quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Euro vai se desintegrar?

E a União Européia?

Ao mesmo tempo que a imprensa mostra a recuperação econômica da França, Alemanha e Reino Unido, surge no jornal Valor uma material sobre a desintegração do Euro.

Se o Euro implodir, implode também a União Européia? Há gente que acha que sim e gente que acha que não. Eu estou no time que acha que os países “pobres” da Europa devem sair do Euro, mas devem ficar na União Européia.

Leiam este bom texto que saiu no Valor e originalmente no Financial Times.

Cedo ou tarde, o euro vai se desintegrar

Valor – 15/08/2013
Por Samuel Brittan | Financial Times

Imagine uma pequena loja que não está indo bem. Na melhor das hipóteses, ela não consegue proporcionar ao seu dono um padrão de vida mínimo. Na pior, não consegue nem mesmo cobrir seus custos e é mantida em funcionamento por empréstimos e doações de parentes, amigos e simpatizantes. Um deles, inclusive, já foi pego comentando que faria tudo o que fosse necessário para que a loja continuasse aberta, acrescentando: "Acreditem, será suficiente".

Qualquer analogia está longe de ser perfeita, mas essa é bem adequada para os membros não competitivos da zona do euro.

Desde o lançamento do euro, em 1999, os custos unitários do trabalho subiram menos de 13% na Alemanha. Nesse período, os custos da mão de obra na Grécia, Espanha e Portugal aumentaram de 20% a 30%, e na Itália o aumento foi ainda maior.

Pouco surpreende que a Alemanha tenha hoje um superávit em conta corrente de 6% do PIB, enquanto Grécia, Itália, Portugal e Espanha mal chegam a um equilíbrio.

É preciso ter muito cuidado com estimativas, mas a mensagem que elas passam é bem plausível. Nenhuma união bancária ou harmonização fiscal bastará enquanto houver esses desequilíbrios.

A teoria econômica por trás da criação do euro foi que a própria moeda única, e a suposta impossibilidade de desvalorização pelos países-membros, atuariam como uma força harmonizadora. Mas isso não aconteceu, e as relações hoje estão insustentáveis.

Herbert Stein, economista ativo em Washington no fim do século passado, dizia que quando uma política ou situação é insustentável, ela não será sustentada. Mas ele não disse quanto tempo leva para essas situações serem resolvidas.

Enquanto isso, é do interesse dos "eurocratas" fazer esses problemas parecerem complicados a ponto de apenas um pequeno número dos chamados especialistas financeiros poderem até mesmo discuti-los.
Estamos vendo um pacote após o outro e uma garantia após a outra de para que a estrutura continue se mantendo. Mas empréstimos e garantias não tornam o insustentável sustentável. Há apenas um número limitado de maneiras de conduzir a situação.

Em primeiro lugar, a "austeridade" nos países periféricos pode dar certo. Com isso, quero dizer que o aperto da demanda imposto a eles resulta numa queda nos custos e preços, em relação aos vizinhos da zona do euro, levando a maior competitividade e à eventual recuperação do padrão de vida e a uma forte queda na taxa de desemprego.

Uma variação disso seria uma melhora na competitividade não baseada nos preços: passeios turísticos mais criativos pelo mar Egeu ou hotéis mais atraentes em Algarve, no sul de Portugal. A questão fundamental é quantos anos, ou décadas, essa correção vai levar.

Segundo, os países da periferia do euro poderão continuar estagnados. A taxa de desemprego está hoje em 22% na Grécia, 24% na Espanha, 18% em Portugal, 15% na Irlanda e 10% na Itália. Em comparação, ela é de 8% nos EUA e no Reino Unido. Temo que uma variação seria a situação desses países piorar ainda mais e começar a haver um aumento da emigração.

A terceira opção é improvável, mas está incluída aqui por motivo de abrangência. A Alemanha e outros países do norte poderiam buscar políticas mais "expansionistas" (leia-se inflacionárias), reduzindo assim a agonia do sul. Uma alternativa seria seguir subsidiando perenemente os países periféricos.

A quarta opção seria um ou mais países periféricos deixarem a zona do euro. As portas do inferno se abririam não só para os países que estivessem saindo, mas também para os remanescentes, cujos os bancos possuem grandes ativos em euros (em potencial depreciação).

Mas em algum momento os ex-membros do euro recolheriam os pedaços de suas economias e surgiriam com desempenhos mais toleráveis, como aconteceu com a Argentina quando ela cortou um laço supostamente inquebrantável com o dólar americano.

Alguns economistas gostariam de abordar o assunto de outra maneira e prefeririam que a Alemanha e seus vizinhos tomassem a iniciativa e avaliassem sua saída do euro; mas isso não acontecerá, independentemente dos resultados das eleições alemãs, que estão próximas.

É possível, claro, imaginar um número grande de trocas e concessões entre as quatro conjecturas acima, mas as possibilidades são limitadas. Se eu tivesse de apostar meu dinheiro (o que não faria), seria na quarta. Mas não apostaria em quando isso iria acontecer.

O Sacro Império Romano
- que não era sacro, nem romano e nem um império - foi fundado por Carlos Magno em 800 d.C. e durou até ser dissolvido por Napoleão em 1806.

A Confederação Alemã foi criada depois das guerras napoleônicas e não tinha poder real sobre os Estados-membros. Ela foi reforçada por uma união aduaneira (Zollverein) em 1834 e toda a estrutura raquítica durou até 1871, quando foi transformada no Reich Alemão por Bismarck.

De lá para cá, a história pode ter se acelerado mas não sabemos o quanto,
e o tempo que levará para a desintegração do euro ninguém sabe.
Há um limite para as previsões.

Um comentário:

  1. Talvez Portugal seja o primeiro país a sair do euro consequentemente. Apesar do europeísmo acrítico das elites que desgovernaram o nosso país nestes últimos 15 anos com um sentimento traidor de anti-atlântismo, Portugal é hoje mais lusófono do que nunca. Países como Angola e Brasil têm hoje mais força mediática do que alguém país europeu, os migrantes pobres mesclaram-se, e as elites dos dois países cortezam-se a ponto de já existir uma clara máfia energética e mediática luso-afro-angolana. Em Portugal sairam vários livros opinando, sugerindo, exigindo a saída do euro e até da UE para salvar a pátria milenar, reatlântizar e criar aliânças com as nações marítimas da europa (EFTA e RU) e reafirmando as alianças lusófonas. Portugal sempre apresentara os dados mais negativos, com excepção do RU, de opinião face à CEE/CE/UE, e específicamente face ao Euro. As negociações do RU para se libertar do jugo continental serão acompanhadas de uma supresa, nesse dia Portugal sai do euro, da UE e readere à EFTA...

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