quarta-feira, 17 de abril de 2013

Duas notícias sobre Serra e Campos

Sinais dos tempos e da política

A vida anda confusa, a inflação anda dando trabalho, os políticos estão parecendo formigas antes da chuva, os partidos estão em mutação, mudando de nome e de endereço, mas continuam cada vez pior. Este é o Brasil.

Mas a China anda decepcionando na economia porque só cresce 7,7%, os Estados Unidos não controlam os atentados e a Europa continua uma zona: do Euro confuso e da política sem políticos. A Venezuela pega fogo com o empate técnico nas eleições e a Argentina continua imponderável.

E então eu me pergunto:
O quê deu na Folha para publicar as duas notícias abaixo?
Eu estou sonhando ou a Folha está se democratizando?
Eu adoro sonhar com a velha Folha!

E o Estadão está anunciando que “vai mudar sem mudar”.
Vai encolher mantendo o conteúdo, parece assalariado administrando o salário do mês.
Não é o salário que é curto, é o mês que é muito longo.
Isto é reflexo da forma de medir a inflação inventada por FHC.
Só mede algumas coisas, assim a inflação fica baixa, e o custo de vida caríssimo...

Mas a Folha publicou duas notícias que devemos ler e pensar muito sobre elas:

Primeira notícia:

Serrista perde eleição para presidir PSDB de SP


Antes favorito, Matarazzo foi derrotado por articulação liderada por secretários de Alckmin

Folha de S.Pulo - 17/04/2013 – Daniela Lima

Após votação tumultuada, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) retirou sua candidatura à presidência do PSDB de São Paulo acusando três secretários de Estado tucanos de terem usado a máquina do governo Geraldo Alckmin para influenciar o resultado da disputa e derrotá-lo.

Aliados de Matarazzo disseram temer uma debandada da sigla na capital, a exemplo do que houve em 2011, quando seis vereadores trocaram o PSDB pelo PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab.
O possível abrigo dos descontentes, agora, seria o partido que resultará da fusão do PPS com o PMN. Matarazzo é aliado e amigo do ex-governador José Serra, que foi convidado e estuda migrar para a nova sigla.

"Me preparei para disputar com um candidato, mas enfrentei três secretarias de Estado, com todo o poder delas. Aí, obviamente, perco com orgulho", disse Matarazzo, numa referência aos secretários José Aníbal (Energia), Bruno Covas (Meio Ambiente) e Julio Semeghini (Planejamento).

Covas e Aníbal se uniram para montar uma candidatura alternativa à de Andrea. O nome escolhido foi o do ex-deputado Milton Flávio, que é subordinado a Aníbal na Secretaria de Energia.

Os dois secretários e Matarazzo almejam disputar a Prefeitura de São Paulo em 2016, o que ampliou a hostilidade na votação do PSDB.

Com a desistência de Andrea, Flávio foi eleito por aclamação. "Reconheço a vitória do Milton Flávio e a do Aníbal, que foi quem de fato ganhou" afirmou Matarazzo.

Procurado, Aníbal disse que a fala do vereador reflete uma "visão torta" da sigla "Ganhou a militância."
Semeghini, que é o atual presidente da sigla, foi quem conduziu as negociações. Ele, Covas e Matarazzo chegaram a fechar acordo em torno da eleição de Andrea, negociando os demais cargos da executiva. O vereador afirma esse acordo foi quebrado.
"Eu fui derrotado junto com o Andrea. Não acredito que estivesse se referindo a mim", disse Semeghini. "O Semeghini não está comigo em nada. Nem na vitória, nem na derrota", devolveu Matarazzo.


Segunda notícia:

Candidatura do PSB é inoportuna, diz Ciro Gomes

Folha de S.Paulo - DE FORTALEZA – 17/04/2013 - (Aguirre Talento)

Expoente da ala "dilmista" do PSB, o ex-ministro Ciro Gomes diz que a possível candidatura presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, é "inoportuna".

"Se meu partido tiver candidato, depois que fizer minhas ponderações, vou acompanhar. Mas vou fazer uma discussão dizendo que a candidatura é inoportuna", disse.

O ex-ministro e o irmão Cid, governador do Ceará, defendem, diante das recentes movimentações presidenciais de Campos, o apoio do PSB à reeleição de Dilma Rousseff. A presidente, por sua vez, tem feito agrados a Cid em eventos e audiências.

Preterido pela cúpula do PSB nas eleições de 2010, quando o partido, presidido por Campos, preferiu apoiar Dilma, Ciro questiona agora a eventual opção da sigla por candidatura própria em 2014, estando ainda na base aliada. "Qual a explicação para mudar de posição agora?"
O ex-ministro disputou a Presidência em 1998 e em 2002 (ainda pelo PPS).

Ciro também critica Campos e o mote que o governador do PSB tem adotado em público.

"Está bom mas podemos fazer melhor? Isso é conversa de marqueteiro. O Brasil precisa de debate profundo de ideias", disse. "O PSB não tem ideia nenhuma, pelo que eu saiba", disse, ponderando que Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (Rede), outros possíveis candidatos em 2014, também não.

Ciro diz que Campos é o mais preparado dos três. "Mas é zero de ideia." Afirmou ainda que o governador "faz um discurso também reacionário quando vai conversar com empresários reacionários de São Paulo".

"Vamos disputar com a Dilma pela direita?"


Nota do blog:

Adorei esta pergunta final de Ciro!
Quando comecei a militar no Sindicato dos Bancários, meu "orientador político" ensinava:
Combater sempre pela esquerda, pela direita jamais.

Eu no início perguntava qual era a diferença e ele respondia:
Se queremos ajudar os trabalhadores a ser democratas e socialistas, devemos manter a coerência mesmo que percamos uma votação. O importante é formar a consciência política e de classe.

Ganhar, insistia ele, com o tempo ganharemos.
O futuro será socialista e democrático.
Parece que meu orientador político tinha razão.

P.S.: Para quem não sabe, nosso orientador político era o Velho do Rio, o Augusto Campos.

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