quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Brasil sem a CUT?

Lula responde: “Não dá para imaginar o Brasil sem a CUT”

Na semana que antece os 30 anos de vida da CUT, a Central está divulgando uma longa entrevista do seu presidente, Vagner Freitas. Aproveitei a entrevista para divulgar uma pequena, mais simbólica parte.

Quem quiser ler a íntegra é só acessar o site da CUT: www.cut.org.br

A Central é a história e a trajetória de luta dos seus sindicatos.

Vagner Freitas, president da CUT, diz que a Central representou e representa a possibilidade concreta de melhoria da vida do trabalhador, mas aponta que o movimento sindical tem de se preparar mais, evoluir e se renovar

Vanilda Oliveira - CUT Nacional – site – 22/08/2013

PORTAL – A CUT e o movimento sindical conseguiram aproveitar a maior abertura e espaço proporcionados por governos progressistas?

VAGNER FREITAS- Talvez nós, dirigentes sindicais, não tenhamos conseguido entender o que estamos vivendo desde 2003 e, por isso, não adotamos uma postura que nos permitisse mais conquistas de pautas advindas dos próprios sindicatos.

Uma parcela do nosso movimento sindical continuou e continua, durante os governos Lula e Dilma, que têm outras conjuntura e características, fazendo movimento sindical como era feito no governo FHC.

Faltou, talvez, mais ousadia da nossa parte para aproveitar o momento de crescimento econômico do País, com um operário na Presidência da República que abiu diálogo com movimento social, para conquistar mais mudanças do que conquistamos.

PORTAL – Você diria, então, que foi uma das maiores conquistas da CUT em seus 30 anos, do movimento sindical e da classe trabalhadora a eleição de Lula/Dilma à Presidência da República em favor de um projeto progressista?



VAGNER FREITAS –Com certeza. Eleger um governo progressista foi uma das conquistas da CUT, do movimento sindical e de uma luta longa. Nós, às vezes, esquecemos o fato de termos conseguido ser uma opção de governo dos trabalhadores e para os trabalhadores que deu certo e que é uma vitória do nosso projeto. Por isso, eu disse antes que podíamos ter feito outras coisas durante esses últimos 10 anos. Mas ainda dá tempo.

PORTAL – Apontar a eleição de um governo progressista como uma das conquistas da CUT é coerente, mas reforça a fala de quem acha a Central governista. Que papel a ‘grande mídia’ teve nesse processo de tentar carimbar a CUT como pelega?

VAGNER FREITAS- A imprensa nos chama de pelegos, chapa branca, governista, pau mandado do Lula, pau mandado do PT para tentar desqualificar nossas conquistas que foram muitas e importantes. Mas isso que a grande mídia faz é parte da luta ideológica que tem objetivo de defender os interesses de setores da elite.

PORTAL – Além da eleição de um operário e de uma mulher para presidir o Brasil, o que você considera como grande conquista nesse período?



VAGNER FREITAS - A Política de Valorização do Salário Mínimo, por ter uma influência na cadeia econômica muito grande, importantíssima. Pela primeira vez, o salário mínimo foi discutido e negociado com a CUT e o movimento sindical. Antes, essa discussão era feita entre o governo federal e o Legislativo, sem a participação da sociedade e, muito menos, dos trabalhadores.

A política de valorização do salário mínimo é resultado de um acordo feito com a CUT e centrais e referendado pelo Congresso Nacional. É o maior acordo salarial do mundo, que vai além dos termos econômicos, porque foi firmado entre partes e com o trabalhador participando. Esse é um de grandes legados da CUT para a classe trabalhadora nos últimos tempos.

PORTAL – Além da valorização do salário mínimo, quais são, na sua visão, as outras principais conquistas dessas três décadas de ação da CUT?



VAGNER FREITAS – Foram inúmeras e grandes conquistas. A redução da jornada de 48 para 44 horas semanais na Constituinte; a participação nos lucros e resultados; a melhoria das condições de trabalho com várias regulamentações na área da saúde do trabalhador, direitos dos trabalhadores no campo, a aprovação da PEC (Projeto de Emenda Constitucional) do trabalho doméstico.

Tem as conquistas de todas as lutas nos sindicatos, que também são da CUT, como melhorias das condições de trabalho específicas e da legislação de proteção. Mas ainda há muitas outras lutas a fazer: pela redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução de salário, uma das principais batalhas atuais da CUT - que vai aquecer a economia e gerar 2,2 milhões de empregos, além de satisfação pessoal por garantir aos trabalhadores uma vida pessoal, familiar e profissional mais digna.

A tarefa da CUT é também melhorar a vida da classe trabalhadora fora do local de trabalho, como cidadão que tem direito a serviços básicos públicos e de qualidade, como a universalização da saúde.

É por isso que a redução da jornada de trabalho não pode ser vista como uma conquista somente do trabalhador, mas sim de toda a sociedade. Também lutamos contra o projeto que amplia a terceirização e a precarização, pelo direito à organização no local de trabalho e pela igualdade de direitos independentemente de gênero, cor e raça.

PORTAL – Desde os anos 1990, a CUT e os sindicatos passaram a ter essa ação “cidadã”, com pautas e lutas que vão além das questões do local de trabalho e sindicais. Isso tem aumentado?



VAGNER FREITAS – Sem dúvida. Por conta dessa concepção, o papel dos sindicatos não está mais restrito à pauta da classe trabalhadora, às campanhas sindicais. Essa é uma das grandes lições que as ruas trouxeram em junho, quando as manifestações revelaram o descontentamento enorme que a sociedade tem com a estrutura do Estado, que não funciona.

Em 10 anos sabíamos que não seria possível transformar uma estrutura organizada para ser excludente há séculos, porque o Estado brasileiro foi concebido para excluir e ser propriedade da burguesia e não da sociedade e do trabalhador. Nós queremos e vamos mudar isso. Só que não é possível em uma década. Porém, não é admissível que não tenhamos educação, transporte e saúde como deveres e financiados pelo Estado e como direito do cidadão. Isso tem de ser efetivamente uma construção feita pela sociedade.

PORTAL – Essas novas demandas vindas das ruas, especialmente da juventude, o que representam para a CUT?



VAGNER FREITAS– Aí o movimento sindical também tem de evoluir muito. É verdade que as questões da defesa do transporte coletivo, da educação e saúde públicas de qualidade fazem parte da nossa pauta, mas essas reivindicações não são consideradas essenciais. Elas têm de deixar de integrar a pauta somente como motivação da ação sindical e virar prioridade. Por exemplo: os sindicatos, em suas campanhas salariais, além de discutir emprego, salário, PLR, precisam incluir essas questões nas suas pautas e debater com o empresariado e a sociedade.

Dizer que já estão pautadas é fácil. Basta colocar na lista junto com 55 outros itens e pronto. Mas ao longo do ano, o que a gente faz para que, efetivamente, esses temas virem conquistas? Para isso, essas demandas têm de ser colocadas e tratadas como essenciais e prioritárias pelo movimento sindical.

PORTAL – Na sua opinião, o que é CUT representa para os trabalhadores?



VAGNER FREITAS – O Lula disse algo muito importante no lançamento das comemorações oficiais dos 30 anos da CUT:

“Imaginem o Brasil sem a CUT, como seria?”

De fato, a nossa Central representou e representa até hoje a possibilidade concreta de melhoria da vida do/a trabalhador/a em muitos aspectos. A classe trabalhadora foi colocada no cenário político do País como protagonista. Quando viajo pelos Estados vejo isso.

Em cada canto do Brasil, tem um sindicato cutista lutando; tem uma CUT Estadual organizando a luta. É inegável que ainda temos muito que construir com os nossos sindicatos nessa concepção, porque a CUT não é somente a sua Executiva Nacional.

A CUT são todos os seus mais de três mil sindicatos filiados, uma estrutura que vem fundamentalmente da organização no local de trabalho, nas fabricas, bancos, escolas, hospitais. Somos uma central de base e de massa. Ninguém se filia à CUT, mas sim ao sindicato e é por meio dele que o trabalhador se manifesta e se faz representar.

A Central é a história e a trajetória de luta dos seus sindicatos.

É esse o significado de Somos fortes, Somos CUT.

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