terça-feira, 5 de março de 2013

Vaticano – O jogo principal é o dos bastidores

Na Igreja, quem fala muito pode pouco

É da tradição religiosa e jurídica, além do mundo empresarial,
que o silêncio e a cautela façam parte fundamental do “jogo do poder”.

QUEM FALA MUITO PODE POUCO.

Por isto que os reais candidatos a papa se calam e a imprensa especula. Se cresce a ideia de que o novo papa será “não europeu”, como já foi dito neste blog, considerando-se esta premissa verdadeira, automaticamente cresce a possibilidade de D. Odilo Scherer ser escolhido papa.

Ele tem tudo a ver com a cara da Igreja atual, com a vantagem de estar menos à direita do que o papa que saiu. O fato de estar menos a direita não significa, em hipótese alguma, de que ele tenha a simpatia da esquerda. Não tem. Mas, pode ser a ponte entre a direita hegemônica atual e o povo religioso e carente do mundo. Afinal, São Francisco de Assis não era nem de direita nem de esquerda. Ele era simplesmente o melhor possível entre os homens normais que viveram na terra.

Como Deus escreve certo por linhas tortas, pode ser que, com a necessidade de se ter um papa não europeu, o Brasil seja agraciado com um papa brasileiro. Mesmo porque os brasileiros sempre acharam que “Deus é brasileiro!”. Só faltava um papa, para consagrar a fé e a crença de que o Brasil pode vir a ser “o coração do mundo e a pátria do Evangelho”.

Se o Brasil se acertar com a Itália na religião,
pode ser que a Itália se acerte com o Brasil na política.
Aqui o Tiririca não é sectário,
mas na Itália o Grillo quer ver o circo pegar fogo.
Literalmente!

Que comecemos com Jesus e sua Igreja...

Vejam esta nova matéria do Estadão de hoje.
Muito interessante!

Grupo defende dobradinha Brasil-Itália

05 de março de 2013 | 2h 04
JAMIL CHADE, É jornalista - O Estado de S.Paulo

Na sexta-feira, um dia após a renúncia de Bento XVI, alguns cardeais que farão parte do conclave foram chamados para uma reunião informal em Roma e receberam uma proposta que pode ter influência na eleição da próxima semana: dar apoio à d. Odilo Scherer para o cargo de pontífice e, ao mesmo tempo, garantir a nomeação do cardeal italiano Mauro Piacenza para o cargo de secretário de Estado, uma espécie de primeiro-ministro da Santa Sé, com amplos poderes políticos. Outra opção seria a nomeação para o cargo do argentino Leandro Sandri, mas que há 30 anos vive em Roma e é considerado um "local".

O objetivo seria claro: convencer cardeais italianos a não apoiar Angelo Scola, arcebispo de Milão, e garantir que um italiano mantenha um cargo central na Santa Sé. Scola é o grande favorito entre os italianos. Mas não é consenso entre o bloco de 23 eleitores italianos no conclave.

O Estado revelou na semana passada que um grupo formado por cardeais americanos e europeus começou a manobrar e buscar apoio para que d. Odilo seja considerado um nome forte na primeira rodada da eleição.

Fontes confirmam agora que o projeto ganhou novas dimensões e começaria a ter uma "estrutura". Mesmo que em Roma todos insistam que os nomes surgirão apenas no primeiro dia do conclave, as negociações já são amplamente conhecidas. A proposta de uma candidatura ítalo-brasileira já havia sido mencionada pelo jornal La Stampa, que indicou que cardeais como Angelo Sodano e Giovanni Battista Re seriam favoráveis à ideia.

De um lado, a Igreja daria um sinal ao mundo de abertura, ao escolher um latino-americano. E, internamente, garantiria o poder político nas mãos dos italianos.

O cardeal Mauro Piacenza é o prefeito da Congregação para o Clero e profundo conhecedor das entranhas do Vaticano. Seu nome teria agradado a muitos, principalmente por representar uma ala italiana menos conservadora que Scola.
Cardeais contrários à Scola também insistem que Piacenza é conhecido por sua "ampla capacidade diplomática". Em outras palavras, alguém que conseguiria driblar as crises no Vaticano.

Segundo as fontes que estão acompanhando as negociações, várias questões ainda estão em aberto nas reuniões. Uma delas se refere a qual seria a garantia de que Scherer aceitaria nomear Piacenza como seu braço direito.
Outra questão é a reação dos demais cardeais latino-americanos. No Vaticano, está sendo emblemática a falta de uma coesão na região, marcada por amplas divisões.

Mas o grupo estaria disposto a ouvir outras sugestões para o cargo de secretário de Estado, e o nome do argentino Leonardo Sandri também foi citado. Aos 62 anos, o argentino deixou Buenos Aires com 27 anos e nunca mais voltou. Hoje, é citado como ítalo-argentino.

Se Piacenza está optando por um silêncio absoluto, Sandri adotou uma estratégia oposta. No domingo, concedeu uma entrevista a uma agência internacional apresentando na prática seu "programa de governo".

O argentino defendeu um "maior papel" para as mulheres na Igreja, um papa com vigor, capacidade para comunicar e também "habilidade para governar".



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