quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Imprensa na Argentina e no Brasil

Heranças das Ditaduras

Somos dois países com histórias com muita coisa em comum e muitas coisas bem distintas:

Ambos colonizados pelos hispânicos, católicos e conservadores.
Ambos ricos em riquezas naturais.
Ambos declararam suas independências, mas seguiram inicialmente a Inglaterra e depois os Estados Unidos. Não sendo colônias diretas, mas indiretas.

A Argentina avançou mais na formação do seu povo, com mais escolaridade, mais inclusão econômica e social. Já em 1906 não havia analfabetismo na Argentina, enquanto que, no Brasil, até hoje, temos mais de dez milhões de analfabetos.

A Ditadura Militar argentina matou muito mais do que a ditadura brasileira, e talvez por isto, a reação dos argentinos contra as heranças da ditadura tenha sido maior do que no Brasil.

A Lei de Anistia na Argentina foi revista pelos governos pós redemocratização, vários militares foram presos e os abusos foram denunciados. Enquanto no Brasil, a Lei de Anistia continua protegendo os torturadores, os perseguidores e os financiadores da ditadura. Podemos até não prender os culpados, mas não podemos "apagar a história", como foi feito sobre a Escravidão.

Na economia o Brasil está melhor do que a Argentina.
Mas na política os Hermanos são mais arrojados.

Em relação aos meios de Comunicação, tanto na Argentina quanto no Brasil, houve uma grande concentração nas mãos de poucas famílias que apoiavam as ditaduras. Era uma forma de aumentar o apoio popular às ditaduras.

O governo Kirchner teve mais coragem do que os governos eleitos no Brasil pós ditadura, encaminhou ao Congresso argentino um projeto de lei de regulamentação dos meios de Comunicação, que foi aprovado, contestado na Justiça pela direita, e finalmente reconhecido pela Suprema Corte argentina.

No Brasil, nem os governos nem os parlamentares eleitos pós ditadura, tiveram coragem de apresentar um Projeto de Redemocratização da Mídia Nacional. No governo Lula houve uma Conferência Nacional de Comunicação onde as organizações sociais apresentaram um projeto de lei de iniciativa popular por uma Mídia Democrática, que falta conseguir o número de assinaturas necessárias para entrar na pauta do Congresso.

Com o fim da ditadura brasileira, tivemos uma Constituinte; várias eleições presidenciais, um presidente que sofreu ”impeachment”, um outro presidente que teve o mérito de acabar com a inflação galopante, mas implantou o neoliberalismo, privatizando quase tudo; e dois presidentes que tiveram a coragem de promover a maior inclusão social da nossa história, mas não apresentaram um projeto de redemocratização da Comunicação.

O Brasil é sempre assim, tudo demora mais do que nos outros países, mas um dia chega. Ainda bem que temos afirmado que o Brasil precisa deixar de ser o país do futuro.
Afinal, o futuro depende de nós. E o futuro é agora.

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