domingo, 15 de setembro de 2013

Liberdade e Luta em três tempos

Alegrias , tristezas e esperanças

Ontem, durante o velório de Gushi (Gushiken), encontramos toda uma geração de militantes das mais diversas tendências políticas. Mas, proporcionalmente, a grande presença era dos militantes da antiga e histórica “Liberdade e Luta”. A Libelu, para os chegados.

Valorosos guerreiros contra a ditadura militar nos anos 70 e 80, defensores da Liberdade e do Socialismo, sem abrir mão da Democracia, e contra o stalinismo, a Libelu era “o sal da Terra” na política estudantil, sindical e partidária daquele Brasil.

Nos anos 90, depois de grandes avanços e conquistas, a esquerda e a classe trabalhadora tiveram que enfrentar os governos neoliberais, as privatizações das estatais, os PDV’s – Programas de Demissões Voluntárias e toda a imprensa dando sustentação ao neoliberalismo.

Milhares de funcionários das estatais, incluindo muitos militantes da esquerda, desiludidos com os anos de chumbo do neoliberalismo, entraram nos PDV’s ou foram demitidos após as privatizações. Imaginem o Banespa, com mais de vinte mil funcionários e mais de 40% de sindicalizados. Ao ser privatizado à preço de banana, com os PDV’s as demissões chegaram aos milhares. O mesmo aconteceu no Banco do Brasil e nas demais estatais.

Muitos destes militantes que foram demitidos nas privatizações ou entraram nos PDV’s estavam ontem no velório. Expressavam duas tristezas: A perda de um grande amigo e líder, e a expressão de um sonho que se realizou para o Brasil, mas não se realizou para muitos deles. O fato de terem saído das estatais, além das dificuldades econômicas presentes, também perderam a aposentadoria integral, um dos principais benefícios em se trabalhar numa estatal ou no serviço público.

Estavam ali, prestando uma homenagem ao grande amigo e líder,
e querendo recuperar as esperanças e os sonhos...

Depois de 2002, o Brasil mudou e mudou para melhor.

Graças a todos os militantes da esquerda que foram à luta nos anos 70 e 80 contra a ditadura, e graças aos militantes que resistiram com dificuldades nos anos 90 do neoliberalismo e do pensamento único, o Brasil estava pronto para entrar em nova e histórica fase: O Brasil para todos!

O governo Lula mudou o Brasil, sendo o melhor presidente da nossa história.
E todos estes militantes contribuíram para isto.

Gushiken, como expoente maior da Liberdade e Luta, aglutinou ontem toda a militância, além da presença de Lula, da presidente Dilma e de uma enorme lista de ministros e políticos.

Este velório, coincidiu com uma grande reunião de petistas na Quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo para o lançamento da campanha de Padilha para governador do Estado de São Paulo.

Lá Lula fez a homenagem mais bonita e mais emocionada a Gushiken.
Simbolicamente na casa sindical de Gushi
para lançar um candidato do seu partido, o nosso PT.

Nestes quarenta anos de militância, todos que estiveram presentes no Cemitério e na Quadra dos Bancários, todos tivemos nossos momentos de alegrias, de tristezas e de esperanças. E no final da tarde, muitos dos presentes demoraram para ir embora, ficamos ali relembrando nosso passado, comemorando nossas vitórias e analisando nossas derrotas.

No final das preces, um banespiano, militante antigo, hoje aposentado e de cabelos brancos, fechou os olhos e gritou anonimamente: “Guerreiro Gushiken, Presente!”
E silenciosamente retirou-se com suas lembranças...

Ainda ontem saímos do Cemitério com uma certeza:

Vamos continuar lutando para que o Brasil, os Estados e os Municípios tenham governos democráticos e populares, onde o PT possa contribuir para que os governos estejam comprometidos com as demandas populares e sociais, ampliando as políticas públicas, fazendo uma grande revolução educacional e consolidando nossas conquistas e nossa Liberdade.

As sementes da Liberdade e Luta transformaram-se em sólidas árvores que dão flores e frutos, que se transformarão em novas sementes e novas esperanças. E enquanto a família de Gushi fazia as preces de despedidas, nas árvores do entorno, uma sabiá cantava sua melodia que lembrava a música de Chico Buarque:

“Vou voltar, sei que ainda vou voltar, para o meu lugar...”

4 comentários:

  1. Belo texto Gilmar. A Libelu forjou bons militantes e líderes nacionais (ver http://revistaforum.com.br/blog/2011/10/a-libelu-ganhou-o-poder/ ). Muitos compareceram ontem no enterro do Gushiken, o ex-camarada Nilton da Libelu.

    Todos ficamos profundamente tristes: Dilma estava visivelmente abatida, Lula transtornado... Um amigo comum ligou dizendo: “não posso ir ao velório, não me preparei psicologicamente para esse momento, dê um abraço na Beth”.

    É importante destacar o apoio imprescindível que Gushi teve da esposa (Elizabeth), dos filhos (Guilherme, Arthur e Helena) e demais familiares.

    Visitei Gushiken no hospital muitas vezes nesses últimos 10 anos. Ele sempre me perguntava sobre o PT, sobre o movimento sindical...

    E sempre também perguntava sobre a minha família. Na última semana, em visita ao hospital com duas amigas Gushiken me chamou mais perto, com a voz quase inaudível sentenciou: “Preserve a família e os amigos. É o mais importante!”.

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  2. André Luís Rodrigues15 de setembro de 2013 13:23

    Muito bem, Gilmar, passado, presente e futuro. Prática, teoria e prática...

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  3. Eu queria ter visitado o Gush no hospital... ia conversar com o Gilmar, pra ver se era possível, e embarcar pra SP nesta semana.... não deu.

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  4. minha decepção é agora com alguns companheiros, falta de companheirismo dentre outras coisas. O PED está ai, mas vemos que no CE a direita do partido que se estivesse no PSB,PSDB, ou outro tanto faria pois defendem seus interesses pessoais e de seus feudos como verdadeiros coronéis que o são ,e não nossos princípios expresso em nossos manifesto. O PT da discussão, da libertação socialista, aqui neste momento está em segundo plano. Mas vamos em frente. PAULO ROBERTO G
    IMENES

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