domingo, 10 de março de 2013

Xenofobia Americana

Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

Não é a primeira vez, nem será a última, que um país colonizador, imperialista, conquistador de mercado, usará da prática xenófoba para prejudicar o concorrente. Os impérios, desde a antiguidade pregam uma coisa e fazem outra.
No caso da economia americana, os japoneses chegaram primeiro, conquistando ampla fatia do mercado automobilístico e de equipamentos eletrônicos, os alemães, holandeses e outros países europeus também estão presentes.

Mas agora, empresas chinesas e até brasileiras estão conquistando o mercado americano e os empresários “nativos” começam a reagir. E quando os nativos americanos reagem, lá “vale tudo”, inclusive matar literalmente os presidentes e oposicionistas...

Vejam as sutilezas desta matéria, publicada neste sábado, dia 9, no Estadão.

Queremos sim, um Brasil capitalista, competitivo internacionalmente e que respeite as regras do jogo. Sem golpismos...

NOS EUA, CRÍTICAS À GESTÃO 'BRASILEIRA' NA AB INBEV


Ações na Justiça e artigos na imprensa acusam a empresa, comandada por brasileiros, de se importar mais com corte de custos que com a qualidade

09 de março de 2013 | 2h 10 - O Estado de S.Paulo

Desde que anunciou, em junho passado, sua intenção de adquirir 100% do controle da cervejaria mexicana Grupo Modelo, a Anheuser-Busch InBev vem sendo alvo, nos Estados Unidos, de uma onda de críticas com certos tons de xenofobia. A primeira manifestação aconteceu em outubro, quando a revista Bloomberg BusinessWeek publicou uma matéria de seis páginas, chamada "The Plot to Destroy America's Beer", ou, em português, "O plano secreto para destruir a cerveja americana".

Em seguida, outros artigos foram publicados em grandes jornais dos Estados Unidos, como o The New York Times e o The Washington Post. Todos comentando a possível formação de um duopólio da cerveja no mercado americano que poderia se formar caso a AB InBev concretize a compra de mais 50% das ações da Modelo. É um debate válido, diz Trevor Stirling, analista especializado no mercado de bebida da Sanford Bernstein, de Londres. "Mas é claro que a xenofobia acrescentou mais pimenta à discussão", afirma ele.

No artigo da Bloomberg BusinessWeek, ao descrever o brasileiro Carlos Brito, presidente mundial da empresa, o autor diz que ele se veste como o gerente de uma loja local de ferramentas. Ao comentar sua atuação frente à companhia, a revista diz: "Ele arrisca a devoção dos amantes de cerveja americanos ao mexer com a receita da Budweiser em nome da redução de custos."

Em fevereiro, o The Washington Post publicou uma matéria intitulada "Beer merger would worsen existing duopoly by AB InBev, SABMiller" (ou "Fusão das cervejas acentuará duopólio entre AB InBev e SABMiller), na qual chama Brito de "hard-nosed", ou seja, uma pessoa pragmática que não tem paciência com quem não é como ela.

"Sempre haverá quem reclame do fato de a AB InBev ter quase 50% das vendas nos Estados Unidos. Mas agora que a empresa é controlada por estrangeiros, essas pessoas têm se manifestado ainda mais", diz Stirling.
Consultada para comentar o assunto, a AB InBev não respondeu à reportagem.

Água. Há duas semanas, a AB InBev também foi alvo de três processos abertos na Justiça americana, que alegam que a cerveja Budweiser, fabricada pela empresa, está sendo vendida com teor alcoólico mais baixo que o indicado no rótulo, uma vez que a companhia estaria colocando mais água na cerveja.

A companhia reagiu com humor. Publicou, na semana passada, uma página inteira de anúncio nos dez maiores jornais americanos, incluindo o The New York Times e o Los Angeles Times, com a foto de uma edição especial de água mineral em lata, com o antigo logotipo da Anheuser Busch, que a empresa envazou para doar para a Cruz Vermelha americana. Acima da foto, a frase: "Eles devem ter testado uma dessas", referindo-se aos testes de teor de água incluídos nos processos.

"Essas ações são movidas por gente que quer ganhar dinheiro fácil na Justiça", diz o analista da Sanford Bernstein. "A própria Anheuser Busch chegou a ser processada pelo mesmo motivo antes de ter sido comprada pela Inbev. Além disso, todas as cervejarias colocam água na cerveja. Elas fabricam primeiro uma cerveja mais concentrada e depois acrescentam água", afirma Stirling.

Todas as acusações e provocações endereçadas à AB InBev, segundo outro analista, que preferiu não se identificar, não têm fundamento. "A imprensa acusa a companhia de se importar apenas em cortar custos em detrimento da qualidade da cerveja. Mas a AB InBev faz o mesmo que muitas outras multinacionais americanas fazem. A única diferença é o time brasileiro." / LÍLIAN CUNHA

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