segunda-feira, 19 de agosto de 2013

CUT e as provocações do Estadão

30 anos de conflitos

Em 1983 parte da imprensa já era contra a ditadura e a favor da redemocratização do Brasil. Mas queriam que a abertura fosse nos moldes do presidente-general Ernesto Geisel, de forma lenta, gradual e sob controle dos empresários, militares e governo americano.

Em 1983 também já havia um grande movimento de massas contra a ditadura, movimento onde era grande a participação da Igreja, dos partidos de esquerdas, legalizados ou não, do movimento sindical, do movimento estudantil, de grande parcela da classe média e mesmo de boa parcela de empresários.

A redemocratização foi avançando, vieram a Anistia, a Constituinte e as Diretas Já! Tudo isto desenhando um novo Brasil e uma nova esperança para grande parcela da população que estava excluída e queria fazer parte como cidadãos brasileiros.

A CUT faz parte deste processo de lutas e conquistas.
A CUT foi fundada no dia 28 de Agosto de 1983, quando cinco grandes sindicatos de trabalhadores estavam sob intervenção do Ministério do Trabalho e, portanto, sob domínio militar. No caso do Sindicato dos Bancários de São Paulo, os militares nomearam como interventores representantes dos grandes bancos. Era a raposa tomando conta do galinheiro.

Trinta anos depois, uma semana antes do dia 28 de agosto, a imprensa já começa a atacar a CUT.

Ironicamente o ataque começou pelo Estadão, com chamada na capa e uma página explorando as contradições em ser a maior central do Brasil e ter grande contribuição nas eleições e gestões dos governos Lula e Dilma.

A vítima de hoje, mais do que ser a CUT, foi Jair Meneguelli, primeiro presidente da CUT e liderança que teve o desafio e a humildade em deixar de ser o presidente do maior e mais importante sindicato dos metalúrgicos do Brasil, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, para se dedicar exclusivamente na implantação e consolidação da primeira e maior central sindical da história do Brasil.E fez isto com grande mérito.

Deve ter faltado malícia ou prevenção a Meneguelli ao atender o jornalista do Estadão e fazer vários comentários que, ao serem editados em determinado contexto, em vez de valorizar a sua história e a história da CUT, busca ridicularizá-los. Isto é típico de um jornalismo marrom e aético.

O Estadão de hoje já não honra o centenário jornal da Família Mesquita.
Falo como assinante e leitor diário.
Tolero a grande quantidade de matérias assinadas por FHC, Serra e os setores conservadores da sociedade paulista, mas não tolero a manipulação barata em determinadas matérias. Ainda bem que os novos editores do Estadão ainda não acabaram com o Caderno 2, a área internacional e mesmo o caderno de economia.

Endireitaram a parte política e talvez queiram transformar o jornal numa "Veja Diária". Reacionária e cínica. Faz parte da democracia...

Num país onde tudo nasce, cresce e morre com certa velocidade, talvez a imprensa reacionária brasileira também morra num período menor do que ela já viveu.

Novos tempos estão chegando e a CUT veio para ficar.
Já é a quinta maior central sindical do mundo,
a maior da América Latina e, de longe, a maior do Brasil.

Que a CUT continue a sobreviver às pedras e aos espinhos colocados pela imprensa conservadora.
A Classe Trabalhadora também precisa aprender a viver na democracia participativa, com equidade e diversidade. Sua luta deve servir de contribuição para consolidar a Democracia no Brasil.

Vida longa ao movimento sindical brasileiro e à CUT.

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