terça-feira, 10 de setembro de 2013

Crise de Autoridade

Em quem confiar?

De vez em quando a gente vê pesquisas sobre a credibilidade das instituições.
Faz tempo que não vejo uma, mas hoje saiu mais uma pesquisa sobre o governo Dilma, as oposições e as eleições. O curioso é que cada jornal faz a leitura que lhe convém, embora ninguém possa negar que Dilma esteja recuperando sua boa avaliação de antes de junho deste ano.

Quando se trata do Congresso Nacional, se fizerem uma pesquisa, com certeza a população dará uma nota muito baixa. Mas, apesar da baixa avaliação, quando chegam as eleições, por ser voto obrigatório, o povo acaba votando nos maus políticos.

Em relação ao judiciário e aos órgãos de segurança, o povo tem mais medo do que respeito. Por experiência própria, o povo sabe que deve manter distância tanto da polícia, como dos processos infindáveis.

Já a Imprensa, que gozou de boa imagem durante o período da redemocratização, hoje comporta-se como um negócio que vem perdendo prestígio e dinheiro. Para tentar recuperar credibilidade vive solicitando artigos de professores, com mestrado e doutorado, como forma de dizer que estão falando a verdade. Como se existe apenas uma verdade para cada fato, principalmente fatos políticos e sociais.

Acontece que, também por experiência própria, a população já não acredita incondicionalmente nos professores, nos doutores, nos religiosos, nos militares, nos políticos, nos sindicalistas, e nos próprios pais.

Entre o quê se fala e o quê se pratica, a diferença varia muito, dependendo de quem fala e de quem escuta.

Por exemplo: Quem ouve o governador Alckmin falar do metrô de São Paulo, imagina que esteja na Suíça, mas quem anda no metrô diariamente sabe que este metrô não existe. E, no entanto, a imprensa ouve mais o governador do que os usuários do metrô.

Em relação aos partidos é a mesma coisa, a lógica de poder, onde todos os partidos se juntam para fazer maioria no legislativo, e com isto, distribuem cargos entre si no executivo, faz com que este sistema partidário se auto-alimente, perpetuando-se e mantendo o atraso do Brasil.

Os sindicatos, tanto dos patrões como dos empregados, também vivem do Imposto Sindical e da reserva de mercado, com a unicidade sindical. Para acabar com isto é necessária uma PEC – Proposta de Emenda Constitucional, já que, por incrível que pareça, o Brasil é o único país do mundo onde o imposto sindical está na Constituição.

Só que os patrões não querem acabar com o imposto sindical e a unicidade sindical. E os sindicalistas conservadores fazem parceria com os patrões. E o Congresso Nacional finge de morto e a imprensa põe a culpa nos sindicalistas dos empregados. É mais fácil!

Enquanto as eleições não chegam, convivemos com esta profunda crise de autoridade, de credibilidade e de transparência. E não adianta criar mais partidos, seja ele Solidariedade, Rede ou Pros... Já são mais de 30!

Não é por acaso que tem gente que acha normal o governo americano espionar a Petrobrás, a vida particular de Dilma e de todos os brasileiros. É a síndrome do colonizado, do leão de chácara e do vira-lata.

Podia se chamar uma Constituinte e abrir novo processo de definição de critérios partidários e de participação do povo.

Aos poucos superaremos estes atrasos.
É uma questão de tempo.

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