quinta-feira, 4 de abril de 2013

Espanha – 450 mil empresas quebraram

É preciso salvar a Espanha e a Europa

Ver o Financial Times divulgar matéria tão constrangedora sobre a Espanha, deixa-nos, brasileiros, horrorizados. Precisamos articular uma campanha mundial para Salvar a Espanha, como foi na defesa dos Republicanos durante a Guerra Civil. A segunda guerra mundial começou na Espanha...

Vejam o texto publicado no jornal Valor de hoje.

Aperto no crédito continua e dizima PMEs na Espanha

Sem capital, nos cinco anos de crise, 450 mil empresas quebraram

Valor – 04/04/2013 – Tobias Buck – Financial Times, de Esquivias

Há mais de um século, Manuel Rodriguez deixou seu vilarejo de pescadores na costa sul da Espanha e mudou-se a Madri, para fabricar violões e atender os músicos de flamenco da área. Três gerações depois, a família ainda mantém o ofício.

Com sede na pequena cidade de Esquivias, ao sul da capital, a Guitarras Manuel Rodriguez e Hijos produz mais de 5 mil guitarras clássicas e de flamenco artesanais a cada ano, além de uma pequena linha de outros instrumentos de madeira.

Apesar da ênfase na tradição e habilidade artesanal, este é um negócio que requer grande capital. A área de trabalho está repleta de maquinário pesado. Entre as fileiras de violões semiacabados, há pilhas cuidadosamente acomodadas de madeiras preciosas, com décadas de idade: de árvores como ébano e mogno, da África, e o raro jacarandá-da-baía, do Brasil. "Este é nosso banco", diz Manuel Rodriguez Jr., dono da empresa juntamente com seu irmão, enquanto passa pelas valiosas placas de madeira.

Criar uma empresa como essa do nada seria praticamente impossível no atual cenário econômico da Espanha, acrescenta.

"Se você for a um banco hoje, ninguém vai te dar crédito.
E mesmo se te derem algum crédito, vão querer um grande depósito e exigir 8% ou 10% de juros."

Por todo o país é possível ouvir reclamações parecidas sobre a carência de crédito bancário para pequenas e médias empresas (PMEs), o que preocupa não apenas o governo espanhol, mas também o Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt.

A crise econômica da Espanha e o quase colapso do setor bancário em 2012 sufocaram o fluxo de empréstimos bancários - ameaçando congelar o vasto e versátil conjunto de empresas que dominam o setor privado espanhol.
Nos cinco anos desde o início da crise, nada menos do que 450 mil PMEs não sobreviveram, segundo o presidente da associação espanhola de empresas do setor, a Cepyme, Jesús Terciado. "Mas [a questão] não é apenas de continuar na ativa, mas também de crescimento. Não há como expandir a sua empresa neste momento", diz.

Países como Espanha e Itália são altamente sensíveis à falta de crédito para as PMEs porque uma grande parte de suas economias depende delas. E porque, por sua vez, empresas como a de Rodrigues dependem muito dos créditos bancários.

No caso da Espanha, 99,9% das empresas do país são pequenas e médias, sendo que elas empregam quase 75% dos trabalhadores no país. Se não conseguirem sobreviver e crescer, a economia da Espanha como um todo tampouco conseguirá prosperar.

Economistas ressaltam que as PMEs normalmente são demasiado pequenas para conseguir dinheiro com bancos estrangeiros e, muito menos, para ter acesso ao mercado de títulos corporativos. Isso as deixa à mercê dos bancos locais em um momento em que a crise bancária espanhola e o estouro da bolha imobiliária obrigam as instituições financeiras a encolher suas carteiras de crédito.

Dados do Banco da Espanha, a autoridade monetária do país, mostram que a concessão de créditos a empresas caiu em todos os trimestres desde 2009. De acordo com o banco La Caixa, com sede em Barcelona, a crise "criou restrições financeiras rigorosas que atingiram as PMEs particularmente forte".
Pesquisas do Banco Central Europeu mostram que a escassez de crédito é uma das maiores preocupações das pequenas empresas na Espanha - com 27% dos consultados apontando-a como seu problema mais grave. Apenas na Grécia, essa porcentagem foi maior.

Analistas do Deutsche Bank, paralelamente, indicaram que em 2012 quase 20% de todas as solicitações de crédito das PMEs espanholas foram negadas - o dobro da porcentagem verificada entre as grandes empresas. "Os bancos de países em dificuldade [como Espanha e Itália] são materialmente mais rigorosos com as PMEs do que com as grandes empresas", disseram.

O que preocupa as autoridades na Espanha é que a falta de financiamento às PMEs persiste apesar da recente melhora na confiança dos investidores em relação ao país como um todo. Tanto o governo como as multinacionais espanholas voltaram a encontrar boa demanda por seus títulos, o que reduziu os juros e o custo de captação.
A melhora geral, no entanto, ainda não chegou às PMEs.

A tentativa mais recente do governo espanhol para atenuar o problema foi lançar medidas, em fevereiro, para melhorar o fluxo de capital em direção às PMEs. Entre elas, reduziu o imposto sobre o valor agregado e fortaleceu o regime de garantia de crédito. Alguns dos maiores bancos da Espanha, enquanto isso, criaram novas linhas de crédito para as PMEs para tentar facilitar o financiamento.

Terciado vê todas as medidas como bem-vindas, mas considera improvável que elas tenham efeito imediato. Com os bancos espanhóis comprometidos a continuar encolhendo a sua rede de agências e a carteira de crédito neste ano, ele prevê pouca melhora antes de 2014. Seja como for, "muitas empresas já caíram no meio do caminho", lamenta.

Um comentário:

  1. Dá até medo. Os comunistas/socialistas não existem mais. Os "indignados" fazem um belo movimento, mas não apontam saídas concretas. A crise só se aprofunda. Campo fértil para todo tipo de fascismo. Que a História não se repita.

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