domingo, 30 de junho de 2013

USA fabrica moeda para sair da crise

A Europa toda está em crise

O governo português atual é o pior desde o fim da ditadura salazarista, uma das piores da Europa, juntamente com a ditadura franquista, na Espanha. Os governos conservadores estão vendendo tudo a preço de banana, os progressistas estão confusos e o desemprego desestrutura a vida familiar de toda Europa.

Mesmo com seus 88 anos de vida e de experiências, Mário Soares,
ex-presidente de Portugal, continua mais lúcido do que a maioria dos governantes e políticos atuais.

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Leiam esta boa entrevista na Folha de hoje, dia 30/06/2013.

Europa precisa acabar com austeridade

Para ex-presidente de Portugal,
União Europeia deve 'fabricar moeda' para sair da crise

BERNARDO MELLO FRANCOENVIADO ESPECIAL A LISBOA – Folha – 30/06/2013

Ícone da esquerda de Portugal, o ex-presidente Mário Soares, 88, diz que a Europa só vencerá a crise com o fim das políticas de austeridade.
Ele afirma que a recessão se alastrou do sul para o norte do continente e que a saída deve ser buscada fora da receita liberal de privatizações e cortes de benefícios.

O socialista critica a chanceler alemã, Angela Merkel, e o plano do primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, de vender estatais para pagar dívidas ao Banco Central Europeu e ao Fundo Monetário Internacional.
Para Soares, o governo de centro-direita de Portugal é o pior desde o 25 de Abril, data que marcou o fim da ditadura salazarista com a Revolução dos Cravos, em 1974.

Ele conversou com a Folha no início do mês, um dia depois de se reunir com a presidente Dilma Rousseff.
Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Folha - Os países do sul da Europa, como Portugal, Espanha e Grécia, são os mais afetados pela crise. Como sair dela?
Mário Soares - A Europa está toda em crise. Uma crise profunda. Portugal, Espanha, Itália. Neste momento, também Holanda, Bélgica, Finlândia, Suécia.

É preciso uma grande mudança. Acabar-se com o neoliberalismo e essa situação de pagar aos mercados acima dos Estados.
Ou isso muda ou a Europa vai toda para o abismo. Eu tenho esperanças de que não vá.
Muitos protestos têm sido direcionados contra a chanceler alemã, Angela Merkel. O sr. concorda com isso?
Merkel sempre foi a favor da austeridade, dos mercados e das troicas [juntas de intervenção formadas por Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI].

Agora aconteceu-lhe uma coisa horrível. As maiores exportações da Alemanha iam para o resto da Europa. Como a Europa está toda sem dinheiro, não tem mais como pagar. E a Alemanha está a afundar-se também, porque não consegue vender.
Por isso, Merkel está a mudar de opinião.

O sr. está otimista?
Estou convencido de que a Europa tem saída, como teve a América.
É preciso acabar com a austeridade e produzir mais moeda.
Tem que dar a manivela [incentivar o crescimento econômico], mudar completamente de política.

Por que a América saiu da crise? Porque fabrica moeda.
Quando o Banco Central Europeu fabricar moeda, é evidente que tudo isso passa.

Isso não pode gerar inflação e elevar o custo social da crise?
Pode haver inflação, mas não é nada diante do que se está a passar.
Houve inflação na América, mas estão a sair da crise. Nós não estamos.

Portugal é um dos países mais castigados na Europa, com a economia em recessão e o desemprego em 18%. Como o sr. vê a situação do país?
A situação portuguesa é aflitiva. Basta dizer que ontem [segunda-feira], Dia de Portugal, o presidente da República e o primeiro-ministro foram violentamente vaiados.
Todos os dias há grandes manifestações contra o governo. Toda a gente está descontente. É o pior governo desde o 25 de Abril, sem dúvida nenhuma.

Por quê?
Porque está a arrasar o Estado social.

O Serviço Nacional de Saúde, que era impecável, está a ser destruído. Há milhares e milhares de desempregados.
As pessoas estão com fome, vão comer aos caixotes de lixo. Os trabalhadores estão contra o governo. E não são só eles. Os universitários, os militares, os médicos... O que é preciso mais?
Agora estão a acabar com o CTT [empresa de correios, que será privatizada]. Querem vendê-lo ao estrangeiro. Acha isso possível?

A presidente Dilma Rousseff, que o sr. chamou de camarada, quer que brasileiros comprem a TAP. O que acha disso?
Sou político. Não sou homem de negócios.
O governo português diz que as privatizações são necessárias para equilibrar as contas públicas. O sr. concorda?
Não. Isso é absolutamente falso, como, aliás, se provou em toda a América Latina. Não só na Argentina, como na Venezuela, no Peru...

Toda a América Latina é contra as privatizações.
Vocês, brasileiros, conhecem bem isso.

Portugal deve ficar no euro?
Claro que deve.
O Reino Unido está fora do euro e também vive uma situação muito difícil.
Portugal vai sair da crise dentro da Europa.
A Grécia foi o berço da nossa civilização.
Os alemães só fizeram guerras. Nós descobrimos o mundo.
É muito diferente!

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