sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Egito 638 – Onde está a ONU?

Massacre e Guerra Civil – Novo Iraque?

Não há ser humano normal que afirme que o Iraque de hoje, enquanto país, esteja melhor do que o Iraque antes da invasão Americana. Pode estar melhor para os Curdos e para os Xiitas locais, mas para a grande maioria da população do Iraque, a invasão transformou-se em guerra civil e numa sociedade traumatizada pelas bombas em toda parte. A herança ocidental!

O Egito caminhava a passos lentos para sua primeira experiência de Democracia Ocidental, com partidos amplos, eleições diretas e disputas pela hegemonia determinada pelo voto universal do povo e não pelos fuzis egípcios patrocinados pelos americanos (Um bi e meio de dólares por ano para os militares). E para a Educação?

Quando eu ainda era adolescente e morava no interior da Bahia, em Serrinha, fui com meu irmão assistir a um filme assustador: FAHRENHEIT 451. Tão assustador que as imagens ficaram em minha mente como se fosse imagens dos campos de concentração nazista. * (vejam informações no final).

Hoje, ao ler o Editorial do Jornal Valor e ver as matérias nos demais jornais, a imagem que tive foi de FAHRENHEIT 451. A barbárie patrocinada pelo Ocidente. O ovo da serpente que se espalha.

Outro dia, ao ler uma matéria de Ariel Palácios, correspondente do Estadão na Argentina, sobre os mais de 500 bebês roubados e adotados pelos militares argentinos na época da ditadura, fiquei vários dias traumatizado e convencido: Militares não combinam com Democracia. Da mesma forma que os partidos já não podem representar todos os eleitores, os militares precisam ter suas funções bem delimitadas e devem ser poucos, para não virarem assassinos de seu próprio povo.

E a ONU, para que tem servido?
Muitas coisas ainda vão acontecer no Egito 638...


Por enquanto, leiam o editorial do jornal Valor.


Com os massacres, militares põem Egito mais perto do caos

Editorial do jornal Valor – 16/08/2013

Tutelando o poder desde a queda do ditador Hosni Mubarak, no auge da Primavera Árabe, em 2011, os militares egípcios voltaram a dar as cartas e a prova foram os massacres de quarta-feira, nos quais pelo menos 638 pessoas morreram - e novos cadáveres estão aparecendo.

Desde o golpe de 3 de julho, para depor o primeiro presidente democraticamente eleito do país, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, as Forças Armadas sequer guardam as aparências de respeitar um governo civil de fachada.

Ao resolverem desmontar acampamentos de adeptos do presidente deposto, e ainda preso sem qualquer acusação formal, os militares jogaram a perspectiva de nascimento da verdadeira democracia no país para um futuro remoto.

Uma perigosa linha divisória foi traçada com os massacres.

O governo interino deixou claro que não tolerará a volta da Irmandade Muçulmana ao poder, caso esse seja o desejo resultante da próxima eleição - se houver.

A julgar pela brutalidade com que golpeou os adeptos de Mursi, possivelmente banirá o grupo islâmico da vida política. Com Mubarak, havia ditadura militar, comandada por um militar. O modelo agora é parecido, com uma variante: governo militar, presidência civil.

Desde o movimento nacionalista de Gamal Nasser, que tomou o poder em 1953, os militares são vistos como o fiel da balança no país. Após alguns banhos de sangue na praça Tahir e em outras partes do Egito, as Forças Armadas se desvencilharam de Mubarak e aceitaram a abertura política, forçada pelas maiores manifestações de massas da história do Egito.

A surpresa foi a rapidez com que voltaram a dar abertamente as cartas políticas e, mais ainda, com grande apoio popular, após o desastrado governo de Mursi.

Os egípcios testaram como primeira opção democrática a Irmandade Muçulmana, duramente perseguida pelos militares durante a ditadura de Mubarak e a força política mais equipada para aproveitar o colapso do regime.
Mohamed Mursi precisava fazer um governo de coalizão para reformar de alto a baixo as instituições do Estado e consertar a economia. Com o país caminhando para uma crise de sérias proporções, Mursi e a Irmandade deixaram os eleitores perplexos e irados com suas manobras políticas e seu sectarismo.

Primeiro, cortejaram os militares, cujos poderes e privilégios sobreviveram intactos à Constituição submetida a votação e escrita, basicamente, pelos adeptos e aliados do grupo islâmico.

Depois, alijaram o apoio dos liberais e de alguns grupos de esquerda ao tentarem se colocar acima da lei, como Mursi buscou em novembro, anulando decisões do Judiciário, ou com uma Constituição que não respeitava direitos de mulheres, católicos etc.

Tudo isso e mais a deterioração da situação econômica, para a qual Mursi pouco atentou, levantou o perigo real da islamização do país, arrastando grande parte da população contra o governo da Irmandade.

Mursi recebeu quase 25% dos votos no primeiro turno e, no segundo turno, com 51,7% dos votos. Com 48% e um milhão de votos a menos, estava um ex-ministro de Mubarak e também militar, Ahmed Shafiq. Isto é, a Irmandade tinha de fazer tudo, e não tão pouco, para conquistar as condições de um governo estável e responsável.
O descontentamento com Mursi, disseminado entre liberais e grupos à direita e à esquerda, bateu às portas dos quartéis.

As Forças Armadas deram ultimato ao presidente, o depuseram, indicaram um governo civil e passaram a reprimir a Irmandade, fechando seus jornais, confiscando contas bancárias e colocando vários de seus líderes na prisão. Depois passou a atirar contra multidões, ao velho estilo da ditadura de Mubarak.

Os militares se serviram da cobertura dada por forças políticas civis para um acerto de contas com o grupo islâmico, o que deixa o país mais perto do caos e mais distante da democracia.

Os EUA sustentam os militares, como sustentaram Mubarak, e boa parte do espectro político egípcio parece enxergar nos militares um mal menor do que a Irmandade.

Depois de quarta-feira, grupos islâmicos radicais se jogarão na clandestinidade à qual estavam acostumados no Egito e recorrerão ao terrorismo como arma política.

Para um país dividido e empobrecido, pode ser o fim melancólico de um movimento promissor pela democracia.
Mudar essa rota desastrosa depende agora do desejo dos partidos políticos de exigir de volta o poder e de forte pressão externa. Ambos não são visíveis no momento.

*Fahrenheit 451

From Wikipedia, the free encyclopedia

Fahrenheit 451 is a dystopian novel by Ray Bradbury published in 1953. The novel presents a future American society where books are outlawed and "firemen" burn any that are found.[1]

The novel has been the subject of various interpretations, primarily focusing on the historical role of book burning in suppressing dissenting ideas.

In a 1956 radio interview,[2] Bradbury stated that he wrote Fahrenheit 451 because of his concerns at the time (during the McCarthy era) about censorship and the threat of book burning in the United States.

The book's title refers to the temperature that Bradbury understood to be the autoignition point of book paper.[3] In later years, he stated his motivation for writing the book in more general terms.

The novel won a Prometheus "Hall of Fame" Award in 1984[4] and a 1954 "Retro" Hugo Award, one of only three ever given, in 2004.[5]

The novel has been adapted several times.
François Truffaut wrote and directed a film adaptation of the novel in 1966, and at least two BBC Radio 4 dramatizations have aired. Bradbury published a stage play version in 1979[6] as well as companion piece titled A Pleasure To Burn in 2010.
A video game titled Fahrenheit 451 was released in 1986.

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