sábado, 31 de agosto de 2013

PIB brasileiro surpreende a quem?

À Imprensa e a Mantega

A imprensa brasileira especializou-se em depreciar tudo que o governo federal faz e a arranjar defeitos em tudo que tem a ver com o PT. É a oposição inescrupulosa. É a visão pessimista de todos os dias...

Já o governo, especialmente o ministro Mantega, especializou-se em ser otimista, chutando as previsões sempre para cima, enquanto a imprensa chuta sempre para baixo.

A imprensa “ouve” o mercado, como se o “mercado” fosse uma entidade viva e tangível. Quando na verdade o “mercado” são pessoas, principalmente pessoas remuneradas pelos bancos e fundos de investimentos, isto inclui a maioria dos jornalistas e meios de comunicação.

O Mantega “ouve” os técnicos do governo, alguns empresários e jornalistas, e, principalmente a presidente da república. Daí que, quando Mantega erra feio, Dilma acaba sendo criticada por ser “o governo”.

Mas, como já virou rotina e talvez por serem dos mesmos patrões e do mesmo partido,
a Folha de São Paulo e o Estadão, hoje têm a mesma manchete:

Folha: “Economia surpreende e cresce 1,5%”

Estadão: “PIB surpreende, cresce, 1,5% e alivia apreensão com o ano”

Até os subtítulos são iguais!

Folha:
“Industria e investimento impulsionam o PIB do Brasil no 2º. Trimestre; para analistas, expansão não deve se manter” (A Folha jamais admitiria que o governo estaria 100% certo. Tinha que registrar uma ressalva).

Estadão: Industria e investimento puxam índice; mercado eleva projeção para 2013, mas há dúvidas sobre o segundo semestre. (O Estadão imita à Folha, mas ainda não reproduz a mordacidade dos neoliberais da Folha).

Ao olhar todas as matérias econômicas dos dois jornais, podemos encontrar algo digno de destaque: A sempre sensata análise de José Paulo Kupfer, jornalista econômico do Estadão.

Vejam que preciosidade. O curioso é que, mesmo eu sendo assinante, não a encontrei no site do jornal, para reproduzi-la precisei buscar no “Google”. Se fosse na Folha, seria automático, já que assino ambos. Mesmo no Valor fica mais fácil de reproduzir boas matérias...

Resultado do segundo trimestre impõe viés de alta para 2013

Depois de muitas revisões para baixo, chegou a hora de revisar para cima as projeções do crescimento da economia...

José Paulo Kupfer – Estadão – 31/08/2013

Depois de muitas revisões para baixo, chegou a hora de revisar para cima as projeções do crescimento da economia em 2013. Esse movimento é praticamente inevitável e está sendo determinado pelo surpreendente resultado da variação do PIB no segundo trimestre em relação ao primeiro deste ano - equivalente a uma expansão de 6,1% em termos anualizados. Economistas já calculam que, mesmo sem avanço algum no segundo semestre, a expansão econômica de 2013 ficará mais perto de 2,5% do que de 2%, como projetavam até agora.

Ocorre que, se na linha do tempo do PIB de 2013 o passado recente foi uma surpresa positiva, o presente promete estagnação. As previsões para o terceiro trimestre do ano, decorridos dois dos seus três meses, na comparação com o trimestre anterior, apontam para um intervalo que vai de uma pequena retração a uma modesta expansão, convergindo para a estabilidade. Não só a base de comparação ficou mais alta como os indicadores já conhecidos do trimestre em curso mostram que a atividade econômica atolou, no período, em terreno movediço.

Ainda assim, a tendência para o PIB deste ano agora é de alta. Espera-se que a economia volte a crescer no último quarto do ano, só que em ritmo morno, no entorno de 0,5% sobre o trimestre anterior. Caso confirmada a estimativa, 2013, de todo modo, terminaria melhor do que parecia até agora. Mas a fraqueza do segundo semestre não ajudaria a entregar uma base consistente de crescimento para 2014. As projeções para a expansão da economia no próximo ano estão com viés de baixa.

Algumas forças, já atuantes no segundo trimestre, estão vivas e presentes, podendo alterar o desenho dos cenários projetados, dependendo da intensidade dos movimentos cruzados que possam provocar. De um lado, a inflação parece ter colaborado para segurar o consumo das famílias, que cresceu apenas 0,3% no segundo trimestre. De outro, as desvalorizações cambiais parecem ter começado, finalmente, a ajudar as exportações, que avançaram robustos 6,9% sobre o trimestre anterior.

Entre essas duas forças, a interferência do Banco Central, elevando os juros básicos, tende a conter o consumo doméstico. Talvez contenha também o investimento, que cresce desde o último quarto de 2012, e pode resistir se as prometidas concessões do segundo semestre chegarem em tempo a bom termo. Essa possível restrição ao crescimento, contudo, pode ser compensada pelas exportações que, diante de uma taxa de câmbio mais estimulante e, tanto ou mais do que isso, com a confirmação de melhora prevista para o ambiente externo, podem encontrar espaço para avançar com maior aceleração.

Médico, Preto, Baiano e Poliglota

Uma raridade nacional!

Não é jogador de futebol, nem cantor de samba,
ele é "O Doutor Preto de Londrina".
Um herói não reconhecido por seu país.
Um lindíssimo caso contado por Laura
Greenhalgh, grande jornalista do Estadão.

Doutor Preto

31 de agosto de 2013 | 2h 11
Laura Greenhalgh

Espetáculo patético.
Médicos estrangeiros são obrigados a cruzar um corredor polonês de manifestantes em jalecos brancos gritando slogans que julgam ser de grande elevação espiritual - "Revalida!", "volta pra casa", "escravo, escravo...".

A nau dos insensatos parecia ecoar no dia seguinte, na imagem publicada de um médico cubano, negro, visivelmente constrangido pelo protesto de que era alvo, em Fortaleza. E as insanidades prosseguiram: da tuiteira que indaga como lidar com médicas parecidas a domésticas a comentaristas tratando os vaiados como "agentes cubanos". É triste, bate até um desalento. Não funciona dizer que é culpa do governo, saída fácil a escamotear o pior. Trata-se de preconceito.

Sabemos não é de hoje que a medicina no Brasil se fez uma profissão tão branca quanto a roupa que distingue seus profissionais - apenas 1,5% deles se declaram negros, segundo o IBGE. Dado estatístico, de uma constatação empírica - afinal, quantos clínicos ou cirurgiões negros você conhece?

Não é de hoje que este país sofre da má distribuição de seus médicos,
o que faz com que vastidões continuem desassistidas para o atendimento básico, o que dizer então dos casos em que se requer atendimento especializado. Como não é de hoje que, embora tenhamos o SUS, predomina em nossas vidas, bem como em nossas expectativas de futuro, a visão mercadológica da medicina, no sentido de que o melhor estará sempre reservado a quem pode bancar. Mas, ainda que saibamos de tudo, vale indagar se os atores do protesto terão vaiado apenas os profissionais de fora, inscritos no programa oficial.

Saiu vaiada a medicina social brasileira.
Como saíram vaiados profissionais que deram e dão duro
para fazer com que a saúde seja um direito de todos neste país.

Hoje pretendo usar este espaço para lembrar de um deles,
por coincidência negro e, mais coincidência ainda,
neto de escravos.

Chamava-se Justiniano Clímaco da Silva, mas a clientela o tratava como "Doutor Preto".
Fez história no Paraná, precisamente em Londrina, onde trabalhou até morrer, em 2000, aos 93 anos. Destacou-se numa cidade muito pobre até idos de 1930, depois enriquecida pela cafeicultura - cidade em cujos anais consta a saga vitoriosa dos colonos brancos, de origem europeia, nem tanto a força de trabalho dos negros libertos. E não foram poucos - no século 19, os escravos representavam 25% da população do Estado.

Pois bem, Justiniano Clímaco nasceu preto e pobre em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 1908.
Filho de carpinteiro e criada doméstica, cismou de imitar o Dr. Bião, médico da cidade. Queria ser como ele. Então virou preto, pobre e pretensioso. Tanto fez que lhe arrumaram estudos num seminário e cama na casa de uma tia em Salvador. Daí, preto, pobre, pretensioso e persistente, não virou padre, mas bacharel em Ciências e Letras.

Depois virou professor do ginásio, deu aulas de matemática e latim, o que pagaria o preparatório para a Faculdade de Medicina da Bahia. Entrou. Fez o curso. Formou-se em 1933 numa classe com 95 alunos, contabilizados aí uma única mulher e ele, o único negro. Topou com a notícia de que a Companhia de Terras Norte do Paraná, firma inglesa que loteava uma vasta área do Estado, recrutava braços para a lavoura, apesar do avanço do tifo e da febre amarela. Pensou: se tem doença, precisa de médico. É lá que eu vou.

Assim começa a maior viração do Doutor Preto, 50 anos de clínica, mais de 30 mil pacientes, fundador de hospitais na região e tema de trabalho acadêmico de Maria Nilza da Silva, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A pesquisa da socióloga, da qual participou a aluna Mariana Panta, dá conta de um "escravo da medicina", usando expressão do médico cubano vaiado em Fortaleza.

Justiniano Clímaco chegou em 1938 a uma Londrina sem luz elétrica para acionar o infravermelho que trouxe de Salvador. Fervia e flambava os próprios instrumentos, não tinha raio X, anestesiava os pacientes com máscaras de clorofórmio, rastreava tumores por apalpação, ouvia pulmões e corações longamente. Dizia: "Clínica geral tem que ser feita assim: sem pressa". Foi pioneiro no uso da penicilina ao tratar doenças sexualmente transmitidas, que proliferavam numa fronteira agrícola com gente de tudo quanto é lugar. Com o tempo, arrumou um Ford 28 para atender na roça e levar casos graves até Curitiba - 400 quilômetros por terra, dois dias de viagem.

Cobrava de quem tinha para pagar.
E aceitava uma leitoinha, ou um queijo caseiro, por serviços prestados. Da clínica que abriu inicialmente, Casa de Saúde Santa Cecília, passou a se articular com os mais influentes para criar instituições como a Santa Casa de Londrina e a Sociedade Médica de Maringá. Chegou a arrancar do presidente Dutra os tostões necessários para um hospital de tuberculosos em Apucarana, depois transferido para Londrina.

Hoje ali funciona o Hospital Universitário, centro de referência médica do norte do Paraná. Um belo dia Doutor Preto achou que seria bom provar do poder. Disputou uma vaga como deputado estadual, foi o quinto mais votado, mas odiou os anos na política, vividos solitariamente numa pensão em Curitiba. Queria voltar para a clientela. E dela não mais se separou.

Voltou também para a garotada do ginásio, ele que se tornara poliglota -
falava além de grego e latim, alemão e francês.

Perguntavam-lhe por que dar aulas, afinal, já suava o jaleco.
"Docendo discitur", respondia. Ensinando é que se aprende.

Só um dia perdeu as estribeiras com paciente.
O sujeito marrento o interpelou no corredor do hospital, perguntando pelo Doutor Clímaco. Ouviu um naturalíssimo "sou eu". E rebateu com um insultuoso "não vem não, negão, vai logo chamar o médico". Preconceito não só fere, como turva os sentidos.

Justiniano Clímaco agarrou o homem e jogou-o no rua. Sem consulta. Fez cardiologista seu único filho, adotivo, e doou tudo para a cidade, inclusive a maleta de médico. A casa onde morou até morrer foi derrubada, mas seu nome continua de pé numa unidade básica de saúde.

Neto de escravos,
Doutor Preto teria algo a dizer aos médicos brasileiros
que hoje vaiam médicos cubanos.

"E envergonham nosso país". complementa este blog.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Flores de Agosto

Apesar do pessimismo da imprensa

As flores aparecem, trazendo beleza e alegria à nossa cidade.
Apesar do frio e da secura do ar, as flores foram chegando devagarzinho e iluminaram a Vila Madalena.

Vejam este pé de Ipê Amarelo, todo florido.
Ele é perto de casa e ainda é pequeno,
o quê facilita tirar as fotos.
Da praça Panamericana até nossa casa eu contei onze pés de Ipê Amarelo floridos.


O Ipê Amarelo mais bonito da cidade está na Rua da Consolação,
mas não consigo tirar foto por causa do trânsito.

Agora vejam estas flores rebeldes.
Tão pequenas e tão bonitas.


São flores dos pés de TREVOS que disputam espaço entre as plantinhas com flores amarelas.

E nosso pé de Jabuticabas, no nosso quintal, começa a dar flores e breve teremos frutos.


Até as novas folhas da jabuticaba parecem flores...

Já os pés de “patas-de-vaca” estão florindo em toda a cidade.


Esta árvore é da nossa vizinha da direita, onde os pombos e maritacas vão comer as flores e os frutos.

Na nossa vizinha do lado esquerdo, temos várias árvores com flores e frutos que não sei o nome.
Olhem que flores lindas e diferentes!


E assim vamos chegando ao fim do mês de Agosto.
Amanhã será sábado, dia 31.

Espero que tenhamos boas notícias na imprensa.
Porque hoje, a única notícia que gostei foi uma boa reportagem sobre o novo disco de Milton Nascimento e a comemoração dos seus 70 anos de vida e alegrias trazidas aos brasileiros.

Salve Milton Nascimento!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

CUT - Uma foto da Classe Trabalhadora

Mulher, camponesa, operário e bancário

Pena que faltaram na foto, um funcionário público e um profissional liberal, assim os vários segmentos da classe trabalhadora estariam representados. Mas esta foto diz muita coisa da história da CUT e também da própria história do Brasil.

Pavilhão Vera Cruz, São Bernardo do Campo, em 1983, com a temperatura de apenas três graus, com garoa e pouca infraestrutura, os trabalhadores de todos os estados brasileiros e de todas as categorias cantaram o Hino Nacional Brasileiro em homenagem à fundação da primeira central sindical da nossa história e também como demonstração de esforço coletivo pela redemocratização do país.

A ditadura militar definhava e novas representações sociais surgiam para construir um novo Brasil. Um país que deixaria de ser do Futuro para ser do Presente.

E o melhor presente é ver esta foto,
tirada no mesmo Pavilhão Vera Cruz, em São Bernardo do Campo.
Em 28 de agosto de 2013. Trinta anos de lutas e conquistas!


Se em 30 anos nós fizemos tantas mudanças na História do Brasil,
nos próximos 30 anos faremos muitas mudanças na História da Humanidade.

Democracia Participativa se constroe participando.
apesar do trânsito e do frio,
duas mil pessoas participaram da festa
dos 30 anos de vida da CUT.

Sem medo de Ser Feliz!

Economia americana e Racismo

Luther King e Joseph Stiglitz, dois sábios

Como no Brasil está na moda o “faça o quê eu digo, mas não faça o quê eu faço”, e nossa imprensa vem publicando longas matérias sobre os 50 anos do histórico discurso de Martin Luther King contra o racismo nos Estados Unidos, embora o Estadão não tenha dado destaque, reproduzo o ótimo artigo publicado hoje no jornal.

Um depoimento importantíssimo, feito por um economista ganhador do Prêmio Nobel
e que viveu todos estes anos de mudanças nos Estados Unidos e no mundo.

O autor deste artigo praticou o quê disse e acreditou...

Martin Luther King e a economia


29 de agosto de 2013 | 2h 04
Joseph E. Stiglitz *
- The New York Times - O Estado de S.Paulo

Tive a sorte de estar em Washington quando o reverendo Martin Luther King proferiu seu discurso "Eu tenho um sonho", em 28 de agosto de 1963. Eu tinha 20 anos e acabara de concluir a faculdade. Eu havia passado a noite anterior à Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade na casa de um colega cujo pai, Arthur J. Goldberg, era juiz da Suprema Corte e estava comprometido em promover a igualdade econômica.

Quem teria imaginado, 50 anos depois, que esse mesmo órgão, que parecia determinado a instaurar um país mais justo, se tornaria o instrumento das desigualdades: ao permitir gastos corporativos quase ilimitados para influenciar campanhas, fingir que a discriminação eleitoral não existe e restringir os direitos de trabalhadores de processar empregadores e companhias por má gestão?

Ouvir Luther King falar evocou muitas emoções. Apesar de jovem, eu fazia parte de uma geração que percebia as desigualdades herdadas do passado e estava comprometido com a correção das injustiças. Nascido durante a 2.ª Guerra, me tornei adulto quando transformações pacíficas varriam a sociedade americana. Como presidente do conselho estudantil do Amherst College, eu havia liderado um grupo que foi ao Sul para promover a integração racial.

Não conseguíamos entender a violência da segregação. Quando visitamos uma faculdade só para negros, sentimos a disparidade das oportunidades dadas aos estudantes dali, especialmente quando comparadas às que nós recebêramos em nossa faculdade privilegiada. Era um campo de jogo desigual. Era um arremedo da ideia do sonho americano com o qual crescêramos e no qual acreditávamos.

Foi por achar que alguma coisa poderia ser feita que decidi me tornar economista. Logo descobri que havia entrado numa tribo estranha. Apesar de haver alguns acadêmicos que se importavam com as questões que me haviam levado a esse campo, a maioria não se preocupava com a desigualdade, reverenciava Adam Smith e o mercado.

No curioso mundo da economia, o desemprego era culpa dos trabalhadores. Um economista da Escola de Chicago, ganhador do Nobel, Robert Lucas, mais tarde escreveria: "Das tendências que são danosas para uma economia sólida, a mais sedutora é enfocar questões de distribuição". Outro laureado como o Nobel, Gary Becker, mostrou como em mercados de trabalho realmente competitivos a discriminação não existiria.

Não posso deixar de me chocar com a distância entre nossas aspirações de então e o que realizamos. É verdade, temos um presidente negro, mas Luther King percebia que a luta pela justiça social era uma batalha não só contra a segregação, mas por uma maior igualdade econômica. Não foi por menos que os organizadores da marcha, Bayard Rustin e Philip Randolph, a haviam chamado de Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade.

A batalha contra a discriminação está longe do fim: 50 anos após a marcha, e 45 anos após a aprovação da Lei da Moradia Justa, grandes bancos dos EUA ainda discriminam com base na raça, visando aos mais vulneráveis para suas atividades predatórias de empréstimos. A discriminação no mercado de trabalho é onipresente e profunda.

Pesquisas sugerem que candidatos com nomes que soam afro-americanos recebem menos convites para entrevistas. Avaliações policiais pelo perfil racial continuam gritantes em muitas cidades, incluindo a política de parar e revistar que se tornou corriqueira em Nova York. Nossa taxa de encarceramento é a mais alta do mundo e 40% dos prisioneiros são negros. Além disso, não houve redução significativa da distância entre a renda de negros e brancos nos últimos 30 anos. Em 2009, a riqueza média de brancos era 20 vezes maior que a de negros.

Quem sabe como a vida de Luther King seria não fosse a bala assassina? Ele estaria com 84 anos hoje. Embora ele teria abraçado os esforços do presidente Barack Obama para reformar o sistema de saúde, é difícil imaginar que alguém com tamanha agudeza moral olharia para os EUA de hoje com algo menos do que desespero.

Apesar da retórica sobre a terra das oportunidades, as perspectivas de vida de um jovem americano são mais dependentes da renda e da educação de seus país do que em outros países avançados. Assim, a discriminação e falta de oportunidades educacionais se perpetuam.

Embora a segregação direta com base na raça em escolas esteja proibida, a segregação educacional se agravou nas últimas décadas, como documentaram Gary Orfield e outros pesquisadores. Parte da razão é que o país se tornou mais segregado economicamente.

Completei 70 anos no começo do ano. Boa parte de meu conhecimento e serviço público nas últimas décadas foi dedicada à redução da desigualdade. Espero ter honrado o apelo feito por Martin Luther King. Ele estava certo ao reconhecer que essas divisões são um câncer em nossa sociedade e enfraquecem nossa economia. Sua mensagem foi a de que as injustiças do passado não eram inevitáveis, mas ele também sabia que sonhar não era o bastante.

*Joseph E. Stigtlitz é prêmio Nobel de Economia e professor na Universidade Columbia.

TRADUÇÃO CELSO PACIORNIK

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

“Mais Médicos” e a “Vergonha Nacional”

Quem está sendo pior?

Ontem, ao ver os jornais, fiquei olhando as capas da Folha e do Estadão e fiquei comparando qual matéria me indignava mais:

1 – A Folha com a foto de um médico negro e cubano chegando ao Brasil para trabalhar atendendo os desassistidos pelos médicos brasileiros e sendo vaiados por jovens mulheres bonitas e com jalecos brancos, talvez para se identificarem como médicas; ou

2 – O Estadão contando a história do “embaixador brasileiro que, orientado não sei por quem, resolveu tirar um político boliviano da embaixada brasileira naquele país, sem autorização nem do governo brasileiro, nem do governo boliviano”. Embaixadas são coisas sérias e representações de Governos e Estados. Não são espaços de pessoas que podem decidir o que bem quiserem.

“Que país é este? “ Pergunta o compositor roqueiro.

Passei o dia com a foto da Folha na cabeça, à noite, voltei a pegar o jornal, ler as matérias para tentar entender melhor o significado da foto, guardei o jornal para tentar fazer um texto para o meu blog no dia seguinte, mas não consegui tirar o assunto da minha cabeça.

Por volta das 4:30h da madrugada, acordei com o assunto na cabeça e, como não conseguia dormir, levantei-me e fui para o computador tentar compartilhar minhas angústias e tristezas sobre a pobreza no Brasil. Pobreza material e, principalmente, social.

Minhas dúvidas:

1 - Por que a Folha publicou a foto “do médico negro e cubano chegando ao Brasil para trabalhar atendendo os desassistidos pelos médicos brasileiros e sendo vaiados por jovens mulheres bonitas e com jalecos brancos, talvez para se identificarem como médica” na capa?

2 – Já que a Folha resolveu publicar a foto, porque não fez nenhuma consideração sobre o assunto? Apenas escreveu abaixo da foto “Recepção Hostil – Médico cubano é vaiado por colegas brasileiras ao sair do primeiro dia de curso em Fortaleza” ? Será que nenhum editor ou jornalista da Folha percebeu que a foto poderia gerar uma série de questionamentos? Será que a Folha perdeu o senso crítico?

3 – Por mais que se tenha crítica à importação de médicos, será que ninguém percebeu a quantidade de médicos e médicas NEGRAS e NEGROS chegando para trabalhar no Brasil?

4 – Se o Brasil tem mais NEGROS do que a população inteira de Cuba, por que o Brasil tem menos médicos Negros do que Cuba?

5 – Além de médicos negros, quantos médicos índios nós temos no Brasil? Se um pobre ter acesso a faculdade de medicina pública ou privada no Brasil já é uma raridade, imaginem índios e negros?

6 - Será que nossas universidades, públicas e privadas, têm políticas voltadas para aumentar o número de médicos negros e índios, principalmente como forma de melhor dialogar com esta parcela expressiva e importante da nossa população?

7 – Se vivemos num país de economia de mercado, capitalista, embora tupiniquim, por que, na medida que faltam médicos para atender as populações carentes, o governo não pode importar médicos que aceitem trabalhar somente nestas regiões? É preferível deixar a população morrer ou ficar com doenças crônicas? É isto que os mercados “brasileiros” querem? É isto que as entidades médicas querem?

8 – De repente, além de a imprensa estimular um comportamento antissocial, antipobre e anticubanos, aparecem também os advogados do ministério público dizendo que vão questionar tudo e a imprensa passa a fazer mais noticias dizendo que “a justiça” está questionando a importação de cubanos, porque estes não terão o mesmo salário que os brasileiros e que Cuba não é uma Democracia. E a China é? No entanto os empresários e a imprensa brasileira vivem adulando os chineses. Quando os Estados Unidos espionam tudo e todos do Brasil, este é um comportamento democrático? Isto pode?

9 – Se for para falar “de competência médica”, por que não instituímos a prova de capacitação médica para todos os médicos brasileiros, como faz a OAB – Ordem dos Advogados do Brasil? Talvez muitos médicos não passariam, como não passam a maioria dos advogados formados no Brasil. Mas quero registrar que sou contra este tipo de prova. Sou favorável apenas que as Universidades e Faculdades precisam ser fiscalizadas para que a qualidade dos cursos obriguem os alunos a saírem qualificados sem necessidade de avaliação posterior ao recebimento dos diplomas.

10 – Minha maior tristeza não é com quem é governo ou quem é oposição. Minha tristeza é perceber que o Brasil, mesmo sendo redemocratizado, mesmo tendo mais de trinta partidos políticos, mesmo tendo uma imprensa livre e, muitas vezes desrespeitosa, mesmo tendo milhões de universitários, mesmo tendo mais de 750 mil advogados e formando mais de 20 mil médicos por ano, continuamos sendo um país que nos envergonha, nos seus valores e nos seus comportamentos.

11 -Educação escolar, educação familiar, educação social, educação nos locais de trabalho e nas ruas. Precisamos investir muito ainda na nossa educação. Poderemos ser ricos, ser um grande país de classe média, mas, se não tivermos educação, estaremos copiando o lado pior dos Estados Unidos.

Agora vejam a foto das “médicas brasileiras, brancas, bonitas e ricas”,
vaiando um médico negro, cubano e que aceitou vir para o Brasil
atender os pobres que estas brasileiras e brasileiros não atendem...


Esta foto foi publicada na Capa do jornal Folha de São Paulo, no dia 27/08/2013.

Se Luther King estivesse vivo e visse esta foto, teria vergonha do Brasil.

Milhões de brasileiros, que estão vivos, também estão envergonhados.


Obs.: Agora, mesmo já sendo 5:38h da madrugada, depois de meu desabafo, talvez eu consiga voltar a dormir. Para acordar às 6:15h para ir trabalhar. Mas antes de sair de casa, vou ver os jornais. E tenho receio do que vou ver nas capas da Folha e do Estadão. Respeitar a democracia e a pluralidade da informação, muitas vezes nos obriga a ver e ler coisas desagradáveis. Tudo em nome da Liberdade...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Amanhã a CUT faz 30 anos

Uma foto diz muita coisa

Uma pessoa andando pelo saguão do prédio da sede nacional da CUT,
olha para um painel.

Para esta jovem, talvez as ilustrações sejam apenas interessantes.

Para quem gosta de ilustrações e de charges,
é uma forma de lembrar os grandes ilustradores
da luta contra a ditadura: Henfil, Laerte e tantos outros...

A própria foto foi tirada por um grande jornalista militante.
Nosso amigo Sapão (apelido) e nome oficial Roberto Parizotti.
Tinha que ser um italiano...

Vejam que bela foto.


Para nós, que vivemos aquela época, ainda antes de 1983, já nos sentimos como História. Somos passado, somos vitoriosos na luta contra a ditadura, na luta pela organização da classe trabalhadora, na luta pela organização da primeira central sindical do Brasil e do primeiro partido de massa a chegar a presidência da república pelo voto e a governar por mais de dez anos.

Também tivemos perdas pelo caminho,
mortes, prisões, doenças, divórcios,
desempregos e traições, até.

Mas os trabalhadores e trabalhadoras que construíram
a História da CUT não são “anônimos” para nós.
Quando vemos as fotos, lembramos de seus nomes,
suas categorias profissionais e seus sindicatos,
com cidades e estados.

Todas estas Histórias e todas as alegrias juntas
faz a gente ter orgulho da nossa contribuição.

Sozinhos somos fracos
Juntos somos fortes.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Velhice e Saúde também afetam Feministas

Rose Muraro chegou aos 82 anos

E precisa de nossa ajuda. Sem perder a dignidade.

Vejam que apelo comovente Monica Bergamo apresenta para todos nós: Rose Marie Muraro, um símbolo da luta pelos direitos das mulheres, agora precisa de nossa ajuda.

Parabéns a Monica pela iniciativa e ã Folha por divulgar.

O APELO DRAMÁTICO DE ROSE MARIE MURARO

26-08-2013 - Folha – Monica Bergamo

"Sou Rose Marie Muraro, chegando aos 83 anos, e como vocês sabem fui nomeada pelo governo federal, em 2005, a Patrona do Feminismo Brasileiro, e também cidadã honorária de Brasília e de São Paulo, além de ter sido duas vezes escolhida uma das mulheres do século."
*
É dessa forma que a celebrada escritora e intelectual começa a carta dramática enviada a seus amigos há alguns dias. "Semicega", como diz, e "semiparalítica", desabafa: está também passando por grave dificuldade financeira. E pede socorro.
*
"Depois de mais de cinquenta anos de dedicação à sociedade brasileira, encontro-me hoje numa situação financeira muito delicada porque não tenho mais condições físicas para ler nem escrever, pois minha miopia aumentou enormemente (42º), e uma pneumonia dupla me levou a força das pernas. Não posso mais trabalhar nem viajar como antes. Continuo trabalhando em casa dando assessoria para um senador e transformando algumas de minhas obras em e-book."
*
As despesas se multiplicaram nos últimos anos, relata. Os filhos ajudam. "Entretanto, meus custos com remédios, acompanhantes e outras despesas excedem em muito a minha receita. Preciso de mais recursos para continuar trabalhando."
*
Rose perdeu o pai quando era jovem, e rompeu com a família, "que era muito rica", para se engajar em movimentos sociais. "Se você tem hoje a sua liberdade, é porque eu fiquei pobre", disse ela à coluna. Nos anos 40, juntou-se à equipe de dom Helder Câmara. Trabalhou com Leonardo Boff na editora Vozes. E quer agora preservar o acervo do instituto que leva o nome dela, "para que os estudos de gênero continuem gratuitamente à disposição de toda a sociedade brasileira".
*
A entidade, explica na carta, foi criada em 2009 também "para ser uma forma de contribuição nesta difícil etapa final de minha vida". Ainda não obteve recursos públicos. "Mas continuamos trabalhando arduamente e participando dos editais acreditando que em breve seremos contemplados." O instituto sobrevive com recursos próprios, ajuda de "poucos amigos" e o dinheiro arrecadado em sua cantina.
*
Rose quer produzir documentários e e-books de diálogos com lideranças de movimentos sociais. "Pelo curto tempo que tenho", escreve, "preciso com muita urgência de uma secretária que possa ler para mim e redigir meu trabalho semanalmente".

Segue a carta: "É contando com vocês, amigas e amigos, e com meu coração esperançoso que lanço esta campanha de contribuição financeira como forma de reconhecimento pelos meus longos anos de trabalho em prol da mulher brasileira, que mudou o pensamento de uma geração inteira, abrindo caminho para a transformação das novas gerações. (...) Serei eternamente grata. Isto me permitirá continuar vivendo e produzindo com as forças que me restam."
*
A ministra Eleonora Menicucci (Mulheres) telefonou para dizer que fará de tudo para ajudá-la. Cem pessoas já depositaram algum dinheiro de forma anônima em sua conta. "Eu não conheço ninguém e agradeço a todo mundo. Valeu a pena", diz Rose. "Mas escreve aí: não estou pedindo esmola.

Estou pedindo uma contribuição."
E afirma: "Mesmo que ninguém me desse nada,
eu faria tudo na minha vida outra vez."

domingo, 25 de agosto de 2013

Morre Gylmar, o maior goleiro do Brasil

Quando eu nasci, Gylmar era do Corinthians

Com a morte de Gylmar dos Santos Neves, até aparecer outro Gilmar, considero-me o mais velho do Brasil. Quando eu nasci em 1953, Gylmar já era goleiro famoso no Corinthians, depois foi para o Santos onde ficou mais famoso ainda. Meu nome foi em homenagem ao grande goleiro "Gilmar".

Nas Copas de 1958 e 1962, o Brasil tinha o melhor goleador, Pelé, e o melhor goleiro, Gylmar. Ambos do Santos Futebol Clube, a maior lenda do futebol brasileiro no cenário internacional.

O Estadão saiu na frente com a noticia da morte de Gylmar.
Nesta segunda-feria, o Brasil vai falar muito do passado de glórias desta dupla.

Morre Gylmar dos Santos Neves,
goleiro bicampeão mundial com a seleção

Ex-jogador do Corinthians e do Santos havia sofrido um enfarte na última segunda-feira e estava em estado grave

25 de agosto de 2013 | 19h 08
Diego Salgado - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - O goleiro bicampeão do mundo com a seleção brasileira nas Copas de 1958 e 1962, Gylmar dos Santos Neves, morreu na tarde deste domingo no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O ex-jogador havia sofrido um enfarte na última segunda-feira e estava em estado grave. O quadro era irreversível, de acordo com familiares.

Gylmar havia completado 83 anos na quinta-feira e já sofria de problemas decorrentes de um AVC, que deixou 40% de seu corpo paralisado. O ex-goleiro nasceu em 22 de agosto de 1930, em Santos, e começou a carreira no Jabaquara. Gylmar jogou no Corinthians, entre 1951 e 1961, e fez 398 jogos pelo time do Parque São Jorge.

Depois, o goleiro defendeu o Santos, onde viveu sua melhor fase, conquistando o bi mundial com a equipe da Vila Belmiro ao lado de Pelé, Pepe e Coutinho. Pela seleção brasileira, Gylmar disputou 95 partidas oficiais, entre 1953 e 1969. Esteve em três Copas do Mundo (1958, 1962 e 1966). Com ele em campo, em Copas, o Brasil só perdeu uma partida em 14 disputadas - a última, contra a Hungria, no Mundial da Inglaterra em 66.

Gylmar também foi campeão paulista de 1951, 1952 (Corinthians), 1962, 1964, 1965, 1967 e 1968 (Santos), do Rio-SP de 1954 (Corinthians), 1963, 1964 e 1966 (Santos), além de festejar as conquistas santistas do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968) e da Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965).

Imobilidade Paulista – Está cada vez pior

Rio a SP 50 minutos,
Aeroporto de Congonhas à Marginal Pinheiro 60 m.


Na sexta-feira fomos ao Rio de Janeiro participar de reuniões e quando voltamos para São Paulo, chegamos no Aeroporto de Congonhas às 5:30 h da tarde. Já sabíamos que o trânsito seria difícil, mas nunca imaginei que seria tão lento.

Se o voo da ponte aérea durou apenas 50 minutos, do momento que saí do estacionamento até chegar à Marginal Pinheiros, demorei mais de 60 minutos. Uma Hora! Tudo paradinho, andando devagarzinho.

No início fiquei ouvindo o noticiário para ver se o trânsito estava transitável... Cansado de ouvir notícias de pontos de paralisações ou de imobilizações no trânsito, passei a ouvir CDs. Música clássica, depois, já meio irritado passei para músicas de Chico Buarque. Disco antigo e disco novo.

Matar a saudade das músicas de Chico Buarque é grande consolo para este trânsito infernal.

Mas eu pensava: Por que não temos metrô?

O Estado mais rico do Brasil.
A Cidade mais rica do Brasil e não temos metrô suficiente
para a população transitar pela cidade.
Vinte anos de governos tucanos e sempre o transporte foi secundarizado. Lamentável!

E eu olhava para tantos carros parados e a grande maioria tinha apenas o motorista.
Eu inclusive. Estava sozinho no carro parado e ouvindo músicas de Chico Buarque. Menos mal.

Eu acho que, da mesma forma que na época de Montoro e Quércia, eles falavam tanto em estradas vicinais no interior de São Paulo, nós temos que definir como meta prioritária de todos os governadores e prefeitos da grande São Paulo a implantação de metrô, trens e integração com ônibus e vans.

Se o povo tiver mais segurança, mais opções e mais rapidez no transporte,
aí poderemos dizer que há qualidade de vida em São Paulo.
O resto é conversa fiada...

E depois de quase duas horas no trânsito,
quando eu abri a porta da garagem,
ouvi a voz de Chico cantando:

“Mina diz que tem a pele cor de neve...”

E eu pensava: "E a minha esposa tem os olhos negros como breu.”
Ela é japonesa.
Esta sorriu quando abri a porta e perguntou-me como foram as reuniões.

Eu respondi que as reuniões foram ótimas, mas já o trânsito...

sábado, 24 de agosto de 2013

Gilmar, o grande goleiro da Seleção, está muito doente

O primeiro Gilmar e os demais

O Gilmar dos Santos Neves é o original, o primeiro. Todos os demais Gilmar vieram depois dele. Eu me considero o mais velho depois do original.

Sou de 1953. Todos que conheço são mais novos do que nós dois.

Quando a gravidez da minha mãe estava bem avançada ela, morando em Inhambupe-Bahia, cidadezinha perto de Alagoinhas, ao visitar uma vizinha ponderou: “Já estou com a gravidez avançada e ainda não escolhi o nome do bebê, se for menino.”
O filho da vizinha, garoto por volta de dez anos de idade, imediatamente palpitou: - Por que a senhora não coloca o nome dele Gilmar?

Minha mãe perguntou quem era Gilmar e o garoto imediatamente respondeu Gilmar dos Santos Neves, um grande goleiro que jogou no Corinthians e no Santos. (mais ou menos isto). Minha mãe aprovou a recomendação e prometeu que o nome seria Gilmar Carneiro dos Santos.

Cresci com o nome do melhor goleiro da história das seleções do Brasil. Campeão de 1958 e 1962.

Quando eu cursava a faculdade na Fundação Getúlio Vargas tinha como colega de turma e de cursinho o já famoso locutor esportivo Osmar Santos. Quando eu fazia um jornal mural periódico e assinava Gilmar Santos, alguém alterava para Osmar Santos.

Depois de formado fui eleito diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo e depois Secretário Geral da CUT, títulos que me deixou mais ou menos conhecido. Embora mais como Gilmar Carneiro, para não confundir o Gilmar Santos com Osmar Santos.

Um dia, ao entrar num avião encontrei-me com o deputado federal Ricardo Izar e ele, ao reconhecer-me apresentou-se e disse-me que era cunhado de Gilmar dos Santos Neves. Eu contei a história do meu nome e que era em homenagem a ele.

Hoje, ao ler a notícia que nosso querido Gilmar dos Santos Neves está muito doente e internado no Hospital Sírio-Libanes, vou rezar para que ele melhore, para seus familiares e para que ninguém vá fazer manifestação negativa no Sírio-Libanês. Afinal, Sarney já foi liberado do hospital.

Tenho ótimas lembranças tanto de Osmar Santos como de Gilmar dos Santos Neves. Dois heróis brasileiros.

Em estado grave, ex-goleiro Gylmar segue internado em São Paulo


Do UOL, em São Paulo
24/08/201314h17

O ex-goleiro Gylmar dos Santos Neves, campeão do Mundo com a seleção brasileira em 1958 e em 1962, segue internado em São Paulo. Segundo boletim médico divulgado pelo hospital Sírio Libanês, ele "permanece em estado grave, tendo como complicação infecção sistêmica".
Gylmar está internado desde o dia 8 de agosto, após ser encaminhado com infecção urinária e infarto agudo no miocárdio.

Em entrevista ao UOL Esporte, o filho de Gylmar, Marcelo Izar Neves, afirmou que a situação do seu pai "parecia irreversível".

O filho mais velho de Gylmar, Rogério Neves, que é médico e vive nos Estados Unidos, está no Brasil. Ele teve uma reunião com os médicos do Sírio Libanês para falar sobre o quadro, e a decisão foi não colocar o ex-jogador na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).

O quadro de Gylmar dos Santos Neves foi agravado pela condição dele. O ex-jogador havia sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) em 2000. Por isso, perdeu cerca de 40% dos movimentos e ficou debilitado.

"Pela situação dele, meu irmão e os médicos preferiram deixá-lo sedado e sem uma iniciativa mais agressiva. Estamos aguardando", relatou Marcelo.

"Por causa de todos esses anos de doença depois do AVC, o coração também está muito fraco. Ele não tem mais 20 anos. Infelizmente, os médicos acham que é muito difícil", explicou o filho do ex-goleiro.

Além dos dois títulos mundiais pela seleção brasileira, Gylmar construiu carreira como goleiro de Jabaquara, Corinthians e Santos. Ele completou 83 anos na última quinta-feira.

Boletim médico divuglado pelo Hospital Sírio Libanês:

"O Sr. Gylmar dos Santos Neves está internado no Hospital Sírio-Libanês (HSL), em São Paulo, desde o último dia 08/08, devido a infecção urinária e infarto agudo do miocárdio. Gylmar já apresentava sequela de acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca. O paciente permanece internado em estado grave, tendo como complicação infecção sistêmica. Gylmar dos Santos Neves está sendo atendido pelas equipes dos médicos Rogério Tuma e Edson Stefanini".

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Egito, um país em desintegração

Como a Líbia, a Síria, o Yemen...

O quê eram flores primaveris, vão se transformando em espinhos e tragédias. ..
Vejam este bom artigo publicado no Estadão e originalmente no New Yorik Times.

Análise: Após último golpe, Egito é um país em desintegração

22 de agosto de 2013 | 2h 15
Thomas L. Friedman - The New York Times - O Estado de S.Paulo

De todas as imagens perturbadoras do Cairo nos últimos dias, nenhuma poderia se pior do que as fotos das muitas baixas civis. Quase tão perturbadora, porém, foi a filmagem mostrando uma viatura policial despencando de uma ponte no centro do Cairo. Os relatos da mídia diferiram sobre se o veículo foi empurrado por manifestantes ou se o motorista, tomado pelo pânico, atirou-se com o carro da ponte e mergulhou no Nilo.

Seja como for, a ponte ficou seriamente danificada, o carro perdido e o destino de seus ocupantes desconhecido. Essa imagem é uma miniatura de um país que está se desintegrando, enfrentando enormes desafios ambientais e populacionais, desesperadamente necessitado de desenvolvimento e reparos.

Quem pagará para curar os ferimentos humanos e materiais que o Egito está infligindo a si mesmo? Os bilhões de dólares de nações do Golfo não poderão amparar indefinidamente um país de 85 milhões de habitantes, no qual aproximadamente a metade das mulheres não sabe ler?

O que os egípcios estão fazendo com sua nação é pura insanidade. O que é deprimente é que não parece haver uma oferta de líderes e opções necessárias para reverter essas tendências.

Os egípcios têm a possibilidade de escolha entre os militares que parecem querer levar o Egito de volta a 1952, quando o Exército assumiu o poder pela primeira vez - e manteve a Irmandade Muçulmana no seu lugar - e a Irmandade, que quer voltar ao ano de 622, do nascimento do Islã e uma sociedade estreita, antipluralista, discriminatória contra as mulheres e dominada pela lei islâmica.

"A lição marcante do Egito hoje é que seus dois grupos mais poderosos, organizados e confiáveis - a Irmandade e as Forças Armadas - mostraram-se ambos incompetentes no negócio da governança", escreveu o cientista político Rami Khouri no Daily Star, de Beirute, na semana passada. "Não porque não tenham indivíduos capazes e seguidores espertos e racionais; eles têm muitos.

É, antes, porque os hábitos militares e espiritualistas são próprios de mundos diferentes da governança e do fornecimento equitativo de serviços e oportunidades a milhões de pessoas de diferentes religiões, ideologias e etnias.

"A falta de outros grupos de cidadãos confiáveis e organizados que possam se engajar no processo político e criar novos sistemas constitucionais é, em grande parte, uma consequência da maneira como militares, membros de tribos e fanáticos religiosos dominaram a vida pública árabe por décadas", afirmou Khouri.

Pura verdade. O mundo árabe não teve as raízes de democracia que poderiam rapidamente brotar. Assim, quando a tampa foi levantada com o despertar árabe, não havia nenhum movimento progressista para competir com os militares e a Irmandade Muçulmana.

*Thomas L. Friedman é colunista.
TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O Brasil sem a CUT?

Lula responde: “Não dá para imaginar o Brasil sem a CUT”

Na semana que antece os 30 anos de vida da CUT, a Central está divulgando uma longa entrevista do seu presidente, Vagner Freitas. Aproveitei a entrevista para divulgar uma pequena, mais simbólica parte.

Quem quiser ler a íntegra é só acessar o site da CUT: www.cut.org.br

A Central é a história e a trajetória de luta dos seus sindicatos.

Vagner Freitas, president da CUT, diz que a Central representou e representa a possibilidade concreta de melhoria da vida do trabalhador, mas aponta que o movimento sindical tem de se preparar mais, evoluir e se renovar

Vanilda Oliveira - CUT Nacional – site – 22/08/2013

PORTAL – A CUT e o movimento sindical conseguiram aproveitar a maior abertura e espaço proporcionados por governos progressistas?

VAGNER FREITAS- Talvez nós, dirigentes sindicais, não tenhamos conseguido entender o que estamos vivendo desde 2003 e, por isso, não adotamos uma postura que nos permitisse mais conquistas de pautas advindas dos próprios sindicatos.

Uma parcela do nosso movimento sindical continuou e continua, durante os governos Lula e Dilma, que têm outras conjuntura e características, fazendo movimento sindical como era feito no governo FHC.

Faltou, talvez, mais ousadia da nossa parte para aproveitar o momento de crescimento econômico do País, com um operário na Presidência da República que abiu diálogo com movimento social, para conquistar mais mudanças do que conquistamos.

PORTAL – Você diria, então, que foi uma das maiores conquistas da CUT em seus 30 anos, do movimento sindical e da classe trabalhadora a eleição de Lula/Dilma à Presidência da República em favor de um projeto progressista?



VAGNER FREITAS –Com certeza. Eleger um governo progressista foi uma das conquistas da CUT, do movimento sindical e de uma luta longa. Nós, às vezes, esquecemos o fato de termos conseguido ser uma opção de governo dos trabalhadores e para os trabalhadores que deu certo e que é uma vitória do nosso projeto. Por isso, eu disse antes que podíamos ter feito outras coisas durante esses últimos 10 anos. Mas ainda dá tempo.

PORTAL – Apontar a eleição de um governo progressista como uma das conquistas da CUT é coerente, mas reforça a fala de quem acha a Central governista. Que papel a ‘grande mídia’ teve nesse processo de tentar carimbar a CUT como pelega?

VAGNER FREITAS- A imprensa nos chama de pelegos, chapa branca, governista, pau mandado do Lula, pau mandado do PT para tentar desqualificar nossas conquistas que foram muitas e importantes. Mas isso que a grande mídia faz é parte da luta ideológica que tem objetivo de defender os interesses de setores da elite.

PORTAL – Além da eleição de um operário e de uma mulher para presidir o Brasil, o que você considera como grande conquista nesse período?



VAGNER FREITAS - A Política de Valorização do Salário Mínimo, por ter uma influência na cadeia econômica muito grande, importantíssima. Pela primeira vez, o salário mínimo foi discutido e negociado com a CUT e o movimento sindical. Antes, essa discussão era feita entre o governo federal e o Legislativo, sem a participação da sociedade e, muito menos, dos trabalhadores.

A política de valorização do salário mínimo é resultado de um acordo feito com a CUT e centrais e referendado pelo Congresso Nacional. É o maior acordo salarial do mundo, que vai além dos termos econômicos, porque foi firmado entre partes e com o trabalhador participando. Esse é um de grandes legados da CUT para a classe trabalhadora nos últimos tempos.

PORTAL – Além da valorização do salário mínimo, quais são, na sua visão, as outras principais conquistas dessas três décadas de ação da CUT?



VAGNER FREITAS – Foram inúmeras e grandes conquistas. A redução da jornada de 48 para 44 horas semanais na Constituinte; a participação nos lucros e resultados; a melhoria das condições de trabalho com várias regulamentações na área da saúde do trabalhador, direitos dos trabalhadores no campo, a aprovação da PEC (Projeto de Emenda Constitucional) do trabalho doméstico.

Tem as conquistas de todas as lutas nos sindicatos, que também são da CUT, como melhorias das condições de trabalho específicas e da legislação de proteção. Mas ainda há muitas outras lutas a fazer: pela redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução de salário, uma das principais batalhas atuais da CUT - que vai aquecer a economia e gerar 2,2 milhões de empregos, além de satisfação pessoal por garantir aos trabalhadores uma vida pessoal, familiar e profissional mais digna.

A tarefa da CUT é também melhorar a vida da classe trabalhadora fora do local de trabalho, como cidadão que tem direito a serviços básicos públicos e de qualidade, como a universalização da saúde.

É por isso que a redução da jornada de trabalho não pode ser vista como uma conquista somente do trabalhador, mas sim de toda a sociedade. Também lutamos contra o projeto que amplia a terceirização e a precarização, pelo direito à organização no local de trabalho e pela igualdade de direitos independentemente de gênero, cor e raça.

PORTAL – Desde os anos 1990, a CUT e os sindicatos passaram a ter essa ação “cidadã”, com pautas e lutas que vão além das questões do local de trabalho e sindicais. Isso tem aumentado?



VAGNER FREITAS – Sem dúvida. Por conta dessa concepção, o papel dos sindicatos não está mais restrito à pauta da classe trabalhadora, às campanhas sindicais. Essa é uma das grandes lições que as ruas trouxeram em junho, quando as manifestações revelaram o descontentamento enorme que a sociedade tem com a estrutura do Estado, que não funciona.

Em 10 anos sabíamos que não seria possível transformar uma estrutura organizada para ser excludente há séculos, porque o Estado brasileiro foi concebido para excluir e ser propriedade da burguesia e não da sociedade e do trabalhador. Nós queremos e vamos mudar isso. Só que não é possível em uma década. Porém, não é admissível que não tenhamos educação, transporte e saúde como deveres e financiados pelo Estado e como direito do cidadão. Isso tem de ser efetivamente uma construção feita pela sociedade.

PORTAL – Essas novas demandas vindas das ruas, especialmente da juventude, o que representam para a CUT?



VAGNER FREITAS– Aí o movimento sindical também tem de evoluir muito. É verdade que as questões da defesa do transporte coletivo, da educação e saúde públicas de qualidade fazem parte da nossa pauta, mas essas reivindicações não são consideradas essenciais. Elas têm de deixar de integrar a pauta somente como motivação da ação sindical e virar prioridade. Por exemplo: os sindicatos, em suas campanhas salariais, além de discutir emprego, salário, PLR, precisam incluir essas questões nas suas pautas e debater com o empresariado e a sociedade.

Dizer que já estão pautadas é fácil. Basta colocar na lista junto com 55 outros itens e pronto. Mas ao longo do ano, o que a gente faz para que, efetivamente, esses temas virem conquistas? Para isso, essas demandas têm de ser colocadas e tratadas como essenciais e prioritárias pelo movimento sindical.

PORTAL – Na sua opinião, o que é CUT representa para os trabalhadores?



VAGNER FREITAS – O Lula disse algo muito importante no lançamento das comemorações oficiais dos 30 anos da CUT:

“Imaginem o Brasil sem a CUT, como seria?”

De fato, a nossa Central representou e representa até hoje a possibilidade concreta de melhoria da vida do/a trabalhador/a em muitos aspectos. A classe trabalhadora foi colocada no cenário político do País como protagonista. Quando viajo pelos Estados vejo isso.

Em cada canto do Brasil, tem um sindicato cutista lutando; tem uma CUT Estadual organizando a luta. É inegável que ainda temos muito que construir com os nossos sindicatos nessa concepção, porque a CUT não é somente a sua Executiva Nacional.

A CUT são todos os seus mais de três mil sindicatos filiados, uma estrutura que vem fundamentalmente da organização no local de trabalho, nas fabricas, bancos, escolas, hospitais. Somos uma central de base e de massa. Ninguém se filia à CUT, mas sim ao sindicato e é por meio dele que o trabalhador se manifesta e se faz representar.

A Central é a história e a trajetória de luta dos seus sindicatos.

É esse o significado de Somos fortes, Somos CUT.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Delfim Neto enlouqueceu?

A Folha também enlouqueceu?

Demorei horas para acreditar que não estava sonhando. Hoje cedo, ao começar a ler os jornais do dia, tive duas alegrias: a primeira foi ver que o Estadão não estava falando mal da CUT; e a segunda foi ver na página dois da Folha esta matéria preciosa de Delfim Neto. Algo está acontecendo para melhor em nosso Brasil.

Muita gente pode achar que tanto o Delfim Neto, quanto a Folha, estão enlouquecendo. A Folha pode até dizer que o articulista não reflete a posição do jornal, mas, só o fato de ter sido publicado na Folha, já é um grande avanço. Eu, como bom cristão, acredito que o Espírito Santo anda iluminando estes “formadores de opinião”. Aleluia! O Senhor ouviu nossas preces...

Leiam com atenção esta demonstração de sensibilidade do economista e professor Delfim Neto.
O texto ganha mais importância ainda por ter sido publicado na Folha.

Pró-mercado

Delfim Neto – Folha – 21/08/2013

É preciso estar muito desatento à realidade brasileira para não perceber a profunda mudança de comportamento do governo na política econômica, na tentativa de melhorar as suas relações com o Congresso Nacional e na abertura de um melhor diálogo com os possíveis investidores nos projetos de infraestrutura.

Na política fiscal há explícito repúdio a novas alquimias e um esforço no sentido de manter o deficit nominal abaixo de 2,5% do PIB e a relação dívida bruta/PIB a- baixo de 60%. Ela ainda é desconfortavelmente "expansiva", contudo não sinaliza qualquer tragédia.

Na política monetária não há (e nunca houve) ameaça de perda de controle da taxa de inflação, que teima em permanecer em torno do limite superior da "meta". Recentemente, entretanto, o Banco Central vem tentando reduzi-la. Recusou a dominância fiscal que aceitou até há pouco e aumentou a taxa de juro real.

As contas externas que produziram um deficit em conta-corrente de quase US$ 250 bilhões entre 2009 e 2013 vão sendo corrigidas endogenamente e trabalham no sentido de aumentar ligeiramente a taxa de crescimento do PIB. Três movimentos na direção correta. Outra mudança tão importante quanto essas ocorreu também nas relações entre os negociadores do governo com o setor privado investidor na infraestrutura.

Na busca da necessária e desejada modicidade tarifária, o insistente "achismo axiomático ideológico" que produziu tanto atraso foi substituído pela flexibilização do diálogo e por um esforço de compreensão dos problemas espinhosos que envolvem todas as concessões de serviços públicos, cercadas no país por regulações irrealistas. Um exemplo paradigmático foi a aceitação de que as licenças ambientais dos projetos devem ser objeto da ação preliminar do governo.

Finalmente, mas não menos significativo, é o recente esforço do Executivo para melhorar suas relações com o Legislativo. Ele está reduzindo as tensões que haviam transformado num cabo de guerra a harmonia que deve prevalecer entre os dois Poderes para o exercício de uma eficiente administração pública. É evidente, por outro lado, um avanço na disposição do governo no sentido "pró-mercado", não "pró-negócio". Assume-se claramente a ênfase na prioridade da competição em lugar da escolha de "campeões".

Tudo isso deve tranquilizar as relações políticas e aumentar a probabilidade de sucesso da política econômica e das concessões de estradas de rodagem, portos e energia, que poderão ser um estímulo ao aumento dos investimentos do setor privado em geral. Será também um fator importante na superação do dramático desânimo que se apropriou da economia nacional.

ANTONIO DELFIM NETTO escreve às quartas-feiras nesta coluna.
contatodelfimnetto@terra.com.br

Imprensa – O lado bom do Estadão

Democracia inclui amar e odiar

Há vários dias que carrego na pasta vários exemplares dos cadernos culturais do Estadão. Tanto o Aliás como o Caderno 2, o Aliás sai sempre aos domingos e o Caderno 2 é diário. O Sabático que era muito bom e saia nos sábados, eles acabaram por economia de dinheiro.

Minha intenção era publicar várias matérias destes cadernos, mas fui atropelado pela dinâmica da conjuntura e pelas matérias do Estadão criticando a CUT. E quando alguém fala mal da CUT sem tomar os devidos cuidados nas informações mexe profundamente comigo. Sou um dos fundadores e fui membro da executiva da CUT por nove anos, inclusive tendo sido Secretário Geral e primeiro responsável pela Comunicação e desenvolvimento da imagem nacional da central.

Olhando com calma a edição de hoje, graças a Deus, não achei nenhuma matéria difamando a CUT. Aí achei que era hora de recuperar os cadernos do Estadão guardados na minha pasta e mostrar “o lado bom do Estadão”.

Por exemplo, no dia 04 de agosto, o caderno Aliás trás uma grande reportagem sobre o “Passado presente” e a observação “Um outro olhar”. Ver fotos maravilhosas, voltar a ler sobre Alfredo Bosi, professor emérito da USP e voltar a ver algo de Gastão Wagner, sanitarista e professor da Unicamp é muito bom.

Mas, neste mesmo caderno Aliás do dia 04 de agosto passado, outro assunto chamou muito minha atenção: “Um rosto contra a xenofobia”. Uma matéria inacreditável! O senegalês Karamba Diaby pode se tornar o primeiro negro no Parlamento alemão. Já pensaram?

Já o caderno Aliás do dia 11, trás ótima reportagem com o título: “Página em aberto”, sobre a venda do jornal centenário Washington Post por 250 milhões de dólares, e o comprador ser exatamente o dono da Amazon, a destruidora de livrarias...e talvez de Editoras.

O caderno trás de novo novas fotos maravilhosas. Duas páginas centrais do caderno com fotos tiradas por... Bob Wolfenson. O maior fotógrafo residente no Brasil. Sebastião Salgado não vive aqui.

E uma página inteira, a última página, uma página nobre toda sobre o “Surdo como um gênio”. O maior compositor de todos os tempos: Beethoven.

O jornal da Tarde era craque em fotografias e textos enxutos. O caderno Aliás está recuperando a importância histórica e estética das fotografias na imprensa e nos livros. Eu tenho vários livros de fotografias de Cartier-Bresson, tenho um de André Kertesz e vários outros. Gostaria muito de ter um livro com as fotos de Sebastião Salgado. Ainda vou comprar um.

Ainda no dia 04 de agosto, o Caderno 2 publicou página inteira sobre “Nat King Cole, por Omara”, com parceiria de Swami Jr, o talento de um brasileiro que venceu as resistências na ilha de Cuba e fez de Omara Portuondo uma cantora universal. Um belíssima reportagem.

Com tanta coisa boa no jornal, será que é preciso o caderno de política ficar publicando matérias desqualificadas? Fazer jornalismo marrom?

O Estadão nunca escondeu que é um jornal representante dos interesses paulistas, mas que preservava o cuidado intelectual de fazer parte da “intelectualidade orgânica da classe dominante”, mas que tinha como missão ajudar o Brasil a ser uma grande democracia, mesmo que com viés conservador.

O Estadão nunca defendeu o neoliberalismo. Defende sim uma economia de mercado com empresas brasileiras competindo com empresas multinacionais, tanto aqui no Brasil como no Mundo.

Os Mesquitas sempre foram metropolitanos. Os novos donos do jornal parece que não se identificam com este passado histórico do Jornal e da Família.

Como diz Caetano Veloso, “aqui se ergue e destrói coisas belas”...

Moro em São Paulo há 43 anos, ontem meu pai completou 89 anos de vida, morando no interior da Bahia e quase que eu me esqueci de telefonar para dar os parabéns, porque estava preocupado em responder a mais uma matéria do Estadão contra a CUT.

No final da tarde consegui falar com meu velho pai e ele perguntou como estava São Paulo. Eu respondi que fria e confusa, como o Estadão. Ele riu e agradeceu o telefonema e desejou boa sorte. Para nós, para São Paulo e para o Estadão.

Os velhos são sábios, nunca perdem a esperança...

terça-feira, 20 de agosto de 2013

CUT – Estadão errou novamente

Editorial com meias verdades

O Estadão, não satisfeito em divulgar ontem uma matéria com uma “entrevista manipulada”, hoje resolveu voltar à provocação contra a CUT desta vez com um EDITORIAL.

Por ser um Editorial, eu imaginei que o texto fosse melhor produzido e mais preocupado em preservar a imagem da instituição secular como é o jornal O Estado de São Paulo. No entanto, a pobreza de informações continua...

Já nos primeiros parágrafos, o jornal volta na ideia de que a CUT “arriou as suas bandeiras”, negando seu caráter “apartidário” da central.

A CUT nunca foi “apartidária”, a CUT sempre foi e continua sendo SUPRA partidária.

Qual é a diferença?

“Apartidária” significa que não tem vínculos com partidos;
enquanto que SUPRA partidária, significa que se relaciona com os vários partidos identificados com a Classe Trabalhadora.

Esta é uma diferença fundamental. A CUT sempre foi e continua sendo Classista. Isto é, comprometida e defensora da Classe Trabalhadora.
Portanto, a CUT sempre teve lado!

No seu ESTATUTO, no capítulo I – dos Objetivos Fundamentais, no artigo 2o. Está escrito:

“A CUT é uma organização sindical de massas em nível máximo,
de caráter CLASSISTA, autônomo e Democrático, cujos fundamentos são:

o compromisso com a defesa dos interesses imediatos e históricos da Classe Trabalhadora, a luta por melhores condições de vida e trabalho e o engajamento no processo de transformação da sociedade brasileira em direção à DEMOCRACIA e ao SOCIALISMO”.

No capitulo II – dos Compromissos, item “a” – “ defende que os trabalhadores se organizem com total independência frente ao ESTADO, e AUTONOMIA em relação aos Partidos Políticos, e que devam decidir livremente suas formas de organização, filiação e sustentação material. “

A CUT foi criada em 1983, em um congresso com mais de cinco mil delegados de todos os estados brasileiros e várias delegações internacionais. Como já foi lembrado, neste período o Brasil ainda vivia sob a Ditadura Militar, sendo inclusive presidente da república um General do Exército.

Com a redemocratização, onde a CUT teve papel relevante, e o fato de a CUT ter sido a primeira central constituída nos 500 anos de história do Brasil;
no início da vida da CUT convivemos com DEZESSETE partidos políticos, tendências e organizações. Participavam da vida da CUT partidos legalizados como PT, PMDB, PDT, PSDB, PSB, PTB e mais tarde o PC-B.

No início da CUT, como previu um jurista militante, “a Ditadura nos Unia e a Democracia nos Separaria”. Previsão sábia porque na ditadura era todos juntos pela redemocratização; na Democracia era todos juntos pelo direito de Livre Organização e Manifestação. Atualmente o Brasil convive com mais de DEZ centrais sindicais.Inclusive o próprio PSDB vive tentando organizar a sua central.

Se é uma coisa que a CUT nunca foi e continua não sendo é STALINISTA.
Estes ficaram com os pelegos-reformistas da época.
Stalinismo que, embora seja adjetivo para a esquerda autoritária,
também serve para a Direita Autoritária Brasileira.

A CUT participou, com justos motivos, de uma Frente Ampla contra o Neoliberalismo,
trazido para o Brasil pelos Fernandos – Collor de Melo e Henrique Cardoso.

E a prova de que a CUT estava certa é que, com a eleição de Lula, mais de trinta milhões de brasileiros melhoraram de vida, aumentou o emprego formal e nunca na história deste país os banqueiros e empresários ganharam tanto dinheiro.

O Editorial do Estadão também fala do “aparelhamento do Estado” pelo PT e CUT.

Como não é televisivo eles não ficam vermelhos de tanta bobagem!
A Direita brasileira sempre aparelhou o Estado em todos os sentidos.
Lula nunca teve vocação nem para stalinista, nem para ditador.
E assim governou por oito anos, respeitando as regras democráticas e valorizando os funcionários públicos. Nunca ninguém fez tantos concursos como foram realizados nos governos Lula.

O Estadão também diz a CUT foi comprada pelo governo com a instituição do Imposto Sindical para as Centrais Sindicais. Mas uma meia verdade.

A CUT foi e é a única central que continua defendendo o FIM DO IMPOSTO SINDICAL.
Vários sindicatos importantes, como metalúrgicos do ABC e bancários de São Paulo devolvem o imposto sindical e foram obrigados pela Justiça do Trabalho a continuar a aceitar o desconto, obrigando-os a devolver de uma forma muito mais trabalhosa.

O Estadão não cita uma palavra sequer sobre o peleguismo empresarial que depende do Imposto Sindical e do Sistema S, nem uma palavra sequer sobre o peleguismo oficial que forma a ampla maioria dos vinte mil sindicatos existentes no Brasil.

O governo Collor promoveu a criação da Força Sindical para combater a CUT; o governo FHC instituiu repasses do FAT-Fundo do Amparo dos Trabalhadores para as Centrais Sindicais como forma de “amançar” a resistência às privatizações. Várias centrais recebiam dezenas de milhões de reais por ano. Para o Estadão isto podia.

Finalmente, e mais uma vez, o Estadão escreve meia verdade ao falar sobre os 80 pedidos de registro de novos sindicatos por mês. O jornal não diz que 95% dos novos pedidos de registro sindical são sindicatos de carimbos requeridos por pelegos e corruptos históricos. Inclusive patronais!

Continuo registrando minha tristeza com o Estadão.
Sou assinante, leitor diário e apoiador da pluralidade de informação.
O Estadão vinha mantendo uma tradição honrosa que era saber diferenciar o quê é o fato e o quê é a versão, coisa que a Folha de S.Paulo parou de fazer há muito tempo. Agora, como os atuais donos dos dois jornais têm objetivos comuns, o Estadão politicamente está ficando cada vez mais parecido com a Folha e vice-versa. Com isto quem mais perde é a democracia.

Como já dizia um grande jornalista inglês:

“Na guerra, a primeira vítima é a verdade!”

Pena que os setores progressistas brasileiros
ainda não conseguiram fazer um jornal diário.
E ninguém pode responsabilizar o governo nem os empresários por isto.

Mas ainda conseguiremos...
Já temos uma grande rede alternativa via internet que obriga a grande imprensa a pautar assuntos que estão escondendo.

A neutralidade da grande imprensa é uma farsa.

USA e os golpes militares

No Irã, no Chile, no Brasil…

Antes tarde do que nunca. Que os Estados Unidos foram fundamentais para derrotar o nazismo, isto ninguém duvida. Mas o governo americano achar que pode substituir o Império Britânico dando golpes militares e promovendo guerras civis, isto é outra história.

Da mesma forma que o Xá Reza Pahlavi, rei do Irã, virou um ditador que teve como consequência a revolução popular dos Komeynes contra os Estados Unidos; no Iraque com Saddan Hussein, foi a mesma coisa. Foi criado pelos americanos e depois derrubado deixando um país envolvido no caos.

Vejam esta sequência de Golpes Militares organizada pelos Estados Unidos:

1953 – Irã
1963 – Brasil – o planejamento foi em 63 e a consumação foi em 1964-1968.
1973 – Chile.

Foram dezenas de golpes.
Estes três são apenas para mostrar que foram décadas de Guerra-fria e de vale-tudo.
Como agora, com os espiões e detenções já no governo democrata de Obama.
O cachimbo deixa a boca torta…

O mundo já não permite este tipo de promiscuidade bélica. Mas ainda há muitos "torcedores" dos golpes. Mesmo no Brasil. Eles estão no "armário". Mas aqui a direita já saiu do armário, mas ainda estão tentando derrotar o PT pela pressão da imprensa, dos especuladores e de parte do judiciário.
É importante aprender com a História.

Esta notícia, da confirmação da CIA, saiu na Folha e no Estadão de hoje.

CIA admite ter tramado golpe no Irã em 1953

Com apoio do Reino Unido, premiê foi derrubado por nacionalizar o petróleo
SAMY ADGHIRNI DE TEERÃ
Folha 20/08/2013

A CIA, agência de espionagem dos EUA, admitiu a autoria do golpe que derrubou no Irã o premiê secular e democraticamente eleito Mohamad Mossadegh, há 60 anos.
A participação da CIA foi confirmada em papéis oficiais divulgados no site do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA.

"O golpe militar que derrubou Mossadegh [...] foi realizado sob direção da CIA como um ato de política externa americana concebido e aprovado pelas mais altas instâncias do governo", diz o texto, liberado em virtude da lei de acesso à informação.

O documento mostra ainda que o Reino Unido, coautor do golpe, pediu aos EUA que evitassem divulgar qualquer documento sobre a ação para não gerar "situação muito constrangedora."
Americanos e britânicos derrubaram Mossadegh em agosto de 1953 em represália à decisão do premiê de nacionalizar a indústria de petróleo iraniano.

A nacionalização era apoiada pela população e pela classe política, por prometer equilibrar o lucro obtido com o petróleo. Ocidentais ficavam com a maior parte do faturamento, enquanto o Irã nunca obteve mais do que 17% das receitas, segundo historiadores.

EUA e Reino Unido também temiam que, no contexto da Guerra Fria, o Irã caísse sob influência da URSS.
Espiões americanos infiltrados no país conseguiram criar um caos, financiando ações de vandalismo em larga escala e corrompendo clérigos e políticos.

O premiê foi preso, e o xá Mohamed Reza Pahlavi, alinhado ao Ocidente, recuperou os seus poderes, que haviam sido reduzidos pelos nacionalistas.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

CUT e as provocações do Estadão

30 anos de conflitos

Em 1983 parte da imprensa já era contra a ditadura e a favor da redemocratização do Brasil. Mas queriam que a abertura fosse nos moldes do presidente-general Ernesto Geisel, de forma lenta, gradual e sob controle dos empresários, militares e governo americano.

Em 1983 também já havia um grande movimento de massas contra a ditadura, movimento onde era grande a participação da Igreja, dos partidos de esquerdas, legalizados ou não, do movimento sindical, do movimento estudantil, de grande parcela da classe média e mesmo de boa parcela de empresários.

A redemocratização foi avançando, vieram a Anistia, a Constituinte e as Diretas Já! Tudo isto desenhando um novo Brasil e uma nova esperança para grande parcela da população que estava excluída e queria fazer parte como cidadãos brasileiros.

A CUT faz parte deste processo de lutas e conquistas.
A CUT foi fundada no dia 28 de Agosto de 1983, quando cinco grandes sindicatos de trabalhadores estavam sob intervenção do Ministério do Trabalho e, portanto, sob domínio militar. No caso do Sindicato dos Bancários de São Paulo, os militares nomearam como interventores representantes dos grandes bancos. Era a raposa tomando conta do galinheiro.

Trinta anos depois, uma semana antes do dia 28 de agosto, a imprensa já começa a atacar a CUT.

Ironicamente o ataque começou pelo Estadão, com chamada na capa e uma página explorando as contradições em ser a maior central do Brasil e ter grande contribuição nas eleições e gestões dos governos Lula e Dilma.

A vítima de hoje, mais do que ser a CUT, foi Jair Meneguelli, primeiro presidente da CUT e liderança que teve o desafio e a humildade em deixar de ser o presidente do maior e mais importante sindicato dos metalúrgicos do Brasil, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, para se dedicar exclusivamente na implantação e consolidação da primeira e maior central sindical da história do Brasil.E fez isto com grande mérito.

Deve ter faltado malícia ou prevenção a Meneguelli ao atender o jornalista do Estadão e fazer vários comentários que, ao serem editados em determinado contexto, em vez de valorizar a sua história e a história da CUT, busca ridicularizá-los. Isto é típico de um jornalismo marrom e aético.

O Estadão de hoje já não honra o centenário jornal da Família Mesquita.
Falo como assinante e leitor diário.
Tolero a grande quantidade de matérias assinadas por FHC, Serra e os setores conservadores da sociedade paulista, mas não tolero a manipulação barata em determinadas matérias. Ainda bem que os novos editores do Estadão ainda não acabaram com o Caderno 2, a área internacional e mesmo o caderno de economia.

Endireitaram a parte política e talvez queiram transformar o jornal numa "Veja Diária". Reacionária e cínica. Faz parte da democracia...

Num país onde tudo nasce, cresce e morre com certa velocidade, talvez a imprensa reacionária brasileira também morra num período menor do que ela já viveu.

Novos tempos estão chegando e a CUT veio para ficar.
Já é a quinta maior central sindical do mundo,
a maior da América Latina e, de longe, a maior do Brasil.

Que a CUT continue a sobreviver às pedras e aos espinhos colocados pela imprensa conservadora.
A Classe Trabalhadora também precisa aprender a viver na democracia participativa, com equidade e diversidade. Sua luta deve servir de contribuição para consolidar a Democracia no Brasil.

Vida longa ao movimento sindical brasileiro e à CUT.

domingo, 18 de agosto de 2013

Flores, Músicas e Notícias

Alegrias e tristezas

Enquanto o mundo continua com suas crises econômicas e suas guerras, as flores e as músicas servem para reanimar a gente.

Mesmo quando a música que a gente esperava na sexta-feira, numa sala como a São Paulo, não é o que você esperava, pelo menos surge uma violinista que faz a diferença positiva.

No sábado fomos assistir a uma apresentação de dança, dirigida por renomado dançarino brasileiro, mas também não entusiasmou como esperávamos.

E no domingo, quando passamos os olhos por dois grandes jornais, como a Folha e o Estadão, vemos matérias que nos decepcionam.

Vivemos num país caro há muito tempo, temos vários tipos de inflação, mas quem ler os jornais fica com a impressão que estamos vivendo um descontrole inflacionário. E os dois jornais dizem que há gente que apoia as mortes e os assassinatos no Egito. É evidente que há gente a favor do golpe e gente contra o golpe. É igual no mundo todo, inclusive no Brasil. Hoje não consegui aproveitar nenhuma matéria dos dois jornais.

Ainda bem que na Vila Madalena temos muitas flores nas ruas.

Hoje vi mais de seis pés de Manacás floridos, dezenas de pés de patas-de-vaca também floridos e muitos pés de Ipês Amarelos começando a florir. Eles estão florindo em toda cidade. Geralmente o pico é em setembro. Mas tudo indica que este ano será em Agosto.

Para mostrar um pouco das flores, como o dia estava nublado, tirei primeiro esta foto das flores no chão. É o Ipê Amarelo de nosso vizinho.



Agora veja parte do pé com algumas flores.


E no final da tarde, passamos horas ouvindo varias versões de danças da Sagração da Primavera mas, na hora de mostrar para vocês, preferi mostrar esta música introspectiva como bem diz o tema e a direção do corpo de dança.

Pina Bausch - "Orfeu e Eurídice"



Já pensaram nossa vida sem música e sem flores?
Só com política e economia?

Ouçam e vejam esta combinação de boa música com dança de primeira.

Epson e Kalunga - Erraram feio!

Propaganda Enganosa

Há dois meses que nossa antiga impressora da HP deu defeito e, como não podíamos ficar sem impressora, resolvemos comprar uma nova para "facilitar as coisas". Mas, o que deveria ser um alívio, virou um pesadelo!

Fomos até a loja da Kalunga em Pinheiros e o vendedor insistiu para minha esposa que o modelo Epson L355 era bom e, o quê foi decisivo, tinha um tipo de tinta que era mais ecológica! Concordamos com o apelo ecológico.

Pagamos mais de setecentos reais na impressora e quando a instalamos vimos que, apesar de a tinta ser ecológica, a forma de deixar o papel em pé (vertical), em vez de deitado(horizontal), mostrou-se uma verdadeira tragédia, enroscando o tempo todo e impossibilitando nosso trabalho.

Daí, só aumentou minha desconfiança com esta mania de dizer que o produto deve ser comprado porque é Ecológico!

Jogamos dinheiro fora, ficamos irritados com a Kalunga, decepcionados com a Epson e ficamos sem impressora em casa. Vamos ter que voltar na Kalunga, brigar com os vendedores, talvez jogar a impressora fora e aguardar que nosso técnico conserte a HP ou depois comprar outra HP.

Este capitalismo descartável, ou faz a gente de bobo, ou deixa a gente louco.
Quando na verdade, deveria deixar a gente (o cliente) mais satisfeito.

Mas, apesar da estupidez da Kalunga e da Epson, a economia de mercado continua melhor do que a economia monopolista.

Já pensaram se só existissem a Kalunga e a Epson?

sábado, 17 de agosto de 2013

França: Idiota, Mentiroso e Sábio

Além de Hollande, todos temos um pouco

Creio que pouca gente tenha lido este texto de Gilles Lapouge, publicado no Estadão do ultimo dia 15. Todas as premissas são verdadeiras, além da Humildade de Lapouge. Coisa que não é muito comum por aqui. No Brasil, todo mundo é sabe tudo, mas quando vira governo, não sabe nada. Depois que sai do governo vira palpiteiro de novo.

Na França ainda existe gente como Hollande e Lapouge. No Brasil precisam ainda aparecer...

Análise: Hollande, de idiota e mentiroso a sábio

15 de agosto de 2013 | 2h 02
Gilles Lapouge - O Estado de S.Paulo

Mas o que foi que aconteceu? A França, que davam como moribunda, no fundo do abismo, a França, que acumulara dois trimestres em recessão, no fim de 2012 e começo de 2013, saiu da letargia e volta a ligar os motores.
Os franceses esfregam os olhos. Leem e releem os últimos números do jornal 'Le Figaro' e dizem que não é possível. Todos os números demonstram que a França está em "queda livre". Mas como? É incompreensível: um país não pode estar em declínio e ao mesmo tempo crescer.

Então se rendem à razão: a notícia é fidedigna. O anúncio foi feito ontem pelo Instituto de Estatística (Insee): no segundo trimestre de 2013, o crescimento apresentou um avanço de 0,5%. Um salto que ninguém julgava plausível.
Ninguém, com exceção do chefe de Estado François Hollande, que, há um mês, não parava de proclamar que a França estava saindo da crise. Pobre Hollande: cada vez que ele voltava a bater nessa tecla, as pessoas achavam graça. Ou é um mentiroso ou um idiota, diziam. E, no entanto, o Insee afirma de repente que Hollande não era nem um sonhador nem um palhaço.

É preciso notar outro sinal de encorajamento: essa reviravolta (tímida) da conjuntura não é observada apenas na França. Ela acontece na Europa como um todo. Os números divulgados no mesmo dia pelo Eurostat são claros: toda a União Europeia começa a respirar aliviada.

A zona do euro recupera um pouco de energia. É claro que vários países continuam em declínio (Grécia, Espanha, Itália), mas em média, em seu conjunto, o continente avançou 0,3%. Esse resultado inesperado foi obtido graças a três economias que voltaram a ser o que eram tradicionalmente, os motores da Europa: Alemanha (0,7%), Grã-Bretanha (0,6%) e França (0,5%).

Entretanto, nada de ilusões. Esse pequeno salto é fraco. No caso da França, não é absolutamente suficiente para reverter a curva mortal do desemprego que continua em alta. Mas, se analisarmos detalhadamente os indicadores, veremos que na Europa em geral dois deles são animadores: as exportações retomaram. E sobretudo o consumo interno, depois de meses de declínio, está em alta.

Nesse sentido, o presidente Hollande jogou de maneira certa. Ao anunciar antes dos especialistas e até mesmo antes do 'Figaro' que a "crise europeia" tinha acabado, ele se arriscou muito. Mas, se a frágil retomada assinalada ontem continuar, e se consolidar, Hollande recolherá seu prêmio. Passará de "palhaço" a "sábio".

É por isso que os próximos meses serão decisivos. Se o pequeno estremecimento de ontem desaparecer, se a melhoria momentânea desaparecer, então a satisfação mostrada pelo governo francês se transformará em embaraço. Se, ao contrário, a progressão da economia europeia e francesa se confirmar, Hollande finalmente ganhará sua faixa de chefe de Estado.

Podemos confiar nele em um ponto: Hollande é um homem hábil, que sabe controlar seus sentimentos. Ele não sofre de um ego doentio. É uma das virtudes desse homem sem "carisma" nem sedução: a constância e a modéstia (aparente ou real).

Basta ver o que aconteceu no Mali, na África. Há oito meses, Hollande mandou o Exército francês socorrer o Mali. Ele derrotou os terroristas. Permitiu que o Mali, libertado, organizasse eleições livres, que transcorreram perfeitamente.
Outro, no lugar de Hollande, teria comemorado a vitória indefinidamente, Hollande contenta-se em afirmar que está contente porque o Mali reencontrou a paz e a serenidade. Muito bem!
TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Egito 638 – Onde está a ONU?

Massacre e Guerra Civil – Novo Iraque?

Não há ser humano normal que afirme que o Iraque de hoje, enquanto país, esteja melhor do que o Iraque antes da invasão Americana. Pode estar melhor para os Curdos e para os Xiitas locais, mas para a grande maioria da população do Iraque, a invasão transformou-se em guerra civil e numa sociedade traumatizada pelas bombas em toda parte. A herança ocidental!

O Egito caminhava a passos lentos para sua primeira experiência de Democracia Ocidental, com partidos amplos, eleições diretas e disputas pela hegemonia determinada pelo voto universal do povo e não pelos fuzis egípcios patrocinados pelos americanos (Um bi e meio de dólares por ano para os militares). E para a Educação?

Quando eu ainda era adolescente e morava no interior da Bahia, em Serrinha, fui com meu irmão assistir a um filme assustador: FAHRENHEIT 451. Tão assustador que as imagens ficaram em minha mente como se fosse imagens dos campos de concentração nazista. * (vejam informações no final).

Hoje, ao ler o Editorial do Jornal Valor e ver as matérias nos demais jornais, a imagem que tive foi de FAHRENHEIT 451. A barbárie patrocinada pelo Ocidente. O ovo da serpente que se espalha.

Outro dia, ao ler uma matéria de Ariel Palácios, correspondente do Estadão na Argentina, sobre os mais de 500 bebês roubados e adotados pelos militares argentinos na época da ditadura, fiquei vários dias traumatizado e convencido: Militares não combinam com Democracia. Da mesma forma que os partidos já não podem representar todos os eleitores, os militares precisam ter suas funções bem delimitadas e devem ser poucos, para não virarem assassinos de seu próprio povo.

E a ONU, para que tem servido?
Muitas coisas ainda vão acontecer no Egito 638...


Por enquanto, leiam o editorial do jornal Valor.


Com os massacres, militares põem Egito mais perto do caos

Editorial do jornal Valor – 16/08/2013

Tutelando o poder desde a queda do ditador Hosni Mubarak, no auge da Primavera Árabe, em 2011, os militares egípcios voltaram a dar as cartas e a prova foram os massacres de quarta-feira, nos quais pelo menos 638 pessoas morreram - e novos cadáveres estão aparecendo.

Desde o golpe de 3 de julho, para depor o primeiro presidente democraticamente eleito do país, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, as Forças Armadas sequer guardam as aparências de respeitar um governo civil de fachada.

Ao resolverem desmontar acampamentos de adeptos do presidente deposto, e ainda preso sem qualquer acusação formal, os militares jogaram a perspectiva de nascimento da verdadeira democracia no país para um futuro remoto.

Uma perigosa linha divisória foi traçada com os massacres.

O governo interino deixou claro que não tolerará a volta da Irmandade Muçulmana ao poder, caso esse seja o desejo resultante da próxima eleição - se houver.

A julgar pela brutalidade com que golpeou os adeptos de Mursi, possivelmente banirá o grupo islâmico da vida política. Com Mubarak, havia ditadura militar, comandada por um militar. O modelo agora é parecido, com uma variante: governo militar, presidência civil.

Desde o movimento nacionalista de Gamal Nasser, que tomou o poder em 1953, os militares são vistos como o fiel da balança no país. Após alguns banhos de sangue na praça Tahir e em outras partes do Egito, as Forças Armadas se desvencilharam de Mubarak e aceitaram a abertura política, forçada pelas maiores manifestações de massas da história do Egito.

A surpresa foi a rapidez com que voltaram a dar abertamente as cartas políticas e, mais ainda, com grande apoio popular, após o desastrado governo de Mursi.

Os egípcios testaram como primeira opção democrática a Irmandade Muçulmana, duramente perseguida pelos militares durante a ditadura de Mubarak e a força política mais equipada para aproveitar o colapso do regime.
Mohamed Mursi precisava fazer um governo de coalizão para reformar de alto a baixo as instituições do Estado e consertar a economia. Com o país caminhando para uma crise de sérias proporções, Mursi e a Irmandade deixaram os eleitores perplexos e irados com suas manobras políticas e seu sectarismo.

Primeiro, cortejaram os militares, cujos poderes e privilégios sobreviveram intactos à Constituição submetida a votação e escrita, basicamente, pelos adeptos e aliados do grupo islâmico.

Depois, alijaram o apoio dos liberais e de alguns grupos de esquerda ao tentarem se colocar acima da lei, como Mursi buscou em novembro, anulando decisões do Judiciário, ou com uma Constituição que não respeitava direitos de mulheres, católicos etc.

Tudo isso e mais a deterioração da situação econômica, para a qual Mursi pouco atentou, levantou o perigo real da islamização do país, arrastando grande parte da população contra o governo da Irmandade.

Mursi recebeu quase 25% dos votos no primeiro turno e, no segundo turno, com 51,7% dos votos. Com 48% e um milhão de votos a menos, estava um ex-ministro de Mubarak e também militar, Ahmed Shafiq. Isto é, a Irmandade tinha de fazer tudo, e não tão pouco, para conquistar as condições de um governo estável e responsável.
O descontentamento com Mursi, disseminado entre liberais e grupos à direita e à esquerda, bateu às portas dos quartéis.

As Forças Armadas deram ultimato ao presidente, o depuseram, indicaram um governo civil e passaram a reprimir a Irmandade, fechando seus jornais, confiscando contas bancárias e colocando vários de seus líderes na prisão. Depois passou a atirar contra multidões, ao velho estilo da ditadura de Mubarak.

Os militares se serviram da cobertura dada por forças políticas civis para um acerto de contas com o grupo islâmico, o que deixa o país mais perto do caos e mais distante da democracia.

Os EUA sustentam os militares, como sustentaram Mubarak, e boa parte do espectro político egípcio parece enxergar nos militares um mal menor do que a Irmandade.

Depois de quarta-feira, grupos islâmicos radicais se jogarão na clandestinidade à qual estavam acostumados no Egito e recorrerão ao terrorismo como arma política.

Para um país dividido e empobrecido, pode ser o fim melancólico de um movimento promissor pela democracia.
Mudar essa rota desastrosa depende agora do desejo dos partidos políticos de exigir de volta o poder e de forte pressão externa. Ambos não são visíveis no momento.

*Fahrenheit 451

From Wikipedia, the free encyclopedia

Fahrenheit 451 is a dystopian novel by Ray Bradbury published in 1953. The novel presents a future American society where books are outlawed and "firemen" burn any that are found.[1]

The novel has been the subject of various interpretations, primarily focusing on the historical role of book burning in suppressing dissenting ideas.

In a 1956 radio interview,[2] Bradbury stated that he wrote Fahrenheit 451 because of his concerns at the time (during the McCarthy era) about censorship and the threat of book burning in the United States.

The book's title refers to the temperature that Bradbury understood to be the autoignition point of book paper.[3] In later years, he stated his motivation for writing the book in more general terms.

The novel won a Prometheus "Hall of Fame" Award in 1984[4] and a 1954 "Retro" Hugo Award, one of only three ever given, in 2004.[5]

The novel has been adapted several times.
François Truffaut wrote and directed a film adaptation of the novel in 1966, and at least two BBC Radio 4 dramatizations have aired. Bradbury published a stage play version in 1979[6] as well as companion piece titled A Pleasure To Burn in 2010.
A video game titled Fahrenheit 451 was released in 1986.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Euro vai se desintegrar?

E a União Européia?

Ao mesmo tempo que a imprensa mostra a recuperação econômica da França, Alemanha e Reino Unido, surge no jornal Valor uma material sobre a desintegração do Euro.

Se o Euro implodir, implode também a União Européia? Há gente que acha que sim e gente que acha que não. Eu estou no time que acha que os países “pobres” da Europa devem sair do Euro, mas devem ficar na União Européia.

Leiam este bom texto que saiu no Valor e originalmente no Financial Times.

Cedo ou tarde, o euro vai se desintegrar

Valor – 15/08/2013
Por Samuel Brittan | Financial Times

Imagine uma pequena loja que não está indo bem. Na melhor das hipóteses, ela não consegue proporcionar ao seu dono um padrão de vida mínimo. Na pior, não consegue nem mesmo cobrir seus custos e é mantida em funcionamento por empréstimos e doações de parentes, amigos e simpatizantes. Um deles, inclusive, já foi pego comentando que faria tudo o que fosse necessário para que a loja continuasse aberta, acrescentando: "Acreditem, será suficiente".

Qualquer analogia está longe de ser perfeita, mas essa é bem adequada para os membros não competitivos da zona do euro.

Desde o lançamento do euro, em 1999, os custos unitários do trabalho subiram menos de 13% na Alemanha. Nesse período, os custos da mão de obra na Grécia, Espanha e Portugal aumentaram de 20% a 30%, e na Itália o aumento foi ainda maior.

Pouco surpreende que a Alemanha tenha hoje um superávit em conta corrente de 6% do PIB, enquanto Grécia, Itália, Portugal e Espanha mal chegam a um equilíbrio.

É preciso ter muito cuidado com estimativas, mas a mensagem que elas passam é bem plausível. Nenhuma união bancária ou harmonização fiscal bastará enquanto houver esses desequilíbrios.

A teoria econômica por trás da criação do euro foi que a própria moeda única, e a suposta impossibilidade de desvalorização pelos países-membros, atuariam como uma força harmonizadora. Mas isso não aconteceu, e as relações hoje estão insustentáveis.

Herbert Stein, economista ativo em Washington no fim do século passado, dizia que quando uma política ou situação é insustentável, ela não será sustentada. Mas ele não disse quanto tempo leva para essas situações serem resolvidas.

Enquanto isso, é do interesse dos "eurocratas" fazer esses problemas parecerem complicados a ponto de apenas um pequeno número dos chamados especialistas financeiros poderem até mesmo discuti-los.
Estamos vendo um pacote após o outro e uma garantia após a outra de para que a estrutura continue se mantendo. Mas empréstimos e garantias não tornam o insustentável sustentável. Há apenas um número limitado de maneiras de conduzir a situação.

Em primeiro lugar, a "austeridade" nos países periféricos pode dar certo. Com isso, quero dizer que o aperto da demanda imposto a eles resulta numa queda nos custos e preços, em relação aos vizinhos da zona do euro, levando a maior competitividade e à eventual recuperação do padrão de vida e a uma forte queda na taxa de desemprego.

Uma variação disso seria uma melhora na competitividade não baseada nos preços: passeios turísticos mais criativos pelo mar Egeu ou hotéis mais atraentes em Algarve, no sul de Portugal. A questão fundamental é quantos anos, ou décadas, essa correção vai levar.

Segundo, os países da periferia do euro poderão continuar estagnados. A taxa de desemprego está hoje em 22% na Grécia, 24% na Espanha, 18% em Portugal, 15% na Irlanda e 10% na Itália. Em comparação, ela é de 8% nos EUA e no Reino Unido. Temo que uma variação seria a situação desses países piorar ainda mais e começar a haver um aumento da emigração.

A terceira opção é improvável, mas está incluída aqui por motivo de abrangência. A Alemanha e outros países do norte poderiam buscar políticas mais "expansionistas" (leia-se inflacionárias), reduzindo assim a agonia do sul. Uma alternativa seria seguir subsidiando perenemente os países periféricos.

A quarta opção seria um ou mais países periféricos deixarem a zona do euro. As portas do inferno se abririam não só para os países que estivessem saindo, mas também para os remanescentes, cujos os bancos possuem grandes ativos em euros (em potencial depreciação).

Mas em algum momento os ex-membros do euro recolheriam os pedaços de suas economias e surgiriam com desempenhos mais toleráveis, como aconteceu com a Argentina quando ela cortou um laço supostamente inquebrantável com o dólar americano.

Alguns economistas gostariam de abordar o assunto de outra maneira e prefeririam que a Alemanha e seus vizinhos tomassem a iniciativa e avaliassem sua saída do euro; mas isso não acontecerá, independentemente dos resultados das eleições alemãs, que estão próximas.

É possível, claro, imaginar um número grande de trocas e concessões entre as quatro conjecturas acima, mas as possibilidades são limitadas. Se eu tivesse de apostar meu dinheiro (o que não faria), seria na quarta. Mas não apostaria em quando isso iria acontecer.

O Sacro Império Romano
- que não era sacro, nem romano e nem um império - foi fundado por Carlos Magno em 800 d.C. e durou até ser dissolvido por Napoleão em 1806.

A Confederação Alemã foi criada depois das guerras napoleônicas e não tinha poder real sobre os Estados-membros. Ela foi reforçada por uma união aduaneira (Zollverein) em 1834 e toda a estrutura raquítica durou até 1871, quando foi transformada no Reich Alemão por Bismarck.

De lá para cá, a história pode ter se acelerado mas não sabemos o quanto,
e o tempo que levará para a desintegração do euro ninguém sabe.
Há um limite para as previsões.