sábado, 13 de julho de 2013

Folha de SP: A direita envergonhada

Sindicalismo e Democracia na encruzilhada

Dado de realidade do Brasil de hoje:
Partidos progressistas sem credibilidade; as Igrejas como conservadoras; a justiça endireitada; a Imprensa como porta-voz da direita (que saiu do armário) e a juventude ansiosa por algo novo.

A Folha de São Paulo, em seu editorial de hoje, diz que o sindicalismo brasileiro está vencido. Concordo em boa parte com o editorial, mas também me sinto no direito de perguntar:

Quem, dos que lutaram pela redemocratização do Brasil, não está vencido?

Quem não sente vergonha da “democracia” que temos e dos seus porta-vozes?

A sensação é que todos perdemos e que a direita venceu.


A direita brasileira não precisa de novo golpe militar.

O Congresso está desmoralizado; o Judiciário virou uma enganação; as Igrejas viraram conservadoras; as Centrais Sindicais e as entidades representativas dos patrões dependem do imposto sindical e a Imprensa manipula o noticiário como se todos fôssemos burros ou idiotas.

Nesta semana que passou, a Imprensa, capitaneada pela Folha e pela Rede Globo, queria que os dirigentes sindicais convocassem uma Greve Geral contra o governo Dilma e contra o PT. As centrais sindicais se dividiram, umas aceitando fazer o papel que a imprensa queria e outras fazendo manifestações por reivindicações que o governo Dilma vem protelando em atendê-las.

Assim, mesmo acontecendo um dia de manifestações e greves em todo Brasil, a imprensa se recusa a reconhecer algum mérito e passa a desqualificar os que não lhe obedeceram. Dizendo que eles representam o passado e que todos são pelegos...

Realmente, convocar os jovens angustiados e sem perspectivas para se manifestarem contra o governo é mais fácil do que convocar uma Greve Geral tendo sindicalistas esquerdistas e oportunistas como interlocutores.

Sou leitor e assinante da Folha de S.Paulo desde os anos 70.


Sempre fico triste quando vejo a Folha dar uma quinada para a direita. Eu prefiro a Folha progressista, capitalista, internacionalista e culta. Mas odeio a Folha manipuladora e que serve como porta-voz do atraso.

Enquanto em São Paulo existirem apenas três jornais diários e todos forem conservadores, irei ler os três. Mas, até eu morrer, eu espero que os setores progressistas e de esquerda tomem vergonha e criem um jornal diário alternativo. Os trabalhadores têm direito a participar de uma democracia com diversidade, pluralidade e equidade.

Coisas que atualmente nosso país não tem. Eu ajudei a criar a primeira central sindical brasileira da história do Brasil, também ajudei a criar o primeiro partido progressista de massas, mas ainda não consegui contribuir para viabilizar nossa imprensa progressista diária, apesar de todo esforço que fiz como dirigente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e da Central Única dos Trabalhadores.

Reproduzo na íntegra o Editorial da Folha de hoje, para que os sindicalistas e estudiosos leiam e analisem para ver os acertos e os erros, do sindicalismo e desta direita envergonhada.

Sindicalismo vencido

Se pretende recuperar prestígio e terreno perdido, movimento sindical deveria deixar de agir como apêndice de partidos e governos

As manifestações organizadas no país para o chamado Dia Nacional de Lutas foram uma tentativa das diversas centrais sindicais de recuperar terreno perdido. Não apenas em relação aos protestos de junho, mas também aos anos de atuação domesticada pela simbiose com o governo petista.

Os atos bloquearam rodovias e reuniram cerca de 90 mil pessoas em 18 capitais. No auge, estima-se que os protestos do mês passado, à margem de sindicatos e partidos, tenham mobilizado mais de 1 milhão de pessoas.

As diferenças, além de numéricas, se evidenciaram na morfologia mais tradicional --de cima para baixo-- da expressão sindicalista e no intuito de poupar, o quanto possível, a imagem da presidente Dilma Rousseff.

Desde que voltou à cena no ABC paulista, na década de 1970, o sindicalismo brasileiro percorreu um ciclo que o levou do ímpeto renovador ao conformismo oficialista, a que se tem, não sem razão, chamado de neopeleguismo.

Já ficaram para trás as reivindicações em prol do "sindicalismo autêntico", defendido pelo então líder operário Luiz Inácio Lula da Silva, que postulava organizações trabalhistas autônomas. Com a ascensão dos sindicatos ao poder, a reboque do PT, consolidou-se a versão repaginada do modelo varguista. O sistema continua a ser tutelado pelo Estado e mantido por tributos compulsórios.

Ao todo, cerca de R$ 1,9 bilhão foi repassado, em 2012, aos cofres de sindicatos, federações, confederações e centrais --não só de trabalhadores, mas também patronais.

À sombra desse regime floresceram organizações artificiais, que beneficiam antes suas diretorias do que as categorias que deveriam representar. A burocratização e a instrumentalização por interesses partidários e governamentais é um claro sinal de descompasso entre as associações sindicais e as aspirações emergentes da sociedade.

É certo que as organizações trabalhistas continuam a ter um papel a desempenhar na defesa de seus associados, como ora se observa na Europa. Também lá as centrais foram às ruas na esteira dos protestos "horizontais" --mas encontraram na crise econômica e no alto desemprego um terreno propício para atuar.

Se pretende de fato recuperar o tempo perdido e reconquistar prestígio, o sindicalismo brasileiro precisa rever suas bandeiras, suas formas de atuação e, sobretudo, a maneira como se inscreve nas relações sociais e econômicas.

As manifestações espontâneas e descentralizadas de junho deixaram ainda mais anacrônicas essas organizações que arrogam a função de representar setores da sociedade, mas atuam como apêndices de governos e partidos.

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