segunda-feira, 8 de abril de 2013

Alemanha desequilibra a Europa

Thatcher foi contra a Unificação da Alemanha

A Alemanha em tempo de paz já é uma ameaça permanente, agora imaginem a Alemanha em tempo de guerra?

Sempre é uma tragédia coletiva. O único país da Europa que, sozinho, pode enfrentar a Alemanha é a Rússia, os demais sempre precisaram se juntar para enfrentar o alemães. Nem o Romanos, nem Carlos Magno consiguiram sozinhos derrotar completamente os alemães.

Juntos, os europeus são fortes, sozinhos contra os alemães não aguentam um mês de briga. Mas, daí ser contra a reunificação das duas Alemanhas é outra história. Tanto é que Thatcher não assumia publicamente que era contra. Os Estados Unidos foram decisivos na reunificação. Este é um mérito histórico.

Mas, mesmo agora a Alemanha ameaça a Europa?
Sim, de forma não bélica, mas economicamente a superioridade alemã sufoca os demais países.
A União Europeia só será forte se reconhecer as diferenças entre todos os participantes. Daí que a crise do Euro ganhar força e provavelmente veremos a flexibilização da moeda, como forma de salvar os países menos competitivos.

Para solucionar o presente, é preciso aprender com o passado.
Leiam esta boa matéria do Estadão.

Thatcher tentou evitar a reunificação da Alemanha,
revelam documentos


Segundo documentação tornada pública pelo governo britânico,
ex-premiê acabaria isolada e derrotada no debate

Agência Estado – 08/04/2013 | 19h 27 - Jamil Chade, correspondente em Genebra

GENEBRA - Margaret Thatcher tentou evitar a reunificação da Alemanha ao final da Guerra Fria, temendo que o novo país com a capital em Berlim desequilibraria o poder na Europa. Documentos revelados pelo governo britânico e que foram tornados públicos revelaram que, assim que ficou sabendo da queda do Muro de Berlim em 1989, Thatcher se lançou em um lobby para frear a reunificação da Alemanha do Leste e a Alemanha Ocidental. Mas ela acabaria isolada e derrotada no debate.

"Vencemos os alemães duas vezes. Mas eles agora estão de volta", teria dito a inglesa num jantar com outros chefes de estado no dia 8 de dezembro de 1989. Ela se referia às duas guerras mundiais. Thatcher, nos anos 80, foi peça central nos últimos anos da Guerra Fria e sua aliança incondicional com Washington moldou o fim do século XX.

Mas, na Europa, os documentos revelam que as discussões entre ela e o então chanceler alemão, Helmut Kohl, eram abertas, diretas e mesmo agressivas.

O primeiro sinal dessa sua atitude veio no próprio dia da queda do muro, em 9 de novembro de 1989. Naquele momento, o embaixador britânico em Bonn, Christopher Mallaby, enviava telegramas desesperados pedindo uma reação de Londres. Mas a ordem era de silêncio. Mallaby chegou a escrever que seria de "interesse britânico" que Londres fizesse uma declaração positiva.

Poucos dias depois, o então ministro das Relações Exteriores, Douglas Hurd, visitaria Berlim já com a posição de Thatcher em seu discurso. "A reunificação não está atualmente na agenda", declarou.

Inicialmente, Thatcher não estava sozinha. François Mitterrand, então presidente francês, chegou a alertar no dia 20 de janeiro de 1990 que uma Alemanha reunificada poderia ser perigosa. Um dos assessores de Thatcher chegou a dizer que Mitterrand teria dito que a nova Alemanha teria "mais influência que a Alemanha de Hitler", algo nunca confirmado em Paris.

Mitterrand acabaria cedendo e aceitando a reunificação. Mas Thatcher continua resistindo. A britânica acabaria propondo um plano de cinco anos para a reunificação, na esperança de reduzir o impacto do processo e reduzindo a influência dos alemães nas instituições europeias. Thatcher, no dia 2 de fevereiro de 1990, ainda escreveria que nem mesmo o fortalecimento da Comunidade Europeia conseguiria frear a influência alemã. "As ambições alemães se transformariam no fator ativo e dominante", declarou.

Um mês depois, ela chegaria a convocar um seminário com os maiores historiadores da época para lidar com uma questão: "até que ponto os alemães são perigosos". Kohl nunca esqueceria do tratamento que recebeu da britânica e, em suas memórias publicadas anos depois, não economizou ataques à Dama de Ferro.


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