quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Egito – Primavera manchada de sangue

E agora ocidentais?

Os milhares de egipcios que foram as ruas pela derrubada do president eleito, agora devem estar preocupados. Se os militares voltaram a matar civis, mesmo que muçulmanos, logo, logo, começarão a matar também os civis que não são da Irmandade Muçulmana.

Nós conhecemos este tipo de filme. Além dos jovens entusiasmados, a Imprensa e os países ocidentais também apoiaram o Golpe no Egito.

Lamentavelmente as Primaveras estão ficando Manchadas de Sangue. Seria cômico se não fosse trágico.

Leiam esta materia do Estadão.


Exército mata ao menos 149 ao dispersar protestos da Irmandade no Egito

Violência se espalha para outras cidades do país
e governo interino decreta estado de emergência

14 de agosto de 2013 | 4h 26
O Estado de S. Paulo
(Atualizada às 12h48)

CAIRO - Forças de segurança egípcias lançaram nesta quarta-feira, 14, uma megaoperação para expulsar partidários do presidente deposto Mohamed Morsi das ruas do Cairo. Com tanques, helicópteros e atiradores de elite, a polícia abriu fogo contra os manifestantes. O Ministério da Saúde fala em 149 mortos e 870 feridos. A Irmandade Muçulmana, que lidera o protesto, em mais de 200 vítimas. A violência se espalhou pelo país e o governo interino decretou estado de emergência.

Líderes da Irmandade Muçulmana foram presos e
bancos e demais instituições financeiras foram fechados.

"Quem violar essas ordens será preso", disse um porta-voz do governo em comunicado, lido na TV Estatal.
O estado de emergência entrará em vigor às 19h do Cairo (14h em Brasília)e segueaté às 6h da manhã de quinta-feira. (1h da manhã no Brasil. O decreto vale para 11 das 27 províncias egípcias, entre elas Suez, Cairo e Alexandria.

A operação começou às 7h, no horário local. Testemunhas da operação dizem ter ouvido tiros de fuzis enquanto uma nuvem branca de bombas de gás lacrimogêneo se misturava com a fumaça preta de pneus queimados pelos manifestantes. A menor das duas concentrações de partidários da Irmandade, na Praça Nahda, perto da Universidade do Cairo, foi dispersada primeiro.

A polícia reprime outra mobilização, essa maior, na mesquita Rabaa al-Adawiya, no subúrbio de Nasr City. Para defender o local, membros da Irmandade ergueram barricadas nas ruas e lançaram coquetéis molotov e pedras contra a polícia. 
"Isso é sórdido, eles estão destruindo nossas barracas. Nós não podemos respirar e muitas pessoas estão no hospital", disse Ahmed Murad, membro da Irmandade Muçulmana, no limite do acampamento, onde o grupo tinha colocado sacos de areia na expectativa de uma invasão policial.

Imagens de televisão egípcia mostraram médicos usando máscaras de gás e óculos de natação enquanto tentavam tratar os feridos. Dois membros das forças de segurança egípcias foram mortos a tiros enquanto tentavam dispersar os manifestantes, de acordo com a agência estatal de notícias.

O governo defendeu a operação. O porta-voz do Conselho de Ministros Sherif Shauqi leu um comunicado do Executivo no qual afirmou que perseguirão "os arruaceiros" para proteger as propriedades do povo. Além disso, o governo pediu à Irmandade Muçulmana que pare de estimular seus seguidores a prejudicarem a segurança nacional.

"O executivo atribuirá aos dirigentes dos Irmãos Muçulmanos a responsabilidade total de qualquer sangue derramado e de todo o caos e a violência atual", advertiu o porta-voz.
Mortos. Ainda não há um número exato de mortos e os dois lados divulgaram dados divergentes. A Irmandade Muçulmana diz que o massacre deixou mais de 200 mortos. O Ministério da Saúde conta 149 vítimas e 870 feridos.

Há relatos também de ataques de grupos islamistas a igrejas cristãs coptas em várias províncias do sul do Egito, que seriam uma retaliação à ofensiva do Exército contra a Irmandade Muçulmana.

Os confrontos se espalharam para outras cidades, como Alexandria e Fayoum, onde 9 pessoas morreram. Ali, Partidários de Morsi atacaram pelo menos duas delegacias de polícia e incendiaram veículos policiais em frente a uma delas, disseram testemunhas. Também houve confrontos em frente ao gabinete do governador provincial.

Um cinegrafista britânico do canal Sky News foi morto nos protestos.
Mick Deane tinha 61 anos e já tinha trabalhado como correspondente nos EUA, além do Egito. Segundo o canal, o resto da equipe não foi ferida. O premiê-britânico David Cameron lamentou a morte de Deane.

A dura repressão policial reflete a divisão na sociedade egípcia entre os islamistas partidários da Irmandade Muçulmana e grupos seculares que defendem o golpe de Estado dado pelos militares contra Morsi em julho.

Grupos de direitos humanos denunciaram ataques contra cristãos coptas no sul do Egito, que teriam ocorrido em represália à operação contra a Irmandade. A operação aconteceu após o fracasso de esforços internacionais para mediar um fim a um período de seis semanas de impasse político. / NYT, REUTERS e EFE

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