quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Bremen, Beethoven e a Folha

Humildade e Pretensão

Foi com muita tristeza que acompanhei as matérias sobre a visita da Filarmônica de Bremen em São Paulo para tocar as Sinfonias de Beethoven. Morria de vontade de ir assistir todas as apresentações, mas sabia que teria dificuldade de ir. Mas li quase tudo que saiu nos jornais sobre o assunto.

Hoje fui olhando os jornais e fui comparando como os mesmos assuntos são tratados de formas tão diferentes. Parece que estamos falando de lugares diferentes e de países distintos. É claro que tem dias que a Folha e o Estadão ficam tão iguais que copiam até as mesmas fotos de capas e manchetes...

Achei o Estadão bem melhor que a Folha. Mas, já quase no fim da Folha, lá no Caderno Ilustrada achei duas matérias sobre as apresentações da Filarmônica de Bremen. Poderia reproduzir as duas, mas o texto ficaria muito grande, assim, escolhi a primeira, de Sidney Molina.

Eu conhecia o livrinho sobre "Os Músicos de Bremen", que lia para nossa filha e sempre ria quando mostrava as ilustrações e assim imaginava como seria a cidade de Bremen. Um dia, o destino quis que, numa das viagens pela Alemanha, parasse na cidade de Bremen. Meu primeiro pedido foi sobre os Músicos de Bremen. Fui levado à uma praça onde havia um monumento com os personagens e soube que há uma grande tradição musical na cidade.

Assim como a cidade de Bremen é importante, quem gosta de música clássica sempre entra em contato com Beethoven. A ideia de juntar Bremen com Beethoven para mostrar em São Paulo foi muito boa.

Acabei escolhendo mostrar um texto da Folha, apesar de politicamente o jornal continuar minimizando o “Escândalo da Siemens (também alemã) com a propina do Metrô” e da sua pretensão em querer ser a dona da verdade. Por isto eu sou obrigado a assinar e ler vários jornais. Não dá para ler somente um. Até entre os donos da imprensa os fatos têm várias versões diferentes.

Ainda bem que existem a Música e os Músicos de Bremen...

Filarmônica de Bremen marca época em SP
e Beethoven manda seu 'abraçaço'


SIDNEY MOLINA CRÍTICO DA FOLHA – 07/08/2013

"Há obras das quais se pode dizer que não só se preservam, mas têm uma história em que se desdobra o seu sentido". A frase de Carl Dahlhaus parece se aplicar ao ciclo das sinfonias de Beetho'ven (1770-1827) que acaba de ser apresentado pela Filarmônica de Câmara Alemã de Bremen em São Paulo.

Regida pelo estoniano Paavo Järvi, a orquestra interpretou os 37 movimentos que formam o legado de suas nove obras, em apenas quatro dias, para um público que lotou o Theatro Municipal e a Sala São Paulo.

Beethoven reinventou a sinfonia clássica. Suas construções frequentemente abdicam das melodias cantáveis, e a música passa a ser feita, por exemplo, sobre elementos como notas repetidas, arpejos ou intervalos.

Já no primeiro dia (1/8) viu-se como Järvi valoriza as minúcias e faz aflorar estruturas (como na "Segunda Sinfonia"), sem deixar de cuidar do som em si (como o espetacular pianíssimo no fim da "Sinfonia n.1").

Na "Terceira" foram marcantes a solenidade da marcha, a percussividade do scherzo e os encurtamentos e expansões das frases no finale.

Ainda na acústica aconchegante do Municipal, a sexta-feira (2/8) foi o dia perfeito. Järvi posiciona os músicos a partir dos instrumentos graves: contrabaixos à esquerda, violoncelos e fagotes no centro e tímpanos à direita sustentam o virtuosismo de violinos, violas, madeiras e metais.

Entre a "Quarta" e a "Quinta", a mudança na arte de Beethoven é brutal: a música parece escancarar as cicatrizes do espírito, há uma urgência inédita, como se --pela primeira vez-- o som saísse do corpo para tomar a cidade.

DISPERSÃO
A orquestra, porém, sentiu a mudança para a acústica luminosa, mas menos quente, da Sala São Paulo e, no sábado (3/8), algumas desconcentrações (somadas a um público mais disperso) mostraram que os músicos de Bremen também são humanos.
Ainda assim foi possível contemplar a "Pastoral" --tentativa irônica de recuperar uma era sem ironias-- e o beat desenfreado da "Sétima".

No domingo (4/8), entretanto, os gestos amplos de Järvi já haviam domado o som da Sala.
Foram muitos momentos memoráveis, da economia da "Oitava" à explosão dos dois temas da ode de Schiller no final da "Nona": é o "abraçaço" que, através dos tempos, Beethoven manda para os milhões de humanos.

FILARMÔNICA DE CÂMARA ALEMÃ DE BREMEN
AVALIAÇÃO ótimo

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