quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Bancos Privados contra Governo

A guerra continua

Os mais de vinte anos de ditadura militar no Brasil, mais o período neoliberal de FHC, possibilitaram uma grande concentração dos Bancos Privados no Estado de São Paulo. Praticamente acabaram com os bancos privados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco, Ceará e demais estados. FHC acabou com os bancos públicos estaduais. Uma bagatela, como foram o Banerj e Banespa.

Primeiro veio a Reforma Bancária em 1964 com Roberto Campos.
Realmente o Brasil precisava botar ordem no sistema financeiro da época. Depois vieram as intervenções em alguns bancos como Comind, Auxiliar, Poupança Delfin, Halles e tantos outros. Sempre que acontecia uma grande intervenção, outro banco era beneficiado, principalmente o Bradesco e o Itaú.

Com o governo neoliberal de FHC veio primeiro o PROER, para “salvar os bancos”, com o fim da inflação galopante, os bancos também ganharam direito a cobrar dezenas de Tarifas Bancárias, que cobrem mais de 100% das despesas com pessoal e treinamento. Depois vieram as privatizações dos bancos estaduais. Outra mamata para os grandes bancos privados. Isto é, mais benesses para o Bradesco e o Itaú.

Agora estes bancos privados estão querendo os “Depósitos Judiciais”, que são recursos públicos sob o controle da Justiça brasileira. O curioso é que, além de pressionarem o governo, os bancos também estão pressionando os parlamentares. E em ano eleitoral com um sistema partidário onde cada campanha para deputado federal custa em média dez milhões de reais, fica fácil “sensibilizar” os parlamentares e seus partidos.

Os bancos privados, além de pressionarem o governo e os parlamentares, desencadearam uma pesada campanha na imprensa, orientando os comentaristas econômicos a baterem no governo e defenderem a “democratização do acesso aos depósitos judiciais”. Ninguém fala a favor da democratização dos meios de comunicação.

Parece que a ideia é transformar o jornal Valor, que é voltado para o público empresarial, como o formador principal, o orientador dos jornalistas econômicos para que este tentem influenciar a opinião pública. Cabendo aos lobistas profissionais fazerem a pressão direta na área econômica do governo e nos parlamentares.

Hoje, dando continuidade a campanha para bater no governo e esconder o lucro dos grandes bancos privados, o jornal Valor faz mais uma grande matéria com o título:

“Depósito judicial é negócio bilionário para bancos públicos”
Não vou reproduzir a materia, mas quero deixar o registro do assunto.

Devemos cobrar posição pública do governo Dilma e dos partidos comprometidos com o governo e com os recursos públicos.

O Banco Central também não pode fingir de morto. Afinal, dia 26 de novembro tem nova reunião do COPOM e os bancos privados já avisaram que querem o aumento da Selic, aumentando os juros para os clientes e para a população. Isto é, mais uma vez o povo vai pagar a conta, mesmo que atrase o Brasil.

Depois os "economistas" vão dizer que a economia está crescendo pouco por causa do governo.
É mole?

Um comentário:

  1. Duas ótimas e atentas postagens do Gilmar sobre atuação dos bancos privados enfrentando a política governamental do setor de crédito.

    Importantíssima abordagem pelo que representa de risco aos consumidores de crédito a tentativa atual de invasão a um nicho do mercado que se torna garantidor de reservas para aplicação no financiamento e crédito ao consumidor.

    Alterações no perfil de atuação do BNDES e CAIXA apresentadas como concessão do governo a tais instituições privadas que tentam avançar sobre segmentos explorados pelos bancos públicos tem cheiro de chantagem.

    Melhor acompanhar atuação de nossos representantes no Congresso com lupas enormes. As fraquezas são demonstradas pela aceitação de pequenas mudanças que produzem grandes estragos ao interesse dos consumidores. Crédito - afinal - é matéria prima da economia.

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