sábado, 7 de setembro de 2013

Morte de Pessoas e de Empresas

Petit, da DPZ, morre no Sírio Libanês

A nuvem da morte anda visitando o Brasil.
Muita gente conhecida tem morrido nos últimos dias. Estejam doentes nos hospitais ou mesmo em casa, ficamos sabendo de amigos e conhecidos que morreram. Ou estão morrendo...

Não conheci Francesc Petit pessoalmente, mas sempre que lia algo de Washington Olivetto, também apareciam citações sobre a DPZ e Petit. A própria declaração de Olivetto hoje sobre a morte de Petit é de uma deferência exemplar. Sou fã de carteirinha de Olivetto.

Mas eu já estava triste com a venda do Pão de Açúcar, da Caloi, da FMU e de dezenas de grandes e boas empresas brasileiras, quando ao ler a matéria abaixo, publicada na Folha de hoje, fico sabendo que também a DPZ foi vendida a empresas estrangeiras...

Talvez a nova DPZ não seja capaz de criar uma marca de sucesso como o Itaú ou o franguinho da Sadia. Os estrangeiros podem contratar artistas brasileiros, mas não sabem lidar com o “espírito brasileiro”.

É preciso dar nova independência ao Brasil! Independência moral, de autoestima e de vontade de ser uma grande nação. Para tudo isto um país precisa ter sua economia própria, ter sua cultura e sua própria dignidade. Coisas que andam em falta...

A DPZ, como o Itaú, a Sadia, a FMU, a Caloi e o Pão de Açúcar simbolizam bem a década de 70 com a economia brasileira bombando, as empresas surgindo e crescendo e o Brasil deixando de ser um país rural para ser uma grande economia de consumo e urbana.

Quem sabe, do Céu, Francesc Petit e tantos outros líderes e empreendedores que residiram no Brasil, iluminam o Brasil da década atual, para que possamos continuar desenvolvendo nossa economia, mas também desenvolvendo nossa autoestima. Eu acredito na vida após a morte. Portanto, minhas esperanças são imensas...

Vejam esta matéria da Folha de hoje.

Francesc Petit, o P da DPZ, morre aos 79

Um dos maiores diretores de arte do país, publicitário criou logotipos e campanhas de marcas como Sadia e Itaú
Catalão de Barcelona, Petit chegou ao Brasil em 1952 e fundou agência em 1968 com Duailibi e Zaragoza

Folha - MARIANA BARBOSADE SÃO PAULO – 07/09/2013

O publicitário Francesc Petit Reig, o P da DPZ, morreu ontem às 12h20 em São Paulo aos 79 anos, de câncer.
Ele foi um dos maiores diretores de arte da propaganda brasileira, criador de logotipos como o S da Sadia e a pedra preta (hoje azul) do Itaú.

Criou também a marca da Gol Linhas Aéreas e assinou, com Washington Olivetto, a campanha do Garoto Bombril, com o ator Carlos Moreno.O publicitário estava internado havia um mês no hospital Sírio-Libanês, para um tratamento de câncer que já durava mais de um ano.

Petit trabalhou normalmente na DPZ até a internação. Os sócios, Roberto Duailibi, 77, e José Zaragoza, 83, continuam a dar expediente.Nascido em Barcelona, veio para o Brasil em 1952. Trabalhou na JWT e na McCann-Erickson antes de fundar a DPZ com Duailibi e Zaragoza, em 1968.

A DPZ foi a casa de estreia de grandes nomes da propaganda brasileira, como Olivetto e Nizan Guanaes.
"A única pessoa na minha vida que teve importância tão grande e que me influenciou tanto quanto meu pai foi Petit", disse Olivetto, que por 14 anos formou com ele uma das duplas mais criativas da publicidade nacional.
"O Petit é o grande pai da propaganda brasileira moderna. Ela deve tudo a ele. É um dia extremamente triste para nós", afirmou Nizan.

PINTURA
Petit era também pintor e gostava de arquitetura, restauração e literatura. Mantinha uma casa antiga na Catalunha (Espanha), que ele mesmo restaurou e onde costumava passar uma temporada todos os anos.

No Brasil e na Espanha, era politicamente engajado --militou na luta pela soberania da Catalunha.

De um rigor estético consigo próprio e com os outros, usava meias vermelhas e não deixava passar deslizes estéticos alheios. "Menino, essa gravata não combina", dizia a executivos. Era também generoso e elogiava a elegância do interlocutor quando assim o julgava.

FLORES
Era casado havia cinco décadas com Inês Mendonça Petit, a quem costumava presentear com flores e plantas que ele mesmo comprava no Ceasa. Cultivava-as no jardim de sua casa e também na entrada do prédio da DPZ, na avenida Cidade Jardim.
É autor de três livros: "Propaganda Ilimitada", sobre o negócio da propaganda, "Faça Logo uma Marca", acerca de marcas famosas que criou, e a ficção "Quem Inventou Picasso".

Petit estava havia poucos meses da "aposentadoria".
Pelo acordo com o Publicis Groupe, que em 2011 comprou 70% da DPZ, os sócios deixarão a sociedade depois de 31 de dezembro, quando terão vendido os 30% restantes (10% de cada sócio).
Além de Inês, Petit deixa as filhas Isabel, Luiza e Julia e cinco netos.

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