de 1942.

Meu caro Antonio Cândido:

Perdoe-me a intrometida intimidade, pois não nos conhecemos pessoalmente. Entretanto, ela se justifica por dois motivos: primeiro porque representamos a nova geração. Estamos no mesmo plano, dentro do tempo, apesar de você, neste caso, ser uma espécie de irmão mais velho. Ao representarmos ao novo espírito de trabalho, encaramos tudo sob novos aspectos, mais objetiva e humanamente. Segundo, porque encarna um processo admirável e justo de crítica, que eu defendo e lamentava já não existir entre nós.”

"O segredo de nossa amizade era o coleguismo"


O maior crítico literário do Brasil, o professor Antonio Candido de Mello e Souza, não gosta de dar entrevistas.
Aos 95 anos, voz firme, memória sem vacilos, ele mesmo atende ao telefone de casa e vai logo explicando: "Conversa? Aqui em casa? Não vai dar. Estou me recuperando. É uma pequena cirurgia". O dever de ofício nos obriga a insistir. Ele se rende ao ouvir que não precisará falar de política ou de atualidades.

A conversa será sobre o amigo Florestan Fernandes. Mais especificamente sobre as cartas por meio das quais trocavam ideias e se conheceram, na década de 1940, antes de se encontrar pessoalmente.

"Você quer saber como eu conheci Florestan?", pergunta. "Ele lia meus rodapés e começou a me escrever. Eu era crítico da 'Folha da Manhã', hoje é a 'Folha de S.Paulo'. Naquele tempo o crítico fazia artigo toda semana. Ficava na parte de baixo do jornal, por isso chamávamos rodapé. O nome do meu era 'Notas de Crítica Literária'.

Um dia entrei na faculdade e vi um rapaz encostado numa parede, em pé, lendo um livro, 'Uma Vida de Buda'. Olhei bem, cheguei perto e perguntei: 'Você é o Florestan?' Na mesma hora ele respondeu: 'E você é o Antonio Candido'. Foi assim. E ficamos amigos. Até então só nos conhecíamos pelas cartas."

Valor: Mas como é que numa faculdade, com tanta gente, o senhor olhou justamente para ele e suspeitou que fosse Florestan?
Antonio Candido: Não sei... Até hoje não sei como isso aconteceu. Acho que foi a intuição. Ele teve essa mesma intuição.

Valor: Como era a relação dos senhores nessa época?
Antonio Candido: Eu era o primeiro-assistente do professor Fernando de Azevedo e Florestan logo se destacou na faculdade. Vagou o cargo de segundo-assistente e ele foi convidado para assumir esse lugar. Ele logo foi muito respeitado por todos. Outro dos nossos professores era Roger Bastide, que, depois, até convidou Florestan para ir à Europa.

Valor: E os senhores foram professores...
Antonio Candido: Ele era um professor como poucos. Foi um mestre. Eu dou muita importância à obra de Florestan. Você sabe que ele, durante muito tempo, se preocupou muito com a teoria. Veja quando ele estudou e fez sua tese de doutorado com "A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá". Não havia como estudar isso, pesquisando in loco, como fazíamos.

Ele fez toda a tese lendo, pesquisou tudo o que havia sido escrito. Estudou por meio dos cronistas da época. Como viviam os tupinambás, o que faziam. Diziam na época que isso era impossível. Ele mostrou que não era. E fez um trabalho inacreditável. Fez um livro magistral. Mas, até então, ele só se preocupava com a teoria. E conversamos sobre isso. Era preciso pesquisar o presente. Assim começou a sociologia crítica, empenhada nos problemas sociais.

Valor: E os senhores ficaram amigos e as cartas continuaram?
Antonio Candido: Naquela época era o normal. Muitas vezes um ia para um lado. O outro estava aqui. Mas nós fomos companheiros, lado a lado na cadeira de sociologia 2. Passamos horas e horas, dias e dias na mesma sala. Trocávamos ideias, discutíamos que nota dar aos alunos, o que fazer com a cadeira. Havia muita discussão sobre a educação, sobre a sociologia, sobre a teoria, a crítica. Junto com isso, passamos a conviver com nossas famílias, nossos filhos.

Valor: Muitos intelectuais acabam tendo diferenças que os afastam. Isso não chegou a acontecer com os senhores...
Antonio Candido: Nunca. A senhora quer saber o segredo de nossa amizade? Era o coleguismo. A faculdade é a maior fonte de amizade que existe. Meus maiores amigos eram da faculdade. Minha mulher [Gilda de Mello e Souza] era de lá. Sou de uma geração que nasceu e viveu por causa da universidade. Não sei se todos entendem isso hoje. (MG)

Leia mais em:
http://www.valor.com.br/cultura/3370656/o-segredo-de-nossa-amizade-era-o-coleguismo#ixzz2nTRWhqoP

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Consumo e Qualidade de Vida

A gente não quer só comida

O olhar corporativo é sempre perigoso. É como se o mundo fosse somente aquilo que nos atinge. Isto é muito antigo. Platão já abordava este problema quando falava das pessoas que moravam numa caverna e via sombras…

Os economistas, principalmente os que abastecem a imprensa contra o governo Dilma, repetem o tempo todo analyses sobre a redução do consumo e a desaceleração da economia, tentando mostrar o que é causa e o que é efeito. Sempre com planilhas.

Muitos esquecem princípios básicos de economia como a de que uma pessoa gosta muito de comer carne no almoço e na janta, mas ninguém conseguer comer dez quilos de carnes por dia, logo, ao chegar em determinado nível de consume, a curva tende a estabilizar-se ou declinar. Não cresce ao infinito.

Outro aspect importante, não tanto para economistas, mas para os estrategistas de marketing e de vendas das empresas é a política de lançamentos de novos produtos que devem ser aceitos pelos consumidores, depois crescerem o seu consumo e finalmente se consolidarem como produtos relevantes para a população.

As evidências mostram que está havendo uma estabilização nos patamares de consume e que a população quer readequar ou melhorar seu padrão de consumo. Esta realidade tanto pode ser bem assimilada pelos agentes comerciais, como pode ser mal aproveitada e levar a prejuízos e crises.

Qualquer que seja a realidade interna nacional, o que é evidente é que o Brasil precisa ampliar e melhorar sua pauta de exportações. Precisa ser mais competitive internacionalmente. A solução para isto é bem mais complexa do que o simples consumo interno.

Estamos precisando de Novo Modelo de Desenvolvimento que incorpore as conquistas da Era Lula e avance no sentido de fazer com que o capitalismo de Mercado, produtivo e competitivo também chegue ao Nordeste brasileiro. O Centro Oeste já avançou, o Norte está melhorando, mas o Nordeste precisa de uma grande transformação. Tanto na vida de seu povo como na infraestrutura produtiva.

A era do consumo NÃO murchou.
Este tipo de consumo básico que os pobres não tinham acesso e passaram a ter com os Governos Lula-Dilma, já está superado e precisa de novos patamares. O povo quer continuar consumindo, aumentar o consumo e melhorar a qualidade de vida.

Afinal, a gente não quer só comida!

Como subsídio, mostro abaixo uma boa análise de Vinicius Torres, na Folha de hoje.

A era do consumo murcha


Apesar do ritmo ainda bom, comércio cresce no ritmo mais lento em quase uma década
Folha – 13/12/2013
Vinicius Torres Freire

AS VENDAS DO comércio não cresciam tão pouco desde junho de 2004, quando o país se recuperava da recessão de 2003, primeiro ano de Lula 1. É o que se depreende da pesquisa mensal de comércio do IBGE, relativa a outubro e divulgada ontem.

A receita do varejo cresce cada vez mais devagar porque basicamente acompanha a variação da massa salarial (total dos salários pagos), que também desacelera (levando em conta as variações em 12 meses).
Neste século, houve momentos em que a variação do consumo se descolou da variação do total dos salários, como entre o início de 2007 e o início de 2009, por aí.
Nesse período, as vendas do comércio subiam ainda mais rápido, e a massa dos salários desacelerava.

Como isso era possível? Crédito.

O total dos empréstimos para pessoas físicas chegou a crescer a mais de 25% ao ano em meados de 2008, em termos reais (descontada a inflação). Agora, em outubro de 2013, crescia a 10%. Não é um ritmo de jogar fora, embora ritmo ditado pelo governo, que turbinou o crédito por meio dos bancos estatais.

A expansão do consumo é baixa?
Não. Apesar de desacelerar, as vendas do varejo estão crescendo a 4,5% (nos últimos 12 meses). Em dezembro, cresciam a 8,4% ao ano. Entre 2004 e 2012, em torno de 7%.

O salário médio sobe menos?
Sim. Cresce no ritmo mais fraco desde meados de 2006, desconsiderado o período de recuperação da recessão de 2009. Mas ainda cresce, acima da inflação.
Acontece mais ou menos a mesma coisa com a população empregada, que ainda aumenta, mas mais devagarzinho.
Neste ano, em particular, o crescimento da população ocupada desacelerou continuamente. Além do mais, há menos gente empregável e/ou interessada em trabalhar.

Por que o crédito cresce menos?
Porque as famílias ficaram mais endividadas. De resto, como a renda anda crescendo mais devagar, o espaço no orçamento para novas dívidas fica menos folgado. Por fim, em parte decorrência dos dois motivos anteriores, os bancos estão menos dispostos a emprestar. Em suma, os bancos, em especial os privados, jogaram mais na retranca por causa do aumento da inadimplência e devido às perspectivas de crescimento econômico mais fracas.
O que vai nos parágrafos acima é uma descrição breve dos motivos mais imediatos da ascensão e queda do "modelo" de crescimento brasileiro neste século.

O crédito vai crescer mais rapidamente no ano que vem?
Segundo os economistas dos próprios bancos, não (o dado saiu ontem numa pesquisa da Febraban).

O desemprego vai aumentar no ano que vem?
Segundo a média das previsões, não, ou muito pouco. Mas a população ocupada vai continuar a crescer mais devagar, assim como os salários, que ficaram relativamente altos, dado o nível de produtividade.

O consumo vai crescer mais rápido no ano que vem?
Há alguma controvérsia nas previsões. Mas não deve crescer muito mais do que neste ano.

O Brasil pode voltar a crescer no mesmo padrão da década passada?
Difícil o crédito e consumo crescerem tão rápido de novo; é impossível que o nível de emprego cresça tão rapidamente. O país precisará investir mais e ser mais produtivo para crescer a 4%. Vai levar algum tempo para isso acontecer de novo.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

New York – Democracia para todos

Trabalhadores do mundo participam de manifestações

Sinais dos Tempos...

Adorei ver a notícia de que os americanos estão reivindicando
“Democracia para todos”,
ou mesmo, que Nova York seja para todos
e não somente para os ricos e para os turistas.
Os trabalhadores e trabalhadoras americanos também querem
democracia com direitos e dignidade.

Eu sempre trabalhei com esta palavra de ordem:
O Brasil para todos!

Vejam a foto:


Vejam a participação dos sindicalistas bancários do Brasil. Parabéns!

Sindicato participa de protestos em NY

Entidade apoia organização dos bancários norte-americanos na luta pelo direito de constituir sindicatos
São Paulo – Dirigentes sindicais brasileiros participaram de uma série de manifestações na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, em apoio aos bancários, que enfrentam diversas barreiras para poder constituir sindicatos, e a diversas comunidades que lutam por uma sociedade mais justa. Os atos ocorreram durante a primeira semana de dezembro, que teve como lema Nova York para todos.

Presente aos atos, a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira, explica que os funcionários de instituições financeiras e de outras empresas nos Estados Unidos não têm acesso a diversos direitos. “Os serviços de saúde são pagos. No entanto, as pessoas que trabalham em período integral têm assistência médica.

Para não ter de arcar com essa despesa, muitas empresas, inclusive bancos, os contratam para uma jornada parcial. Um tipo de contratação que também não dá direito a férias remuneradas”, explica a dirigente. “Só com muita luta e organização, os trabalhadores poderão mudar essa dura realidade.”

Entre as dificuldades, informa Juvandia, está a legislação local que permite que os patrões interfiram na organização dos sindicatos. Quando a empresa percebe algum indício de que os empregados estão se organizando, logo os perseguem, os ameaçam e muitos são demitidos.

“Participamos de protesto em frente ao Bank of América exigindo que a empresa respeite o direito de os funcionários se organizarem. Essa manifestação contou com adesão de diversas pessoas que perderam suas casas, de estudantes que não conseguem pagar suas dívidas devido aos altos juros cobradas. Nesses atos eles sempre usam a palavra de ordem somos 99% de pobres contra 1% de ricos”, relata.

As dificuldades não se restringem aos bancos. Segundo relato de um trabalhador do comércio, um gerente chegou a manter os funcionários sob pressão no subsolo da loja para que desistissem de criar seu sindicato. “Mas eles resistiram e fundaram a entidade. Para superar essas e outras dificuldades os trabalhadores contam com apoio de integrantes de comunidades”, conta a diretora executiva do Sindicato Rita Berlofa, que também participou das manifestações.

Abismo social – Os sindicalistas brasileiros também participaram de ato em frente à residência de um integrante do conselho de administração de uma empresa que se nega a firmar acordo coletivo com seus funcionários. Eles também protestaram em frente a uma construtora que recebe subsídios da cidade para construir moradias populares, mas que não cumpre com suas obrigações.

“A revolta é grande. Atualmente cerca de 21% da população nova-iorquina está abaixo da linha de pobreza. Foi essa situação de desigualdade e insatisfação social que fez com que um democrata fosse eleito para a prefeitura local após vinte anos”, destaca Juvandia.

Após 20 anos de gestões conservadores, Bill de Blasio, que assumirá em 2014, foi eleito com 73% dos votos. Em sua plataforma - para uma população multiétnica de 33,3% de brancos, 28, 5% de negros e 28,6% hispânicos e 12,7% asiáticos - estão os compromissos de atacar a discriminação e de implantar medidas que diminuam o abismo social. Entre suas propostas está a taxação dos ricos e destinar esse recurso para medidas sociais como a construção de creches públicas que hoje a cidade não tem.

Banco do Brasil – Em Nova York, dirigentes do Sindicato, da Contraf-CUT, da UNI América Finanças e da CWA (central sindical de comunicação dos trabalhadores dos EUA) também se reuniram com a direção do Banco do Brasil para discutir o Acordo Marco Global assinado pela instituição financeira.

Na reunião, os dirigentes sindicais reforçaram a necessidade de o BB respeitar os direitos de os funcionários norte-americanos poderem se organizar em entidades sindicais. Os representantes do banco afirmaram que respeitam o Acordo Marco e a legislação de cada país e que não há nenhuma orientação no sentido contrário.

Site do Sindicato dos Bancários de São Paulo - Jair Rosa - 12/12/13
- See more at: http://www.spbancarios.com.br/Noticias.aspx?id=6498#sthash.B1NoE4Un.dpuf

Dalmo Dallari fala sobre o mensalão

Para o jurista, o STF cometeu uma inconstitucionalidade

Ainda temos no Brasil grandes personalidades que lutaram pela redemocratização do Brasil e continuam mantendo a autoridade moral, profissional e de vida. Podendo assim expressar suas divergências com o STF - Supremo Tribunal Federal.

Alguém de peso resolveu mostrar que "o rei está nu".

Ouçam a íntegra da entrevista do grande jurista e professor de Direito, DALMO DALLARI.



O STF aceitou julgar o mensalão sem ter competência constitucional

Palavras do grande jurista da Histórica Faculdade de Direito do Largo do São Francisco - São Paulo

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Itaú vai comprar Banco no Chile

Capitalismo Brasileiro

O Banco Itaú não é de perder disputa...

O Itaú é uma das poucas empresas brasileiras que mantém o “espírito capitalista”. Além de comprar tudo que aparece de potencial de compra no mercado financeiro brasileiro, já comprou banco na Argentina e outros países da América Latina. Há tempos está na Europa e nos Estados Unidos.

É uma pena que, depois que comprou o Unibanco, caiu muito a qualidade no atendimento aos clientes e a relação com os funcionários e com os sindicatos deixou de ser respeitosa como era antes. No Brasil, atualmente, o Itaú é o banco que mais demite, enxugando quadros e diminuindo o número de funções.

Mas o Lucro continua crescendo cada vez mais. O valor deste banco chileno é menor do que o lucro de apenas um ano do Itaú. Isto é, recupera o gasto rapidinho. Isto é que é saber ser capitalista. Mesmo sendo brasileiro...

Aqui, no Brasil, quase tudo continua à venda. Escolas, saúde, minérios, editoras, bancos, supermercados, etc.

Vejam o furo jornalístico do Estadão:

Itaú está na disputa pelo controle do 5º maior banco do Chile

Disputa pelo CorpBanca inclui o espanhol BBVA e o canadense Scotiabank, segundo a agência de notícias Dow Jones

11 de dezembro de 2013 | 2h 11
O Estado de S.Paulo

Duas fontes da Dow Jones disseram que o Itaú Unibanco pretende comprar o CorpBanca, do Chile, como parte de sua estratégia de expansão na América Latina. Essas fontes dizem que o Itaú quer adquirir participação controladora no banco chileno. O Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA), da Espanha, e Scotiabank, do Canadá, também teriam feito ofertas pelo ativo.

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Segundo uma dessas fontes, o CorpBanca tem valor de capitalização de mercado de US$ 4,57 bilhões e a transação poderá chegar a US$ 5 bilhões, caso o banco chileno venda uma participação majoritária; a venda de uma fatia minoritária movimentaria pelo menos US$ 2 bilhões.

Uma das fontes disse que o BBVA é o pretendente favorito, tendo em vista que o banco espanhol estaria mais aberto a assumir uma participação minoritária. O proprietário do CorpBanca, o bilionário chileno Alvaro Saieh, gostaria de manter o controle.

"A intenção do Itaú é assumir uma participação controladora no CorpBanca, mas o banco é flexível. Ele também está aberto a partilhar o controle. Uma participação minoritária não está no radar do Itaú, mas isso poderá ser discutido se houver um acordo para ele assumir o controle no futuro", disse a fonte, que pediu anonimato.

De acordo com essa fonte, o Itaú pode ter a vantagem de estar disposto a pagar em dinheiro, enquanto os outros podem preferir usar suas ações na transação. Procurado pelo Estado, o Itaú não comentou a possível aquisição.

Tanto o Itaú quanto o BBVA e o Scotiabank poderiam usar o CorpBanca para subir ao primeiro lugar do ranking dos bancos chilenos, liderado pelo Banco Santander Chile, segundo a Superintendência de Bancos e Instituições Financeiras do país.
Um acordo também daria ao comprador uma presença no mercado colombiano, que está em expansão rápida e no qual o CorpBanca adquiriu os ativos bancários do Santander em 2012. O CorpBanca é o quinto maior banco do Chile; o BBVA está em sexto lugar, o Scotiabank em sétimo e o Itaú, em oitavo

No ano passado, o Itaú tentou comprar o Colpatria, da Colômbia, que acabou sendo adquirido pelo Scotiabank. Nos últimos cinco anos, o banco canadense fez 30 aquisições. Na semana passada, o presidente Brian Porter disse que, embora o Scotiabank esteja focado em "crescimento orgânico", suas aquisições não estavam necessariamente encerradas.

O BBVA, afetado pela crise europeia, também quer expandir sua presença em mercados na América Latina, mas poderá ter de levantar capital para adquirir participação no CorpBanca, segundo uma pessoa próxima ao banco espanhol.

Dificuldades. Segundo as fontes, o controlador do CorpBanca pôs participação no banco à venda para tentar levantar recursos para reduzir a dívida de outras empresas. A família Saieh é dona do CorpGroup, que controla o CorpBanca, a rede de supermercados SMU e a Copesa, do setor de mídia. Na última sexta-feira, por causa dos problemas do grupo, a agência de risco Moody's reduziu a nota de crédito do CorpBanca. (Dow Jones Newswires)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Dilma – Palavras de Solidariedade

Homenagem aos que lutam

Dilma representou com dignidade a América do Sul nos funerais de Mandela.
A relação da Africa do Sul e de Mandela com o Brasil e
a América do Sul cresceu muito desde as lutas pela redemocratização
da América Latina e a libertação da África do Sul.

Faço questão de reproduzir a matéria do jornal Valor.

Mandela inspirou luta no Brasil e na América do Sul,
afirma Dilma

Valor – 10/12/2013
Por Bruno Peres

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff discursou nesta terça-feira em Joanesburgo, na África do Sul, onde se encontra para acompanhar as homenagens ao ex-presidente e líder sul-africano Nelson Mandela, símbolo da luta contra a segregação racial, morto na quinta-feira aos 95 anos de idade.

“Trago aqui o sentimento de profundo pesar do governo e do povo brasileiro e, tenho certeza, de toda a América do Sul pela morte desse grande líder, Nelson Mandela”, afirmou a presidente, classificando-o como “personalidade maior do século XX”. “Expresso minhas condolências pela perda inestimável de Nelson Mandela”, completou a presidente em breve discurso na condição de representante da América do Sul.

As homenagens ao líder sul-africano ocorrem no estádio Soccer City, onde dezenas de chefes de Estado e de governo, assim como personalidades de diversas áreas, estão presentes. Dilma foi à África do Sul para acompanhar o funeral acompanhada dos ex-presidentes brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Mello e José Sarney.

Em seu breve discurso, Dilma afirmou que Mandela conduziu “com paixão e inteligência um dos mais importantes processos de emancipação do ser humano da história contemporânea”, ao se referir ao fim do apartheid na África do Sul.

”O combate de Mandela e do povo sul-africano transformou-se em paradigma não só para esse continente”, afirmou Dilma, acrescentando que Mandela inspirou o Brasil e a América do Sul. “Madiba constitui exemplo e referência para todos nós”, disse.

A presidente também destacou a paciência com que Mandela suportou o cárcere e exaltou a “lúcida firmeza e determinação” reveladas “em seu combate vitorioso”. Dilma também destacou a “superioridade moral e ética” do líder sul-africano.

“Da mesma forma que sul-africanos choram Mandela,
nós, nação brasileira,
que trazemos com orgulho sangue africano em nossas veias,
choramos e celebramos o exemplo desse grande líder
que faz parte do panteão da humanidade”, afirmou a presidente.

“Devemos reverenciar manifestação suprema de grandeza
e humanismo representada por Mandela”, completou.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Dilma e os ex-presidentes... um Brasil para todos

A morte nos unifica. E a vida?

É com grande alegria que vejo a foto da presidente Dilma com os ex-presidentes brasileiros indo ao cerimonial de despedida de Mandela.

Se a morte pode unificar os brasileiros e seus representantes políticos,
porque a vida não nos unifica?

Hoje eu ouvi uma frase de um sindicalista que também pode contribuir para entender o porquê nossa imprensa é tão odienta:
"A imprensa está infeliz, porque o povo está feliz com nosso governo."

Se nossos políticos são capazes de fazer as pazes, mesmo sendo em função de Mandela, porque nossa imprensa não compartilha o mesmo clima e faz a paz com o povo brasileiro?

Dilma tem feito muitas concessões. A imprensa sempre quer mais, quer nos derrotar, nos humilhar, nos fazer voltar a ser meros operários e assalariados, ou mesmo meros domésticos sem direitos.

Levem os donos da imprensa para os funerais de Mandela!
Talvez eles melhorem.

Caso contrário, só o voto do povo irá melhorar nosso Brasil...

Dilma viaja para África do Sul para homenagem a Mandela

Por Bruno Peres | Valor
09/12/2013


BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff embarca para a África do Sul no início da tarde desta segunda-feira, junto com os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor de Mello e José Sarney, para acompanhar as homenagens ao ex-presidente Nelson Mandela, morto na quinta-feira passada.

Esta será a primeira vez que os cinco presidentes brasileiros desde a redemocratização se reúnem para um evento internacional. Eles se encontraram pela última vez na posse dos integrantes da Comissão da Verdade, em maio de 2012, em Brasília.

Dilma e os ex-presidentes acompanharão na terça-feira, juntamente com chefes de Estado e líderes de governo de todo o mundo, as homenagens a Nelson Mandela, retornando ao país na quarta-feira, informou a assessoria da Presidência.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Caminhos de pedras e flores

Pedras e flores nos caminhos

Durante a vida encontramos muitas pedras e muitas flores nos caminhos.
Há momentos onde as pedras são mais presentes, há outros momentos onde as flores aparecem mais que as pedras. E, via de regra, temos pedras e flores quase que diariamente.

Olhando os jornais de hoje, além da morte de Mandela, do acordo da OMC - Organização Mundial do Comércio, que não iria acontecer mas aconteceu, onde nossa imprensa não queria que desse certo porque o coordenador geral é um brasileiro indicado pelo governo Dilma. Mas a imprensa teve que reconhecer, mais uma vez, que o governo acertou e o acordo foi um marco histórico. Mesmo com as limitações.

Outro assunto sempre em destaque é a Copa do Mundo de 2014 e as bobagens brasileiras, seja da imprensa, seja da Fifa, seja da CBF, seja da falta de infraestrutura, seja da corrupção no setor privado e no público, seja na própria dificuldade de o governo falar coisa com coisa. Ainda bem que temos Felipão...

Como as pedras da imprensa são diárias, resolvi mostrar flores e pedras do nosso quintal. Como estão combinadas, transformando-se em jardim, acabam tendo uma imagem mais agradável.

Vejam nossas flores no pequeno caminho de pedras.


Tem até flores, não plantadas, que nascem no meio das pedras.
Amarelinhas para chamar atenção e não serem pisadas.


E as mariazinhas de sempre, entre as pedras, a pilastra
e o pé de Lágrimas de Cristo.


Apesar do calor de Dezembro,
as nossas flores estão sempre bonitas.
Mas nossa imprensa anda preferindo as pedras.
E o povo?
Preferindo as flores, mesmo com pedras,
mas com qualidade de vida.