quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Fibra - Bancos e Economia no Brasil

Um exemplo que serve para muitos

É cada vez mais difícil de acreditar na imprensa, somos obrigados a ler vários jornais, escolher as materias e analisá-las no tempo. O quê hoje parece verdade, com o tempo voce vai descobrindo que era materia plantada.

O jornal Valor tem sido o melhor jornal do Brasil atual, apesar de periodicamente se meter em palpites politicos dirigidos…

Esta materia de hoje sobre o BANCO FIBRA está muito interessante e,
apesar de despretenciosa, tem informações importantes sobre
o Sistema Financeiro, o Mercado e a Economia.

Se eu fosse um professor, eu a distribuiria para os alunos, como não sou, a distribuo em meu blog e na rede…
E aproveito para mandar um abraço para Lima Neto e para Benjamim. Duas boas lembranças.

Depois de tombo no varejo, Fibra retoma foco no atacado

Valor - Por Carolina Mandl | De São Paulo – 01/08/2013

Depois de uma desastrosa incursão pelo crédito ao consumo, o banco Fibra, da família Steinbruch, se reestrutura para voltar às raízes, com as atividades concentradas novamente nos empréstimos para empresas.

O desmonte das operações de crédito consignado e de financiamento de veículos usados se dá cerca de sete anos depois de o banco ter criado uma franquia de varejo, em meio à euforia de consumo que despontava no país.

É um desvio de rota que, além de ter trazido dois anos seguidos de prejuízo ao banco, já exigiu cerca de R$ 600 milhões em aportes de capital de 2010 até 2012. No último deles, feito em dezembro, os Steinbruch colocaram R$ 150 milhões para dar andamento à reestruturação do banco, mas outro sócio resolveu não acompanhar.

Acionista do Fibra desde 2007, o International Finance Corporation (IFC) - braço de investimentos do Banco Mundial no setor privado - optou por ser diluído. Logo depois, em abril, o IFC vendeu para a família uma fatia de cerca de 7% que detinha, ficando ainda com outros 5,5%.

Procurado pelo Valor, o IFC preferiu não comentar os motivos que o levaram a sair parcialmente do banco. Por meio de uma nota, apenas explicou que a possibilidade do movimento estava prevista no contrato do primeiro aporte feito pelo órgão. Uma segunda rodada de investimento foi feita no começo de 2011.

Com o dinheiro injetado, a família Steinbruch quer aprumar o Fibra. "É difícil tomar a decisão de ir por um rumo e depois sair", diz Antonio Francisco de Lima Neto, ex-presidente do Banco do Brasil que foi chamado para comandar o Fibra em 2009.

"É o momento de se pagar os custos daquilo que decidimos desmontar."

Essa decisão veio no fim de 2011, quando a inadimplência dos empréstimos a compradores de carros começou a subir, problema que também afetou bancos como Votorantim e até o maior banco privado do país, o Itaú Unibanco. Em março deste ano, o índice de atrasos acima de 90 dias no Fibra atingiu 8,8%.

Inicialmente, o banco saiu do concorrido crédito consignado no começo de 2012. Depois, no fim do ano, o Fibra encerrou também o financiamento de carros. Com isso, a atual carteira de varejo de R$ 3,3 bilhões - 40,7% do estoque total do banco - deve praticamente desaparecer conforme os empréstimos forem vencendo. Só ficarão os créditos diretos ao consumidor (CDC), que somam R$ 400 milhões.

Segundo Lima Neto, a inadimplência não foi a única razão a levar o Fibra a se retirar do varejo. A decisão, diz ele, está relacionada ao ambiente mais hostil que se desenhou para os bancos médios desde a descoberta de um rombo bilionário no PanAmericano (atual banco Pan), em 2010, seguida pela quebra de uma série de bancos de menor porte até o ano passado. A captação de recursos, por exemplo, se tornou bem difícil com investidores mais seletivos.

"A equação de alavancagem mudou", afirma o presidente do Fibra. "O [banco de] varejo é intensivo em custos, precisa de funding de longo prazo. Por isso resolvemos voltar às raízes."

Os custos de saída do varejo não são poucos. No ano passado, o Fibra acumulou R$ 138 milhões de prejuízo, sendo que a baixa de dois investimentos que o banco fez para crescer no varejo - a compra das carteiras dos bancos Paulista (2009) e Sofisa (2010) - foram responsáveis pela maior parte disso. Na época dessas aquisições, diversos bancos médios já desistiam de suas operações de consumo.

Neste ano, o Fibra ainda encerrará no vermelho, pela previsão de Lima Neto. Alguns tipos de despesas são necessários até que as operações de crédito ao varejo se encerrem. E até o fim de 2014, o Fibra carregará cerca de um terço da carteira atual de consumo. Mas com a incorporação da financeira CrediFibra ao banco, R$ 105 milhões em economias já serão capturadas neste ano.

Mesmo na parte de empresas, o banco passa por reformulações. Agora, o Fibra quer dar crédito para empresas com faturamento anual de cerca de R$ 400 milhões. Antes, o alvo preferencial eram companhias com receita de cerca de R$ 150 milhões. "Optamos por riscos mais óbvios", diz Lima Neto.

A reviravolta no banco se dá em meio à chegada de dois integrantes da família Steinbruch ao comando do Fibra. Benjamin Steinbruch, acionista e presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), está desde o começo do ano à frente do conselho de administração do banco. Substitui um mandato de oito anos de seu irmão, Ricardo, que cuida da Vicunha Têxtil e dos investimentos imobiliários da família.

Um jovem Steinbruch também entra na instituição. Aos 32 anos, Arno Schwarz, filho de Elizabeth Steinbruch (irmã de Benjamin e de Ricardo), se tornou vice-presidente de crédito e risco do Fibra em junho. Depois de quatro anos na área financeira da CSN, Schwarz esteve até maio no Bradesco BBI. Eles chegam a um banco bem menor do que aquilo que já foi, com cerca de 700 funcionários. No fim de 2011, eram 1.571 pessoas.

Nota do Blog:

No Brasil existem mais de 100 bancos, mas, apenas 5 controlam 85% de tudo.
Isto faz com que fique cada vez mais dificil ser banco pequeno.
Quando os pequenos começam a crescer em alguma faixa do mercado,
os cinco grandes entram na disputa com seu mix de produtos
e assédios tão forte que a clientela migra para os grandes.

Este é um dilema que o Banco Central, o Governo e o próprio Brasil vão ter que resolver.

Temos outros dilemas como as privatizações dos serviços públicos e das estatais, agora o povo vai às ruas reivindicando serviços de qualidade. O Brasil nunca terá Medicina universal padrão Sírio Libanês. Pode ter um padrão médio, jamais um padrão universal Sírio Libanês. Este é para quem paga muito ou para os políticos, que usam os recursos públicos...

Mas, quando a imprensa estimulou FHC a privatizar tudo, o povo apoiou.
Como dizia o pai das privatizações no Brasil:

"O tempo é o senhor da razão".

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