terça-feira, 20 de agosto de 2013

CUT – Estadão errou novamente

Editorial com meias verdades

O Estadão, não satisfeito em divulgar ontem uma matéria com uma “entrevista manipulada”, hoje resolveu voltar à provocação contra a CUT desta vez com um EDITORIAL.

Por ser um Editorial, eu imaginei que o texto fosse melhor produzido e mais preocupado em preservar a imagem da instituição secular como é o jornal O Estado de São Paulo. No entanto, a pobreza de informações continua...

Já nos primeiros parágrafos, o jornal volta na ideia de que a CUT “arriou as suas bandeiras”, negando seu caráter “apartidário” da central.

A CUT nunca foi “apartidária”, a CUT sempre foi e continua sendo SUPRA partidária.

Qual é a diferença?

“Apartidária” significa que não tem vínculos com partidos;
enquanto que SUPRA partidária, significa que se relaciona com os vários partidos identificados com a Classe Trabalhadora.

Esta é uma diferença fundamental. A CUT sempre foi e continua sendo Classista. Isto é, comprometida e defensora da Classe Trabalhadora.
Portanto, a CUT sempre teve lado!

No seu ESTATUTO, no capítulo I – dos Objetivos Fundamentais, no artigo 2o. Está escrito:

“A CUT é uma organização sindical de massas em nível máximo,
de caráter CLASSISTA, autônomo e Democrático, cujos fundamentos são:

o compromisso com a defesa dos interesses imediatos e históricos da Classe Trabalhadora, a luta por melhores condições de vida e trabalho e o engajamento no processo de transformação da sociedade brasileira em direção à DEMOCRACIA e ao SOCIALISMO”.

No capitulo II – dos Compromissos, item “a” – “ defende que os trabalhadores se organizem com total independência frente ao ESTADO, e AUTONOMIA em relação aos Partidos Políticos, e que devam decidir livremente suas formas de organização, filiação e sustentação material. “

A CUT foi criada em 1983, em um congresso com mais de cinco mil delegados de todos os estados brasileiros e várias delegações internacionais. Como já foi lembrado, neste período o Brasil ainda vivia sob a Ditadura Militar, sendo inclusive presidente da república um General do Exército.

Com a redemocratização, onde a CUT teve papel relevante, e o fato de a CUT ter sido a primeira central constituída nos 500 anos de história do Brasil;
no início da vida da CUT convivemos com DEZESSETE partidos políticos, tendências e organizações. Participavam da vida da CUT partidos legalizados como PT, PMDB, PDT, PSDB, PSB, PTB e mais tarde o PC-B.

No início da CUT, como previu um jurista militante, “a Ditadura nos Unia e a Democracia nos Separaria”. Previsão sábia porque na ditadura era todos juntos pela redemocratização; na Democracia era todos juntos pelo direito de Livre Organização e Manifestação. Atualmente o Brasil convive com mais de DEZ centrais sindicais.Inclusive o próprio PSDB vive tentando organizar a sua central.

Se é uma coisa que a CUT nunca foi e continua não sendo é STALINISTA.
Estes ficaram com os pelegos-reformistas da época.
Stalinismo que, embora seja adjetivo para a esquerda autoritária,
também serve para a Direita Autoritária Brasileira.

A CUT participou, com justos motivos, de uma Frente Ampla contra o Neoliberalismo,
trazido para o Brasil pelos Fernandos – Collor de Melo e Henrique Cardoso.

E a prova de que a CUT estava certa é que, com a eleição de Lula, mais de trinta milhões de brasileiros melhoraram de vida, aumentou o emprego formal e nunca na história deste país os banqueiros e empresários ganharam tanto dinheiro.

O Editorial do Estadão também fala do “aparelhamento do Estado” pelo PT e CUT.

Como não é televisivo eles não ficam vermelhos de tanta bobagem!
A Direita brasileira sempre aparelhou o Estado em todos os sentidos.
Lula nunca teve vocação nem para stalinista, nem para ditador.
E assim governou por oito anos, respeitando as regras democráticas e valorizando os funcionários públicos. Nunca ninguém fez tantos concursos como foram realizados nos governos Lula.

O Estadão também diz a CUT foi comprada pelo governo com a instituição do Imposto Sindical para as Centrais Sindicais. Mas uma meia verdade.

A CUT foi e é a única central que continua defendendo o FIM DO IMPOSTO SINDICAL.
Vários sindicatos importantes, como metalúrgicos do ABC e bancários de São Paulo devolvem o imposto sindical e foram obrigados pela Justiça do Trabalho a continuar a aceitar o desconto, obrigando-os a devolver de uma forma muito mais trabalhosa.

O Estadão não cita uma palavra sequer sobre o peleguismo empresarial que depende do Imposto Sindical e do Sistema S, nem uma palavra sequer sobre o peleguismo oficial que forma a ampla maioria dos vinte mil sindicatos existentes no Brasil.

O governo Collor promoveu a criação da Força Sindical para combater a CUT; o governo FHC instituiu repasses do FAT-Fundo do Amparo dos Trabalhadores para as Centrais Sindicais como forma de “amançar” a resistência às privatizações. Várias centrais recebiam dezenas de milhões de reais por ano. Para o Estadão isto podia.

Finalmente, e mais uma vez, o Estadão escreve meia verdade ao falar sobre os 80 pedidos de registro de novos sindicatos por mês. O jornal não diz que 95% dos novos pedidos de registro sindical são sindicatos de carimbos requeridos por pelegos e corruptos históricos. Inclusive patronais!

Continuo registrando minha tristeza com o Estadão.
Sou assinante, leitor diário e apoiador da pluralidade de informação.
O Estadão vinha mantendo uma tradição honrosa que era saber diferenciar o quê é o fato e o quê é a versão, coisa que a Folha de S.Paulo parou de fazer há muito tempo. Agora, como os atuais donos dos dois jornais têm objetivos comuns, o Estadão politicamente está ficando cada vez mais parecido com a Folha e vice-versa. Com isto quem mais perde é a democracia.

Como já dizia um grande jornalista inglês:

“Na guerra, a primeira vítima é a verdade!”

Pena que os setores progressistas brasileiros
ainda não conseguiram fazer um jornal diário.
E ninguém pode responsabilizar o governo nem os empresários por isto.

Mas ainda conseguiremos...
Já temos uma grande rede alternativa via internet que obriga a grande imprensa a pautar assuntos que estão escondendo.

A neutralidade da grande imprensa é uma farsa.

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