quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Imprensa, Terceirização e PL 4330

Porque a Imprensa não informa?

Quem lida com os meios de comunicação sabe que na Imprensa é onde há mais profissionais terceirizados.
Quase que já não há mais jornalistas com carteira assinada. Quase todos são “pejotados”, isto é, contratados como Pessoas Jurídicas individuais.

Desde o advento do neoliberalismo, trazido para o Brasil por Collor e FHC, vem crescendo, nas mais diversas áreas empresariais, a terceirização da mão de obra.

Mesmo no serviço público a quantidade de terceirizados é enorme.
No Executivo, no Judiciário e no Legislativo também temos terceirizados e o mesmo vale também para o movimento sindical. Parafraseando Jesus, ninguém pode atirar a primeira pedra.

Se todos estão envolvidos e comprometidos com o tema, porque apesar de estarmos vivendo o momento mais importante sobre o assunto, quando o Congresso Nacional está para votar o Projeto de Lei 4330, que pretende regulamentar a terceirização no Brasil, a imprensa não informa praticamente nada?

Há um conluio geral na Imprensa para ninguém tocar no assunto.
Pretendem esconder? Tem medo de expor as contradições? Querem aprovar na calada da noite?

O próprio eminente professor e consultor empresarial, José Pastore, reconhece que “lamentavelmente, a grande imprensa tampouco se interessou em detalhar para o grande público o esforço que os parlamentares vêm fazendo no sentido de melhorar substancialmente a situação dos trabalhadores que participam dos processos de terceirização de serviços (O Estado de S.Paulo, 13/08/13).

Só a imprensa sindical aborda o problema. E aí ficamos com dificuldade de conhecer todas as posições e todos os detalhes.

Foi constituída uma mesa de negociações entre as partes: Parlamentares, Governo, Empresários e Trabalhadores.

1 – Os parlamentares, na sua maioria, defendem as posições dos empresários;
2 – O Governo fica numa sinuca de bico: É gestor da sociedade, é grande empregador e deveria ser decisivo como Moderador entre as partes;
3 – Os empresários gostariam de poder terceirizar tudo;
4 – Os trabalhadores gostariam de acabar com a terceirização.

Mas, por incrível que pareça, as negociações aconteceram e evoluíram.
E por que evoluiu tanto?
Porque não interessa a ninguém deixar como está.
Atualmente todos perdem, principalmente os trabalhadores terceirizados.

E o quê está fazendo com que os empresários cedam nas negociações?
A intransigência de setores da Justiça do Trabalho em julgar favorável aos trabalhadores e contra a terceirização.

Segundo a versão da CUT, ainda há três pontos importantes sobre os quais não há acordo:
1 – A representação sindical nas negociações trabalhistas;
2 – A garantia que as atividades-fim não serão terceirizadas;
3 – A responsabilidade solidária entre as empresas. A empresa contratante deve assumir a responsabilidade quando a terceirizada não cumprir os direitos trabalhistas.

A votação na CCJ – Comissão de Constituição e Justiça na Câmara Federal, que deveria acontecer hoje, foi novamente adiada para dia 03 de setembro próximo.

Se de trinta pontos, faltam chegar a acordo em apenas três, como evoluir para um acordo, com ou sem consenso?

Uma forma de contribuir é a imprensa informar em detalhes o quê está acontecendo. Fingir de morta não ajuda. Este é um assunto de interesse de todos os brasileiros. Afinal, é uma mini reforma trabalhista e que, dependendo o desdobramento, mudará toda a legislação e a organização do trabalho.

Outra forma positiva é ouvir mais as partes. Quando os sindicalistas propõem valorizar mais as negociações do que o prazo de votação, eles estão sinalizando que estão abertos a composições. Quando os empresários pressionam para votar logo, passam a impressão que não querem negociar.

Não se esqueçam do aumento das tarifas de ônibus. Todo mundo achava que era fato consumado, mas as ruas fizeram os governantes voltarem atrás, os empresários não reclamaram e a vida continua como antes, com as tarifas com preços antigos.

Se houver boa vontade das partes o pouco que falta para se chegar a um grande acordo compensará o tempo que será gasto para isto. E entre todos os negociadores, pessoas como José Pastore e Clemente Ganz (do Dieese), que assessoram as partes, têm dado grandes contribuições para diminuir as diferenças.

As pessoas podem passar para a história pela insignificância ou pela grandeza. Todos os negociadores deste processo sobre a Terceirização no Brasil podem entrar para nossa história, ou como insignificantes ou com grandes negociadores. A escolha está com eles.

Enquanto isto, os terceirizados, os que podem ser terceirizados e os demais brasileiros ficamos esperando para ver o resultado.

A sorte está lançada...

Nenhum comentário:

Postar um comentário