domingo, 24 de março de 2013

Eleições e Mercantilismo

Para todos prestarem atenção

Como no Brasil os Partidos Políticos negociam tudo, como se fosse mercadorias; a Imprensa orienta os partidos como se fossem os patrões dos políticos; e o judiciário investiga, julga e manda prender conforme orientações da Imprensa e das “Forças Ocultas”, é bom que todos, que estão vendendo, comprando, ou apenas sendo “eleitores”, prestem atenção neste bom artigo de Vinícius Torres.

Está publicado na Folha, mas é bom. Não desmerece o conteúdo.

Dilma vence primeiro tempo

Oposição não tem treinador, reforço, esquema tático, torcida e tem medo de sair do vestiário

Folha – 24/03/2013 - Vinicius Torres Freire

PRESIDENTES populares podem perder eleições? Decerto não levam para as urnas todos os seus votos de prestígio, como é fácil perceber pelos recorrentes segundos turnos das disputas presidenciais no Brasil.
Diz-se que o carisma de Lula elege postes. Mas o ex-presidente não teve carisma para vencer as eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998. A beatificação de Lula aconteceu em algum momento de seu primeiro governo.

Dilma Rousseff não tinha o jeitão e menos ainda o jeitinho da liderança carismática, mas é uma governante tão popular quanto Lula. Além de gostar de seu governo, o povo gosta dela também, indicam pesquisas recentes.

Quase carregado pelas ruas e sertões na campanha de 1994 ("meninos, eu vi"), reeleito em 1998 apesar de dois anos de tumulto econômico e agito social de PT e aliados, FHC viu seu prestígio desabar para sempre depois da desvalorização do real, em janeiro de 1999.

Mais ou menos um quinto do eleitorado que aprovou com louvor Lula ou Dilma não votou no ex-presidente ou não pretende votar na presidente. Quantos outros podem mudar de ideia?
A sorte da oposição depende da queda de um meteorito econômico ou escandaloso sobre Dilma? Quão forte é o vínculo da massa mais pobre com Dilma, Lula e/ou o PT?

Note-se de passagem que as políticas petistas populares vão muito além do clichê do Bolsa Família e do salário mínimo melhor; favorecem pessoas de classe muito variada.

Afora a grande expansão dos programas de transferências direta de renda, há o ProUni, as cotas na universidades, o Minha Casa, Minha Vida, os milhões de microcréditos para miniempresários, a formalização dos assalariados e dos autônomos e por aí vai, para programais mais capilarizados.

Isto posto, parte dessas pessoas não vota no candidato petista. Talvez o vínculo seja menos forte ainda devido ao fato de que a incorporação dos pobres se dê de forma em geral passiva, e não por meio de mobilização política forte.
Insatisfeitos de elite é o que não falta e há cada vez mais. Parecem, porém, passivos ou incapazes de oposição eficaz.

O "fenômeno Marina (Silva)" mostrou que há gente à procura de "terceira via", além de eleitorados fulos com a relativa estagnação de sua renda (no topo da pirâmide).

Empresários têm demonstrado sua insatisfação com o governo "votando com o bolso": investem pouco, em parte porque desconfiam do rumo que o governo dá à economia (há, ainda desafetos terminais, ideológicos ou programáticos).

Governadores e prefeitos estão irritados.
Perdem receita devido às desonerações de impostos; pagam salário mínimo maior e salários maiores para professores também devido a políticas federais. A maioria dos Estados bateu Dilma no Congresso na votação dos royalties do petróleo.

Por falar nisso, fazia tempo que o governo não levava tantas invertidas no Congresso, que Dilma sempre considerou um problema, tanto que seu governo evita quanto pode o Parlamento.

Esses setores insatisfeitos vão "ligar os pontos", organizar uma candidatura e um programa que vá além de gestionices e hipocrisias "éticas", quando não de ideias francamente reacionárias?

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