domingo, 6 de outubro de 2013

Eleições/2014 – 33, 2 ou 3?

O “novo” já ficou “velho”.

O discurso modernista de Marina e seus seguidores, em 48 horas voltou a ser o mesmo “discurso velho” dos políticos profissionais. Foi uma pena! Realmente eu estava torcendo para aparecer algo novo no Brasil. Mas nós temos uma vocação nacional para o conservadorismo e o atraso.

Por isto que eu sempre fui Parlamentarista e defendo uma nova Constituinte.

Imaginem que o partido de Marina (vejam o detalhe: mesmo sendo novo, já nasce com dono ou dona, como os demais partidos existentes...) poderia esperar o registro e os filiados candidatarem-se para prefeitos e vereadores, começando de baixo para cima. Já seria mais uma novidade interessante.

Mas, a ansiedade em participar do jogo atual de poder, fez com que Marina rejeitasse as ofertas do PPS, partido de Roberto Freire (mais um dono de partido no Brasil), e, misteriosamente fosse para o PSB (de Eduardo Campos, outro partido que tem dono).

Qual foi o discurso de Marina, no ato de filiação, amplamente divulgado pela Rede Globo?
“Não podíamos deixar o Brasil refém da polarização PT x PSDB”.
Ledo engano!

A polarização nacional não é entre o PT e o PSDB
.

A disputa efetiva é entre um projeto de desenvolvimento com inclusão dos milhões de brasileiros que sempre estiveram fora da política e do consumo, e o projeto de desenvolvimento neoliberal e conservador, capitaneado pela Folha, Rede Globo e materializado por Fernando Henrique e seus aliados.

A disputa efetiva é entre Governo e Oposição.


Portanto são dois blocos que se aglutinam, formando dois grandes jogadores (ou Players) como gostam de falar os neoliberais.

Há espaço para a terceira via?


Não houve na Europa, não há nos Estados Unidos e não há na América Latina. Há atualmente espaço para dois projetos: Os subservientes aos Estados Unidos e os “independentistas”. Isto é, que aceitam ser aliados dos americanos, sem ser subordinados. Lembram de Menem, na Argentina, e FHC, no Brasil? O que era bom para os Estados Unidos era bom para a Argentina e Brasil.Duas tragédias nacionais...

Voltando ao título.

O Brasil terá 33 partidos, com um discurso de tentar criar uma terceira via, mas, na prática “ou se juntarão aos Caiados e Borhausens da vida, ou se juntarão aos Lulas e Dilmas da vida.

Para disputar a presidência, ou se soma com a direita ou sem soma com a esquerda. Ou fica-se com os dois, como faz com maestria o PMDB. Mas não disputa a presidência da república. Fica-se como fiel da balança, sem ameaçar a hegemonia dos projetos. Isto faz parte do jogo democrático.

Neste domingo, curiosamente, tanto A Folha de S.Paulo, como o Estadão, estão “sem rumo” nas matéria de hoje. As direções devem estar fazendo reuniões por telefone ou videoconferência para acertar a abordagem, como fizeram em junho passado. Começaram perdendo e depois se reorganizaram e viraram o jogo contra as esquerdas nas ruas. Depois o Brasil voltou ao normal. Dilma recuperando-se nas pesquisas e a direita atrás de qualquer aventureiro que se ofereça para somar aos que querem derrotar o PT e seus governos populares.

Nesta rodada de "novos partidos", aparentemente o grande vencedor foi Eduardo Campos e seu PSB.
Os grandes perdedores, que ainda não reconhecem, são Aécio e Roberto Freire. Um porque caminha para ficar fora da disputa e o outro porque publicamente Marina e seu grupo, por algum motivo não tornado público, recusaram o convite insistente de Roberto Freire e seu PPS. Serra não aceitou candidatar-se pelo PPS e Marina, que tinha tudo para aceitar e continuar na linha de frente, também rejeitou o convite. Por que?

Entre o discurso e a prática, tanto dos políticos como da Imprensa, muitas águas ainda rolarão...

Mas não se esqueçam que disputar contra Dilma, significa também disputar contra Lula e toda sua militância. O que não é pouca coisa. Dilma sozinha contra todos os demais partidos, a imprensa e o judiciário poderia perder as eleições. Mas, enquanto Dilma tiver Lula e a militância com ela, não perderá estas eleições.

Há o imponderável, mas isto não passa pelo discurso ressentido de Marina e Eduardo, muito menos pelo oportunismo dos analistas da Rede Globo. O povo não é bobo...

Sou favorável a um grande entendimento.
Dilma precisa dialogar mais, ouvir mais os representantes da sociedade. A imprensa precisa ser menos destrutiva e ser mais educativa. Os empresários têm ajudado, os trabalhadores também, mas a estrutura de Estado legada pela Constituição, trava o país, fortalecendo instituições que, mal utilizadas, restringe a governabilidade e põe em risco a Democracia.

Lula ainda é a maior liderança nacional
que pode fazer a ponte entre o governo, os partidos, os empresários e os trabalhadores. Se a imprensa tiver mais juízo e ajudar a construir esta "unidade de ação", poderemos por limites nas corporações que tentam se sobrepor aos poderes legítimos eleitos pelo povo.

Reconhecer o papel moderador de Lula, não significa que ele tem que ser necessariamente o candidato a presidente da república. Nós precisamos constituir Conselhos de Personalidades, tanto no nível Federal, como nos Estados e Municípios. Assim construiremos uma Democracia Participativa e não ficaremos reféns de maus políticos, maus servidores e maus empresários. Inibindo os corruptores, inibiremos também os corruptos. Esta já seria uma grande contribuição para o país.

O Brasil precisa continuar sendo para o povo, com o povo e do povo brasileiro. Com todas as suas contradições, avanços e recuos. Este é um sonho, não apenas dos "sonháticos", mas de todos que querem contribuir para o Brasil efetivamente ser uma Grande Nação.

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