domingo, 14 de abril de 2013

Yutaka e a recaída da Folha

Uma boa recaída

Os jovens que leem a Folha atual têm dificuldade de imaginar que este já foi um jornal de vanguarda, moderno, que norteava a juventude brasileira na luta contra a ditadura e na busca de novos valores culturais. Os donos do jornal tinham um jornal mais progressista e outro que era porta voz da ditadura, mas eram dois jornais para dois públicos diferentes.

Atualmente existe somente um jornal, que por ser um somente um, trás as esquizofrenias de quem ser porta voz da nova direita com seu neoliberalismo e também quer ser porta voz dos jovens e da cultura. Não combina.

Mantenho a assinatura da Folha, apesar do conservadorismo e do oportunismo político e econômico do jornal, reconheço e gosto do seu lado moderno e culto, apesar de lidar a cultura também como “fast food”, coisas para ser lidas rapidamente, sem aprofundar em quase nada.

Hoje a Folha emocionou-me ao voltar ao seu lado bom e humano.
Ao valorizar a vida das pessoas e a busca da felicidade coletiva.

Hoje a Folha teve uma boa recaída.


Minha família, que conhece bem a história de Yutaka e seus filhos,
e nossos amigos que conviveram com a música e arte destes amigos japoneses, com certeza também se emocionaram com esta reportagem e também com seu autor, este jovem jornalista que conta com o apoio do pai.

A Folha deve ter mais espaço para este lado humano e familiar.
Quando isto acontece, a gente sente como se um amigo doente estivesse se recuperando.
Conte com a gente, nós precisamos de uma mídia assim.

Leiam a reportagem e se quiserem ver a edição do jornal com fotos e tudo, o link é:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/103826-unidos-pela-musica.shtml

Unidos pela música


Casal cria banda de rock com filhos dos relacionamentos anteriores para juntar a família

Folha – 14/04/2013 - Marco Aurélio Condez colaboração par a Folha

Na crescente onda de formação das chamadas "novas famílias", Yutaka Isoda, 62, e Kátia Shimabukuro, 48, têm tido que surfar com desenvoltura para manter duas casas e unir cinco filhos.

A fórmula que o casal encontrou para ter alguma rotina na vida familiar foi inusitada, criar uma banda de rock, a "Banda dos Irmãos".

Os Isoda também criaram regras de almoços conjuntos aos domingos, noites com jogos de tabuleiro e cartas, e viagens para que ficassem juntos, mesmo que pai e mãe tenham casas diferentes.

Na banda, o mais velho, Gil, 31, que é ilustrador, toca bateria, Marcos, 29, é arquiteto e toca baixo, Nara, terapeuta, é a tecladista e vocal, o estudante de audiovisual Heitor, 23, e o caçula Lucas, 13, comandam as guitarras.

O pai dá manutenção nos equipamentos. A mãe ajuda no apoio moral aplaudindo as exibições, que acontecem em casamentos, festas ou mesmo em casa.

"A banda não é a única coisa que une a gente, mas tocar junto é muito gostoso", afirma Nara.
De acordo com dados do Censo 2010, do IBGE, 16,2% dos lares habitados por casais com filhos contam com a presença de filhos de relacionamentos anteriores, reflexo do número de rompimento de relações.

Mas o caso de Kátia e Yutaka vai além: são filhos de relações diferentes convivendo em família em duas casas.
A maneira como se originou a união do casal também foi fora dos padrões considerados convencionais.

"Mesmo viúvo, com quatro filhos, o louco do Yutaka se ofereceu para ser pai e criador de um filho que eu teria de ter para combater as dores de uma doença no útero", explica Kátia.

Ela tinha endometriose, que causa dores agudas e que, em alguns casos pode desaparecer após a gravidez.
Yutaka, na época, era apenas amigo da atual mulher e foi prestar serviço de interprete para a empresa em que ela trabalhava. Eles ficaram amigos e ele se ofereceu para "resolver a questão".

Eles acabaram se apaixonando e tendo Lucas, o "queridinho" do grupo.

CASAS

A família Isoda se organiza em duas casas, ambas na Aclimação, na zona sul.

Em uma moram Kátia, o filho mais novo, Lucas, e a avó materna. Na outra, a poucas quadras da primeira, ficam o pai com três filhos --Gil resolveu viver sozinho-- e onde a família mais se reúne.

É também lá que ficam os instrumentos musicais e onde rolam os ensaios da banda."Quando junta todo mundo é uma bagunça, mas não tem briga. Todo mundo se diverte" afirma Yutaka.

Segundo Lucas, a casa onde vive o pai é mais liberal e a da mãe tem mais regras. De acordo com a mãe, "em qualquer uma das casas, todos seguem as regras do jogo e respeitam o estilo."

A decisão de morar em casas separadas nunca foi baseada em fatores financeiros, segundo o casal.

Eles gostam mesmo é de cada um ter seu espaço. "Não tem desgaste. Quando a gente sai, é para namorar", afirma Yutaka, sorridente.

Lucas vê sua família como "diferente", mas está acostumado a viver assim e não imagina outra forma de organização. "Os pais dos meus amigos quase não se falam. Meus pais sempre estão na boa", afirma.

3 comentários:

  1. Cê é rápido no gatilho, hein? Acabei de citar você e o artigo já está no blogue! kkkkk.

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  2. Dema,
    Veja que a edição é de 13:51h. Acordamos tarde porque ontem fomos a um casamento e quando vi o jornal fiquei muito alegre e emocionado. Pensei em contar muitas histórias bonitas de todos eles, mas acabei achando melhor o pessoal curtir a matéria.
    Quando a imprensa acerta, precisamos valorizá-la, caso contrário ela vai noticiar somente tragédias...
    Abraços a todos.

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  3. Que emoção, Gilmar! Faz um tempo que entro no seu blog de quando em quando para acompanhar seus posts. Muito honrada também!

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