segunda-feira, 13 de maio de 2013

MP dos Portos e as Forças Ocultas

Parlamentares, imprensa, empresários, sindicalistas…

A imprensa já falou muita coisa sobre esta Medida Provisória dos Portos, mas ninguém tinha entrado em detalhes quanto aos verdadeiros interesses que estão em jogo. Hoje apareceu um pouco mais nesta reportagem da Folha. A conclusão que chegamos é que se houvesse mais transparência o Brasil ficaria melhor. Há mais nomes importantes que não aparecem na matéria.

Leiam este resumo de Valdo Cruz, sobre a entrevista de Gleisi Hoffmann, ministra da Casa Civil.

'Interesse setorial não pode se sobrepor ao nacional', diz Gleisi

Folha – Valdo Cruz – 13/05/13

Principal negociadora no governo da medida provisória dos portos, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) diz que defensores de uma reserva de mercado travam o setor portuário no país e dificultam a aprovação da proposta no Congresso Nacional.

"Não podemos permitir que uma reserva de mercado fique em detrimento da eficiência do país", disse em entrevista à Folha, acrescentando que "interesses setoriais não podem se sobrepor aos interesses nacionais" na votação da medida provisória.

Gleisi se refere aos operadores privados com concessões em portos públicos, que resistem à abertura do setor para os portos privados, principalmente à autorização para que eles movimentem cargas de terceiros.
"É óbvio que quem está estabelecido começa a ter resistência, quer manter o seu mercado e não ter concorrência, mas isso não serve ao Brasil", afirmou ela.

A ministra não concorda que a articulação política esteja falhando na votação da medida e envia um recado à base aliada que tem se queixado do tratamento do Palácio do Planalto.


Discussão sobre MP dos Portos coloca em guerra dois grupos privados

Folha – Valdo Cruz – 13/05/13

A MP dos Portos, elaborada pelo governo para abrir o setor, colocou em guerra dois grupos do setor privado: operadores com concessões em portos públicos e grandes empresas que já têm ou querem entrar no negócio.

De um lado, estão empresas como a Santos Brasil, do empresário Daniel Dantas, e a Libra Terminais, operadoras com forte atuação no país.

De outro, estão grupos como o do empresário Eike Batista, Odebrecht e MSC, operadora internacional de navios.
O embate ocorre porque a antiga lei, que pode voltar a vigorar se a MP dos Portos perder a validade na quinta, fazia restrição entre tipos de terminais. Os privados praticamente só podem transportar cargas próprias. Os públicos podem transportar produtos de terceiros.

Os operadores em portos públicos temem a concorrência porque eles não teriam os mesmos custos. Com isso, poderão ser mais competitivos.

Hoje, os dois grandes grupos que atuam no setor,
com concessões em portos públicos,
detêm cerca de 33% do total de movimentação de contêineres no país
e quase 80% no Porto de Santos.

Reservadamente, o governo diz que os operadores de portos públicos estão fazendo lobby no Congresso contra a MP, tendo como representantes no Legislativo deputados peemedebistas.


Nenhum comentário:

Postar um comentário