sábado, 31 de agosto de 2013

PIB brasileiro surpreende a quem?

À Imprensa e a Mantega

A imprensa brasileira especializou-se em depreciar tudo que o governo federal faz e a arranjar defeitos em tudo que tem a ver com o PT. É a oposição inescrupulosa. É a visão pessimista de todos os dias...

Já o governo, especialmente o ministro Mantega, especializou-se em ser otimista, chutando as previsões sempre para cima, enquanto a imprensa chuta sempre para baixo.

A imprensa “ouve” o mercado, como se o “mercado” fosse uma entidade viva e tangível. Quando na verdade o “mercado” são pessoas, principalmente pessoas remuneradas pelos bancos e fundos de investimentos, isto inclui a maioria dos jornalistas e meios de comunicação.

O Mantega “ouve” os técnicos do governo, alguns empresários e jornalistas, e, principalmente a presidente da república. Daí que, quando Mantega erra feio, Dilma acaba sendo criticada por ser “o governo”.

Mas, como já virou rotina e talvez por serem dos mesmos patrões e do mesmo partido,
a Folha de São Paulo e o Estadão, hoje têm a mesma manchete:

Folha: “Economia surpreende e cresce 1,5%”

Estadão: “PIB surpreende, cresce, 1,5% e alivia apreensão com o ano”

Até os subtítulos são iguais!

Folha:
“Industria e investimento impulsionam o PIB do Brasil no 2º. Trimestre; para analistas, expansão não deve se manter” (A Folha jamais admitiria que o governo estaria 100% certo. Tinha que registrar uma ressalva).

Estadão: Industria e investimento puxam índice; mercado eleva projeção para 2013, mas há dúvidas sobre o segundo semestre. (O Estadão imita à Folha, mas ainda não reproduz a mordacidade dos neoliberais da Folha).

Ao olhar todas as matérias econômicas dos dois jornais, podemos encontrar algo digno de destaque: A sempre sensata análise de José Paulo Kupfer, jornalista econômico do Estadão.

Vejam que preciosidade. O curioso é que, mesmo eu sendo assinante, não a encontrei no site do jornal, para reproduzi-la precisei buscar no “Google”. Se fosse na Folha, seria automático, já que assino ambos. Mesmo no Valor fica mais fácil de reproduzir boas matérias...

Resultado do segundo trimestre impõe viés de alta para 2013

Depois de muitas revisões para baixo, chegou a hora de revisar para cima as projeções do crescimento da economia...

José Paulo Kupfer – Estadão – 31/08/2013

Depois de muitas revisões para baixo, chegou a hora de revisar para cima as projeções do crescimento da economia em 2013. Esse movimento é praticamente inevitável e está sendo determinado pelo surpreendente resultado da variação do PIB no segundo trimestre em relação ao primeiro deste ano - equivalente a uma expansão de 6,1% em termos anualizados. Economistas já calculam que, mesmo sem avanço algum no segundo semestre, a expansão econômica de 2013 ficará mais perto de 2,5% do que de 2%, como projetavam até agora.

Ocorre que, se na linha do tempo do PIB de 2013 o passado recente foi uma surpresa positiva, o presente promete estagnação. As previsões para o terceiro trimestre do ano, decorridos dois dos seus três meses, na comparação com o trimestre anterior, apontam para um intervalo que vai de uma pequena retração a uma modesta expansão, convergindo para a estabilidade. Não só a base de comparação ficou mais alta como os indicadores já conhecidos do trimestre em curso mostram que a atividade econômica atolou, no período, em terreno movediço.

Ainda assim, a tendência para o PIB deste ano agora é de alta. Espera-se que a economia volte a crescer no último quarto do ano, só que em ritmo morno, no entorno de 0,5% sobre o trimestre anterior. Caso confirmada a estimativa, 2013, de todo modo, terminaria melhor do que parecia até agora. Mas a fraqueza do segundo semestre não ajudaria a entregar uma base consistente de crescimento para 2014. As projeções para a expansão da economia no próximo ano estão com viés de baixa.

Algumas forças, já atuantes no segundo trimestre, estão vivas e presentes, podendo alterar o desenho dos cenários projetados, dependendo da intensidade dos movimentos cruzados que possam provocar. De um lado, a inflação parece ter colaborado para segurar o consumo das famílias, que cresceu apenas 0,3% no segundo trimestre. De outro, as desvalorizações cambiais parecem ter começado, finalmente, a ajudar as exportações, que avançaram robustos 6,9% sobre o trimestre anterior.

Entre essas duas forças, a interferência do Banco Central, elevando os juros básicos, tende a conter o consumo doméstico. Talvez contenha também o investimento, que cresce desde o último quarto de 2012, e pode resistir se as prometidas concessões do segundo semestre chegarem em tempo a bom termo. Essa possível restrição ao crescimento, contudo, pode ser compensada pelas exportações que, diante de uma taxa de câmbio mais estimulante e, tanto ou mais do que isso, com a confirmação de melhora prevista para o ambiente externo, podem encontrar espaço para avançar com maior aceleração.

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