quarta-feira, 24 de abril de 2013

Drogas, Crack e Violência

Todo mundo deve ler

Três depoimentos marcantes sobre o mesmo problema:

1 – Leiam esta ótima observação de Ruy Castro sobre “os especialistas”.

Leigos

Ruy Castro, Folha, 24/04/2013

RIO DE JANEIRO - Todo mundo no Brasil dá palpite sobre drogas: deputados, advogados, juízes, burocratas, ministros, "técnicos", leigos em geral e até um ex-presidente sem pauta. À menor solicitação empregam palavras que acabaram de aprender e não sabem direito o que significam, como dependência química ou síndrome de abstinência. Problemas como combate ao tráfico, internação, tratamento das vítimas do crack e outros são discutidos por seus aspectos legais, como se estes fossem os únicos que importassem.

Ao mesmo tempo, há duas categorias quase ausentes nessa discussão: os médicos (já que a dependência é uma doença, não um crime) e os dependentes que deixaram de usar drogas e adquiriram enorme tarimba a respeito (e nem por isso admitem ser chamados de ex-dependentes; são apenas dependentes que deixaram de usar drogas). Em algumas clínicas, os próprios médicos são esses dependentes, e quem pode saber mais do que eles?

Outro dia, sete ex-ministros da Justiça vieram a público pregar a descriminalização da maconha. Ótimo, é a visão jurídica. Mas, e a visão médica? Fiquei esperando pela opinião de sete ex-ministros da Saúde. Em vão. Talvez porque sejam igualmente leigos e, quando ministros, não se interessaram em se instruir sobre o assunto. Tivessem feito isto, a situação da droga no país estaria longe do atual descalabro.

Também há dias, alguém propôs que o período máximo para a "desintoxicação" em caso de internação involuntária fosse de 60 a 90 dias. Até pelo uso da palavra, vê-se o amadorismo da proposta. A "desintoxicação" é só a base da internação --depois é que o tratamento começa.

Um homem quase terminal como Michael Jackson, se chegasse a ser internado, poderia ter se "desintoxicado" em até menos tempo. Mas, se tratado a sério, não passaria menos de dois anos numa instituição.


2 – Casagrande, seu livro e a entrevista.

Outro dia, vindo para casa por volta das 18:30h, liguei o rádio e tinha uns rapazes entrevistando Casagrande sobre o lançamento de seu livro e seus “causos”. Fiquei impressionado com a desenvoltura que Casagrande falava sobre assuntos tão delicados. Gostei inclusive quando ele fala de Galvão Bueno. Casão era só simpatia e alegria...

Além da importância de ler o livro de Casagrande, eu acho que os educadores, as entidades sociais e os governantes deveriam promover palestras e debates com pessoas como Casagrande e Ruy Castro. Eles viveram o inferno astral das drogas e voltaram à vida “normal”.

São experiências riquíssimas para todos nós.


3 – Mulheres assaltadas por dependentes

No último dia 16, dia do aniversário de 90 anos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, comemoramos com a presença de LULA no Centro Sindical dos Bancários. Todo mundo muito alegre e tirando fotos com Lula.

Por volta das 21:00h, uma das amigas que organizou a festa, pegou seu carro para ir para casa. Ao descer à Rua Tabatinguera, o farol fechou, ela parou o carro e, de repente ouviu o barulho imenso do seu lado direito. Ao olhar para trás viu uma pessoa entrar pela janela quebrada do seu carro, pegar sua bolsa e sair andando. Nem correu, apenas saiu andando.

O ladrão que roubou sua bolsa no farol da Tabatinguera, também roubou um monte de pequenas lembranças da mãe e do pai da nossa colega. Levou também documentos do plano de saúde dos filhos, além de todos os documentos e cartões da nossa colega.
Ainda em estado de choque ela procurou ajuda e recebeu indicação de onde era a delegacia de polícia mais próxima. Ao chegar lá para fazer o famoso Boletim de Ocorrência, relatar tudo que aconteceu, ouviu do delegado:

“Com o dinheiro que você tinha na bolsa, o ladrão vai comprar um monte de pedrinhas de crack.”

Ela perguntou inocentemente:

“E por que não prendem ou recolhem estes ladrões dependentes de drogas?”

O delegado educadamente respondeu:

“A gente prende e depois eles são soltos e voltam para os mesmos lugares,
continuam assaltando e matando,
e a gente continua fazendo mais Boletins de Ocorrências.”



3 comentários:

  1. Não conheço as estatísticas, mas quero crer que o número de latrocínios praticados por dependentes químicos seja pequeno.

    O crack é de fato uma droga terrível, até porque é uma droga "suja", feita do rebotalho do processamento da cocaína. Mas virou o novo fantasma, a nova encarnação do Outro a ser temido e isolado. Tem um monte de desinformação a respeito. Chegam a dizer que vicia no primeiro uso, o que é um absurdo, pra quem conhece um mínimo de bioquímica.

    Ruy Castro está certo, é um problema de saúde pública. É também um problema social. Não adianta desintoxicar o cara e depois jogá-lo na mesma vida desgraçada e sem perspectivas.

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    1. Ok Joel, concordo contigo. Porém não podemos ficar sem proteção do poder publico (policia). O sujeito (vulgo doente) parece que sabe que pode assaltar, te machucar, bater em idosos, etc e por ser "usuário" desta droga imunda, não vai ser penalizado.... Os mais ricos blindam o carro e se sentem seguros. E nós? MEDO!!! Abs fraterno.

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  2. O crack é uma questão de educação, social, política e de segurança e saúde pública, além de espiritual.
    Primeiro, é preciso conscientizar às crianças para que não experimentem drogas. Em seguida é preciso que elas sejam estimuladas a estudar, para obter seu sustento através de trabalho.
    Também é necessário conscientizar as famílias carentes que elas devem mandar as crianças para a escola, não para garantir o recebimento do Bolsa Família, mas para aprender e torná-las cidadãs capacitadas para enfrentar o futuro.
    Que se criem formas de atendimento, acompanhamento e tratamento para os familiares dessas crianças. Não adianta dar benefício financeiro, é preciso levá-los de volta à escola para capacitação profissional e encaminhá-los ao trabalho. Melhorar as condições de vida das comunidades, oferecendo saneamento básico, transporte, atendimento médico e odontológico, condições dignas de sobrevivência. Também é preciso o apoio espiritual, pois quem teme a DEUS não usa drogas.

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