terça-feira, 18 de junho de 2013

Primavera Paulista se espalha pelas capitais

O que era Paulista está virando Brasileira

Todos os jornais estão destacando que houve manifestações ontem em ONZE CAPITAIS!
Onde é uma afirmação de admiração, também é uma constatação de que as coisas estão caminhando como prevista.
Embora liderados a partir de São Paulo, é importante que o movimento adquira caráter nacional.
O Rio de Janeiro, mais uma vez, fez extraordinária demonstração de coragem e mobilização.
O Rio de janeiro continua lindo!

Mobilizar o Brasil não é fácil, mas é possível.
Quando fazíamos Greve Nacional dos Bancários nos anos oitenta, tínhamos o cuidado de organizar a greve a partir de São Paulo, mas atuando para que também houvesse greves em todas as regiões do país. Caso contrário o Jornal Nacional e os rádios iriam dizer que a Greve Nacional dos Bancários tinha fracassado.
Quando se tem a imprensa boicotando o movimento, tudo fica mais difícil.
Mas, quando se tem a imprensa como estimuladora, tudo fica mais fácil.
É o famoso "Vai por mim que te ajudarei!"

Hoje ouvi no rádio que, no caso brasileiro, não é uma Primavera.

Ledo engano, tem sim o caráter de Primavera, mesmo que esteja apenas no começo.
Ela pode ser abortada ou pode crescer e transformar-se num marco histórico para o Brasil
A Revolução de 1930, que acabou com a República Velha, também começou pontualmente.

As Primaveras no mundo não eram exclusivamente contra os governos.
Todas elas eram por mais Liberdade, mais Cidadania, mais Respeito as Pessoas e por direito de ir e vir.

O Brasil também precisa de uma Primavera.
Os poderes atuais, legislativo, judiciário e executivo, já não conseguem refletir as demandas da população.
A forma como estão estruturados, com custos altíssimos e pouca agilidade, fazem com que a população fique indignada com o alto custo e o baixo desempenho dos governantes e dos políticos.

Como mudar isto? Só com negociações, conversas e mais reuniões?
Historicamente, quem está no poder não cede facilmente.
O desafio é como conseguir mudanças de forma pacífica.
Como evitar depredações, mortes e guerras?
Para evitar isto, o melhor caminho tem sido as consultas populares ou plebiscitárias.

No mundo ocidental, melhor do que o presidencialismo, tem sido o parlamentarismo.
Os governos são compostos pelos partidos mais votados de forma explícita, não é como no Brasil, onde os candidatos brigam antes e depois se compõem barganhando cargos e dinheiro. Facilitando a corrupção.
No parlamentarismo, o governante só fica o mandato inteiro se tiver apoio parlamentar e social.
Quando o governo perde o voto de confiança, convoca-se novas eleições e o povo, soberanamente, escolhe novo Congresso e nova maioria.

Quando não há consulta à população, resta as manifestações e as Primaveras...
O último caso de grandes transformações de forma pacífica foi a queda do império soviético.
Mas, antes disto, o estalinismo matou milhões de pessoas.

As Primaveras Árabes aconteceram com mortes e guerras civis.
E ainda não se transformaram em democracias nos moldes ocidentais.
Lá, a islamização continua como forma principal de governo e de valores.
Talvez o mundo ocidental precise respeitar esta característica regional.

Temos também o desafio do modelo chinês.
Um imenso país, com a maior capacidade produtiva do planeta,
mas, sem liberdades democráticas nos moldes ocidentais.
E a maior base de sustentação do modelo chinês
vem das empresas multinacionais ocidentais e do governo americano.

Por enquanto, o modelo chinês serve como "reserva de mão de obra e de baixos custos" para combater os custos internos nos países ocidentais. É só pesquisar sobre os conflitos entre as importações de produtos chineses no Brasil e no mundo e constatar que este modelo de preços subfaturados quebra as economias dos países e gera desemprego.

Precisamos continuar e ampliar a Primavera, mantendo seu caráter pacífico, apartidário e defensor de mais direitos para toda a população. O povo merece Respeito!

Mas, diariamente, precisaremos tomar muito cuidado para que o movimento não descambe para depredações, invasões e mortes. O perigo vai aparecer em cada cidade ou em cada agência bancária ou ônibus que estiver circulando.

Provavelmente as manifestações de hoje sejam menores do que as de ontem. É preciso saber combinar pressão com organização e respeito ao quotidiano da população. Cada dia de manifestações também significa mais tempo no trânsito, menos comércio, menos aula e mais angústia. A flexibilidade tática é imprescindível.

Da mesma forma que o Brasil soube combater o desemprego que se espalhou pelo mundo a partir de 2008, o Brasil também pode contribuir para que surjam novas formas de governar e de participar. É que chamamos de Democracia Participativa. Superando a velha democracia representativa. O sistema de governo atual tem legalidade, mas não tem legitimidade.

Vamos estimular as Mudanças!
Sem medo de ser Feliz!
E sem medo das Primaveras!

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