terça-feira, 9 de julho de 2013

Médicos, Doentes, Oportunistas e Políticos

Adib Jatene, a maior autoridade em Medicina

Quanto mais se fala e se escreve sobre as necessidades médicas para os pobres no Brasil, mais bobagens a gente ouve e lê. Ninguém convence ninguém. Os Conselhos Regionais e Federal parecem “conservadores” defendendo seus feudos. Os Sindicatos dos Médicos pouco são ouvidos pela imprensa. As Faculdades de Medicina também pouco aparecem nos debates. Mas os políticos falam o tempo todo, como se fossem especialistas, e não resolvem nada há anos.

Ainda bem que temos a maior autoridade em medicina no Brasil. E esta autoridade é Adib Jatene. Descendente de libaneses, portanto, traz nas suas origens, a medicina árabe que foi melhor do que a medicina cristã conservadora na Idade Média; brilhante professor, médico e pai de família. Um brasileiro que todos temos orgulho!

A entrevista de Adib Jatene no Estadão está bem melhor do que esta da Folha. Mas a Folha é melhor em tecnologia do que o Estadão, e assim eu consigo mostrar a entrevista de Jatene na Folha, enquanto a do Estadão, eu consigo lê-la no jornal impresso, mas não consigo sequer vê-la no site do jornal. Lamentável! Ponto para a UOL e a Folha.

Se vocês tiverem como, leiam a entrevista do Estadão, se não tiverem, leiam esta pequena entrevista na Folha. Jatene fala como brasileiro acima de tudo, não fala como político oportunista, conselheiro conservador ou jornalista porta-voz dos neoliberais.

O Brasil precisa de mais gente como Jatene!

Ex-ministro defende 'especialista de gente'

Folha, 09/07/2013 - CLÁUDIA COLLUCCI

O cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Jatene, que preside uma comissão que auxiliou o governo na formulação do projeto para a mudança do ensino médico, defende a proposta apresentada ontem pela presidente Dilma, mas afirma que não conhece a versão final.

Para Jatene, o ensino médico está formando candidatos à residência médica, com muita ênfase às especializações e à alta tecnologia.

"O médico precisa se transformar num especialista de gente."

Folha - O que o sr. achou das mudanças propostas para a mudança do ensino médico?
Adib Jatene - O ensino médico está formando candidatos à residência médica. Isso estimula a especialização precoce. Precisamos formar um médico capaz de atender a população sem usar a alta tecnologia. O médico precisa se transformar num especialista de gente.

E como ficará a supervisão?
É a própria faculdade de medicina que cuidará disso. A proposta [original] é que ele fique dois anos no Estado que se formou, supervisionado pela faculdade. A escola vai fazer parte do sistema de saúde, não simplesmente dar o diploma. Com telemedicina e teleconferência fica fácil.

O sr. foi consultado sobre isso?
Vínhamos trabalhando nessa proposta, mas não sabíamos que já seria anunciada. O ministro Mercadante me telefonou dizendo que a presidente Dilma iria anunciar, mas não deu maiores detalhes. Mas parece que está está dentro dos princípios.

A proposta era mesmo de aumentar para oito anos?
Sim. Quando me formei em medicina, em 1953, o curso já era de seis anos, e o conhecimento era muito pequeno. Hoje é colossal e o curso continua de seis anos.

E em relação à política para fixar médicos no interior?
Municípios pequenos deveriam integrar um consórcio para uso de alta tecnologia. Precisam, porém de um médico polivalente, que atenda de parto a uma emergência.

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