sexta-feira, 31 de maio de 2013

E para não dizer que não falei de flores

Despedidas de Maio

Apesar da correria, nosso blog continua sendo visitado por gente de todos os continentes. Ontem à noite fui dar uma pesquisada e encontrei consultas de: Iralanda, Indonésia, Ucrânia, Russia, Espanha, Angola, China, alemanha, França, Hungria, Japão e Estados Unidos. Tudo isto somente num dia.

Fiquei pensando sobre o quê estas pessoas procuram no blog. Flores? músicas? notícias do Brasil?
Talvez gostem do meu jeito diferente de escrever e mostrar as coisas.

Imaginem que vindo trabalhar hoje, ao passar pela rua Natingui voltei a olhar o pé de Ipê. Ele está florido. Timidamente florido. Na Rua Fradique Coutinho, a mesma coisa. Poucas flores. Na Rua Madalena o quê se destaca são as flores do "manacá da serra". Elas já estão tomando conta da cidade. Serão as flores de junho....

Mas, quando cheguei em frente ao Cemitério do Araçá, na Av. Dr. Arnaldo, eu contei seis pés de Ipês totalmente floridos. Parece que, nos cemitérios, eles florescem mais.

Descendo a Rua da Consolação eu contei mais três pés de Ipês floridos. Mas a maior surpresa foi quando eu cheguei no Anhangabaú. Aquele pé de ipê todo tímido do mês de maio, parece que gostou das chuvas e floriu inteiro. Agora sim. Ele voltou a ser o centro das atenções do Vale do Anhangabaú. Se eu trabalhasse nas TVs eu faria uma bela reportagem...

E como despedida do mês de maio,
Uma foto do pé de Ipê do Cemitério do Araçá,
ainda tirada no dia do velório de Margarete.



Da mesma forma que precisamos continuar cultivando as flores,
também precisamos tratar com mais respeito os Índios do Brasil.




Santander Brasil também vende gestora

Como acreditar no que o Santander diz?

Os clientes e funcionários continuam reclamando da incerteza
em se trabalhar com este banco.
Ele diz que vai comprar, e na verdade vende.
Este Santander!!!

Agora vejam a matéria do Valor.

Santander Brasil vende área de gestão


Valor - 31/05/2013 às 00h00

Em um negócio global anunciado ontem, o Santander Brasil receberá € 822 milhões pela venda de 100% da sua área de gestão de fundos de investimento. Ontem, o Santander Espanha informou que venderá 50% da Santander Asset Management, que foi avaliada em € 2,047 bilhões, para fundos de private equity da Warburg Pincus e da General Atlantic.

Os três serão sócios em uma nova holding, dedicada à gestão de ativos. A transação, prevista para ser concluída até o fim do ano, envolve gestoras de 11 países, incluindo o Brasil.

Quando a transferência da unidade brasileira for concluída, o Santander Brasil deixará de ser responsável pela gestão de R$ 122 bilhões em fundos, o que fez do banco o sexto maior gestor do país. Só o Santander Espanha permanecerá com a atividade de gestão, detendo diretamente parte da operação brasileira.

O Santander Brasil continuará, porém, com a distribuição e a administração dos produtos. Será remunerado por essa atividade por um valor ainda não informado. Distribuidores desse tipo de produto no Brasil costumam receber pelo menos 50% das taxas cobradas pelos fundos.

Não é a primeira vez que o Santander Espanha decide se desfazer de parte de uma área considerada não bancária. Em 2011, o banco vendeu 51% de seu braço segurador no Brasil, no México, no Chile, na Argentina e no Uruguai para a suíça Zurich. Para o Brasil, a transação rendeu R$ 2,7 bilhões. O país ficou apenas com a distribuição dos seguros.

O objetivo do Santander Espanha com a transação é acelerar sua expansão pelo mundo ao lado dos novos parceiros. Ao mesmo tempo, o banco fortalecerá sua estrutura de capital.

Santander vende gestora de ativos

Os americanos compraram parte do Santander

Notícias oficiais.
Não são boatos.
O Santander continua “fazendo caixa”, isto é,
continua precisando aumentar sua liquidez.

Vejam a notícia do Estadão de hoje.

Santander vende gestora por R$ 1,9 bilhões

Warburg Pincus e General Atlantic, fundos de private equity dos Estados Unidos, ficaram com 50% da Santander Asset Management

31 de maio de 2013 | 2h 07 - O Estado de S.Paulo

O Santander, maior banco da Espanha, anunciou ontem a venda de uma participação de 50% de sua unidade de gestão de ativos para os fundos de private equity dos Estados Unidos Warburg Pincus e General Atlantic. Com o negócio, que rendeu ao banco uma quantia de US$ 914 milhões (ou R$ 1,9 bilhão), os três serão sócios em uma holding que reúne 11 gestoras de fundos, em diversos países, inclusive no Brasil.

A venda de parte da Santander Asset Management (SAM) também dá ao banco espanhol apoio financeiro para expandir seus negócios de gestão de ativos fora da Europa e América Latina, onde estão localizados a maior parte dos 152 bilhões em ativos sob gestão. Com a transação, o banco pretende dobrar esses ativos nos próximos cinco anos e desempenhar um papel ativo no processo de consolidação da indústria para competir com os maiores gestores de ativos do mundo.

"Esse acordo coloca a Santander Asset Management na linha de frente do processo de consolidação do setor e contribuirá para que o Banco Santander fortaleça sua relação com seus clientes, com uma oferta mais competitiva e orientada a sua necessidade de investimento", afirmou Javier Marín, presidente do banco, por meio de um comunicado.
Essa área já havia sido colocada à venda em 2008 pelo Santander, mas, por conta da crise financeira e de divergências em relação ao preço, as conversas não foram adiante. O acordo com os fundos de private equity (especializados em comprar participação em empresas) está condicionado à aprovação das autoridades reguladoras e societárias. Com isso, a expectativa é de que a operação deva ser concluída apenas no fim do ano.

Segundo comunicado divulgado ontem pelo Santander, o negócio prevê que o banco distribuirá produtos da SAM nos países em que o grupo tem uma rede de agências. "Adicionalmente, a SAM distribuirá seus produtos e serviços internacionalmente também fora da rede comercial do Banco Santander", diz a nota.

Os novos sócios do Santander são dois fundos de private equity poderosos. A Warburg Pincus administra mais de US$ 40 bilhões em ativos. Já a General Atlantic tem sob gestão US$ 17 bilhões. Warburg Pincus e Santander já são parceiras na unidade de financiamento ao consumo que o grupo espanhol mantém nos Estados Unidos. "Estamos satisfeitos por fechar mais uma parceria com o Banco Santander para acelerar os planos de crescimento da companhia na América Latina, Europa e outros lugares no mundo", afirmou, em nota, Daniel Zilberman, diretor da Warburg Pincus.

Resultado.
O negócio com os fundos de private equity ocorre no momento em que o banco espanhol vem desapontando o mercado com resultados fracos. No primeiro trimestre do ano, a operação global do grupo lucrou 25,9% menos do que no mesmo período de 2012.

As contas do banco foram afetadas principalmente pela redução de margem, que caiu 14,3% no período. O texto cita o Brasil como um dos exemplos em que a redução dos juros diminuiu a margem e afetou a lucratividade.
O Santander é o maior banco estrangeiro em operação no País. Aqui, o lucro líquido do banco também foi menor no primeiro trimestre - a queda chegou a 14,43% em relação ao primeiro trimestre de 2012.

O Brasil representou 26% de todo o lucro do Grupo Santander no primeiro trimestre deste ano. O número coloca a filial brasileira como a mais importante para o resultado da instituição. No total, a América Latina foi responsável por 51% do lucro trimestral. Um ano atrás, o Brasil foi responsável por 27% do resultado total. A sede espanhola aparece apenas como a quarta maior geradora de resultados para o grupo. / REUTERS

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Brasileiros agora são VIP’s

Gastaram 44 bilhões no exterior em 2012

Só nos Estados Unidos, os brasileiros gastaram 16 bilhões em 2012.
No mundo, somos o segundo maior consumidor turístico,
perdemos só para os chineses.
Até os japoneses já ficaram para trás.

Em Nova York os brasileiros estão em primeiro lugar.

Mas quando a gente olha os jornais brasileiros de hoje,
nada presta, tudo está errado,
o Banco Central aumenta os juros, o PIB,
parece o Mantega, sinaliza que vai avançar,
mas na realidade fica bem abaixo do prometido pelo governo.

Os empresários reclamam, o Corinthians toma gol,
sai perdendo e depois comemora o empate.
O Fluminense é desclassificado da Libertadores.
O Boca Junior também, para consolo dos corinthianos.
Enfim, se depender da imprensa... nosso país é um lixo.

Mas o vice-presidente americano e os donos de hotéis
e de lojas no exterior acham que
o Brasil já não é subdesenvolvido nem emergente.
É por que eles não leem os jornais brasileiros,
não leem a Veja nem assistem ao Jornal Nacional.
Ainda bem...

Leiam o Caderno Turismo da Folha de hoje.
Apesar de chatinha, a Folha, quando quer, faz um bom jornalismo.

Tratamento VIP aos brasileiros

Ensinar português a lojistas é uma das iniciativas de cidades
como Londres e Paris para conquistar os turistas brasileiros,
que deixaram valor recorde de R$ 44 bi no exterior em 2012

Folha – Caderno Turismo – 30/05/2013
DE NOVA YORK DE PARIS DE LONDRES DE MADRI

Os turistas brasileiros estão viajando mais. E gastando mais, muito mais. No ano passado, deixaram a quantia recorde de R$ 44 bilhões no exterior. Cinco anos antes, o valor havia sido de R$ 16 bilhões.

Nos EUA, que tentam avançar contra a crise econômica de 2008, os brasileiros injetaram US$ 8 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) em 2012.

Ficam atrás apenas dos chineses no ranking dos turistas que mais gastam na terra do Tio Sam--em Nova York, são os primeiros.

Atentos aos lucros provenientes dessa expansão, grandes lojas, hotéis e museus de cidades de forte apelo turístico têm feito adaptações para atrair o paulista, o carioca, o mineiro...

Com uma das melhores coleções de arte moderna do mundo, o MoMA, de Nova York, acaba de lançar o audioguia em português.
Do outro lado do Atlântico, o grupo parisiense "Le Figaro" (que edita o jornal homônimo) passou a publicar em janeiro um suplemento de moda e viagens, com 200 mil exemplares trimestrais, também na língua de Camões.

Mas essa onda de tratamento VIP aos brasileiros não se restringe a ações pontuais.

No Reino Unido, um plano recente do governo incentiva que lojistas hotéis aprendam a língua portuguesa.
Não se espante se for recebido com um "bom dia" em visita à loja de departamento Harrods, em Londres.

(JOANA CUNHA, GRACILIANO ROCHA, BERNARDO MELLO FRANCO E LUISA BELCHIOR)

terça-feira, 28 de maio de 2013

Sol, Chuva e Flores

O tempo na nossa vida

Ando impressionado como este ano as flores dos ipês estão em menor quantidade que nos anos anteriores. Ainda pela manhã, mudei o caminho para o Centro, só para passar na Rua Purpurina e ver as flores dos grandes pés de ipê que existem nesta rua. Para minha surpresa tinha poucas flores.

Na Rua Fradique Coutinho, na Rua Natingui e em outras ruas, sempre a mesma imagem: Ipês com poucas flores.

Ao pegar a Av. Bandeirantes, achei alguns pés de ipês com poucas flores. Mais na frente, ao pegar a Av. Nossa Senhora da Saúde, no meio de muitos carros, encontrei um pequeno pé de ipê com poucas flores.

Mesmo os ipês dos cemitérios estão com menos flores do que no ano passado.

E por que poucas flores?

Creio que o clima ficou mais seco do que nos outros anos. Só agora começou a chover e a esfriar. Talvez agora, no mês de junho, se houver mais chuvas, as flores apareçam em mais quantidade.

Mas, entre tantas ruas com poucas flores de ipê, o único lugar que as flores estão aparecendo bem é num ipê existente no Parque Dom Pedro. Quando eu passo com o carro sobre os viadutos, a copa do ipê aparece cheia de flores. Mas não posso parar para tirar fotos. Posso apenas olhar rapidamente...

Mesmo com poucas flores nos ipês, meu tempo também anda mais curto para tirar fotografias. Fico só olhando, tristemente e desejando tirar fotos. Aí passei a entender melhor do porque reduzir a jornada de trabalho ser tão importante. Se em vez de trabalhar tantas horas por dia, as pessoas tivessem mais tempo para ler, fotografar e conversar com as pessoas, talvez o mundo fosse mais feliz.

Imaginem que só agora, mais de sete horas da noite, eu consegui um tempinho para escrever o texto de hoje. E não vou poder mostrar flores de ipê. Até teria outras flores bonitas para mostrar, mas hoje não tenho tempo. Apareceu uma viagem de ultima hora para o Rio.

Mas teremos um feriado e eu espero ter tempo para mostrar só flores, sem matérias de jornais.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Valor como “cabo eleitoral” de Campos

Quem mais investe em Eduardo Campos

Tenho o hábito de dizer que o melhor jornal do Brasil atualmente é o Valor.
Mas, curiosamente, este é o jornal que mais publica artigos analíticos defendendo Eduardo Campos.

A Folha é tucana e neoliberal; o Estadão é tucano e nacionalista; o Valor vinha sendo mais neutro, procurando ajudar os empresários a conhecerem mais o Brasil, em vez de tentar dirigí-los como faz a Folha. Mas, as “forças ocultas” estão tentando descaracterizar o Valor. Diminuindo assim o seu principal “valor”…

Vejam partes desta longa materia de hoje, onde o jornal mostra detalhadamente como o PT está atuando para dificultar a nova candidatura dos que são contra o PT. Eduardo Campos está cada vez mais com a imagem de Marina.

Isto é:
Buscando apoio da direita para ter recursos para tomar votos da esquerda.
Como diz o ditado: “Fingindo de morto, para comer o urubu”.

Não reproduzi a materia toda porque é muito longa.
Mas leiam esta primeira parte. Vale a pena.

Eduardo Campos mobiliza reação ao cerco petista

Valor - Por Caio Junqueira | De Recife – 27/05/2

Pré-candidato a presidente da República em 2014, o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, vê como atentado à democracia o processo em curso, que atribui ao PT e a setores do governo federal, de tentar enfraquecê-lo politicamente dentro de seu partido.

Disse a auxiliares haver nesse movimento um risco de sufocamento da liberdade no país e que resistirá, pois "nasceu escondido em família de foragido político e zela pela democracia".
Os relatos que lhe chegam por governadores, parlamentares e prefeitos do PSB é que há um intenso processo de constrangimento, inclusive com origem nos gabinetes, em Brasília, que funcionam como uma espécie de parada de road-show.

Seus correligionários são chamados em "ministérios-fim", aqueles com responsabilidade de executar os programas de suas áreas, para serem questionados sobre as demandas de seus Estados e municípios.
E, após as promessas de benefícios, terminam nos ministérios políticos ou nas salas dos ministros políticos, onde a conversa costuma se repetir: "Gostamos muito do Eduardo, mas o PSB precisa apoiar a presidenta Dilma em 2014."

Esse roteiro também ocorre por ligações telefônicas e, na avaliação da cúpula do PSB, é o que explica a recente onda de declarações de governadores da legenda, mais diretamente o do Ceará, que vem repetindo um discurso contrário à candidatura presidencial de Eduardo Campos.

O governador do Amapá, Camilo Capiberibe, e do Espírito Santo, Renato Casagrande, por exemplo, relataram a Campos terem conseguido facilidades na liberação de recursos e desenvolvimento de projetos, ao mesmo tempo em que, sob reserva, garantiram-lhe estar no projeto do partido, que só será definido mais tarde.

Por outro lado, Campos, o alvo dessa estratégia, tenta desde o ano passado conseguir a liberação de um milionário financiamento em Brasília, já aprovado pelo Senado, ainda não liberado pelos cofres federais.
Em outra frente, o governador pernambucano acompanha a articulação de uma outra estratégia de asfixia da sua candidatura, só que desta vez em seu território geográfico.

Encabeçado por setores do PT no Estado alinhados à corrente majoritária petista Construindo Um Novo Brasil (CNB), ela consiste em esvaziar a base aliada de Campos em seu Estado, composta basicamente pelos mesmos partidos que sustentam a presidente Dilma Rousseff em Brasília.

Há, inclusive, a "chapa dos sonhos" que viria a ser o palanque pernambucano de Dilma. Ela tem o senador Armando Monteiro (PTB) como candidato a governador. Na vice, o ex-prefeito de Recife e deputado federal João Paulo Lima (PT). Para o Senado, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB), por algum partido aliado do Palácio do Planalto. Pode ser PMDB, PSD ou mesmo PT. No Estado, a chegada de Bezerra a qualquer desses partidos já foi articulada e será bem acolhida. Mas antes ele tem que escolher se quer deixar o projeto Eduardo Campos.

Seu papel é fundamental nesse processo, pois sua saída do PSB, segundo petistas, pressionaria Campos a se posicionar neste ano se é ou não candidato, algo que ele pretende fazer só no ano que vem.
Na ponta do lápis, Campos perderia o apoio em seu Estado de PT, PP, PTB, PSD, PMDB e PRB, para ficar nos mais representativos. Seu candidato partiria com PSB, PCdoB e PR.

domingo, 26 de maio de 2013

Brasil de Macunaímas e Fernandas

Num dia ruim nos jornais

Os jornais deste domingo estão horríveis. O que salva é a revista “Serafina” com matérias com Fernanda Montenegro e Gal Costa. Duas artistas que honram a nossa história.

Quando a Folha começou a editar esta revista, ela era elitizada e tinha mais fotos que reportagens. Atualmente, além de belas fotos, há boas entrevistas e reportagens. Parece que acharam a veia.

Enquanto nossos politicos e juízes estão cada vez mais para Macunaímas,
ainda existem pessoas como nossas Fernandas (mãe e filha).

Vejam parte deliciosa reportagem sobre Fernanda Montenegro.
Há fotos maravilhosas na revista, mas não colocarei nenhuma.
Recomendo que voces leiam no site da uol-Folha.

Fernanda Montenegro: “Eu é um outro”

Folha - FERNANDA MENA
DE SÃO PAULO – 26/05/2013

Ela já encarnou personagens de Sófocles e Molière, Pirandello e Beckett, Jorge Andrade e Nelson Rodrigues. Mas, em seus quase 65 anos de carreira, em que esteve na pele de cerca de 500 tipos, nos palcos, no cinema e na TV, há uma personagem que se destaca, interpretada diariamente e tida em todo o país como a primeira dama do teatro brasileiro: Fernanda Montenegro.
Foi esse o pseudônimo criado pela adolescente Arlete Pinheiro Esteves da Silva, em 1949, para apresentar um programa de adaptações literárias na Rádio do Ministério da Educação.

"Escolhi um nome que achei literário e maluco. E pegou", diz a atriz, remetendo à célebre frase com que o poeta francês Arthur Rimbaud (1854-1891) descreveu a multiplicidade de vozes que o artista traz em si: "Eu é um outro".

Desde então, uma é outra, e outra é, no fundo, uma. "O esteio da dona Montenegro é a dona Arlete. Uma é para uso externo, outra é para uso interno. Uma tem uma fantasia em torno dela, outra tem a realidade palpável do dia a dia", teoriza, enquanto retoca a maquiagem para as fotos que ilustram estas páginas.

Mas, aos 83 anos, ainda consegue se enxergar como Arlete?
Antes de responder, uma mira a outra no espelho, em silêncio. Sem desviar os olhos do reflexo, diz: "Consigo. Mas consigo lá dentro. Isso aqui, agora, por exemplo, não é a Arlete. É a Fernanda. Embora o cavalo seja da dona Arlete, ou seja, o corpo seja o dela, tudo isso o que está armado sobre ele é da dona Fernanda", explica.

E foi como Fernanda Montenegro que ela causou barulho recentemente ao beijar na boca a colega Camila Amado, 77, durante o prêmio da Associação dos Produtores de Teatro do Rio (APTR). O beijo, interpretado como um protesto contra a permanência do deputado Marco Feliciano (PSC-SP) na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, transformou a atriz em nova musa da luta contra a homofobia.

"Não foi bem um proteeeeesto", diz. "Dois atores haviam dado um selinho em repúdio ao insulto que é esse homem. A Camila entrou no palco e disse: 'Eu também gostaria que alguém me beijasse na boca'. E eu disse: 'Pois não, vamos nós'. Fui lá e a beijei simplesmente", narra. "Se foi tido como um protesto, tudo bem."
Agora, Fernanda integra uma campanha contra o preconceito cujo slogan é: "O próximo pode ser você".

Ela mesma já foi alvo. "Nos anos 1950, atriz era prostituta, e ator era gigolô ou veado. Não tinha salvação", lembra. Ela é do tempo em que toda atriz e toda prostituta tinham de obter na delegacia uma carteirinha para trabalhar na área de diversão. "Era um documento da segurança pública para a marginália. Foi suspenso após campanha da atriz Dulcina de Moraes [1908-1996]."

Criada num sítio na região de Jacarepaguá, zona oeste do Rio, Fernanda teve uma infância primitiva, cercada de bichos e dos parentes --muitos deles eram pastores na Sardenha, Itália.

A memória deve ajudá-la no remake de "Saramandaia", em que interpretará uma personagem que não existia na trama original e que contracena com animais.

"Sempre conversei com os bichos, não vai ser novidade", brinca.

"Perdi um cachorrinho que era a minha conversa noturna e tenho um casal de passarinhos com quem fico de papo. Mulher fala muito, né? Está sempre conversando com ela mesma e com as coisas. E bichos são ótimos para isso."


sábado, 25 de maio de 2013

Ipês nos Cemitérios estão floridos

E também nas ruas de São Paulo

Nesta semana, ao passar em frente aos cemitérios da Av. Dr. Arnaldo e da Rua da Consolação, fiquei impressionado como os Ipês estavam floridos.

Lembrei-me que nos dois cemitérios nós tínhamos duas histórias.

Num dos cemitérios estava o corpo de uma pessoa que trabalhou toda a vida na construção da primeira central sindical do Brasil, apesar de o país ter 513 anos de vida. Neste cemitério em flor estava Margarete.

Já no outro cemitério, também estava o corpo de outra pessoa que trabalhou durante toda a vida na construção de um Brasil melhor. Porém, “um melhor” conforme os olhos dos patrões e dos empresários. Neste outro cemitério estava Dr. Ruy Mesquita. Um empresário e jornalista com personalidade forte e compromissos com o Brasil.

Uma pessoa tão importante quanto a outra.
Ambas construíam um Brasil melhor.

E, curiosamente, enquanto o carro descia a Rua da Consolação, o rádio do carro estava sintonizado na Rádio USP, universidade que os Mesquitas ajudaram a criar, e ouvia-se a voz de Gilberto Gil cantando a sua “Canção do Exílio”...

As lembranças das pessoas, a beleza das flores dos ipês e a emoção ao ouvir a música, fez-me com que eu preferisse mostrar apenas a música. As flores ficam para outro dia.

Vejam como a música é bonita.

Aquele Abraço



A vida é assim. Os que apoiaram o golpe militar, por acharem que o Brasil estava caminhando para ser uma “República Sindicalista”, depois lutaram com dignidade para acabar a ditadura que eles ajudaram a criar.

E hoje o Brasil é governado há dez anos por um partido criado pelos sindicalistas.

Faz parte da democracia e da aprendizagem da vida.

E a música de Gilberto Gil,
que foi feita quandopartia para o exílio,
continua sendo parte importante da nossa história.

Aquele abraço para todos e todas.
Como dizem os politicamente corretos, atuais.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Pão de Açúcar, Via Varejo e Confusão

Novo dono joga pesado

O pessoal do Pão de Açúcar anda dizendo que “era feliz e não sabia”.
Com o novo dono francês, o clima no conglomerado só tem piorado.
Até a qualidade no atendimento aos clientes já foi afetada.

Leiam esta material da Folha de hoje.

Presidente da Via Varejo sai após seis meses na função

Executivo se diz descontente com interferência e com não pagamento de bônus
Segundo o Pão de Açúcar, parte do benefício de Ramatis fora transferida para programa da Via Varejo

CLAUDIA ROLLI, TONI SCIARRETTA
FOLHA DE SÃO PAULO – 23/05/2013

Após seis meses no comando da Via Varejo, empresa de eletroeletrônicos do Grupo Pão de Açúcar (GPA), Antonio Ramatis Rodrigues pediu demissão ontem. Segundo ele, o motivo foi não receber o bônus da companhia referente a 2012.

Na maior parte de 2012, Ramatis trabalhava no Pão de Açúcar,
de onde foi transferido em novembro para presidir a Via Varejo.

O executivo será substituído interinamente por Vitor Fagá de Almeida, atual vice-presidente financeiro, recém-chegado do Pão de Açúcar. Economista de formação, Fagá trabalhou por três anos no grupo, tem perfil técnico e foi destacado para para melhorar o desempenho e o relacionamento da Via Varejo com o mercado de capitais.

A empresa planeja fazer uma oferta pública de ações.

Entregue minutos antes de o conselho se reunir ontem pela manhã,
a carta de demissão surpreendeu os nove conselheiros da empresa
--entre eles, Michel Klein (antigo dono das Casas Bahia) e Abilio Diniz,
segundo maior sócio do Pão de Açúcar-- e o alto escalão do grupo.

"Não tenho concordado com a orientação que se pretende adotar em relação a determinados assuntos da companhia. Também não posso concordar com interferências que tenho recebido no exercício de minha função por parte de executivos do grupo", diz um trecho da carta.

Vindo do Pão de Açúcar, Ramatis assumiu o comando da Via Varejo em novembro no lugar de Raphael Klein, neto do fundador das Casas Bahia, com a missão de profissionalizar a empresa, formada por Casas Bahia, Ponto Frio e Nova Pontocom (braço on-line do grupo).

BÔNUS

"Outro fator que também influenciou bastante a minha decisão é o fato de que não recebi, até a presente data, o pagamento referente ao plano de stock option' [opção de pagamento por ações] relativo ao exercício de 2012, o que evidencia um tratamento discriminatório", disse Ramatis.

Especialistas do mercado estimam que o executivo deveria receber em torno de R$ 3 milhões, parte em dinheiro e parte em ações.

O pagamento de bônus no Pão de Açúcar é feito a executivos que permaneceram no grupo até 31 de dezembro de 2012 e que cumprem as metas estabelecidas. Mas Ramatis saiu da empresa antes da data prevista.

Segundo a Folha apurou, havia um acordo que previa que Ramatis receberia o benefício do GPA, uma vez que não foi ele quem pediu para sair, mas, sim, a companhia que o dispensou para que ele presidisse a Via Varejo.

A versão do Pão de Açúcar é outra, segundo a Folha apurou. Ramatis recebeu parte do bônus em dinheiro, e a parte em ações foi transferida para ser paga pela Via Varejo, conforme prevê a política de incentivo de longo prazo da companhia. Por outro lado, a Via Varejo debitaria do GPA esse valor relativo ao período em que o executivo trabalhou no Pão de Açúcar.

Outros sócios do GPA levantaram a possibilidade de que Ramatis tivesse saído para assumir um novo cargo na BRF (resultado da fusão de Sadia e Perdigão), empresa de alimentos em que Abilio Diniz foi eleito presidente do conselho de administração.

No contrato de Ramatis com a Via Varejo, ele não assinou cláusula que impede sua ida para empresas concorrentes após deixar a companhia. Questionado na reunião do conselho, Abilio negou que tenha feito convite para Ramatis integrar a BRF.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Santander e a agressão à liberdade

Um banco em crise

Agora o Banco Santander Brasil ataca o movimento sindical,
tentando proibir seus funcionários de fazerem manifestações públicas.

As autoridades brasileiras não podem aceitar esta agressão por parte do Santander no Brasil.
Afinal, a maior parte do lucro mundial do banco sai daqui do Brasil.

Se a ditadura militar não nos calou, não será o Santander que irá nos calar.

Vejam a carta que recebemos da coordenadora sindical dos funcionários do Banco Santander no Brasil.


Repudio às práticas antissindicais do Santander


De: Rita Berlofa

Solicito divulgação a todas as entidades sindicais.

Companheiros

O Santander está fazendo um ataque ao movimento sindical brasileiro, tentando inviabilizar financeiramente as entidades através de pesadas multas impostas pela justiça comum.

No final da Taça Libertadores que tinha o Santander como patrocinador os trabalhadores denunciaram as demissões, falta de funcionários, assédio moral, metas abusivas, desrespeito aos direitos dos aposentados entre outras mazelas. O Santander entrou com ação na justiça comum e as entidades foram multadas em R$1.500.000,00, estamos recorrendo.

Como se não bastasse, o Santander entrou novamente com processo contra as entidades na justiça comum pedindo desta vez que a multa fosse maior já que um milhão e meio não havia atendido seus objetivos - nos calar, isso porque no dia 11 de abril fizemos atividade nacional denunciando demissões, com redução brutal de postos de trabalho, falta de funcionários nas agencias, precarizando o atendimento aos clientes e as péssimas condições de trabalho traduzida por metas abusivas, pressão desmedida para o cumprimento delas, desrespeito, assédio moral, etc.

Essa ação do Santander é um ataque à liberdade Sindical, à autonomia sindical e à liberdade de expressão, direitos duramente conquistados. Tivemos que enfrentar anos de chumbo no período da ditadura, muitos deram a vida para que tivéssemos esse direito que está sendo aviltado pelo banco espanhol Santander. Por isso nós trabalhadores estamos em luta conforme o que se segue:

22/05 - mutirões nas agencias denunciando a prática do Santander aos trabalhadores e clientes

23/05 - dia internacional de repúdio às práticas antissindicais do Santander, onde trabalhadores do Santander na América do Sul, faram manifestações em solidariedade aos trabalhadores brasileiros;

Rede Internacional dos trabalhadores do Santander pela UNI Américas Finanças e da Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul - CCSCS também enviará carta ao presidente Botin e Jesus Zabalza. conforme deliberado em reunião da rede ocorrida em Asunción no Paraguai.

UNI - Finanças mundial encaminhou correspondência, hoje, ao presidente do Grupo Santander - Emilio Botim e ao presidente do banco no Brasil - Jesus Zabalza, repudiando essas práticas.

UNI Finanças mundial - lançará uma campanha mundial onde toso os trabalhadores poderão se manifestar contra essas práticas enviando mensagens ao Presidente do Grupo. Emilio Botin, e ao presidente do Santander no Brasil, Jesus Zabalza. Assim que estiver pronta, daremos divulgação e desde já solicitamos à todas entidades sindicais que disponibilizem a campanha em seus sites e solicitem a adesão de trabalhadores de todos os setores da economia. pois um ataque do Santander é um ataque a todo o movimento sindical, independentes de país ou ramos de atividade.

Disponibilizo neste email a carta enviada pela UNI Finanças mundial para que seja dada divulgação a todos e, tão logo seja encaminhada a carta da Rede Internacional dos Trabalhadores do Santander, também divulgarei, mesmo procedimento será feito em relação à campanha "click and go" da UNI.

Que amanhã façamos todos boas atividades contra as práticas antissindicais do Banco Santander.

Saudações de Luta e Solidariedade.

Rita Berlofa
SEEB - SP - CUT

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Democracia = Liberdade, Opinião, Pluralidade, Voto

O Estadão reflete a elite brasileira

Sou assinante do Estadão, mesmo tendo divergências quanto à forma como vem fazendo campanhas ostensivas para os tucanos e para os oposicionistas ao PT. Assino também a Folha e leio diariamente o jornal Valor, atualmente o melhor.

Sempre preferi mais a firmeza e explicitação da concepção de Democracia conservadora do Estadão à concepção fingida da Folha de democracia moderna.

Ainda no auge da ditadura militar que, tanto o Estadão como a Folha, tiveram papel relevante contribuindo com o golpe que acabou com a democracia direta que havia até 1964, sempre defendi explicitamente meu conceito de Democracia. Atuei no movimento estudantil, na Igreja, no movimento sindical, no MDB e depois no PT. Nunca abri mão daquilo que vejo como Democracia. Fosse sendo preso e cassado na ditadura, fosse polemizando com os esquerdistas.

Para mim, Democracia pressupõe: Liberdade, Opinião, Pluralidade e Voto universal.
Liberdade de ir e vir, liberdade de acesso aos mais diversos conhecimentos, pluralidade política, religiosa e filosófica. Direito de expressar as opiniões, sistema educacional laico e pluralista. E, fundamentalmente, o direito de o POVO votar. Errando e acertando, mas exercendo o seu direito soberano de Votar.

Neste sentido, JAMAIS devemos aceitar um golpe militar ou civil para interromper a Democracia.
A verdade e a democracia são educadoras e libertadoras.

Dediquei minha vida à luta contra a Ditadura, continuo lutando pela Democracia plena no Brasil, continuo achando que nossa democracia ainda é embrionária e frágil. Não gosto dos poderes atuais, inclusive desta promiscuidade partidária e jurídica. Acho que nosso sistema educacional precisa passar por ampla modernização. Mas tudo na regra do jogo. Tudo na democracia, com voto direto e universal. Sem golpismo e sem a imprensa manipular o noticiário.

O Estadão contribuiu muito para o avanço da democracia no Brasil. A Família Mesquita faz parte da História do Brasil.
Infelizmente nosso país não tem tradição de ter uma imprensa de esquerda ou progressista. Só temos imprensa conservadora, embora, quando conveniente, respeitem a Democracia.A imprensa sindical não concorre com a Grande Imprensa.

Reproduzo abaixo um bom texto do “Dr. Ruy”.
Leiam com atenção que entenderão o quê escrevi acima.

A liberdade, antes de tudo

21 de maio de 2013 | 21h 47 - Estadão
Ruy Mesquita

Albert Camus acreditava no jornalismo como trincheira de combate político, não apenas uma correia de transmissão de notícias, muito embora esta também seja uma função nobre e importante para a vida numa sociedade democrática. Não foi à toa que ele participou da equipe de uma publicação que se tornou um ponto de referência da resistência francesa à invasão nazista, Combat.

O grande escritor franco-argelino, justamente galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura, não viveu o suficiente para ver como a era da comunicação de massas, que reina sobre a sociedade da informação, tem atrofiado, cada vez mais, o papel combatente da imprensa, dando mais relevo à natureza meramente noticiosa dos jornais.

Neste panorama, comum em todo o planeta, o Brasil não é exceção à regra. Mas o jornal O Estado de S. Paulo é, sim, e se orgulha de sê-lo. Embora nunca tenha deixado de lado a obrigação social precípua de narrar os fatos do dia a seus leitores fiéis, este diário sempre se manteve, ele também, fiel a sua característica, adquirida desde a fundação, de arma política na luta pelo aperfeiçoamento das instituições democráticas. Fundado por abolicionistas e republicanos, desde seus tempos iniciais, quando ainda tinha no cabeçalho o título A Província de São Paulo, ele nunca abandonou a trincheira da guerra, sempre nobre, mas muitas vezes inglória, pelos princípios democráticos, que se baseiam no primado da liberdade de agir, empreender, trabalhar, se reunir e se manifestar.

Essa diferença de um jornal, entendido como arma política, e não apenas divulgador de notícias, estabelecida pelo grupo de fundadores, combatentes republicanos em pleno 2° Império, foi entendida em toda sua extensão por meu avô, Julio Mesquita, e seus descendentes, que participaram do contexto histórico nacional.

O Estado, muito mais do que um registro fiel dos fatos históricos, sempre se orgulhou de ser um ator, muitas vezes até protagonista, da História, por mais sacrifícios pessoais ou patrimoniais que esse papel pudesse implicar. O velho Julio Mesquita foi o primeiro a sofrer sacrifício pessoal, pois, em sua luta contra a frustração dos ideais republicanos na 1.ª República, acabou apoiando os movimentos revolucionários da década dos 20, o que lhe custou, em 1924, uma temporada nas prisões de Artur Bernardes.

Em nome dos ideais liberais a que sempre foi rigorosamente leal, meu pai, Julio de Mesquita Filho, amargou o exílio em 1932, depois da derrota militar da Revolução Paulista, aliás planejada na redação de O Estado de S. Paulo. Voltou ao exílio em 1938, após ter frequentado várias vezes as prisões do Estado Novo fascista, instalado pelo golpe de novembro de 1937, por se recusar a silenciar diante da explícita traição dos ideais da Revolução de 30 por seu usurpador Getúlio Vargas.

Por causa disso, o jornal foi fechado e viveu um hiato administrado por esbirros do Estado Novo. A fidelidade aos mesmos ideais levou meu pai a apoiar a conspiração política e militar, chegando até a dela participar, para enfrentar a ofensiva do governo de João Goulart contra as instituições democráticas. Essa ofensiva culminou com o projeto de instalação de uma "república sindical" no País, anunciada no famoso discurso de Goulart no comício da Central do Brasil, em março de 1964.

No entanto, não demorou muito após os militares terem assumido o poder, e logo ele se convencia de que o movimento contrarrevolucionário se desviava de seu objetivo inicial, que era o de preservar as instituições democráticas. Já por ocasião da promulgação do Ato Institucional n.° 3, Julio de Mesquita Filho colocou o jornal em franca oposição ao governo Castello Branco e ao regime.

O resto é História. Que, aliás, está muito bem contada nessa exposição: a progressiva radicalização, tanto dos opositores do regime militar, à esquerda, quanto da linha dura militar, que os reprimiu. Essa exposição tem a virtude de resgatar a História do Brasil recente. Aqui estão registrados os fatos de 1968, que terminaram provocando a reação brutal dos militares da linha-dura. Estes impuseram a violência institucional. Para entender bem a época, é preciso ter presente o fato de que o movimento estudantil tinha reivindicações materiais em seu princípio e Edson Luís Souto, o estudante morto à bala num confronto com a repressão policial, nem sequer tinha posições políticas bem definidas. E deu no que deu: guerrilha, fechamento do Congresso, censura, etc.

A promulgação do Ato Institucional n.° 5, em 13 de dezembro de 1968, marcou o fim da atividade jornalística de Julio de Mesquita Filho. Seu editorial daquele dia, "Instituições em frangalhos", escolhido para encerrar esta exposição, foi o último que escreveu. A edição em que o texto foi publicado foi apreendida pela polícia da ditadura, e até o fim do regime de censura da imprensa, já no governo Geisel, aquele espaço passou a ser ocupado por versos dos Lusíadas, poema fundador de nossa língua portuguesa, de autoria de Luís de Camões.

Poucos dias após esse episódio, em janeiro de 1969, Julio de Mesquita Filho caiu doente e estou convencido de que o triunfo da linha-dura dos militares sobre os ideais originais do movimento de 1964 lhe produziu tal amargura e frustração que terminariam levando-o à morte. Quando morreu, a meu ver de desgosto por isso, meu pai era um homem idoso, mas, em seus 77 anos, não sofria dos achaques naturais da velhice. Ao contrário, era um homem moço para sua idade avançada.

Logo depois da decretação do AI-5, contudo, uma velha úlcera do duodeno, com a qual conviveu durante a vida inteira sem hostilidade de parte a parte, ressurgiu com violência, levou-o ao leito e, seis meses depois disso, à morte, em julho de 1969. Com o AI-5 e o controle do governo pela linha-dura, o regime passou a ser mais violento e explícito do que já era. O Estado de S. Paulo, como era de se esperar, estava entre suas primeiras vítimas - foi o único dos grandes jornais a ser censurado na redação, por se recusar a praticar a autocensura, como também se recusou o semanário alternativo carioca O Pasquim.

Em reconhecimento a isso, a Federação Internacional de Jornais concedeu o Prêmio Pena de Ouro da Liberdade de 1974 a meu irmão Julio de Mesquita Neto, que tinha assumido o lugar de nosso pai e passou a comandar o jornal após sua morte, em julho de 1969. Com o prêmio, a FIJ ressaltou a "corajosa e solitária luta que vem mantendo contra a censura à imprensa no Brasil".

O próprio regime militar, ao resolver partir para a abertura política, definida como uma distensão lenta, segura e gradual, reconheceu o papel histórico desempenhado pelo jornal. Pois o presidente Ernesto Geisel aproveitou a edição comemorativa do centenário da fundação do Estado, em 1975, para retirar a censura de nossa redação, anunciando, dessa forma, o fim da censura no País.

Essa consciência de que o jornal tem de cumprir sua função social de contar a verdade para seus leitores, sem abrir mão de funcionar como arma na luta política na defesa dos nobres ideais da liberdade, continua a impregnar a tinta que circula em nossas rotativas. A liberdade, antes de tudo, é o lema que corre no sangue de minha família, na luta para construir um Brasil melhor e mais justo para nossos filhos.

ARTIGO PUBLICADO EM 24/4/1998, NO CADERNO ‘1968 - DO SONHO AO PESADELO’

terça-feira, 21 de maio de 2013

Brasil - Verdades e Mentiras dos Poderes

O quê da para rir, da para chorar

De gênio, louco, bobo, engraçado e radical, todo nós temos um pouco.

Nossa imprensa fala muitas mentiras,
mas diz que faz parte da “liberdade de imprensa”;
nossos politicos falam uma coisa e fazem outra,
mas dizem que faz parte do “jogo politico”;
nossos governantes fazem um programa eleitoral e governam bem diferente do que prometeram,
mas dizem que não fazem mais porque “a lei não facilita”.

No judiciário é a mesma coisa,
eles juram que farão justiça e quando efetivados aplicam a lei do mais forte.
Isto também vale para a segurança.

Quando o ministro Joaquim Barbosa fez o quê fez contra os petistas,
a imprensa e muita gente no Brasil bateram palmas.
Agora, quando ele fala o quê fala contra o legislativo e a imprensa,
os que aplaudiram Barbosa, agora dizem que ele é inoportuno.

Como diz o compositor:
No Brasil, tudo que da para sorrir, também da para chorar.

Leiam partes desta matéria do jornal Valor.

Barbosa volta a afrontar Congresso

Valor – 21/05/2013

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, avaliou que os partidos políticos são "de mentirinha" no Brasil e que o Congresso Nacional é ineficiente na tarefa de deliberar, razão pela qual é dominado pelo Executivo.

"Nós temos partidos de mentirinha",
afirmou o ministro em palestra no Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb).

"Nós não nos identificamos com os partidos que nos representam no Congresso, a não ser em casos excepcionais", continuou.

"Eu diria que o grosso dos brasileiros não vê consistência ideológica e programática em nenhum dos partidos. Querem o poder pelo poder."

O ministro disse ainda que a maioria dos projetos de lei não é de iniciativa do Legislativo, mas sim, do Executivo.

Para ele, as propostas de iniciativa do Congresso "não devem chegar a 15%", quando deveriam ser de 90%.

Segundo Barbosa, "o problema crucial brasileiro, a debilidade mais grave do Congresso brasileiro é que ele é inteiramente dominado pelo Poder Executivo". "Há um domínio institucional do Executivo sobre o Congresso Nacional", constatou.

A solução, na opinião do presidente do STF, seria a adoção do sistema de voto distrital na Câmara, pois, com ela, o Congresso teria representantes locais, e não setorizados. "Há uma bancada evangélica, uma do setor agrário, outra dos bancos. Mas as pessoas não sabem isso, porque essa representatividade não é clara", disse Barbosa. "Teríamos que dividir o país em 513 distritos", enfatizou o ministro. "Eu tenho certeza que a representação nacional ganharia e muito em qualidade com a representação dessas pessoas."

As avaliações de Barbosa repercutiram no Congresso.

No Senado, o vice-presidente da Casa, Jorge Viana (PT-AC), disse respeitar a opinião de Joaquim Barbosa, mas avaliou que a posição não contribui para o fortalecimento dos três Poderes e para o fim dos embates com o Judiciário. "Acho que, para quem dirige os Poderes, o melhor seria encontrar uma maneira de cuidar cada um do seu e ajudar a fortalecer os outros Poderes."

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que "o ministro, como qualquer cidadão brasileiro, tem direito de avaliar os partidos políticos e dar sua opinião".

Após as repercussões das declarações de Barbosa, a assessoria do STF informou em nota que o ministro não teve a intenção de criticar o Legislativo e seus integrantes durante a palestra. "Não houve a intenção de criticar ou emitir juízo de valor a respeito da atuação do Legislativo e de seus atuais integrantes."

Segundo a assessoria, Barbosa participou do evento "na condição de acadêmico e professor". "Ao responder a questionamentos de alunos, expressou opiniões sobre o sistema de governo adotado no Brasil, na perspectiva do funcionamento ideal das instituições. (...) A fala do presidente do STF foi um exercício intelectual", diz a nota.

Nota do blog:

Continuamos dizendo que o problema do Brasil é estrutural
e que o melhor caminho para a modernização do nosso país é a convocação de Nova Constituinte
para "limpar a legislação da herança do tempo da ditadura".




segunda-feira, 20 de maio de 2013

Sebastião Salgado impressiona o mundo

Uma aula de humanismo

Leio quase tudo que aparece sobre os bons fotógrafos. Sebastião Salgado e Cartier Bresson têm algo em comum. São tímidos... A diferença é que Salgado está vivo e fazendo arte. Cartier já foi.

O gostoso é quando um bom jornalista faz uma boa entrevista ou reportagem sobre o fotógrafo e seu trabalho. Aí a leitura fica mais gostosa.

Vejam esta entrevista que Sebastião Salgado deu a Andrei Netto, correspondente do Estadão em Paris. O jornal também tem seu mérito, ao abrir espaço para este tipo de matéria.

Fascínio da imagem

Projeto Genesis incentivou Sebastião Salgado a retornar à fotografia
e a trocar a depressão pelo otimismo


19 de maio de 2013 | 2h 08

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS - O Estado de S.Paulo

Sebastião Salgado construiu sua carreira como um dos mais aclamados fotógrafos da história registrando o homem, as questões sociais, a industrialização, a economia, a imigração, a vida e a morte das guerras. Um desses projetos, Êxodos, lançado em 2000, é o best-seller que encarna seu fascínio pelo humano ordinário em fuga - o trânsito dos refugiados.

Ao término desse projeto, que marcou sua biografia, o fotógrafo brasileiro radicado em Paris estava morrendo.
Como as populações que viu agonizarem em Ruanda, como os milhares de cadáveres que viu serem empilhados por retroescavadeiras, seu corpo também se deteriorava. Mergulhado na depressão e na descrença profunda na humanidade, Salgado decidiu parar de fotografar.

Para curar sua alma, refugiou-se no Brasil. Lá, junto do pai e da mulher, a designer Lélia Wanick Salgado, descobriu que a degradação não era apenas do ser humano, mas também do ambiente. O paraíso no qual tinha passado a infância estava sendo arrasado. Diante do desafio de reconstruir o ecossistema que trazia na memória, lançou-se a um projeto de reflorestamento e preservação ambiental.

O contato com a terra, então, lhe devolveu o contato com a Terra. E daí nasceu Genesis, um projeto fotográfico ambicioso e milionário (de € 8 milhões), dividido em oito anos e em 32 reportagens, verdadeiras expedições a ecossistemas, paisagens e povos intocados pelo progresso.

Lançada em Londres em 9 de abril, a primeira edição de Genesis, de 50 mil exemplares escritos em seis línguas, esgotou-se em 20 dias. Outra edição já foi encomendada e vai ficar pronta até o final deste mês. A previsão de seu editor, a alemã Taschen, é de que entre 500 mil e um milhão de livros sejam vendidos - de duas vezes e meia a oito vezes mais do que Êxodos.

A exposição fotográfica chega a São Paulo em 11 de setembro.

Muito além do sucesso comercial, entretanto, Genesis significa para Salgado uma espécie de renascimento. Em suas reportagens, o fotógrafo que antes imortalizava homem e agora registra habitats reencontrou a esperança. Em lugar da depressão que o abalou ao fim de Êxodos, Genesis lhe traz entusiasmo, fascinação e otimismo. Salgado descobriu que a Terra, por mais abalada que esteja pela intervenção do homem, ainda vive.

A seguir, a síntese da entrevista concedida ao Estado em seu ateliê
um dia após a sessão de autógrafos realizada de Paris na sexta-feira.

Você construiu sua carreira registrando o homem e suas questões econômicas, políticas e sociais. Ao que consta, ao fim de Êxodos você estava abalado, perdendo a fé na humanidade e decidiu parar de fotografar. É isso?

Sim, eu parei de fotografar um momento. Quando estava fazendo Êxodos, sofri uma carga psicológica brutal. Em Ruanda, principalmente, vi coisas terríveis. A força de se trabalhar em um universo difícil, violento, é enorme. Eu presenciei 15, 20 mil mortos por dia, a tal ponto de não se poder enterrar as pessoas. Os corpos se acumulavam em montes, em linhas de 100 metros de mortos. Aí vinha a máquina e levantava 30, 40 corpos e os jogava em um buraco. Era uma coisa brutal.

Vi populações em total desespero.
Quando terminei esse trabalho, meu corpo inteiro estava doente. Eu não conseguia mais dormir, não fazia mais a digestão. Fui ver o médico e fiz exames. Ele me disse: "Você não tem nada, mas está morrendo".
Eu tinha vivido um universo de degradação tão profundo que meu corpo não se dava mais o direito de viver.

Com foi a redescoberta?

Lélia e eu paramos e fomos para Porto Seguro. Coincidentemente, foi o momento em que meus pais estavam ficando velhinhos, e nos passaram uma fazenda em Minas Gerais. Pensamos até em ser fazendeiros, abandonar a fotografia. Mas, quando vi aquela terra, ela não era mais o paraíso com 50% de cobertura de florestas de quando eu era criança, mas só com 0,3% de cobertura florestal.

Na minha região inteira, tudo estava destruído. Eu estava meio morto, e aquela terra estava meio morta, apesar de sua qualidade maravilhosa. A Lélia então teve uma ideia maravilhosa. Ela me disse: "Você sempre me disse que cresceu em um paraíso. Por que não replantamos a floresta nativa que havia aqui?". Foi construindo esse projeto que veio a ideia de fotografar o planeta.

Eu nunca tinha fotografado paisagens, nem outros animais. Foi fantástico.

Mas para isso você teve de sair da zona de conforto e se lançar no desconhecido.

Sim, mas o conforto é relativo. Eu trabalhei dentro do projeto Genesis com grupos que ainda vivem como há 3 mil, 10 mil, 50 mil anos. E posso dizer que eles vivem de uma forma hiper confortável. Não têm a sofisticação de consumo de produtos que nós temos, mas eles têm um conceito que nós perdemos: o essencial. Eles vivem de uma maneira fantástica, com o mesmo sentido de comunidade e de solidariedade que nós temos.

E você teve de viver assim também durante o projeto.

Fazendo esse projeto, voltei a viver como vivíamos há cinco mil anos, em uma barraca, caminhando… Fiz caminhadas incríveis, como no norte da Etiópia, por exemplo. Foram 55 dias caminhando, fazendo 850 quilômetros a pé, pelas montanhas, porque não tem estrada. A Lélia veio a 350 quilômetros do fim e fomos embora. Qualquer um pode fazer. Não é um desconforto. É maravilhoso.

Você disse em uma de suas entrevistas que se reencontrou como animal.

Sim, sou um animal e me reencontrei com minha espécie. Lembro de quando fotografei uma iguana em Galápagos e me dei conta de que ela era uma miniatura de um dinossauro. Estava ali em frente à mim. Quando fotografei aquela pata, foquei minha teleobjetiva macro e me senti como se estivesse fotografando a mão de um guerreiro da Idade Média, com aquelas escamas de metal protegendo-o para a luta.

Todos os movimentos musculares, as veias, os cinco dedos, tudo estava ali representado.
Se aceitamos a Teoria da Evolução de Darwin, sabemos que viemos todos da mesma célula de base e evoluímos em trajetórias diferentes, em função dos ecossistemas em que vivemos.

Na verdade, entendi que o que nos contaram a vida inteira, que éramos a única espécie racional,
é uma enorme pretensão da nossa espécie. Todas são racionais.
Mas é preciso entrar na sua lógica para compreender a racionalidade de cada espécie.

Genesis lhe fez filosofar sobre a vida também?

Filosofar, não.
Mas me fez voltar à essência e sair com muita paz desse projeto.

domingo, 19 de maio de 2013

Nara Leão e Jânio de Freitas – Uma boa História

O lado bonito das pessoas

Somos parte de uma geração que cresceu gostando de Nara Leão.
Seu jeito de cantar e de ser, sua liderança entre tantos rapazes que gostavam de música, de mar e de olhar aquela menina encantadora.

Naquela época, apesar de um novo mundo musical estar nascendo no Brasil, simultaneamente o país vai também caminhando para uma ditadura militar e civil que também refletiu na música e nas pessoas. Inclusive em Nara.

Quando o país voltou à democracia, o Brasil já era outro e Nara já não encantava tanto os adolescentes, mas continuava encantando os maduros. Muitos colocaram o nome de Nara em suas filhas, como homenagem a Nara, seu comportamento e seus sonhos.

Neste domingo, fui surpreendido com a Folha mostrando um lado que eu não conhecia de Jânio de Freitas.
O lado de fotógrafo e ilustrador de capas de disco, especialmente de discos de Nara Leão.
Jânio é um privilegiado, gozou da intimidade de Nara, tanto musical como de ambiente social.

Para quem está acostumado a ler os textos sisudos de Jânio,
foi uma grande alegria descobrir que ele também é ARTISTA!

Vejam que texto gostoso JÂNIO DE FREITAS sobre NARA LEÃO.


Sem nenhuma pose teatral, era suave e meiga em tudo

JANIO DE FREITASCOLUNISTA DA FOLHA – 19/05/2013

Cantoras são pessoas especiais. Pessoas, não. Artistas. Chamá-las de divas, como se fazia no passado, caiu em desuso por falta de grandeza bastante na palavra, para designar as estrelas.

Nara era uma moça que gostava de cantar. Simplesmente isso. E cantar simplesmente --como quem canta só porque gosta. Quando apareceram as primeiras oportunidades de se mostrar cantando, não foi uma cantora que se mostrou. Foi uma pessoa, uma moça que cantava.

Cantando de um jeito muito especial: simplesmente cantando. Nenhuma pose ensaiada, nada de olhares e sorrisos fabricados no espelho. A voz suave, uma espécie de meiguice sonora, vinha natural e carinhosa da suavidade que era a própria Nara.

Quando chegou, sem demora, a oportunidade do primeiro disco, nada da excitação e dos ares de ocasião extraordinária, típicos da situação.

Nara chamou uns poucos conhecidos no fim de tarde de um domingo --Thereza Aragão, Gullar, eu e, não me lembro, mais alguém-- para uma conversa de escolhas das músicas.

Duas horas de conversa com toda a naturalidade. Como se fazer um disco profissional, para gravadora importante, fosse uma banalidade na vida de Nara. E na nossa.

Dias depois, Nara me pediu para fazer a capa de "Opinião de Nara" (1964). Gostara das suas fotos que fiz, suponho que em ensaio da peça-show "Opinião".

Montei com duas fotos diferentes o mesmo modelo de capa --quase toda branca, para destacar-se no mundaréu de cores das lojas de discos. Nara não escolheu a minha preferida, e lembro do que disse: "Me mostra diferente das fotos que sempre fazem de mim".

Usei a outra foto na contracapa, mas deu-se o desastre. Perderam esta parte da arte-final e encheram o espaço com uma bagunça de textos.

O sucesso de Nara foi rapidíssimo. Mas sucesso da moça que gostava de cantar. Nara não passou a ser "a cantora". Nada de roupas feitas para os shows, penteados e maquiagens arquitetônicos, arranjos decorativos no camarim. Nenhuma pose teatral. Todo o jeito só do jeito dela. Suave em tudo, em tudo meiga.

A capa do disco seguinte, "O Canto Livre de Nara" (1965), teve também seu incidente. Desta vez, o preto predominava (as lojas de discos estavam cheias de capas brancas). E a foto, no centro, que seria em cor esmaecida, foi impressa em preto. Economias ordinárias, para poupar a terceira cor.

A novidade do segundo incidente foi gerar um mistério. Há poucos anos, Ruy Castro me mostrou a edição japonesa desse disco, em CD mais ou menos recente. E lá estava a capa, tal como na arte-final, em preto, palavras em vermelho vivo, foto em sépia esmaecido.

Não entendi como isso pôde acontecer. Até que, puxando lembranças para atender ao pedido desse texto, revi na cabeça a arte-final emoldurada por Nara.

E logo com vidro e a leve moldura quebrados por ela, diante de mim e do nosso amigo Dico Wanderley, ao sentar na poltrona sem notar que o quadro estava sob um casaco, quase todo encoberto. O cartão não se rasgara. Segundo Dico, seria um presente para mim. Com a edição do original no Japão, não deixou de ser.

A palavra nara, para os adeptos de palavras cruzadas, significa "o inferno dos malês". Mas Nara é enlevo, e pode ser saudade.

Do blog:

Para nós, Nara, além de enlevo e saudade, é um mar de alegrias.
Pois nós temos mais de uma Nara.

Uma é a Nara Leão e a outra é a nossa Nara, do signo de leão...

sábado, 18 de maio de 2013

Alemanha e Europa de ontem e de hoje

É preciso estar atento e forte

Por mais que não tenhamos tempo de temer a morte,
como cantaram Caetano e Gal,
é bom estudar a história para não repetir os erros.

Ainda nesta semana o canal de TV da National Geografic passou um longo documentário com filmes originais sobre a ascensão do nazismo. Como as filmagens eram originais, constatar o rápido crescimento do nazismo, o apoio dos ricos, a omissão da intelectualidade e ingenuidade da esquerda, nos deixou aterrorizados e lembrando do mundo atual. Muito parecido...

Leiam a resenha da Folha de hoje sobre este livro.

Economia guia livro sobre a ascensão do nazismo de Hitler

Autor critica historiadores que viam a Alemanha como gigante adormecido

RODRIGO RUSSODE SÃO PAULO para a Folha – 18/05/2013

As razões econômicas para as decisões tomadas pela Alemanha antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) são o tema da extensa investigação de Adam Tooze, historiador britânico, em "O Preço da Destruição - Construção e Ruína da Economia Alemã" (ed. Record).

Em quase 900 páginas, incluindo apêndices e notas explicativas, Tooze analisa o cenário alemão após a Primeira Guerra, as disputas que permitiram a ascensão de Hitler ao poder e suas principais decisões para sustentar o esforço de guerra, que, para o autor, estava fadado ao fracasso se interpretado com auxílio da história econômica.

Na alentada introdução, ele explica que, com frequência, essa esfera econômica fica completamente isenta de escrutínio crítico.
"Muitas vezes, presume-se que o regime de Hitler somente enfrentou as verdadeiras escolhas estratégicas de política econômica, nas quais a ideologia nacional socialista era realmente influente, em 1936, quatro anos após a chegada ao poder", observa, para logo em seguida desmontar essa tese.

Tooze também critica os historiadores do século 20 por assumirem em suas análises que a Alemanha era uma gigante econômico em potencial, afirmando que a história do período é marcada pelo fim da hegemonia de qualquer país europeu e pela ascensão de novas potências -especialmente os EUA.

Segundo o autor, Hitler percebeu com clareza, na década de 1920, a "ameaça de hegemonia global" representada pelo país, e pensava em como contrapor-se ao seu domínio econômico e militar, aparentemente inevitável.

O líder alemão, contudo, escolheu resposta explosiva: a anexação de território a leste para rivalizar com o território ocupado pelos EUA.
O rearmamento, portanto, é a "força absoluta e determinante que impulsionou, desde o início, a política econômica. Tudo o mais foi sacrificado em prol disso".

Dessa forma, Tooze põe em xeque a visão que confere proeminência à questão da criação de postos de trabalho na agenda do regime nacional-socialista.

"As decisões de política econômica mais cruciais tomadas no período 1933-34 não se referiam ao desemprego, e sim às dívidas externas da Alemanha, à sua moeda e ao desarmamento, e, com relação a essas questões, não é possível fingir inocência política."

Uma das principais revelações do livro é a de que, no verão de 1939, Hitler estava ciente de que seu esforço por um programa de longo prazo de preparação para a guerra havia fracassado.

O crescente rearmamento das potências ocidentais contra as quais pretendia investir, aliado à impossibilidade, por desequilíbrio no balanço de pagamentos, de incrementar sua produção bélica obrigou o regime a se lançar antecipadamente ao confronto, já que não ganharia mais nada ao postergá-lo -o país tinha tênue vantagem militar no início da guerra.

O componente ideológico do antissemitismo também foi fundamental na decisão de Hitler, que evitava o assunto nos discursos oficiais à liderança militar, mas acusava a comunidade judaica internacional de buscar a destruição do regime nazista.

Um dos méritos do autor é utilizar linguagem clara e relatos com riqueza de detalhes, embora a leitura do trabalho, por seu volume de informação, não seja fácil. A edição brasileira poderia apenas ter tido o cuidado de atualizar currículo do autor.
Entre o lançamento no exterior, em 2008, e a publicação neste ano no país, Tooze trocou a britânica Universidade de Cambridge pela americana Universidade Yale, onde leciona história alemã moderna desde 2009.

O PREÇO DA DESTRUIÇÃO
- CONSTRUÇÃO E RUÍNA DA ECONOMIA ALEMÃ

AUTOR Tooze Adam
EDITORA Record
QUANTO R$ 74,90 (882 págs.)
AVALIAÇÃO ótimo

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Portos: Navegar é preciso

Precisamos modernizar o Brasil

Vencida mais uma etapa da modernização brasileira, precisamos, mais uma vez, aprender com os acertos e com os erros.

Poderíamos ter aprovado este projeto sem tanto transtorno? Poderíamos. E porquê não aconteceu? Porquê o governo é difícil, o Congresso Nacional é um pardieiro, os partidos são uma “banca” e nossa imprensa é em vez de priorizar a informação educativa, também toma partido e manipula as informações.

Por exemplo:
As Centrais Sindicais tiveram papel relevantíssimo neste processo.
Mas, quando a ver o balanço do resultado, ninguém cita como se comportaram as lideranças sindicais.
Qual foi o papel de Paulo Pereira, da Força?
Qual foi o papel da CUT e das outras centrais.

Para quem não sabe, o presidente da CUT, Vagner Freitas,
teve um papel fundamental nas negociações tanto com o governo, como com o Congresso Nacional.
O senador Eduardo Braga também está de parabéns!

E a oposição golpista pedindo ajuda ao Supremo para "melar" a democracia?

Muitas águas ainda vão rolar até o Brasil passar a ser, em todos os aspectos, um país moderno.

Para ganhar tempo, leiam partes da análise que saiu hoje no jornal Valor.

Governo vence a batalha dos portos com Renan e Alves


Valor – 17/05/2013
Por Raquel Ulhôa, André Borges, Caio Junqueira e Bruno Peres | De Brasília

Depois de passar por desgaste constante, pressão de seus próprios aliados e confrontos intermináveis com a oposição, o governo venceu a batalha dos portos. Faltando menos de cinco horas para que expirasse a Medida Provisória 595, a MP dos Portos, o Senado aprovou, por 53 votos a favor, sete contra e cinco abstenções, o texto que promete mudar a lógica do setor portuário do país, atraindo a iniciativa privada para a costa litorânea e promovendo maior concorrência em um setor que está estagnado há décadas.

A aprovação da MP não foi a única vitória obtida pelo Palácio.


O texto final, que agora seguirá para sanção da presidente Dilma Rousseff, respeita praticamente todos os itens do relatório final que foi apresentado pelo senador Eduardo Braga (PMDB-AM), relator da comissão mista que avaliou a proposta.

Essa trajetória teve seus custos políticos.


Após a Câmara dos Deputados consumir nesta semana quase 40 horas de discussão para aprovar o projeto - em duas sessões tumultuadas, marcadas por bate-bocas entre parlamentares, que vararam a madrugada -, coube ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a tarefa de garantir a aprovação da MP antes do término do prazo de validade. Renan barrou requerimentos e questões de ordem da oposição, encerrou as discussões e abriu logo o painel de votações, atendendo aos apelos dos líderes governistas.

No Senado, os partidos de oposição (PSDB, DEM e PSDB) chegaram a apresentar ao Supremo Tribunal Federal mandado de segurança com pedido de liminar para suspender a votação, alegando "condução de processo legislativo contrário às diretrizes constitucionais".

Renan criticou o comportamento da oposição, por buscar o "controle prévio" do STF ao processo legislativo, mas não disfarçou a irritação com a demora da Câmara em votar a MP. Classificou o procedimento como "aberração" e "anomalia" institucionais e anunciou que não aceitará que isso se repita. Anunciou que, a partir de agora, não será votada nenhuma MP que chegar ao Senado com prazo de validade inferior a sete dias.

A oposição ainda chegou a apresentar aproximadamente 60 destaques para tentar obstruir a votação da medida, mas elas foram votadas de uma única vez e derrotadas. Confirmou-se a previsão já feita pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que previa uma passagem tranquila pelo Senado.

Aprovado o texto, Dilma acionou os ministros da Secretaria de Portos, Leônidas Cristino; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; e Ideli Salvatti para fazer um agradecimento público ao Congresso Nacional pela aprovação da MP.
Segundo informou Gleisi, a presidente Dilma "ficou muito feliz com a vitória" e agradeceu o empenho do Congresso em telefonemas aos presidentes da Câmara e do Senado.

"Essa é uma vitória do Brasil, da competitividade, do sistema produtivo. É uma medida que fizemos pensando no desenvolvimento da nossa agricultura, da nossa produção industrial, da nossa produção mineral", afirmou Gleisi em entrevista à imprensa, acompanhada de Ideli Salvatti e Leônidas Cristino.

"Tenho certeza que vai reverter em um sistema portuário moderno, que dará emprego e fará que o desenvolvimento do país seja cada vez maior e mais célere", acrescentou a ministra.
Questionados sobre a manifestação que a presidente fará sobre a redação final do texto aprovado no Congresso, os ministros enfatizaram a prerrogativa de vetos presidenciais. O ministro da Secretaria de Portos afirmou que o governo iniciará uma análise da lei já nos próximos dias. Gleisi Hoffmann, por sua vez, disse que é "prematuro" falar sobre vetos.

"Nós vamos honrar os acordos que fizemos", disse.

Nota do blog:

Taí uma das coisas que falta muito no Brasil:

Pessoas que honram acordos assumidos.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Ressaca Corinthiana

Cada jogo é um jogo

É claro que os torcedores do Corinthians são fanáticos,
louco por ti, oh, Corinthians.
Mas nestes cinco meses de jogos, o time só empolgou algumas vezes.
Jogou o tempo todo olhando para a tabela, o calendário
e ganhando pelo mínimo necessário.
Chegando perto do jogo burocrático.
Fez bonito apenas contra a Ponte Preta e contra o São Paulo.

Quando o time não fez nenhum gol em Buenos Aires,
jogando quase que só na raça,
tudo ficou claro que aqui no Pacaembu seria muito delicado.
Tomar um gol? Nem pensar.
Tomar um gol antes de ter feito um, pior ainda.
Mas tudo isto aconteceu.

O que foi brilhante foi o comportamento da torcida.
O árbitro errou, errou.
Pode até ter roubado, mas não serve como desculpa.
Quando o time está "envenenado", como estava em 2012,
não tem árbitro que ganhe jogo.

Acordei cedo, fui ler os jornais,
fiquei com a impressão de que os jornalistas
ficaram com pena do Corinthians e de sua torcida
e não tiveram coragem de fazer críticas.
Ouvi o rádio e fiquei com a mesma sensação.

Finalmente, antes de ir para casa,
resolvi sentar e escrever este desabafo.

Estou de RESSACA!

E contra o Santos, como vai ser?
Temos tudo para ganhar e limpar a alma.
Mas, nada cobrirá nossa derrota desta quarta-feira.
Nada irá substituir nossa vontade de ser bicampeão da Libertadores.

O tempo irá curar nossas feridas.
Já o time e seu técnico,
a direção precisa fazer um balanço e acertar algumas coisas.
Pagar caro por um jogador para jogar 20 minutos do segundo tempo,
tá certo?

Mas quem passou anos e anos vendo Pelé e seu time derrotar o Corinthians
não perde a esperança nem a confiança na capacidade de recuperação do Timão.

Para tristeza dos torcedores dos outros times paulistas,
continuamos um bando de loucos,
loucos por ti,
Oh, Corinthians!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Tesoureiro bom tem nome

João Vaccari Neto

Um dos fundadores do partido, daqueles que andou de casa em casa e de apartamento em apartamento, batendo nas portas para pedir filiação ao partido, amigo antigo e colega de diretoria do Sindicato dos Bancários de São Paulo,

foi com o maior orgulho que li esta matéria do Estadão de hoje.

Quando a famigerada revista Veja fez uma capa com a fotografia de Vaccari, falando da Bancoop e do PT, fui um dos signatários de uma carta aberta em defesa de Vaccari. Naquela oportunidade dissemos que Vaccari tinha ido para a Bancoop, a pedido do nosso sindicato, para resolver todos os problemas e todas as pendências. Isto Vaccari fez com dignidade e dentro da lei.

Naquela oportunidade dissemos que Vaccari tinha sido nosso melhor tesoureiro no Sindicato, tinha também sido um ótimo tesoureiro na CUT nacional e tínhamos certeza de que seria o melhor tesoureiro da história do PT.

Profeticamente, a reportagem abaixo comprova tudo que afirmamos.
Quando se pensa num bom nome para Tesoureiro,
o melhor nome que conheço chama-se João Vaccari Neto.

Vida longa ao PT e aos seus quadros partidários como Vaccari.

Um governo que combate a pobreza, distribui renda, garante vagas nas escolas e universidades para os mais pobres, amplia bolsas de estudos no exterior, desenvolve o país, integra a nação e da dignidade ao seu povo.

Sem medo de ser feliz!

Leiam a matéria e percebam o quanto nosso partido e nossos quadros representam este novo Brasil que está sendo construído.

PT obtém recorde de doações e sai do vermelho pela primeira vez desde 1998

Autor(es): Daniel Bramati -
O Estado de S. Paulo - 15/05/2013

Prestação de contas mostra que a legenda arrecadou R$ 318 milhões no ano eleitoral de 2012, sendo R$ 255 milhões de fontes privadas; superávit de R$ 8,4 milhões, superior ao do PSDB e do PMDB, permitiu quitação de dívidas de anos anteriores

Graças a doações privadas no valor recorde de R$ 255 milhões, o PT nacional terminou o ano de 2012 com um superávit de R$ 8,4 milhões, o maior entre os grandes partidos do País. Com isso, os petistas conseguiram saldar as dívidas acumuladas até 2011 e ainda ficaram com uma sobra de R$ 2,7 milhões - desde 1998, é a primeira vez que a legenda sai do vermelho em sua contabilidade oficial.

Segundo a prestação de contas divulgada no site do Tribunal Superior Eleitoral, o PSDB também obteve superávit, no total de R$ 7,9 milhões, mas o valor foi insuficiente para saldar dívidas de anos anteriores. O saldo ainda ficou negativo em R$ 1,4 milhão. O PMDB arrecadou R$ 1,3 milhão a mais do que gastou em 2012, e ampliou sua folga de caixa acumulada para R$ 9,8 milhões.

No ano em que conquistou a Prefeitura de São Paulo, a maior do País, o PT teve uma receita total de R$ 318 milhões.

Dos R$ 255 milhões de doações privadas, R$ 220 milhões (86%) bancaram campanhas de candidatos a prefeito e vereador. É esse o valor total das chamadas "doações ocultas" - assim chamadas porque, quando o partido atua como intermediário entre doadores e candidatos, não é possível saber que campanha cada empresa financia.

O total de doações privadas supera em 28,4% o que o PT arrecadou das mesmas fontes em 2010, ano em que Dilma Rousseff foi eleita presidente. A arrecadação de pessoas físicas e jurídicas, na época, foi de R$ 198,6 milhões - os valores, corrigidos pela inflação, não incluem os destinados para os comitês de Dilma e dos demais candidatos do partido.

Em 2010, a prestação de contas do PT mostrava um déficit de R$ 44,5 milhões (R$ 50,5 milhões, em valores de hoje). O rombo nas contas caiu para R$ 6,4 milhões em 2011 e se transformou em superávit no ano passado.

Em 2012, a segunda maior fonte de recursos do PT foi o Fundo Partidário, bancado na maior parte por verbas federais, que destinou ao partido cerca de R$ 53 milhões.

A análise do caixa do PT mostra um partido dependente de recursos de empresas, mesmo em anos não eleitorais. Em 2012, as doações de pessoas jurídicas - principalmente empreiteiras e bancos - representaram quase 80% do total arrecado. Em 2011 sem eleições, as empresas foram responsáveis por 45% da receita.

Outra fonte significativa de dinheiro para o PT são as contribuições de detentores de mandatos eletivos e cargos de confiança no serviço público. Foram R$ 10 mi-
lhões no ano passado. Dos filiados sem mandato e sem cargo, a receita foi de apenas R$ 20 mil.

Fora do Palácio do Planalto desde 2003, o PSDB obteve R$ 96,7 milhões de doadores privados em 2012. Isso equivale a cerca de 38% do valor obtido por seu maior adversário. O PSDB também serviu de "biombo" para ocultar as ligações entre empresas e políticos que concorreram nas eleições do ano passado. O partido recebeu R$ 84 milhões de doadores privados e os repassou para seus principais candidatos a prefeito. No processo, apagou o rastro entre financiadores e financiados.

Apesar de ainda não ter conseguido zerar suas dívidas, os tucanos vêm melhorando suas contas ano a ano. No final de 2010, após a campanha em que José Serra perdeu a disputa presidencial, o déficit chegou a quase R$ 12 milhões (R$ 13,5 em valores corrigidos pela inflação). Em 2011, o rombo caiu para R$ 9,3 milhões e chegou a apenas R$ 1,4 milhão no ano passado.

O PMDB, partido governista, fechou 2012 no azul. A legenda arrecadou quase R$ 119 milhões em doações privadas no decorrer do ano. É menos da metade do que os petistas obtiveram, mas cerca de 37% a mais do que os tucanos receberam.

Dono da segunda maior bancada na Câmara, o PMDB também abocanhou um volume significativo do Fundo Partidário: R$ 44,2 milhões. Os recursos são distribuídos de acordo com a votação dos partidos na eleição para deputado.

As prestações de contas de partidos como PSB, PP, PPS e PDT não estavam disponíveis até ontem no site do Tribunal Superior Eleitoral, apesar de o prazo para as siglas apresentarem os dados ter terminado no dia 30 de abril.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Porto de Santos e Tragédia Brasileira

Vale a pena ver de novo!

Se esta história for verdadeira, os envolvidos deveriam ir todos para a cadeia.
Se no mensalão, 50 mil foi motivo para condenação, neste caso, mais uma vez, são milhões de reais ou de dólares, além do travar o progresso do Brasil. Depois não gostam que chamem nossa “elite” de parasitária.

Leiam este artigo de Paulo Henrique Amorim e entenda um pouco mais da MP dos Portos e da postura do Congresso Nacional e da Imprensa. O mais inocente, conserta relógio no escuro e com olhos fechados...

Como FHC deu o porto de Santos a Dantas

14/05/2013 - Paulo Henrique Amorim

A empresa de Daniel Dantas que controla o porto de Santos, é, desde 1997, a Santos Brasil, em pleno reinado de Fernando Henrique, segundo o portal da empresa:

O Consórcio Santos Brasil sagra-se vencedor no processo público para arrendamento do terminal de contêineres do Porto de Santos (Tecon de Santos / Tecon 1), realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O consórcio vencedor origina a Santos Brasil S.A.

Com variações, Dantas montou no “Consórcio Santos Brasil” o mesmo esquema societário “piramidal” que lhe deu, de mão beijada, a Brasil Telecom, naquela famosa operação do “se der m… estamos juntos”.

Funcionava assim a “pirâmide”: tinha o Citibank, que chegava ao Brasil com o know-how de comprar tudo na Privataria do Menem na Argentina, os fundos de pensão das empresas estatais – Previ, Petros e Funcef -, que o FHC deu na bandeja para Dantas, e Dantas.

Dantas tinha lá e cá, na BrT e no Consórcio Santos Brasil, 10%.

10% !!! E mandava em tudo. Com 10% !

Como diz o Fernando Henrique: “dizem que ele foi brilhante !”

“Foi”, não, o Eduardo Cunha que o diga: é !

Com a conivência do Fernando Henrique, Dantas montou uma pirâmide societária em que ele amarrou os fundos e jogou o Citi do outro lado da sociedade.

Se o Citi quisesse brigar com ele, não contaria com os fundos, como aconteceu na Brasil Telecom, o que resultou na expulsão do Dantas da BrT.

Na Santos Brasil, não,

Os fundos não tinham para onde se mexer. Nem o Citi, também minoritário.

O Citi e os fundos não mandavam na empresa e não podiam se aliar contra Dantas. Brilhante !

Dantas se associou a outro grupo empresarial, a Multiterminais, hoje controlada pelos herdeiros de Klien, da Fink, e o Gávea, de Armínio Fraga.

Temos, aí, então, amigo navegante, uma troupe de elite: Dantas, os Klien e Arminio Fraga.

O tucanato em sua mais sólida essência.

A certa altura, começaram a sair na imprensa pigal (*) – como sempre – “notícias” plantadas que beneficiavam Dantas e prejudicavam o Citi e os fundos.

Os Klien e Dantas chamaram um aumento de capital.
Os fundos e o Citi, acuados pelo PiG (*), não concordaram e foram à Justiça.
Surpreendentemente, Dantas ganhou na Justiça.

Surpresa !

Os fundos e o Citi se viram na obrigação de cair fora. Iam perder dinheiro.
Receberam o que botaram no negócio, mas perderam um negócio de grande potencial.

Sobretudo, se passar a MP dos Porcos e, não, a do senador Eduardo Braga, que expressa os interesses do Governo Dilma.
Se passar a MP dos Porcos, Dantas receberá de presente – de novo ! – o maior porto da América Latina.

Presente de um Governo amedrontado– veja aqui que a Ministra da Casa Civil foge dele.
E de um Congresso sitiado pelo Tio Patinhas.

Como se percebe, de um lado está o Governo Federal e, de outro, Dantas (Arminio e os Klien).
Será que Dantas mandou um presentinho para o Eduardo Cunha, como suspeita O Globo ?

“Foi” ou não “foi” brilhante, o rapaz ?

Menos na Corte da Inglaterra, onde foi condenado por adulterar contas bancárias e mentir; e pelo Juiz Fausto De Sanctis que o condenou a 10 anos de xilindró. Clique aqui para ver video do jornal nacional que Gilmar Dantas (**) ignorou.

Brilhante(s) !

Fonte: http://www.conversaafiada.com.br - Blog do Paulo Henrique Amorim

Pão de Açúcar – Tragédia anunciada

O quê importa é dinheiro?

Este é o dilema da humanidade. Toda vez que o dinheiro fica acima de todas as coisas, as pessoas perdem a dignidade. Por isto que existem certas doenças que estão acima das riquezas, das etnias, da escolaridade e do afeto familiar, para mostrar as pessoas que elas não são maiores do que Deus ou a Natureza.

No dia 20 de agosto de 2012 eu publiquei umas fotos das árvores PODADAS do estacionamento do Pão de Açúcar da Praça Panamericana, com o título “O Crepúsculo do Pão de Açúcar”.



Recentemente, como faço toda semana, fui ao mesmo Pão de Açúcar fazer compras e levar o lixo ecológico. Quando desci do carro e olhei para os troncos das árvores podadas, dois estavam com folhas nascendo, mas um deles estava todo bichado e morto.

As feridas abertas da árvore morta do Pão de Açúcar, agora pertencente ao empresário francês.



As árvores no crepúsculo de 2013.



Junto com esta árvore morta, em pé à direita, mas abandonada no estacionamento,
leio a matéria nos jornais informando que a família Klein,
que se aliou com o francês contra Abílio Diniz, agora está pondo à venda suas ações...

Infelizmente, confirma-se o crepúsculo do grande conglomerado econômico do Pão de Açúcar.
O controlador francês não precisa mais de sócios brasileiros,
ele quer apenas funcionários e clientes brasileiros...

Enfim, no Brasil a História tende a se repetir,
tanto como farsa, quanto como tragédia.


Leiam a matéria do Valor de hoje. Vale a pena...

Pão de Açúcar avalia condições para oferta primária de Via Varejo


Valor - Por Adriana Mattos | De São Paulo – 14/05/2013

O Grupo Pão de Açúcar, controlador da Via Varejo, começou a fazer as primeiras análises para definir a viabilidade de uma oferta primária de ações da rede de eletroeletrônico, após a empresa ter sido informada que a família Klein quer vender 16,66% do capital total da Via Varejo numa oferta secundária, conforme antecipou no domingo o Valor Pro, serviço de informações em tempo real do Valor. O GPA precisa determinar, dentro das atuais condições de mercado, qual o perfil mais adequado dessa oferta de recursos para o caixa da Via Varejo - o volume da operação, faixa de preço e a parcela a ser subscrita para evitar diluição do grupo em Via Varejo.

O Valor apurou que o GPA pretende fazer uma oferta primária, de, no mínimo, o exigido no acordo. E ao subscrever as ações, o Pão de Açúcar manterá o controle de Via Varejo. Segundo uma das cláusulas do contrato, uma oferta primária deve ocorrer em paralelo a uma secundária, e numa soma de, no mínimo 10% do capital total da rede - cerca de R$ 700 milhões hoje.

Ontem, o Grupo Pão de Açúcar confirmou que Samuel Klein, Michael Klein e Eva Lea Klein informaram decisão dos sócios para realizar uma oferta pública de 53.781.298 ações de titularidade do Grupo Casas Bahia, representativas de aproximadamente 16% capital social de Via Varejo. O banco Bradesco BBI será o coordenador. Pão de Açúcar tem 30 dias para avaliar a notificação dos Klein.

Cálculos de bancos que já foram feitos ontem estimam valor de mercado da Via Varejo de R$ 8 bilhões a R$ 11 bilhões, ou R$ 24,70 a R$ 34 por ON. Bancos contratados pelos Klein consideram possível patamar de R$ 31 a pouco mais de R$ 37.
Com base nas informações da família Klein ao GPA, no valor de mercado da Via Varejo e nas condições do acordo de acionistas (que inclui colocação de lotes adicional e suplementar), as ofertas públicas de ações secundárias e primárias devem ser de, no mínimo, R$ 3 bilhões. A maior oferta recente de ações no varejo foi feita por Abilio Diniz, sócio de GPA, que se desfez de R$ 2,4 bilhões em preferenciais nos últimos meses.

Essa soma de R$ 3 bilhões considera o piso exigido de primárias pelo acordo de acionistas. Se atingir esse montante, será a maior oferta de ações do setor de varejo no país. São cerca de R$ 1,6 bilhão em uma oferta secundária ao se considerar uma ON em R$ 31 (piso das análises de bancos contratados pelos Klein), mais uma primária de 10% do capital da empresa (entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões), e lotes adicional (20%) e suplementar (15%), que somam R$ 600 milhões.

Análise do Santander calcula que o Pão de Açúcar precisaria investir entre R$ 420 milhões e R$ 600 milhões para evitar ser diluído na oferta primária. O grupo tem 52,4% das ONs de Via Varejo, os Klein, 47%; e 0,6% estão no mercado, nas mãos de fundos de investimento. Essa soma para evitar a diluição pode ser vista como um valor baixo a ser dispensado numa operação que permitirá a saída dos Klein do negócio. GPA e os Klein enfrentaram desgastes recentes - da condução do negócio à falta de acordo na definição de medidas do acordo com o Cade, órgão de defesa da concorrência.

A operação é o primeiro movimento de saída dos Klein da Via Varejo, controladora de Casas Bahia e Ponto Frio - que teria chegado a analisar a hipótese de adquirir o controle da empresa. Esse projeto não avançou - os Klein nunca apresentaram uma oferta formal aos controladores. O Valor apurou que os Klein devem continuar a vender sua participação no mercado no próximo ano. A família pode fazer uma oferta a cada seis meses, segundo o acordo, e a ideia seria fazer vendas em algumas tranches.

Margarete e os pés de Ipê

A vida continua...

Hoje, ao passar em frente ao Cemitério do Araçá, como faço todos os dias, olhei para as árvores bonitas e observei que os pés de Ipê, do outro lado da rua e na parte interna do cemitério, estavam floridos e eram vistos pelos motoristas que passam na Avenida Dr. Arnaldo.

Ontem foi a primeira vez que entrei no Cemitério do Araçá. Já tinha entrado no velório, mas na área dos jazigos nunca tinha entrado. Na hora do enterro, fizemos uma longa caminhada até o jazigo da família de Margarete. E, enquanto esperavam as pessoas chegarem até perto para fazerem a prece de despedida, tive tempo de chegar perto de um belo pé de ipê florido. Tirei algumas fotos de lembrança.

Vejam esta foto.



Este lindo pé de Ipê não é visto da rua.

Na hora de vir embora, caminhando no sentido portão ao lado da área de velório, passamos vários outros pés de Ipê. Este é muito especial porque, além das flores, tem ao lado uma imagem de Jesus.



Pela manhã, quando olhei para o Cemitério do Araçá, vi o pé de ipê acima e lembrei-me que todos os anos eu ao passar por ali observo as flores do ipê. Daqui para frente, ao ver as flores do ipê estarei também lembrando-me de Margarete.

Uma boa lembrança...

Ao chegar à Rua da Consolação, antes da Praça Roosevelt, um grande pé de ipê, todo florido também estava homenageando Margarete.

Em Brasília, em breve os ipês amarelos, também irão homenagear Margarete.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Itaú – Louco, pero no mucho

Para entender o Itaú...

Leiam esta matéria que saiu no VALOR desta segunda-feira, 13.

As engrenagens da máquina de aquisições do Itaú

Valor - 13/05/2013 às 00h00

Desde que se fundiu com o Unibanco, transformando-se no maior banco privado do país, o Itaú virou uma máquina de compras no sistema financeiro. De lá para cá, o Itaú Unibanco fechou negócios com o banco BMG, com a seguradora Porto Seguro e com o banco da varejista Carrefour. Agora, está em vias de abocanhar a unidade de cartões do Citi, a Credicard, reforçando a liderança que tem nesse segmento.

Enquanto isso, apesar de ter entrado na disputa por todas essas compras, o Bradesco levou bem menos negócios. Conquistou o Ibi, no Brasil e no México, e a operadora de planos odontológicos Odontoprev. O placar logo desperta a questão: estaria o banco da Cidade de Deus ficando para trás? Ou é o Itaú que está pagando caro para manter a liderança do sistema financeiro?

Essas dúvidas talvez só o futuro responda. Por enquanto, fica claro que, quando o assunto é aquisições, Itaú Unibanco e Bradesco têm estratégias bem diferentes. Embora invistam em linhas de negócio semelhantes, como crédito consignado, cartões e imobiliário, ambos têm trilhado caminhos divergentes até o objetivo. Se o Itaú vai às compras, o Bradesco prefere seguir "carreira solo".

Operações recentes mostram que o Itaú tem usado aquisições para fortalecer áreas que estavam vulneráveis ao ataque da concorrência. É o que fez na parceria com o banco BMG, criada para desenvolver um produto deficiente no conglomerado, o empréstimo consignado. Já a compra da Credicard impediria o acesso dos rivais a clientes do Itaú naquela operação.

Quem já sentou à mesa de negociações com as maiores instituições privadas do país relata que o fato de o Itaú ser um "banco de dono" -as famílias Setubal, Villela e Moreira Salles - pesa para que o banco saia à frente nas aquisições. "É Roberto Setubal quem se senta para negociar. Isso faz diferença. Ele é o dono, sabe até onde pode ir", relata uma pessoa que já discutiu a venda de um ativo com os dois. No Bradesco, o controle está nas mãos dos principais executivos do banco, que conduzem as negociações.

O Itaú também aceita estruturas menos rigorosas quando está interessado no ativo de alguém, enquanto o Bradesco não abre mão do controle das operações, relatam participantes de acordos anteriores. Tratativas do Bradesco com a Porto Seguro e com o BMG azedaram justamente nesse ponto.

Outra diferença, um pouco mais "esotérica", explica o apetite maior do Itaú: a cultura corporativa. "O Bradesco é uma espécie de banco japonês no Brasil. O funcionário entra e permanece lá por anos. É uma cultura que dá menos espaço para aquisições", avalia um interlocutor.

Muito mais ativo em quantidade de aquisições no começo da década passada, o Bradesco tem reiterado a investidores que prefere crescer sozinho. Logo depois do anúncio da criação do Itaú Unibanco, Lázaro Brandão, presidente do conselho de administração do Bradesco, reuniu a diretoria para anunciar justamente isso: dali para a frente, a expansão seria orgânica, conforme relato de executivo presente na ocasião.

A avaliação é que, desde a fusão Itaú Unibanco, não surgiu uma oportunidade relevante de aquisição capaz de mudar a posição dos bancos no ranking - principalmente dada a atual concentração do sistema financeiro. Sozinho, o Bradesco acredita que pode crescer de forma mais barata e rentável, apesar de mais lentamente.

É por isso que, muitas vezes, os vendedores torcem o nariz para as propostas do banco. "O Bradesco tem uma crença interna de que é capaz de entregar crescimento pela via orgânica. Isso faz com que, no momento de colocar o preço, ele tenha menos apetite", diz quem já negociou com o Bradesco.

Essa foi a lógica que pautou o leilão pelo Banco Postal, que dá direito ao vencedor de oferecer serviços bancários nos Correios. Por achar que não valeria ir além de R$ 2,25 bilhões, o Bradesco perdeu a disputa para o Banco do Brasil. Leilão acabado, o Bradesco começou a abertura de mil novas agências para repor essa rede de vendas.

Não foi só o Banco Postal que o Banco do Brasil levou recentemente. O banco ganhou força nas fusões e aquisições com o objetivo de completar via iniciativa privada a estrutura de instituição pública. É o caso da aliança que fez com a seguradora espanhola Mapfre.

MP dos Portos e as Forças Ocultas

Parlamentares, imprensa, empresários, sindicalistas…

A imprensa já falou muita coisa sobre esta Medida Provisória dos Portos, mas ninguém tinha entrado em detalhes quanto aos verdadeiros interesses que estão em jogo. Hoje apareceu um pouco mais nesta reportagem da Folha. A conclusão que chegamos é que se houvesse mais transparência o Brasil ficaria melhor. Há mais nomes importantes que não aparecem na matéria.

Leiam este resumo de Valdo Cruz, sobre a entrevista de Gleisi Hoffmann, ministra da Casa Civil.

'Interesse setorial não pode se sobrepor ao nacional', diz Gleisi

Folha – Valdo Cruz – 13/05/13

Principal negociadora no governo da medida provisória dos portos, a ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) diz que defensores de uma reserva de mercado travam o setor portuário no país e dificultam a aprovação da proposta no Congresso Nacional.

"Não podemos permitir que uma reserva de mercado fique em detrimento da eficiência do país", disse em entrevista à Folha, acrescentando que "interesses setoriais não podem se sobrepor aos interesses nacionais" na votação da medida provisória.

Gleisi se refere aos operadores privados com concessões em portos públicos, que resistem à abertura do setor para os portos privados, principalmente à autorização para que eles movimentem cargas de terceiros.
"É óbvio que quem está estabelecido começa a ter resistência, quer manter o seu mercado e não ter concorrência, mas isso não serve ao Brasil", afirmou ela.

A ministra não concorda que a articulação política esteja falhando na votação da medida e envia um recado à base aliada que tem se queixado do tratamento do Palácio do Planalto.


Discussão sobre MP dos Portos coloca em guerra dois grupos privados

Folha – Valdo Cruz – 13/05/13

A MP dos Portos, elaborada pelo governo para abrir o setor, colocou em guerra dois grupos do setor privado: operadores com concessões em portos públicos e grandes empresas que já têm ou querem entrar no negócio.

De um lado, estão empresas como a Santos Brasil, do empresário Daniel Dantas, e a Libra Terminais, operadoras com forte atuação no país.

De outro, estão grupos como o do empresário Eike Batista, Odebrecht e MSC, operadora internacional de navios.
O embate ocorre porque a antiga lei, que pode voltar a vigorar se a MP dos Portos perder a validade na quinta, fazia restrição entre tipos de terminais. Os privados praticamente só podem transportar cargas próprias. Os públicos podem transportar produtos de terceiros.

Os operadores em portos públicos temem a concorrência porque eles não teriam os mesmos custos. Com isso, poderão ser mais competitivos.

Hoje, os dois grandes grupos que atuam no setor,
com concessões em portos públicos,
detêm cerca de 33% do total de movimentação de contêineres no país
e quase 80% no Porto de Santos.

Reservadamente, o governo diz que os operadores de portos públicos estão fazendo lobby no Congresso contra a MP, tendo como representantes no Legislativo deputados peemedebistas.


domingo, 12 de maio de 2013

Margarete, da CUT Nacional, morreu

Deus resolveu levar Margarete

Tem dia que, se pudéssemos, ninguém morreria. Dia das mães, Natal, Ano Novo, Aniversário, Casamento ou Festa de Formatura. Mas, como diz Bergmann no filme "O sétimo selo", nós nunca sabemos quando vamos.

Assim foi hoje, depois do almoço, num dia das mães, Deus resolveu levar Margarete.
Morreu de repente, provavelmente de coração, deixando marido, filha, parentes,
amigos e colegas de todo o Brasil que se relacionam com a CUT.

Afinal, todos que já trabalharam ou foram dirigentes de alguma instância da CUT Nacional,
desde a fundação da CUT, desde a Rua Ouvidor Peleja, está acostumado a pedir ajuda para Margarete.
Ela sempre foi nossa "faz tudo".

Ainda não sabemos onde vai ser o velório, nem o enterro.
Amanhã informaremos a todos.
Mas nossos sentimentos são todos de solidariedade
à filha, ao marido e a todos os parentes, amigos e colegas.

Todos que recebemos a notícia ainda à tarde,
não conseguimos assistir ao jogo Corinthians e Santos direito.
Só pensávamos em Margarete.

Nesta segunda-feira,
todas as instâncias da CUT estarão de LUTO E SOLIDARIEDADE.


Em todo Brasil, nos 27 Estados que temos CUTs estaduais,
em todos os RAMOS PROFISSIONAIS da CUT,
estaremos rezando e pensando em Margarete.

Construir uma Central Sindical não é apenas para lutar por melhores salários e melhores condições de vida.
É também para ser solidário, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na vida e na morte.

A dor de quem perde uma amiga e colega de trabalho é difícil de ser escrita.