quinta-feira, 4 de julho de 2013

Egito como laboratório golpista

Se for fácil, novos golpes virão

Turquia, Líbia, Venezuela, Argentina, Brasil…

Não duvidem das “Forças Ocultas”, aparentemente são neutras e democráticas, mas, na verdade, querem sempre preserver seus poderes e suas facilidades. Não aceitam transformações pelo voto universal, onde os pobre decidem por mudanças qualitativas.

Vejam mais detalhes do Golpe no Egito e meditem sobre esta nova onda…

Golpe militar derruba o governo islâmico do Egito

Valor - Por Agências internacionais

Opositores de Mohamed Mursi comemoram em frente ao palácio presidencial, no Cairo, o golpe das Forças Armadas que depôs o presidente islâmico

As Forças Armadas do Egito derrubaram ontem o governo de Mohamed Mursi e anunciaram um período de transição até a realização de novas eleições para a Presidência e o Parlamento. Auxiliares de Mursi, o primeiro presidente eleito democraticamente na história do país e que estava no cargo desde 30 de junho do ano passado, denunciaram a ação como um "golpe militar total".

A queda de Mursi foi anunciada em discurso na TV do ministro da Defesa, general Abdel Fattah Al Sisi. Ladeado por políticos da oposição, como Mohamed ElBaradei, e líderes religiosos muçulmanos e coptas, Al Sisi anunciou que o presidente da Corte Constitucional, Adli Mansour - que assumiu o cargo na segunda-feira -, ocupará interinamente a chefia do Estado a partir de hoje.

Segundo Al Sisi, Mansour comandará um governo de tecnocratas com representantes de "todas as facções políticas" e de movimentos de jovens. Os militares suspenderam a Constituição que Mursi e seus aliados islâmicos colocaram em vigor no fim de 2012, após um referendo contestado, e encarregaram a Corte Constitucional de redigir leis para a realização de eleições.

Mursi convocou os egípcios para resistir pacificamente ao golpe. As declarações do presidente deposto vieram poucas horas após ele ter sugerido a formação de um governo de coalizão, que conduziria a novas eleições parlamentares, e de uma comissão independente para emendar a Constituição. A proposta foi uma tentativa de Mursi de responder ao ultimato lançado pelas Forças Armadas 48 horas antes, ameaçando uma intervenção militar caso o governo não resolvesse o impasse político.

Segundo a agência de notícias Reuters, Mursi encontrava-se detido num quartel da Guarda Republicana. A informação teria sido confirmada por uma fonte da Irmandade Muçulmana e outra das forças de segurança.
Os eventos de ontem culminaram vários dias de crise política que levaram milhões de egípcios às ruas, deflagrando uma retórica belicosa entre os apoiadores da Irmandade Muçulmana, à qual o presidente é ligado, e adversários secularistas.

Apesar de os protestos contra Mursi engajarem multidões, pesquisas de opinião indicam que o presidente conta com o apoio de pouco mais da metade da população, o que sugere que os confrontos e incertezas políticas podem prosseguir.

Após a divulgação do plano de ação de Al Sisi, milhares de egípcios se reuniram em frente ao palácio presidencial para comemorar. Helicópteros militares lançaram bandeiras do país sobre a multidão, de tamanho similar à que celebrou a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011. Os defensores de Mursi reuniram-se na praça principal de Nasser City, subúrbio do Cairo.

Houve confrontos entre opositores e apoiadores de Mursi em várias cidades do país. Segundo a agência estatal de notícias, pelo menos dez pessoas morreram. A agência Associated Press relatou ter sido informada por funcionários do governo de que os dois principais dirigentes da Irmandade Muçulmana foram presos.

A rede Al Jazeera, acusada de ser favorável à Irmandade Muçulmana, anunciou que as suas instalações no Cairo foram invadidas por forças de segurança, com a prisão de pelo menos cinco funcionários.
A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos deram declarações de apoio ao golpe. Já o Qatar, o único país do golfo Árabe que se alinhou com a Irmandade Muçulmana, não se manifestou.

Em nota, o presidente Barack Obama disse que os EUA estão "profundamente preocupados pela decisão das Forças Armadas do Egito de tirar o presidente Mohamed Mursi do poder e suspender a Constituição".

Obama exortou os militares a devolver a autoridade plena a um governo civil eleito democraticamente o mais rápido possível, por meio de um processo "inclusivo e transparente", pedindo também que sejam evitadas prisões arbitrárias de Mursi e de quem o apoia.

O governo dos EUA determinou a retirada de diplomatas não essenciais e das famílias dos funcionários da embaixada no país.

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