terça-feira, 9 de julho de 2013

Eike Batista, a Imprensa e os Investidores

A Imprensa constrói e destrói coisas belas

Nós, os investidores avulsos e simples mortais, nos baseamos na Imprensa para saber onde devemos aplicar nosso dinheirinho. E a Imprensa, dentro da sua soberba, sempre soube fazer propaganda das Bolsas de Valores e de muitas empresas nacionais, como grande fonte para se ganhar dinheiro acima da inflação.

Com o tempo, a gente vai aprendendo que “nem tudo que brilha é ouro” e aí vamos desistindo da Bolsa, de algumas empresas e também vamos ficando ressabiados com a Imprensa.

Eu sempre gostei dos textos e dos comentários do jornalista econômico, José Paulo Kupfer. Mas hoje ele me assustou. Falou das loucuras das empresas de Eike Batista, e não falou uma palavra sequer sobre a responsabilidade da Imprensa. Muitos analistas erraram, muitos bancos cairam no canto do vigário. E a Imprensa? Nada?

Não sei se foi por intuição ou por idade, mas eu nunca acreditei nesta grande capacidade efetiva de Eike fazer dinheiro. A esperteza dele foi saber onde estavam as coisas (minerios e petroleo principalmente), criar empresas para garimpar os investimentos e depois remunerar os investidores. Aparentemente tudo daria certo. Mas, qual foi o exemplo de resultado efetivo de alguma empresa dele? Não conheço nenhuma. Apenas projetos…

E a Imprensa sempre enchendo a bola do “homem mais rico do Brasil”. Realmente ele parecia bem o empresário brasileiro….falava demais! Mas eu prefiro os Antonio Ermírios da Vida.

Com este blog, não quero de jeito algum diminuir as virtudes de Kupfer. Vou continuar seu fã. Mas não aceito a exclusão da Imprensa como um dos setores que foi enganado e enganou milhares de investidores e de admiradores do empresariado nacional.

Por ultimo, como bancário de muitos anos, já cansei de ver bancos sofrerem intervenções do Banco Central, mesmo estes bancos sendo bem avaliados pelas empresas de auditorias nacionais e internacionais.

Transparência no Brasil ainda é um desejo a ser realizado e bons jornalistas como Kupfer tem contribuído muito para que o Brasil se transforme num país moderno e para todos.

Kupfer com a palavra…

Aposta no vento

9 de julho de 2013 | 10h46
José Paulo Kupfer – Estadão

O estouro da imensa bolha produzida, nos últimos anos, pelo empresário Eike Batista,
ainda não provocou todos os efeitos deletérios que tem potencial para produzir. Mas já está claro que as regulamentações e os controles, capazes de assegurar a indispensável transparência ao funcionamento do mercado financeiro, voltaram a falhar. Governo federal, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Agência Nacional de Petróleo (ANP), bancos públicos e privados estão devendo explicações melhores do que as apresentadas até agora para o acontecido.

Não há ainda um cálculo suficientemente abrangente das perdas impostas pelo desmonte do grupo EBX. Elas somam algumas dezenas de bilhões de reais e ainda devem disseminar mais prejuízos quando, ao fim do processo de reestruturação dos mirabolantes projetos do bilionário midiático, investidores ou credores de Eike Batista declararem suas perdas. Governo federal – melhor seria dizer contribuintes –, no caso de bancos públicos, e investidores, no caso das instituições financeiras privadas, ainda deverão ser apresentados a novos prejuízos.

Muito difícil entender por que reguladores e investidores não conseguiram detectar a formação da bolha antes do desastre completo. Infladas por uma quantidade anormal de comunicados de descobertas de óleo e gás, conforme deixa claro levantamento publicado pelo Estado, as ações da petroleira OGX, carro-chefe do grupo de empresas de mineração, infraestrutura e entretenimento montado em poucos anos por Eike Batista, protagonizaram trajetória completamente fora dos padrões.

Lançados em 2008 a R$ 11,31, os papéis da OGX chegaram ao pico de R$ 23, em 2010. Hoje, com a constatação de que os poços da OGX continham vento ou não ofereciam valor comercial, as ações valem em torno de R$ 0,50.
Tão ou até mais do que a oscilação no valor do papel, impressiona a atração sem sustentação em resultados concretos exercida pela ação da OGX.

Com rapidez também fora dos padrões, o papel da OGX alcançou índices de negociação inéditos para empresas novas. Depois de responder por 5% do Ibovespa, o principal índice da BM&FBovespa, no início deste mês de julho, já em pleno processo de queima do papel, a ação da OGX ainda representava sozinha por 1,5% do Ibovespa.

Chamaram a atenção, nos últimos dias, as enormes oscilações registradas nas cotações da OGX. Sempre entre os mais negociados, o papel chegou a marcar perdas de 20% num único pregão, seguido de altas de igual intensidade, nas sessões posteriores. Numa tradução desses acontecimentos, pode-se dizer que a ação ingressou em terreno claramente especulativo e a consequência do fato será um aumento do potencial de perdas com o papel da OGX.

Parece ser este o caso, por exemplo, dos muitos fundos de investimento que operam com carteiras que replicam a composição do Ibovespa. Por peculiaridades do índice, que leva em conta, a cada mês, apenas o volume negociado dos papéis, nos 12 meses anteriores, quanto mais especulativa for uma ação, maior tende a ser seu peso no Ibovespa. Assim, é possível que, em agosto, quando o índice for ajustado, o peso das ações da OGX aumente, obrigando esses fundos a aumentarem a participação do papel em seus portfolios.

Informações obtidas pelas repórteres Irany Tereza e Mariana Durão, do Estado, dão conta de que a CVM vai agora “analisar com lupa” todos os comunicados (“fatos relevantes”) publicados por Eike Batista, com especial atenção para os que divulgavam projeções e estimativas de achados de petróleo ou gás, bem como de viabilidade de exploração comercial dos poços inventariados.

É uma providência bem-vinda, que deveria ser acompanhada pela ANP. Ainda que, mais uma vez, a fiscalização prometa apertar depois que a porta foi arrombada, apostas no vento não podem prosperar como prosperaram as das empresas de Eike Batista.

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