domingo, 3 de março de 2013

Quem mente mais: A Folha, o PSDB ou o PT?

Debate está partidarizado demais

Vinicius, articulista da Folha, como Clovis Rossi e Jânio de Freitas, formam um time que trabalham na Folha, mas, parece que – ou não podem criticar publicamente a Folha, ou então não leem a própria Folha.

O artigo que reproduzo abaixo, publicado na Folha de hoje e de autoria de Vinicius, é muito bom, só tem um problema: ele não cita que quem mais partidariza tudo que escreve é a própria Folha e, por tabela, seus reprodutores de “opiniões”, que são os demais órgãos de imprensa. Todos viraram vassalos da Folha. Todos querem “ficar iguais à Folha”, mesmo no seu aspecto negativo.

A Folha vive “editando” notícias e fatos, fazendo o leitor ter uma impressão que não corresponde à realidade. Muitas vezes, o título é desautorizado pela reportagem. Mas, na Folha, para se combater o PT “vale tudo”. No Estadão, FHC e seus assessores, vivem escrevendo um monte de bobagens, mas lá são matérias assinadas na página dois e lê quem quer. Na Folha não, são manchetes, notícias forjadas para denegrir o PT e enganar o leitor. É imprensa marrom, parecendo a Veja.

Mas, nem tudo está perdido. O povo cada vez mais lê livros, jornais, revistas, tem acesso às redes sociais e viaja ao exterior. O Brasil de hoje mudou muito. E mudou para melhor. A Folha, o PT, o PSDB, o PMDB, a Igreja, os Evangélicos, enfim, todos contribuímos para isto.

Bem que a Folha poderia ser um jornal do Brasil e para o Brasil. Aos poucos a Folha vai perdendo a oportunidade de ser o quê já foi: O melhor jornal do Brasil.
Mas ainda temos gente como Vinicius, Clovis Rossi e Jânio de Freitas...

Mentiras petistas e tucanas

Folha - Vinicius Torres Freire – 03/03/13.

Pibinhos e Pibões não dizem tudo sobre um governo; debate está partidarizado além da conta

ESTÁ DIFÍCIL de achar um canto onde a conversa sobre Pibinhos e Pibões não esteja adulterada por mentiras cruas, pílulas douradas e outras malversações da inteligência e da dignidade.

O descaramento das turumbambas entre tucanos e petistas contribui muito para a degradação da conversa, como se sabe.
Mas por que damos de barato que a política politiqueira grossa domine todo o debate político entre os partidos que muito mal e mal ainda merecem tal nome? Pior que isso, a grossura domina muito do debate entre simpatizantes mais instruídos e menos envolvidos na refrega eleitoral.

Democracias costumam suscitar comportamentos demagógicos e populistas. Mas exageramos até no debate que deveria ter mais substância e clareza. Nem explicitamos interesses de classe (ou algo assim) ou a lógica econômica dos argumentos.

Exemplo. Muita gente sensata diz que consumimos demais, investimos menos, com o que crescemos pouco. Isto quer dizer, desculpem, que devemos consumir menos e investir mais (mesmo que isso apenas não resolva nossos problemas).
Como? Por exemplo, limitando gastos correntes do governo (afora investimento) e salários, uma intersecção que de imediato sugere restrição ao aumento do salário mínimo e de benefícios sociais, por algum tempo.

Certo ou errado, é o que está na cabeça da maioria dos economistas públicos mais relevantes e é mesmo dito de modo disfarçado pela maioria dessa maioria.

Dilma Rousseff chutaria o eleitorado se fizesse tal coisa. Mesmo que achasse correto fazê-lo, o tempo político é curto. A próxima eleição está sempre ali na esquina. Os danos seriam imediatos; eventuais benefícios viriam no governo seguinte.

Mas o que governo, sindicatos ou movimentos sociais propõem para lidar com inflação (excesso de consumo), custos produtivos, poupança ínfima, investimento baixo? Aliás, calam-se também todos os muitos empresários beneficiados por subsídios e proteções do governo.

Mais exemplo. Governos podem ser avaliados apenas por Pibinhos e Pibões? Não. Petistas e tucanos mentem sobre o passado e o presente. Quando a economia se arrastava sob Lula 1, tucanos faziam troça da inépcia petista. Quando crescemos a mais de 4%, passaram a dizer que o sucesso se devia à herança de FHC.

Petistas chutam a "herança maldita" de FHC. Qual? Menos inflação, fim da esbórnia fiscal dos Estados, controle da baita crise bancária, empresas algo mais eficientes? Pode-se maldizer heranças fernandinas, claro, mas gente civilizada do governo petista não cospe nesse prato (mas não o dizem de público).

Sim, governos podem causar danos imediatos. Mas muitas de suas melhores ações farão efeito mais tarde (como iniciativas de Dilma, como a maioria das decisões de FHC). Surtos de crescimento ou crise muita vez dependem de ações passadas, de efeitos externos ou de incógnitas. De resto, decisões de política econômica são, bidu, políticas; o debate não se resolve num seminário acadêmico. Mas fomos longe demais no partidarismo.
vinit@uol.com.br

Um comentário:

  1. Gilmar,
    vejamos nesse trecho se há honestidade intelectual do Vinicius:

    "Petistas chutam a "herança maldita" de FHC. Qual? Menos inflação, fim da esbórnia fiscal dos Estados, controle da baita crise bancária, empresas algo mais eficientes? Pode-se maldizer heranças fernandinas, claro, mas gente civilizada do governo petista não cospe nesse prato (mas não o dizem de público)."

    Primeiro, a técnica: é da estirpe de jornalistas inteligentes que tentam passar isenção em suas opiniões (ou melhor, passar independência de posições) expor boas práticas de um lado e de outro dos que debatem pela hegemonia política para cutucar num cantinho uma verdade factual inexistente. Essa verdade factual inexistente é o produto dessa técnica de redação. Como o autor vem dissertando com moderação e assim mostrando-se independente das posições sob contenda, a afirmação no canto, aquela cutucada elegante, passa despercebida e resta subentendida como verdade factual.

    É o que se colhe do trecho do Vinicius que eu destaquei acima.

    Segundo, a antítese: Qual a inflação do último ano de FHC? 12,5%. Onde está a verdade de "menos inflação" no governo FHC?
    E o fim da "esbórnia fiscal" dos estados? Onde a achamos? Na guerra do ICMS entre os estados oferecidos em prato de louça aos empresários? Na assunção das dívidas dos estados "amigos" pelo Tesouro Nacional, e a dívida pública federal aumentada? (cujo pagamento passou a ser dividido com todos os estados, registre-se).
    E onde achamos o controle da "baita crise bancária"? Na facilitação aos bancos Marka/Fonte Cindam na desvalorização do real em janeiro/95? Ou na facilitação oferecida ao Banco Nacional, cuja filha presidencial era herdeira? Ou estaria nos 35 bilhões de reais (incorporados na dívida da União) gastos na "limpeza" do Banespa para depois vendê-lo por 7,5 bilhões?
    Por fim, Caro Gilmar, vou confessar que as empresas estão sim, "algo mais eficientes". Como testemunhas dessa eficiência chamo o testemunho dos usuários da VIVO, da TELEFÔNICA, da TIM, da CLARO, da OI (agora, BROI), todos, evidentemente todos, muito felizes e satisfeitos com a eficiência, o baixo preço, a qualidade dos serviços e a presteza do telemarketing das operadoras.

    Ao que parece, o Vinicius cumpriu mais um papel, esconder sob técnicas habilidosas verdades factuais inexistentes e fofocas tradicionais obscuras: "gente civilizada do governo petista não cospe nesse prato".

    Eu devo ser incivilizado, porque estou cuspindo no prato fernandista? Claro que não! O Vinicius escreveu sobre gente civilizado do governo petista. Eu não sou parte do governo petista (desdobramento da técnica de redação). Sou aposentado. Mas o Vinicius vai ter que buscar um discurso mais aprumado pra tentar me enganar.

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