domingo, 31 de março de 2013

PT, Eleições e Classe Média

A Classe Média forma opinião

O PT era um partido majoritariamente de classe média. Com o tempo virou o partido do povão, mas perdeu parte significativa da classe média, embora tenha governado muito para o povão, para a classe média e para os ricos. Todos ganharam com o governo do PT.

Então, por que parte significativa da classe média se afastou do PT?

Por que o PT fez muitas concessões aos partidos políticos, como forma de garantir a governabilidade no Congresso Nacional. Mas não cuidou de teorizar e fundamentar bem a relação com a classe média. O povão quer ser classe média, mas a classe média não quer ser povão. Esta é uma realidade que não pode ser ignorada.

Como nossa imprensa resolveu ir para a direita inescrupulosa, o PT, além de não reforçar a aliança com a classe média, ficou refém da imprensa mentirosa e manipuladora. Aumentando assim a desconfiança da classe média em relação aos compromissos do PT.

Poderíamos reforçar a aliança com o povão sem se afastar da classe média? Poderíamos. Daria mais trabalho, mas não ficaríamos somente na defensiva da “governabilidade”.

Para nossa alegria, Dilma ajudou muito a recuperar o apoio da classe média.

Mas o partido precisa ajudar mais. Feliciano foi outro mau exemplo. O PT não precisava ter passado por isto. Deveria ter sido mais cuidadoso. Precisamos tomar cuidado com os parlamentares com ficha suja tanto do ponto de vista da honestidade como da idoneidade moral e dos valores democráticos.

Além de elaborar a lista das bondades para a classe média, vamos ajudar Dilma e o PT a voltar a se relacionar bem com a classe média?

Vejam esta matéria do Estadão de ontem:

Pasta 'empacota' programas para a classe média


Secretaria de Assuntos Estratégicos vai integrar projetos de apelo eleitoral
e complementá-los com ações de outras áreas

30/03/2013 | 2h 08 - DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Depois de dez anos batendo na tecla do combate à pobreza, o governo federal prepara um "pacote" assistencial para a classe média, que representa hoje 52% da população brasileira. A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE) está mapeando todos os programas já disponíveis para este estrato social. Após identificados, eles serão integrados e complementados por ações de outros ministérios.

A iniciativa seguirá o mesmo script do processo que deu origem ao Brasil Sem Miséria, plano que unificou uma centena de ações de transferência de renda aos mais pobres.

Para o economista Ricardo Paes de Barros, subsecretário de Ações Estratégicas da SAE e um dos líderes deste mapeamento, "hoje o governo brasileiro tem uma quantidade enorme de programas voltados para a classe média, mas não são percebidos pela população dessa forma porque não estão organizados e empacotados assim".

"É nada mais que pegar grande parte daquilo que a gente já faz, organizar, dar uma estrutura e perceber pontos cegos. Os ministérios específicos terão o dever de casa de completar o que está faltando. É explicitar o que implicitamente o governo brasileiro já tem, como valorização do salário mínimo. Mas não há prazos e a presidente vai lançar quando e se achar que é conveniente."

O ministro interino da SAE, Marcelo Neri, concorda: "Falta esse empacotamento e acho que ele já está no horizonte, porque o número de pobres está sendo reduzido". Neri, que assumiu a Secretaria há pouco mais de uma semana, já vinha estudando o assunto como presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), instituição vinculada à pasta que agora comanda.

"A frase de que 'o fim da miséria é só o começo' está querendo dizer 'o que vem depois?'", explica Barros. O jogo de palavras que aponta para os passos futuros da gestão de Dilma Rousseff foi criado pelo marqueteiro João Santana e apareceu, por exemplo, em propaganda do governo federal na TV em fevereiro deste ano.

Conforme classificação da Secretaria, integra a classe média hoje o brasileiro que dispuser de renda per capta entre R$ 291 e R$ 1.019 mensais. Abaixo disso, faz parte da classe baixa (28% população), e acima deste patamar, da alta (20% dos cidadãos), de acordo com dados organizados pela SAE e publicados no estudo "Vozes da Classe Média 2", em novembro do ano passado.

Segundo Neri, as necessidades da classe média são diferentes das dos mais pobres. "Aqui o plano é menos ligado à transferência de renda e mais associado ao fornecimento de serviços públicos de qualidade, revolução do ensino, melhoria nos transportes."

Outro viés das pesquisas no âmbito da SAE apontam que hoje o cidadão da camada social intermediária não sonha apenas com um trabalho com carteira assinada, mas com estabilidade no emprego.

Por isso, iniciativas de valorização do profissional como o Pronatec, de acesso ao ensino técnico, e o Ciência Sem Fronteiras, de intercâmbio para estudantes de graduação e pós, entrarão neste plano ainda embrionário e sem nome.

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