terça-feira, 11 de junho de 2013

Pão de Açúcar será administrado por brasileiro

Casino tenta melhorar a imagem

Mesmo no setor privado, ter sócios não é tão simples.
Significa fazer concessões e ter regras e gestões compartilhadas. Isto faz parte da vida democrática.

O capitalismo brasileiro não tem tradição de compartilhar poder.
Mas, na França também existe o mesmo problema na atualidade.

Depois de comprar o grupo Pão de Açúcar, o grupo francês Casino, que tem fama de ser ambicioso e predador, precisou investir numa imagem mais brasileira para o Grupo de Pão de Açúcar no Brasil.

O mais curioso disto tudo é que o brasileiro escolhido é um Psicólogo.

Realmente o grupo, tanto no Brasil como na França,
precisa mesmo de muita dinâmica de grupo.
Valeu a iniciativa!

Leiam a matéria do Estadão de hoje.

Casino põe brasileiro no comando local


O Estado de S. Paulo - 11/06/2013

Objetivo da rede francesa, sócia majoritária no Pão de Açúcar, é dar cor local à operação brasileira e melhorar relações com o governo

O grupo francês Casíno, controlador do Pão de Açúcar, anunciou ontem a contratação de um executivo para assumir suas operações no Brasil. O escolhido foi o psicólogo Ronaldo Iabrudi, de 58 anos, que já foi presidente do conselho de empresas como Lupatech Contax e Telemar e presidente executivo da Magnesita, Telemar (hoje Oí) e Ferrovia Centro Atlântica, Ele chega para ajudar o grupo francês no relacionamento com o governo, com os órgãos reguladores e com a comunidade empresarial brasileira, e trabalhará no escritório do Casino no bairro Jardins, em São Paulo, A indicação de um representante no Brasil ocorre 14 anou após o grupo francês entrar no mercado brasileiro.

Em 1999, a empresa se associou ao empresário Abilio Diniz. No ano passado, o grupo assumiu o controle da operação, em transição mar-cadapor trocas de acusações entre Abilio e o presidente do Casino, Jean-Charles NaourL O conflito societário do Pão de Açúcar sc estende à arbitragem da Cámara de Comercio Internacional, em Paris, O executivo Arnaud Strasser, diretor internacional do Grupo Casino tem dito a pessoas próximas que Iabrudi não foi contratado para representar o Casino na briga entre os sócios, mas para a empresa passar a ter um “rosto” brasileiro.

Até então, o francês Strausser representava os interesses do Casino no Brasil Os franceses queriam, no entanto, um executivo brasileiro para comandar a operação e reforçar que o grupo Pão de Açúcar continua sendo uma “empresa brasileira”. Hoje, as operações no País representam mais da metade dos negócios do Casino fora da França,

“A chegada de Iabrudi reflete nosso compromisso de reforçar nossa presença como maior varejista local e nossa vontade de fortalecer nossos laços com todos os nossos stakeholders (parceiros) no Brasil”, disse Naouri, em comunicado.

Relacionamentos. Iabrudi não tem experiência em grandes redes varejistas, mas já atuou em empresas durante períodos críticos, como conflitos societários e grandes reestruturações. Ele também traz uma experiência em negociações com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - Lupatech e Magnesita, por exemplo, receberam aportes do banco durante sua gestão.

O conflito entre Abilio e Nouri começou em 2011, quando Abilio negociou a fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour no Brasil - um negócio que recebeu, inicialmente, apoio do BNDES, O banco estatal, no entanto, retirou seu apoio ao negócio depois que as desavenças entre os sócios vieram, à tona.
Iabrudi também terá a missão de “fortalecer o relacionamento e o intercâmbio (de experiências)” com os executivos do grupo Pão de Açúcar, disse o Casino, em comunicado.

A mudança no comando da operação do Casino no País vem em. um momento conturbado dentro do Grupo Pão de Açúcar.

Há duas semanas, a Viavarejo -braço que administra as lojas de eletrodomésticos Casas Bahia e Pão de Açúcar - perdeu dois altos executivos em dois dias. Antonio Ramatis, que exercia a presidêncía da Viavarejo, citou a dificuldade em equalizar as expectativas dos sócios (Casino, Abilio Diniz e família Klein) em relação à operação como uma das razões para sua saída.

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