quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Imprensa – O lado bom do Estadão

Democracia inclui amar e odiar

Há vários dias que carrego na pasta vários exemplares dos cadernos culturais do Estadão. Tanto o Aliás como o Caderno 2, o Aliás sai sempre aos domingos e o Caderno 2 é diário. O Sabático que era muito bom e saia nos sábados, eles acabaram por economia de dinheiro.

Minha intenção era publicar várias matérias destes cadernos, mas fui atropelado pela dinâmica da conjuntura e pelas matérias do Estadão criticando a CUT. E quando alguém fala mal da CUT sem tomar os devidos cuidados nas informações mexe profundamente comigo. Sou um dos fundadores e fui membro da executiva da CUT por nove anos, inclusive tendo sido Secretário Geral e primeiro responsável pela Comunicação e desenvolvimento da imagem nacional da central.

Olhando com calma a edição de hoje, graças a Deus, não achei nenhuma matéria difamando a CUT. Aí achei que era hora de recuperar os cadernos do Estadão guardados na minha pasta e mostrar “o lado bom do Estadão”.

Por exemplo, no dia 04 de agosto, o caderno Aliás trás uma grande reportagem sobre o “Passado presente” e a observação “Um outro olhar”. Ver fotos maravilhosas, voltar a ler sobre Alfredo Bosi, professor emérito da USP e voltar a ver algo de Gastão Wagner, sanitarista e professor da Unicamp é muito bom.

Mas, neste mesmo caderno Aliás do dia 04 de agosto passado, outro assunto chamou muito minha atenção: “Um rosto contra a xenofobia”. Uma matéria inacreditável! O senegalês Karamba Diaby pode se tornar o primeiro negro no Parlamento alemão. Já pensaram?

Já o caderno Aliás do dia 11, trás ótima reportagem com o título: “Página em aberto”, sobre a venda do jornal centenário Washington Post por 250 milhões de dólares, e o comprador ser exatamente o dono da Amazon, a destruidora de livrarias...e talvez de Editoras.

O caderno trás de novo novas fotos maravilhosas. Duas páginas centrais do caderno com fotos tiradas por... Bob Wolfenson. O maior fotógrafo residente no Brasil. Sebastião Salgado não vive aqui.

E uma página inteira, a última página, uma página nobre toda sobre o “Surdo como um gênio”. O maior compositor de todos os tempos: Beethoven.

O jornal da Tarde era craque em fotografias e textos enxutos. O caderno Aliás está recuperando a importância histórica e estética das fotografias na imprensa e nos livros. Eu tenho vários livros de fotografias de Cartier-Bresson, tenho um de André Kertesz e vários outros. Gostaria muito de ter um livro com as fotos de Sebastião Salgado. Ainda vou comprar um.

Ainda no dia 04 de agosto, o Caderno 2 publicou página inteira sobre “Nat King Cole, por Omara”, com parceiria de Swami Jr, o talento de um brasileiro que venceu as resistências na ilha de Cuba e fez de Omara Portuondo uma cantora universal. Um belíssima reportagem.

Com tanta coisa boa no jornal, será que é preciso o caderno de política ficar publicando matérias desqualificadas? Fazer jornalismo marrom?

O Estadão nunca escondeu que é um jornal representante dos interesses paulistas, mas que preservava o cuidado intelectual de fazer parte da “intelectualidade orgânica da classe dominante”, mas que tinha como missão ajudar o Brasil a ser uma grande democracia, mesmo que com viés conservador.

O Estadão nunca defendeu o neoliberalismo. Defende sim uma economia de mercado com empresas brasileiras competindo com empresas multinacionais, tanto aqui no Brasil como no Mundo.

Os Mesquitas sempre foram metropolitanos. Os novos donos do jornal parece que não se identificam com este passado histórico do Jornal e da Família.

Como diz Caetano Veloso, “aqui se ergue e destrói coisas belas”...

Moro em São Paulo há 43 anos, ontem meu pai completou 89 anos de vida, morando no interior da Bahia e quase que eu me esqueci de telefonar para dar os parabéns, porque estava preocupado em responder a mais uma matéria do Estadão contra a CUT.

No final da tarde consegui falar com meu velho pai e ele perguntou como estava São Paulo. Eu respondi que fria e confusa, como o Estadão. Ele riu e agradeceu o telefonema e desejou boa sorte. Para nós, para São Paulo e para o Estadão.

Os velhos são sábios, nunca perdem a esperança...

Nenhum comentário:

Postar um comentário