terça-feira, 4 de junho de 2013

Reinventando o Capitalismo

Pena que não seja no Brasil

Enquanto a economia mundial continua estagnada, o Japão, depois de duas décadas perdidas, vivendo com crescimento econômico próximo a zero, resolveu Reinventar o Capitalismo. Isto é, em vez de priorizar o Mercado do Luxo, resolveu priorizar o Grande Varejo.

Aqui no Brasil, a moda ainda é copiar os ricos. Os empresários ainda não descobriram a Economia de Massa, para atingir a Grande Classe Média emergente.

Eu já estive numa destas lojas da Uniqlo e constatei o que é vender produtos bons e baratos. Inclusive encontramos muitos brasileiros fazendo compras na mesma loja.

Leiam este grande artigo do Valor. Grande no tamanho e no conteúdo.

Uniqlo avança no exterior e mira Europa

Por Daniela Fernandes | Para o Valor, de Paris –04/06/2013

O Japão prepara uma nova "Revolução Meiji", mas desta vez apenas no mundo da moda. No fim do século 19, o país pôs fim à uma política de isolamento voluntário e decidiu copiar o modelo econômico das nações ocidentais. Para se transformar em superpotência, partiu para a "conquista do mundo" de maneira rápida e audaciosa, exatamente como está fazendo agora a marca japonesa de roupas Uniqlo, que após criar uma rede de 850 lojas no país, vem abrindo centenas de unidades por ano no exterior e tem agora a Europa na linha de mira.

O nome Uniqlo (Unique Clothing), da marca de roupas casuais a preços acessíveis, só surgiu em 1984, com a abertura da primeira loja no Japão. Antes disso, era apenas uma loja familiar, na época de moda somente masculina, a Ogori Shoji, criada em 1949.

Após décadas de atividades no mercado japonês, a Uniqlo - número quatro mundial do setor, após a espanhola Zara (do grupo Inditex), a sueca H&M e a americana Gap - fixou o objetivo de se tornar uma marca global. Para isso, iniciou em 2001 um ambicioso plano de expansão internacional, que começou com a abertura de uma loja em Londres e depois foi direcionado para o mercado asiático.

Tadashi Yanai, presidente e fundador do grupo Fast Retailing, dono da marca Uniqlo, prevê que a partir de 2015 ou 2016 as vendas internacionais da rede ultrapassem as do Japão, que representam atualmente 60% do faturamento. As vendas da divisão internacional deverão crescer quase 53% neste ano fiscal (encerrado em agosto), enquanto no Japão o aumento estimado é de apenas 8,5%.

O objetivo é quintuplicar o faturamento da companhia - de 928,6 bilhões de yens (€ 7,1 bilhões) em 2012 - até 2020. O grupo Fast Retailing também vem fazendo aquisições na Europa e já comprou as francesas Comptoir des Cotonniers e Princesse tam.tam (lingerie).

O ritmo de inaugurações da Uniqlo no exterior entrou em ebulição nos dois últimos anos. Apenas no exercício fiscal que se encerra em agosto, a previsão é de 149 novas lojas fora do Japão. Em 2012, já haviam sido abertas outras 111 butiques internacionais.

Por enquanto, a maioria dessas novas unidades se situa na Ásia, sobretudo na China, onde a empresa concentrou nos últimos anos o foco de seu desenvolvimento global. Hoje, já são 189 butiques no mercado chinês.

É também na China, em Xangai que deverá ser inaugurada até o fim deste ano a maior loja da Uniqlo no mundo, com 6,6 mil m2 e que ultrapassará a loja de Ginza, no Japão, com quase 5 mil m2. Além da cadência frenética de novas lojas, também faz parte da estratégia da Uniqlo ter unidades enormes, com pelo menos 2 mil m2.

Após a vasta implantação na Ásia, a Europa, apesar da crise econômica, é a próxima etapa da expansão internacional da marca. Atualmente, a Uniqlo está presente no continente, mas apenas na Inglaterra, França e Rússia.
"Vamos abrir nossas primeiras lojas-conceito em grandes cidades europeias como Berlim, Milão e Barcelona", disse Tadashi Yanai, ao comentar os resultados financeiros do primeiro semestre fiscal. Foi ele quem transformou, a partir dos anos 60, a butique familiar em uma vasta rede de lojas no Japão.

Na França, a Uniqlo se implantou somente 20 anos depois de sua grande rival Zara e uma década após a H&M. A primeira loja "teste" foi aberta em 2007 em La Défense, nos arredores de Paris, mas foi a inauguração da butique no bairro da Ópera, em 2009, que causou grande sensação e tornou a marca conhecida no país. Filas homéricas se formaram na porta para comprar os pulôveres de 100% cashmere vendidos por menos de € 40.

Hoje são três lojas no país, uma em Paris e duas em seus arredores. A ideia é abrir uma dezena de unidades na capital francesa nos próximos cinco anos e, numa segunda etapa, em outras grandes cidades do país. A empresa lançou um programa de contratações de funcionários e de formação para os futuros gerentes desses pontos.
Apesar da forte concorrência no mundo da moda na França, a Uniqlo conquistou espaço no mercado com seus modelos com "tecnologia heat-tech", que permite manter o calor do corpo, ou ainda com seus casacos ultrafinos recheados com penas, que evitam ter o habitual visual de astronauta.

"Se obtivermos sucesso na França, onde a concorrência é bem mais rude, nós atingiremos nossos objetivos em outros países", disse o CEO da Uniqlo na Europa, o alemão Berndt Hauptkorn, em uma entrevista à revista francesa L'Express. "Todas as capitais europeias estão no nosso radar", afirmou Hauptkorn.

A crise econômica na Europa parece não desencorajar os planos da Uniqlo. A marca, que diz aliar conforto, estilo descontraído e tecnologia, além de preços acessíveis, tem um toque japonês de "atemporalidade", sem deixar de ser moderna, segundo especialistas em moda. Isso contribuiria para atrair um público mais amplo e não apenas os que buscam fazer economias em tempos de crise. "Nossos modelos são o oposto da roupa de moda descartável e consumida rapidamente", diz o estilista da Uniqlo, Naoki Takizawa, ex-braço direito do costureiro Issey Miyake.

A Uniqlo também se implantou na última década nos Estados Unidos, em Cingapura, na Malásia, na Tailândia e nas Filipinas (em 2012). No total, já são 359 lojas no exterior. A previsão da empresa é de que este número chegue a 441 até o fim de agosto.

Os planos de entrada no mercado brasileiro continuam fora das estratégias consideradas prioritárias para a empresa no curto prazo, segundo fontes próximas à rede. Investimentos que a companhia já programou para China e Índia estão na linha de frente dos projetos internacionais do grupo hoje. "Não há uma pretensão de vir ao Brasil antes de os planos no mercado chinês avançarem mais.

Eles querem ser a maior rede de vestuário da China
, e para isso vão ter bastante trabalho", disse um executivo próximo ao conselho da varejista. Em relação à Índia, a intenção é firmar uma parceria com uma rede local para poder investir naquele país e as negociações estariam em andamento hoje. Segundo informações já publicadas na imprensa indiana, a rede Arvind seria uma das cotadas para fechar essa associação com a Uniqlo.

Um ponto precisa ser levado em conta nesses projetos de redes como a Uniqlo:
a questão cultural e geográfica.

Faz mais sentido para os japoneses investirem na China do que no Brasil.
No mercado brasileiro, teriam que ser feitos desembolsos de peso em logística e distribuição de mercadorias e também no conhecimento de hábitos e costumes locais para que o projeto avançasse.

Em 2011, surgiram as primeiras informações de que a Uniqlo estaria estudando a entrada no Brasil nos anos seguintes - entre 2013 e 2014. Neste ano, segundo empresários de shopping centers e do setor de varejo no país, não houve nenhuma movimentação nesse sentido - na busca de pontos ou de informações sobre o mercado local. (Colaborou Adriana Mattos, de São Paulo)


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