quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Marina, partidos de aluguel e hospedeiros

Novo no Brasil continua sendo Fernanda Montenegro

Quanto mais eu leio os jornais sobre “o novo partido de Marina” e sua opção pragmática ou progamática por uma aliança ampla contra o PT, mais triste eu fico. Eu queria um novo de verdade, um novo que aglutinasse as pessoas que querem modernizar o Brasil. O novo para nós, continua sendo Fernanda Montenegro. Ainda não apareceu ninguém melhor do que ela.

Mais triste ainda é ver o PSB ser chamado pela imprensa de “partido hospedeiro”!

Curiosamente, a euforia de Eduardo Campos nas redes sociais, não é a mesma de Marina na imprensa. Há um certo constrangimento com o novo partido e com o fato de publicamente ela ter aceitado ser “vice”. E a história dos vices no Brasil é de que vices não mandam... Já dizia Jô Soares.

Finalmente apareceu um ótimo artigo sobre o quadro político atual.
Parabéns para Natuza Neryde, da Folha em Brasília.

Candidatos 'dublê' rondam corrida presidencial

No banco de reservas, Lula, Serra e agora Marina
alimentam dúvidas sobre futuro de Dilma, Aécio e Campos

Folha – 09/10/2013
NATUZA NERYDE BRASÍLIA

A ex-senadora Marina Silva entrou no PSB dizendo apoiar o governador Eduardo Campos como líder de chapa à Presidência da República e se dispondo a ser vice.
O ex-presidente Lula já repetiu inúmeras vezes que sua candidata é Dilma Rousseff para segurar aqueles que, no PT, desejam sua volta ao poder no ano que vem.
O ex-governador José Serra ficou no PSDB e, ao que consta, não prometeu nada ao tucano Aécio Neves.

A surpresa da aliança sacramentada no último sábado produziu um fato curioso.

Agora, religiosamente, todos os presidenciáveis até aqui posicionados têm, em comum, um candidato no banco de reserva a lhes ameaçar. Eis outra esquisitice: todos os "jogadores suplentes" têm hoje mais intenção de voto que do que o time escalado na primeira divisão. Exatamente por isso, as pesquisas de opinião assombrarão os titulares aqui e ali. Haverá, tal qual uma análise combinatória, cenários eleitorais ora com o plano A, ora com o plano B de cada partido.

Se o plano A piscar, o plano B entra em campo.


Marina Silva é o caso mais excêntrico. Trocou seus 26% de intenção de voto no último Datafolha pelos 8% de Eduardo Campos. Em confuso "marinês", chamou seu ingresso no novo partido de "filiação democrática e transitória". O nome, embora pomposo, leva à inevitável tradução: Marina trata o PSB como partido hospedeiro. Ficará nele, protegida por uma legenda, até criar sua própria.

Ninguém nega que a união dos dois em uma única terceira via adicionou charme à chapa, mas também trouxe riscos a eles a aos demais. No caso da dupla, o problema é, no médio prazo, faltar a Campos os pontos percentuais que sobram em Marina.
Para Aécio, o perigo é fazer crescer sua sombra, José Serra, e animar tucanos que apostam na possibilidade de o mineiro amarelar na reta final por medo de ser abatido pela "terceira via".

Para Dilma, o dano é ressuscitar o bloco, ora dormente, do "volta, Lula" e diluir parte do apoio petista à sua reeleição.

Depois de sábado, já não é preciso fazer gráfico, tirar a média ponderada e calcular o desvio padrão para deduzir que, dessa equação, uma coisa é certa: o mercado político, daqui por diante, virou um campo ainda mais fértil a intrigas. Elas virão.

Um comentário:

  1. Com o maior respeito, discordo, meu Caro Amigo e Camarada Corintiano Gilmar Carneiro (aliás, o seu time virou o rei do empate, já são 12, o que mais empatou entre os 20 times, superando suas vitórias e derrotas, 8 e 7, respectivamente, e já está quase empatando nos empates com o total de vitórias e derrotas, falta pouco).

    Sinceramente, Gilmar, não achei um artigo tão bom assim...

    A jornalista não descobriu uma curiosidade, inventou um fato colocando Lula no mesmo balaio de Marina e Serra. Estes sim, podem ameaçar os titulares e é quase certo que isso venha a ocorrer, ainda que ameacem e não atinjam o objetivo quase cristalino do que há por vir. Dizem os budistas, e você sabe bem disso, que o maior inimigo do ser humano é o desejo, a fonte de todo sofrimento. Pois é o desejo velado, inconfesso, sorrateiro, manhoso, que está por trás dessa possibilidade marota de inversão de nomes pela conveniência conjuntural.

    Não é o caso de Lula, que jamais ameaçou a reeleição de Dilma. Não me refiro à intenção de votos de uma eventual pesquisa registrar como resultado aritmético um número superior ao da Presidenta.

    Digo pela posição política que Lula sempre assumiu nesse assunto com toda a clareza, o que ele sempre fez - assumir com clareza - durante seus dois mandatos, em qualquer assunto quando duvidavam de suas posições; e que foram mantidas, apesar do festival de blagues (pilhéria, mesmo) que a mídia em geral fazia e faz do ex-presidente.

    Serra boicotar Aécio não tem surpresa ou novidade alguma. Ele já fez e fará o que puder para infernizar a vida do correligionário. É da natureza dele, a mesma natureza do escorpião quando auxiliado pelo sapo na travessia do rio - uma narrativa de uma conhecida e velha piada.

    Marina, diferentemente de Serra que neste momento não tem tanta dianteira sobre Aécio, representa ameaça de fato, pois que chega a ter em algumas sondagens até quatro vezes mais intenções do que as colhidas em favor de Campos. Não se trata aqui de apontar mal caratismo da ex-seringueira neste caso. Mas é fato a pressão que será exercida sobre ela e sobre Campos, inclusive e principalmente pressão externa, da mídia, de empresários, e de outros estrategistas de incêndio de circo.

    Pode até ser que minha má vontade com a Folha, um jornal que NÃO dá pra NÃO ler, esteja me empurrando mais para um pensamento passional, desprovido da razão que você enxergou no trabalho da jornalista.

    Penso, entretanto, que Lula não está a postos como jogador reserva nessa disputa, situação que a mídia gostaria muito de ver acontecer, forneceria material inesgotável para bater uma vez mais em Lula, aquele que não cumpriria a palavra de apoio dado a Dilma.

    De qualquer forma, foi um prazer debater com o Amigo.
    Saudações do Sérgio Vianna

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